sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Babel ou Betel? - IV

Nos versos de um a quatro do capítulo onze, sabemos das ações e intenções dos homens em construir a torre. Nos versos cinco a nove, vemos o juízo de Deus sobre aqueles homens.

No verso cinco lemos assim: “Então o Senhor desceu para ver a cidade e a torre, que os filhos dos homens estavam construindo”. Deus desceu.

Em vários outros textos da Bíblia há sinalizações da descida de Deus. Ele precisa descer para saber de alguma ação humana? De certo que não. Por que, então, há o registro que Ele desceu?

A ideia da descida de Deus demonstra seu cuidado com a criação. Deus não criou o ser humano e o abandonou ao léu da sorte. Não, ele não fez isso e nunca fará. Não somos como os deístas (d de dado) que acreditam que Deus, após a criação, abandonou tudo e todos e foi observar de seu trono como eles se virariam. Somos teístas (t de trabalho), acreditamos no Deus Eterno que criou todas as coisas e o ser humano e continua caminhando com ele, suprindo-lhe suas faltas, ajudando-o a prosseguir, confrontando-o com amor.

Lembre-se de uma coisa: você não está sozinho nas batalhas da vida, Deus desce para estar com você!

Babel ou Betel? - III

A finalidade da construção da torre revela a fraqueza humana em três áreas muito perigosas:

A primeira área é a religiosidade. Eles intencionavam chegar ao céu. Todo ser humano tem necessidade de relacionar-se com o divino. Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski, escritor, filósofo e jornalista russo, declarou que “o homem tem um vazio do tamanho de Deus!”. O conteúdo que preenche esse vazio não é a religiosidade.

A segunda área é a notoriedade. O desejo de se tornar grande e ser notório é uma permanente tentação na vida do ser humano. Mesmo quando se luta contra essa tendência, no fundo, lá no fundo mesmo, insiste um desejo de grandeza.

A terceira área é a desobediência. Era clara como a límpida água a orientação divina de encher a terra. Mas vem a inclinação humana de sempre desobedecer. Não havia uma afrontosa desobediência, mas, sutilmente, desobedeciam com um evento que poderia passar despercebido.

Muito cuidado com as finalidades de nossas atitudes e ações, Deus pode reprovar, mesmo que a cultura não reprove.

Sacou?

Babel ou Betel? - II

Em Gênesis 11. 2 e 4, lemos: “Os homens partiram do Oriente, encontraram uma planície na terra de Sinar e habitaram ali. E disseram: Venham, vamos construir uma cidade e uma torre cujo topo chegue até os céus e tornemos célebre o nosso nome, para que não sejamos espalhados por toda a terra”.

Qual é o problema de se construir uma torre? Aparentemente, nenhum. Mas, quando se descobre a finalidade do projeto, a intenção do coração, aí a coisa pega e o texto bíblico dá as pistas onde está o pecado.

Primeiro, o topo da torre chegará até o céu. É a tentativa de se chegar ao céu pelo seu próprio esforço, pela sua própria inteligência. 

Segundo, nosso nome se tornará célebre. É a inversão da declaração de João Batista: “Que ele cresça e que eu diminua!”. Aqui é “que eu cresça e ele diminua!”.

Terceiro, “para que não sejamos espalhados por toda a terra”. Era a revelação da desobediência. A ordem de Deus era que eles enchessem a terra, mas deliberadamente eles assumem não obedecer. 

Muito cuidado com o que você está construindo, pode ser uma afronta a Deus!

Babel ou Betel? - I

Gênesis 11.1 registra: “Em toda a terra havia apenas uma língua e uma só maneira de falar”.

Um leitor mais atento pode, precipitadamente, sugerir uma contradição entre a afirmação deste versículo, que informa haver apenas uma língua, com os versículos cinco, vinte e trinta e um do capítulo dez, que informa, na ordem, sobre os descendentes de Noé, o seguinte: “...cada qual segundo a sua língua, segundo as suas famílias, em suas nações... segundo as suas línguas, em suas terras, em suas nações”.

Como entender “suas línguas” no capítulo dez e “uma língua” no capítulo onze? Uma explicação plausível é que o registro obedece ao critério literário e não ao critério cronológico. Sugerem os estudiosos que a narrativa do capítulo onze está situada logo após o dilúvio e o que se lê no dez após o evento de Babel.

Babel é cidade dos homens. Babel é manifestação da soberba, arrogância e prepotência. Babel é símbolo de confusão. Babel é declaração de afronta a Deus.

Você não precisa sair de Babel, mas Babel não pode entrar em você!


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

O deserto de cada um de nós - Conclusão

O deserto é a transição entre dois lugares: Egito e Canaã. Em toda a caminhada, os dois lugares influenciarão suas atitudes e decisões. Há quem foque no passado e deseje voltar à comodidade dele. E há quem foque no futuro e lute para que ele seja desvendado o mais rápido.

O passado é o Egito. O Egito traz boas lembranças: segurança, amizades, estabilidade, provisão e comodidade. E traz lembranças ruins: opressão, perda da liberdade, ausência de alegria verdadeira e dúvidas permanentes.

O futuro é Canaã. Canaã é a terra da promessa, exige fé no Eterno, tudo é intangível e as dúvidas passeiam pela mente. Terei segurança em Canaã, serei bem recebido, terei estabilidade? E a provisão será garantida?

E é numa dessas encruzilhadas do deserto que o caminhante precisa tomar uma decisão: abandonar o passado, esquecer o Egito. Não adianta sair do Egito, é preciso que o Egito saia de você! Sem abandonar o passado, você não conquistará o futuro. Sem deixar o Egito, você não conquistará Canaã.

Você é tentado a desistir com a aflição do deserto, mas não desista, Canaã está logo ali!