sábado, 21 de fevereiro de 2026

Babel ou Betel? - IX

A reação de Jacó após a experiência da teofania, que é uma manifestação extraordinária de Deus, é encantadora.

É como se ele bradasse: “Na verdade, o Senhor está neste lugar, e eu não o sabia” - Gênesis 28.16.

A realidade é que Deus está em todo lugar em que se fizer necessária sua presença. Jacó conheceu um aspecto da pessoa de Deus, mesmo sem ter conhecimento algum do processo revelador em que estava envolvido. O conhecimento da presença do Senhor onde estivermos desenvolve uma atitude de confiança no cuidado de Deus.

Em seu brado, Jacó revela sua ignorância: e eu não o sabia. Era algo novo para ele. O conhecimento da pessoa de Deus soberano e dirigente moral do universo, aquele que dirige a história, gera em Jacó uma dependência dele. Nada sabemos quando se pensa na magnificência, na grandeza de Deus.

Diante da grandeza divina, nossa melhor atitude é de reverência e temor. Temor, não medo. Ele cuida de nós e, se for preciso, ele aparece literalmente para nos encorajar.

Onde você está? Que está fazendo você? Deus está aí, coladinho com você. Cuidado! Mas celebre isso!

Babel ou Betel? - VIII

No sonho, Deus desceu até Jacó e lhe fez promessas preciosas, como Gênesis 28.13 a 15 registra.

Primeiro, Deus se apresenta. Eu sou o Senhor, Deus de Abraão e Deus de Isaque. Jacó era a terceira geração. O programa redentivo de Deus não começou com Jacó, era desde a eternidade e sua relação com, primeiramente o povo, começou com Abraão. O Deus que se apresenta a Jacó é o que dirige a história, história que chegou até nós.

Agora, as promessas:

1ª - A terra em que está deitado, eu a darei a você e à sua descendência.

2ª - A sua descendência será como o pó da terra.

3ª - Em você e na sua descendência serão benditas todas as famílias da terra.

4ª - Eu estou com você e o guardarei por onde quer que você for.

5ª - Farei com que você volte para esta terra, porque não o abandonarei até que eu cumpra aquilo que lhe prometi.

O Deus que desceu até nós é o que faz promessas. E ele é fiel para cumprir o que prometeu. Nada do que prometer falhará!

Que promessa de Deus você precisa se apoderar hoje?

Babel ou Betel? - VII

Gênesis 28.10 registra: “Jacó partiu de Berseba e seguiu para Harã”. Jacó estava fugindo de Esaú, seu irmão, a quem lhe aplicara um golpe. Era um trapaceiro fugitivo.

A distância entre Berseba, sul de Israel, e Harã, atualmente a Síria, era de aproximadamente 750 km. Considerando a possibilidade de caminhar 25 km por dia, seriam necessários 30 dias para finalizar o trajeto. Era uma baita caminhada. 

O primeiro pit stop de Jacó foi num local não identificado, já era noite, uma pedra foi seu travesseiro e se deitou para dormir. Era um trapaceiro cansado.

Em seu sono, surge um sonho. A cultura de sua época valorizava o sonho. Seu conteúdo: uma escada posta na terra cujo topo atingia o céu. Os anjos de Deus subiam e desciam por ela. E o Senhor estava perto dele.

Uma escada ligando a terra e o céu. Não planejada e construída por seres humanos, mas idealizada pelo próprio Deus. O homem não pode ligar a terra ao céu, como em Babel, mas Deus pode, como em Betel.

E no sonho, Deus desceu. Deus desceu não para confundir, mas para esclarecer. Deus desceu para encorajar.

Babel ou Betel? - VI


 Em Gênesis 11.8-9, lemos: “Assim o Senhor os dispersou dali pela superfície da terra; e pararam de edificar a cidade. Por isso a cidade foi chamada de Babel, porque ali o Senhor confundiu a língua de toda a terra e dali o Senhor os dispersou por toda a superfície dela”.

Babel é confusão. Confusão no sentido de ser confundida. Foi uma ação divina desarticulando união para objetivos reprováveis. Sempre que o ser humano desobedecer às orientações divinas, buscar a glória para si, transitar no desejo de notoriedade e valorizar mais a religiosidade do que o relacionamento com Deus irá experimentar a realidade da confusão. 

Interessante que, aproximadamente, dois mil anos depois, várias nações estavam reunidas em Jerusalém. Deus desceu novamente. Ele desceu na pessoa do Espírito Santo. O apóstolo Pedro pregou um sermão e todos os presentes entenderam na sua própria língua. Não é interessante? Na verdade, é miraculoso!

Em Babel, Deus desceu e confundiu. Em Jerusalém, Deus desceu e abriu o entendimento. Deus deseja descer sobre você e abrir o seu entendimento para o relacionamento com Jesus.

Babel ou Betel? - V

Gênesis 11.6-7 apresenta o seguinte registro: “E o Senhor disse: - Eis que o povo é um, e todos têm a mesma língua. Isto é apenas o começo; agora não haverá restrição para tudo o que planejam fazer. Venham, vamos descer e confundir a língua que eles falam, para que um não entenda o que o outro está dizendo”.

Preste atenção no pormenor: “Venham, vamos descer!”. Deus desceu com uma comitiva. Ele não veio sozinho! Sugerem os estudiosos que aqui está em foco a atuação da trindade. Embora este termo não esteja presente na Bíblia, e alguns se aproveitam disso para tentar negar sua realidade, a trindade é a manifestação de Deus em três pessoas. Não são três deuses, não somos triteístas. São três manifestações de Deus - Pai, Filho e Espírito Santo. Ele é uno e trino. Não é inconcebível que ele também veio acompanhado de seres angelicais.

Ao descer com uma comitiva, Deus não apenas demonstra seu interesse pelo homem como também se empenha para dar-lhe o melhor! Não se esqueça: você nunca estará sozinho, Deus desce para ajudar você!

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Babel ou Betel? - IV

Nos versos de um a quatro do capítulo onze, sabemos das ações e intenções dos homens em construir a torre. Nos versos cinco a nove, vemos o juízo de Deus sobre aqueles homens.

No verso cinco lemos assim: “Então o Senhor desceu para ver a cidade e a torre, que os filhos dos homens estavam construindo”. Deus desceu.

Em vários outros textos da Bíblia há sinalizações da descida de Deus. Ele precisa descer para saber de alguma ação humana? De certo que não. Por que, então, há o registro que Ele desceu?

A ideia da descida de Deus demonstra seu cuidado com a criação. Deus não criou o ser humano e o abandonou ao léu da sorte. Não, ele não fez isso e nunca fará. Não somos como os deístas (d de dado) que acreditam que Deus, após a criação, abandonou tudo e todos e foi observar de seu trono como eles se virariam. Somos teístas (t de trabalho), acreditamos no Deus Eterno que criou todas as coisas e o ser humano e continua caminhando com ele, suprindo-lhe suas faltas, ajudando-o a prosseguir, confrontando-o com amor.

Lembre-se de uma coisa: você não está sozinho nas batalhas da vida, Deus desce para estar com você!

Babel ou Betel? - III

A finalidade da construção da torre revela a fraqueza humana em três áreas muito perigosas:

A primeira área é a religiosidade. Eles intencionavam chegar ao céu. Todo ser humano tem necessidade de relacionar-se com o divino. Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski, escritor, filósofo e jornalista russo, declarou que “o homem tem um vazio do tamanho de Deus!”. O conteúdo que preenche esse vazio não é a religiosidade.

A segunda área é a notoriedade. O desejo de se tornar grande e ser notório é uma permanente tentação na vida do ser humano. Mesmo quando se luta contra essa tendência, no fundo, lá no fundo mesmo, insiste um desejo de grandeza.

A terceira área é a desobediência. Era clara como a límpida água a orientação divina de encher a terra. Mas vem a inclinação humana de sempre desobedecer. Não havia uma afrontosa desobediência, mas, sutilmente, desobedeciam com um evento que poderia passar despercebido.

Muito cuidado com as finalidades de nossas atitudes e ações, Deus pode reprovar, mesmo que a cultura não reprove.

Sacou?

Babel ou Betel? - II

Em Gênesis 11. 2 e 4, lemos: “Os homens partiram do Oriente, encontraram uma planície na terra de Sinar e habitaram ali. E disseram: Venham, vamos construir uma cidade e uma torre cujo topo chegue até os céus e tornemos célebre o nosso nome, para que não sejamos espalhados por toda a terra”.

Qual é o problema de se construir uma torre? Aparentemente, nenhum. Mas, quando se descobre a finalidade do projeto, a intenção do coração, aí a coisa pega e o texto bíblico dá as pistas onde está o pecado.

Primeiro, o topo da torre chegará até o céu. É a tentativa de se chegar ao céu pelo seu próprio esforço, pela sua própria inteligência. 

Segundo, nosso nome se tornará célebre. É a inversão da declaração de João Batista: “Que ele cresça e que eu diminua!”. Aqui é “que eu cresça e ele diminua!”.

Terceiro, “para que não sejamos espalhados por toda a terra”. Era a revelação da desobediência. A ordem de Deus era que eles enchessem a terra, mas deliberadamente eles assumem não obedecer. 

Muito cuidado com o que você está construindo, pode ser uma afronta a Deus!

Babel ou Betel? - I

Gênesis 11.1 registra: “Em toda a terra havia apenas uma língua e uma só maneira de falar”.

Um leitor mais atento pode, precipitadamente, sugerir uma contradição entre a afirmação deste versículo, que informa haver apenas uma língua, com os versículos cinco, vinte e trinta e um do capítulo dez, que informa, na ordem, sobre os descendentes de Noé, o seguinte: “...cada qual segundo a sua língua, segundo as suas famílias, em suas nações... segundo as suas línguas, em suas terras, em suas nações”.

Como entender “suas línguas” no capítulo dez e “uma língua” no capítulo onze? Uma explicação plausível é que o registro obedece ao critério literário e não ao critério cronológico. Sugerem os estudiosos que a narrativa do capítulo onze está situada logo após o dilúvio e o que se lê no dez após o evento de Babel.

Babel é cidade dos homens. Babel é manifestação da soberba, arrogância e prepotência. Babel é símbolo de confusão. Babel é declaração de afronta a Deus.

Você não precisa sair de Babel, mas Babel não pode entrar em você!