terça-feira, 30 de junho de 2026

Van Gogh e Seu Augusto - Conclusão

As reações de seu Augusto não eram obra do acaso. Nem eram produto de elaborações racionais advindas de estudos aprofundados. Eram consequência de relacionamento com quem preenche o vazio da alma.

Muitos vivem sem nenhuma preocupação de estabelecer um relacionamento estreito com o Senhor. Na hora do temporal, a solução encontrada é cortar a orelha, chutar o pau da barraca, dar cabo à vida. Quem tem experiência com Cristo é capaz de cantar ainda que tenha as pernas cortadas. Isso não é gostar de sofrer. É saber sofrer. É saber que, na hora do sofrimento, Deus está amparando. Habacuque encerrou seu livro que iniciou dramaticamente com adoração: “Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto nas vides; ainda que falhe o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que o rebanho seja exterminado da malhada e nos currais não haja gado. Todavia, eu me alegrarei no Senhor, exultarei no Deus da minha salvação”.

Acredito que Van Gogh e seu Augusto estão no céu. Lá não experimentam sofrimento. Uma diferença é que aqui seu Augusto também viveu com alegria. Quando encontrar seu Augusto no céu, quero falar para ele como aquele encontro me abençoou.

segunda-feira, 29 de junho de 2026

Van Gogh e Seu Augusto - III

Fui chegando (no interior, não tem essa de campainha e nem portão com trancas) e, ao perceber minha presença, o simpático barbeiro dá uma risada, manda-me entrar e começa a cantar com mais vigor. Lá, estava o seu Augusto com a mesma alegria de outrora. Minha preocupação dissipou-se e aprendi uma das mais fortes lições de minha vida: a felicidade não depende das circunstâncias externas.

Que fazia diferença na vida de Van Gogh e Seu Augusto? É a mesma diferença na vida de pessoas que enfrentam grandes problemas com reações extremamente diferentes. Por que Van Gogh quis terminar a vida aos 37 anos e seu Augusto, com seus 80, ainda cantava e desejava viver ainda mais? Van Gogh era filho de pastor, mas, provavelmente, não conhecia o pastor dos pastores. Seu Augusto tinha experiência com Ele. Van Gogh conhecia, provavelmente, o salmo do bom pastor, mas seu Augusto conhecia o bom pastor do salmo.

Por, aproximadamente, uma hora conversamos, rimos, cantamos, lemos a Bíblia. Voltei para casa e, quase cinquenta anos depois, o sorriso de seu Augusto está vívido em minha mente.