domingo, 9 de agosto de 2026

Pai, abrace e beije seus filhos. Filhos, abracem e beijem seu pai.

Pr. Neemias Lima

Sou do tempo em que pai beijar filho era raro. Quando muito, beijava-se a filha. Abraço era um pouco mais presente, mesmo assim meio seco. Um menino sentia-se constrangido se fosse beijado por outro homem, mesmo que fosse pai. Lembro-me que meu pai era meio rude e essa forma de carinho, quase inexistente. Veja bem, essa forma de carinho, pois era carinhoso. Mais idoso, passou a praticar o carinho.

Os tempos mudaram e é comum pais e filhos se abraçarem e beijarem, mesmo quando a idade destes alcança a maturidade. Que experiência agradável é beijar meu filho de trinta e quatro anos. E minha filha também, mais nova três anos (é deselegante dizer a idade, rsrsrsrsrsrs).

Conheci um jovem cristão que, mesmo contando vinte e cinco anos, nunca tinha recebido um abraço de seu pai. Sentia falta disso e, por um milagre, não tinha se revoltado, buscando formas agressivas de revelar sua dor. Um exemplo para jovens que desejam justificar a ausência de carinho dos pais com atitudes pecaminosas. Um conselho: sofram a dor, apresentem-na a Deus, casem-se e, quando tiverem filhos, aja de modo diferente e não perca a esperança de mudança de seu pai.

Em visita a uma prisão há quinze anos, vi vários abraços: de um idoso na esposa, num filho, numa amiga e dois netos. De um adulto na esposa que, longamente, conversaram sem trocar palavra. Jovem de cor parda recebe uma caravana de sete e os abraços da irmã, do amigo, do irmão, da tia, de duas primas e da namorada, que tem duração e sentimento diferentes. Jovem escuro recebe seis e os abraços são afetuosos. Jovem de cor branca recebe uma visita, da mamãe. Saem para um cantinho, sentam-se num banquinho, ela no colo dele, e que cena bonita, apesar da prisão. A mão acaricia o rosto pra lá e pra cá de um e de outro. E o abraço é banhado por lágrimas que rolam rosto abaixo.

Ao sair dali, a cena dos abraços não me sai da cabeça. Cada abraço era diferente do outro. Mas todos eram demorados, celebrados, curtidos, festejados e chorados. Por ironia, quando cheguei à casa, recebo caloroso abraço de minha filha, gratuitamente, como faz constantemente. Abraçou-me, beijou-me, falou nos meus ouvidos uma série de coisas e me lembrei dos abraços que há pouco presenciara. Seu abraço tornou-se de mais valor.

Um provérbio conhecido décadas atrás orientava: abrace seu filho antes que um traficante faça por você. Embora tenha seu valor, é muito pouco. Abrace-o, abrace-a por amor, por relacionamento, porque faz bem, estreita laços, aumenta a autoestima. 

A parábola do filho pródigo tem um clímax: “E, levantando-se, foi para seu pai; e, quando ainda estava longe, viu-o seu pai, e se moveu de íntima compaixão e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou” - Lucas 15.20. Lançar-se ao pescoço é abraçar. E mais: o beijou.

Penso em Deus como o Deus do abraço. A cruz sugere, segundo alguns, isso, pois, ao estar de braços abertos, Jesus anunciava: quero abraçar você. Hoje o abraço de Jesus pode acontecer na sua vida.

Pai, abrace e beije seus filhos. Filhos, abracem e beijem seu pai.

Tudo é vaidade - 09

Eclesiastes 2.10 revela a falta de sobriedade do homem mais sábio da história: “Tudo aquilo que os meus olhos desejaram eu não lhes neguei, nem privei o meu coração de alegria alguma, pois eu me alegrava com todas as minhas fadigas, e isso era a recompensa por todas elas”.

Salomão era guiado por seus olhos. Ele não nega que “tudo que seus olhos desejaram ele atendeu”. Atitude assim coloca risco qualquer caminhada de sucesso. É bom lembrar que o adultério de seu pai com Betesebá começou com um olhar. E Jesus não deixou de prevenir: “Os olhos são a lâmpada do corpo. Se os seus olhos forem bons, todo o seu corpo será cheio de luz; se, porém, os seus olhos forem maus, todo o seu corpo estará em trevas. Portanto, se a luz que existe em você são trevas, que grandes trevas serão!” - Mateus 6.22-23.

Salomão acrescenta que não privou seu coração de alegria alguma. Não é pecado buscar a alegria, mas ela precisa atender as motivações corretas e critérios éticos aprovados pelo Senhor.

Cuidado com seus olhos e com seu coração, sem Deus, eles são maldição.

sábado, 8 de agosto de 2026

Tudo é vaidade - 08

Salomão descobre uma saída nada aconselhável. Eclesiastes 2.3 revela: “Resolvi no meu coração entregar-me ao vinho, sem deixar de me guiar pela sabedoria e de me apoderar da loucura, até descobrir o que de bom os filhos dos homens poderiam fazer debaixo do céu, durante os poucos dias da sua vida”.

Ele buscou refúgio na bebida. É bom lembrar que o vinho era parte integrante da cultura local, mas o cuidado com o uso era fortemente orientado. O próprio Salomão orientou sobre o perigo de seu uso desordenado: “O vinho é zombador e a bebida forte causa alvoroço; todo aquele que é vencido por eles não é sábio” - Provérbios 20.1.

A atitude de Salomão em se refugiar na bebida revela uma fuga para não encarar a realidade da aridez de sua vida. Sua vida estava vazia, sua alma se apresentava sedenta, seu espírito revelava angústia e seu corpo mostrava-se fraco.

Sempre que o ser humano estiver vazio de Deus, o inimigo apresentará robusto material para preencher sua alma. O prazer aparece, mas é temporário e as dores da alma aparecerão rapidamente. Preencher o vazio da alma sem Deus é correr atrás do vento.