domingo, 19 de abril de 2026

Espinhos que ferem - III

Três vezes Paulo pediu a Deus para retirar o espinho de sua vida. Deus disse não. O espinho na carne de Paulo tinha uma função pedagógica: ensinar-lhe a não trilhar o caminho do orgulho. Diante da grandeza e sublimidade das revelações, o apóstolo poderia trilhar a estrada da exaltação, da soberba.

Não é incomum encontrar cristãos que, após um grande livramento do Senhor, seja de uma enfermidade ou de situação embaraçosa, se gabam e publicam em alto e bom som que sua fé foi determinante para a ação de Deus. Falam como se fosses os detentores da maior capacitação de fé em toda a história. Por certo, não eram melhores cristãos do que Paulo e, mesmo assim, Deus disse “não” a este.

Todas as experiências de livramento, de cura e solução experimentadas pelos cristãos são produto da bondade e misericórdia do Senhor e nunca do nível de espiritualidade detectado em suas vidas.

Ainda que o espinho em sua carne permaneça e você não tenha certeza de que ele sairá, mesmo assim, exalte ao Senhor. Ele está dizendo para você: “arquei soi n káris mou”, “basta a ti a graça minha”.

sábado, 18 de abril de 2026

Espinhos que ferem - II

Você imagina ter um espinho na carne, pedir a Deus para retirá-lo e a resposta for “a minha graça te basta”? Ou seja: o espinho vai continuar te ferindo, mas você terá a minha graça, ela é bastante.

É muito compreensível se Paulo replicasse: como a tua graça me basta, eu tenho um espinho me ferindo? Eu tenho dor. Eu estou sofrendo.

O espinho me angustia.

O espinho me banaliza.

O espinho me chicoteia.

O espinho me danifica.

O espinho me escraviza.

O espinho me fere.

O espinho me golpeia.

O espinho me humilha.

O espinho me inferioriza.

O espinho me julga.

O espinho me limita.

O espinho me machuca.

O espinho me neurotiza.

O espinho me oprime.

O espinho me prejudica.

O espinho me quebra.

O espinho me recalcitra. 

O espinho me subjuga.

O espinho me traumatiza.

Esse espinho me usurpa.

Ele me vence.

O espinho me dá uma coça.

O espinho me zombeteia.

Mas Paulo não reage assim e aprende uma lição extraordinária: quando estamos quebrados é que Deus mais age em nossa vida. É na fraqueza humana que o poder divino se aperfeiçoa.