sábado, 11 de julho de 2026

José do Egito, um sonhador - XI

Rúben não estava com os irmãos quando venderam José e, voltando à cisterna e não o encontrando, confronta seus irmãos com uma pergunta angustiante: “E agora, o que eu vou fazer?” - Gênesis 37.30.

Rúben era o irmão mais velho e sua responsabilidade incluía dar conta dos outros irmãos ao pai. Como explicaria o desaparecimento de José? A saída foi criar uma mentirosa história em que um animal selvagem tenha matado José e, com a túnica manchada de sangue, informaram ao pai. A tristeza de Jacó foi tão grande que ele recusou ser consolado.

Certamente, anos atrás, Jacó ouviu o choro de seu irmão Esaú quando recebeu a notícia da perda da primogenitura por uma atitude precipitada dele e desonesta de seu irmão Jacó. Agora, Jacó chora amargamente porque recebe a notícia que seu predileto filho fora devorado por uma fera. O capítulo 37 de Gênesis encerra com a informação que José fora vendido a Potifar, oficial de Faraó.

O que parecia ser o fim dos sonhos seria o começo de sua realização. Quando seus sonhos sofrerem oposição, não desista, não é o fim, é apenas o começo.

sexta-feira, 10 de julho de 2026

A eliminação do Brasil e as lições para a vida

Por Neemias Lima*

No momento em que os amantes do esporte estavam ganhando confiança na melhor performance da seleção brasileira, vem o golpe: eliminação para a Noruega com o pior desempenho da história em termos de posse de bola. E não venham com síndrome de Alzheimer, ninguém acreditava e todos os mais entendidos um pouco sabiam que o período preparatório de nosso selecionado foi complicado com cinco técnicos de 2022 para cá. E o atual técnico está há um ano no comando, apenas 12 partidas antes da Copa para amistosos e jogos das eliminatórias e pouquíssimo tempo juntos. A título de comparação, o técnico da França está no comando há 14 anos.

Outro destaque é que, embora a posse de bola tenha sido um fiasco, na partida contra a Noruega não fomos tão mal assim. E não se deve esquecer a perda de 7 jogadores potencialmente titulares pouco antes e durante a Copa.

Com base nesses parcos fatos, que lições podemos aprender como cristãos com a eliminação do Brasil?

1ª - A cultura imediatista precisa ser sepultada. Tudo para os brasileiros tem que ser agora. É esquecido que uma floresta, diferentemente de uma horta, leva tempo para ser formada. Nada consistente e duradouro se constrói em pouco tempo.

2ª - A tendência de procurar um culpado nas derrotas ou um salvador da pátria nas vitórias tem que ser descartada. Essa mania tem produzido um esquecimento das virtudes apresentadas e resultados obtidos a partir de um erro ou superestimado um e outro em detrimento de outros. 

3ª - A valorização do individualismo precisa ser vencida. Quando se ganha, logo aparece um nome como herói e assim Pelé em 1958, 1962 e 1970, Romário em 1994 e Ronaldo Fenômeno em 2022 são os mais, ou únicos, lembrados. Quando se perde, o mesmo ocorre, sempre se culpa um ou alguns. Esquece-se de que se trata de um conjunto e todos cooperam para a derrota ou para a vitória.

4ª - O reconhecimento pelo mérito do outro pode ser incentivado. Quase sempre quem nos vence é mais fraco, incapaz, não tem tradição, em suma, somos os melhores. Atitudes assim revelam a soberba que reina em nosso interior. O outro também tem méritos, se esforça, se prepara, se dedica e vai conseguir resultados também. Uma saudável reação é aprender com o outro o caminho da vitória. 

É sempre bom lembrar que, de 23 edições da Copa, ganhamos 5 e, até 2030, nenhuma seleção terá o mesmo número que nós. Isso é para ser exaltado. Acrescente o fato que apenas 8 seleções ganharam pelo menos uma Copa, e as outras dezenas, o máximo que conseguiram foi o vice-campeonato que, para nós, é o primeiro dos últimos. 

O melhor caminho que trilhamos é renascer a cultura do médio e longo prazo, nada de imediatismo, não culpar ou exaltar um ou outro por possíveis fracassos ou acachapantes vitórias, reacender a chama do trabalho em equipe (ninguém faz nada sozinho) e reconhecer os méritos do outro e aprender com ele.

O apóstolo Paulo, embora não falasse de futebol, foi cirúrgico: “Vocês não sabem que todos os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Corram de tal maneira que ganhem o prêmio!” - I Coríntios 9.24.

Ah, e não perca a esperança, faltam apenas 1.473 dias para o nosso hexa!

Pastor da Igreja Batista do Braga em Cabo Frio.

José do Egito, um sonhador - X

Enquanto os irmãos saboreiam a refeição com José agonizando na cisterna, vem chegando uma caravana de ismaelitas, vinda de Gileade, trazendo especiarias, bálsamo e mirra, para levarem ao Egito.

Ruben foi o primeiro instrumento para livrar José, agora se apresenta Judá como socorro: “Judá disse aos irmãos: O que vamos ganhar se matarmos o nosso irmão e depois escondermos a sua morte? Venham, vamos vendê-lo aos ismaelitas. Não lhe façamos mal, pois é nosso irmão, é do nosso sangue. Seus irmãos concordaram” - Gênesis 37.26-27. Ao tempo em que surgem os assassinos de sonhos, Deus levanta socorro para mantê-los vivos.

José foi vendido por 20 moedas de prata, uma pechincha, pois um escravo, normalmente, era vendido por 30 moedas de prata. José se tornou uma mercadoria para seus irmãos. No lugar de ser amado, foi vendido. Os irmãos de José contribuíram para a degradante atividade de tráfico de escravos.

Sonhar custa caro. Muitas vezes, significa sofrer grandes injustiças. Mas é melhor sofrer injustiças do sonho do que ter a tranquilidade da acomodação. Custe o que custar, não deixe de sonhar!