domingo, 23 de agosto de 2026

Tudo é vaidade - 23

No capítulo nove, Salomão alude à morte e sua percepção difere do Novo Testamento. A perspectiva de Salomão está limitada a tudo que acontece na terra. Sua cosmovisão é realçada pela expressão “debaixo do Sol”. Nessa perspectiva, tudo acaba aqui.

Sobre o capítulo nove, o Pr. Hernandes Dias Lopes argumenta:

Em primeiro lugar, a morte fecha a porta da esperança (9:4a). “Para aquele que está entre os vivos há esperança...”.

Em segundo lugar, a morte acaba com todo prestígio (9:4b). “...porque mais vale um cão vivo do que um leão morto”.

Em terceiro lugar, a morte encerra os privilégios (9:5). “Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tampouco terão eles recompensa, porque a sua memória jaz no esquecimento”.

Em quarto lugar, a morte encerra as atividades (9:6). “Amor, ódio e inveja para eles já pereceram; para sempre eles não têm parte em coisa alguma do que se faz debaixo do sol”.

O Novo Testamento realça a esperança de uma nova vida. Vida é dinamismo. Vida é movimento. Vida é relacionamento. Eu imagino isso tudo na eternidade.

sábado, 22 de agosto de 2026

Lança ou harpa

Quando estava em apuros, o valente e guerreiro rei fazia uso de sua lança. Com maestria invejável, amedrontava inimigos e dava segurança ao seu povo. O problema é que usava a lança quando deveria guardá-la.

O jovem tinha uma funda. E, com sensibilidade, compunha poemas e tocava também uma harpa, dedilhando-a magistral e divinamente.

Um dia, seus caminhos se cruzam. E tudo começa com uma funda, preferida no lugar de pesadas armadilhas. Um gigante no confronto do campo é destruído e o povo celebra. Mas havia outro gigante com vestes reais. A inveja o atormenta, sua lança é atirada contra o sensível músico que, lépido, se desvencilha. 

O jovem, por sua vez, ao agigantar-se o monarca, dedilha suavemente sua harpa, que, imediatamente, o acalma. É mais poderosa que a lança. Ele se agiganta novamente e quer matá-lo, mas havia um plano. E ele está se desenrolando para a aposentadoria da lança e o reinado da harpa. O gigante do campo foi tombado com a funda. O gigante real é acalmado com a harpa.

Na vida, escolhe-se usar a lança ou a harpa. Em alguns momentos, pode-se usar a lança. Noutros, não se deve usá-la, mas, sim, a harpa.

Na vida, assume-se ser Saul ou Davi. Nunca os dois. Seja Davi e use mais a harpa do que a lança.

A lança assusta, a harpa acalma. A lança causa medo, a harpa encoraja. A lança cria insegurança, a harpa gera segurança. A lança empobrece, a harpa enobrece. A lança é nossa carne, a harpa é nosso espírito. A lança é o diabo, a harpa é Deus.

Não aceite as provocações para usar a lança, usar a harpa é muito melhor.

Neemias Lima - Pastor


Tudo é vaidade - 22

Em Eclesiastes 9.1, lemos: “Tenho refletido sobre todas estas coisas para chegar à seguinte conclusão: os justos e os sábios, com os seus feitos, estão nas mãos de Deus; e, se é amor ou se é ódio que está à sua espera, isso ninguém sabe. Ninguém sabe o que vai acontecer”.

Mesmo experimentando uma intensa crise emocional, Salomão apresenta uma teologia saudável: todos estão nas mãos de Deus. Nenhuma pessoa sabe o que acontecerá no futuro. Deus sabe.

Os versos dois e três ampliam seu raciocínio: “Tudo acontece igualmente com todos: o mesmo acontece com o justo e com o ímpio, com o bom e com o mau, com o puro e com o impuro, com o que oferece sacrifícios e com o que não os oferece, com o bom e com o pecador, tanto com o que faz juramentos como com aquele que tem medo de fazê-los. Este é o mal que há em tudo o que se faz debaixo do sol: a mesma coisa acontece com todos. Também o coração das pessoas está cheio de maldade; está cheio de loucura enquanto elas vivem; depois, rumo aos mortos”.

Em suma: estamos todos no mesmo barco, o que diferencia é quem está pilotando e Deus é o melhor piloto.