Amanhã, dia 11 de junho, às 16h, terá início a Copa do Mundo com a partida entre México e África do Sul. Até o dia 19 de julho, 48 seleções disputarão cada palmo do campo em busca da taça. É verdade que boa parte delas será figurante em função da superioridade e experiência de outras. Teoricamente, até terminar a primeira fase, todas terão chances e, a partir de então, eliminatoriamente, uma a uma vai aumentando a expectativa ou experimentando a tristeza.
Considerando as regras, apenas uma seleção ganhará a Copa. Segundo alguns, a vice-campeã será a primeira dos perdedores. Na Europa, e em outros lugares de nível educacional elevado, as primeiras colocações são celebradas. No Brasil, só a primeira. É uma pena, pois nem sempre se ganha quando se disputa um campeonato. E, considerando que serão 48 seleções, 47 não alcançarão o êxito.
Em 2006, a Confederação Brasileira de Futebol, órgão que dirige o futebol brasileiro, publicou a seguinte nota: “Encerrado o ciclo de trabalho que teve início em agosto de 2006, e que culminou com a eliminação do Brasil da Copa do Mundo da África do Sul, a CBF comunica que está dispensada a comissão técnica da seleção brasileira. A nova comissão técnica será anunciada até o final deste mês de julho”. O técnico era o aguerrido e exemplar jogador Dunga.
O relevante em tudo isso é quando se tem informações dos números alcançados pelo técnico e sua comissão técnica: 68 jogos, 49 vitórias, 12 empates e 7 derrotas. A equipe técnica alcançou a seguinte média em percentuais: 10% de derrotas, 18% de empates e 72% de vitórias, números arredondados. Considerando empate como acerto, teremos 90% de aproveitamento. Infelizmente, prevaleceu e prevalece a diabólica cultura do não poder perder.
Um fato triste é a avalanche de comentários dos “entendidos de futebol” que, confortavelmente alojados nos estúdios e escritórios, vomitam (desculpe o termo) as mais impiedosas análises até sobre o caráter dos jogadores. O narrador mais badalado do Brasil, na época, fez duras críticas a Jorginho, provocando tristeza e mal-estar em seu idoso pai, que, junto com a esposa, legara ao mundo um respeitado e excelente atleta.
Mas esta não é uma crônica meramente esportiva. Este pano de fundo é para sinalizar preciosas lições para nós:
1ª - Superestime as virtudes e subestime os fracassos. Há jogadores nas seleções, sobretudo nos países menos desenvolvidos, que o esporte foi a tábua de salvação doada por Deus para saírem de situações dramáticas de pobreza.
2ª - Elimine a diabólica cultura do não poder fracassar. Somos imperfeitos, falhos e estaremos sempre diante de derrotas. Precisamos valorizá-las como aprendizado e extrair lições para futuras vitórias. Muitas histórias de sucesso emergiram depois de vergonhoso fracasso.
3ª - Aplique a disciplina, a dedicação, a obediência às regras e a alegria das vitórias em sua participação no reino. Nossa mais importante missão aqui é o reino de Deus, as “outras coisas serão acrescentadas”.
4ª - Valorize mais as pessoas do que os resultados. Estes são importantes, mas as pessoas são mais. Nem sempre conseguiremos o máximo, mas continuaremos o máximo para Deus. Nem sempre seremos os melhores, mas somos obra-prima da criação de Deus.
Em 19 de julho, apenas uma seleção será celebrada. Como diz I Coríntios 9.24, “não sabem que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Corram de tal maneira que o alcancem”. E todos podem ser vitoriosos. O mesmo Paulo ensina que “eles o fazem para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, uma incorruptível”. Nem sempre seremos campeões aqui, mas temos garantida a vitória final.
E aí, quem vencerá a Copa? A rigor, todas as seleções classificadas são vencedoras, afinal um número maior não conseguiu chegar lá.
E nós vamos torcer pelo BRASIIIIIIIIIIIIIILLLLLLLLLLLL.
* Pastor da Igreja Batista no Braga, em Cabo Frio.