quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Tudo é vaidade - 19

Vamos à terceira comparação de Salomão: “Melhor é ir à casa onde há luto do que ir à casa onde há banquete, pois naquela se vê o fim de todas as pessoas; e que os vivos o tomem em consideração” - Eclesiastes 7.2.

Para mim, aqui está uma espécie de ápice do quadro depressivo que Salomão enfrentava. Não vejo sentido em concluir que estar num lugar de morte seja melhor do que num lugar de vida. Pergunte a quem trabalha num hospital especializado em casos terminais e a quem trabalha numa maternidade. Onde há mais alegria?

Sim, eu sei que surge a espiritualização e a racionalização, como: a experiência da morte é pedagógica e podemos ver o fim de todos os homens. Isso é válido. Mas sejamos sinceros: aonde desejamos fazer uma visita: numa casa com recém-nascido ou com uma pessoa em estado terminal?

Aprender com as lições do luto não nos exige concluir que é melhor do que um banquete. Pudesse, nunca estaria num ambiente de luto e sempre estaria num ambiente de festa. Mas a queda trouxe a experiência dolorosa do luto e precisamos nos ombrear com os que choram. Fora isso, tô fora!

terça-feira, 18 de agosto de 2026

Tudo é vaidade - 18

A segunda comparação de Salomão é: “...e o dia da morte é melhor do que o dia do nascimento” - Eclesiastes 7.1b.

Da crônica “A maior verdade sobre a vida e a morte: uma Leitura de dar fôlego”, do Pr. Dr. Glauner da Silva Pereira, extraímos o fragmento: “Isto é uma filosofia da vida e da morte. Morrer é natural? As pessoas geralmente respondem que sim. E por que elas dizem que morrer é natural? Porque todos morrem. Então perguntamos: nós encaramos a morte com naturalidade? Nós a vemos com familiaridade? Aqui, as pessoas prontamente dizem que não - de jeito nenhum. Nós encaramos a morte com pavor. Temos aversão a ela - uma profunda aversão natural”.

Mais uma vez, o texto sugere que Salomão está num tempo de crise, tempo de decepção. Pergunte a uma família qual a sua preferência: estar numa funerária ou numa maternidade? O sofrimento com a perda é ampliado quando se trata de gente bem jovem e de forma inesperada.

Preparemo-nos para o dia da morte e celebremos o dia do nascimento. Não nascemos para morrer, mas para viver. E Deus preparou, em Cristo, um novo nascimento para nós.