quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Tudo é vaidade - 26

Até o capítulo dez, encontramos Salomão totalmente amargo e desequilibrado, tendo alguns lampejos de sobriedade e equilíbrio. No capítulo onze, esse quadro ganha cores especiais. Para mim, é o capítulo que marca a volta por cima de Salomão. Vamos considerar que ele sai do quadro gravíssimo de depressão e começa a ver sentido na vida.

Não me lembro o autor, mas me ocorre um pensamento muito oportuno: “Não há dias cinzentos para aqueles que sonham colorido”. Os dias continuavam cinzentos, mas, agora, ele tem os sonhos coloridos. A vida é assim: podemos ver cores cintilantes onde tudo parece preto e branco.

Que mudou para que sua atitude mudasse? Provavelmente, nada ao redor, mas ele mudou. E sua mudança passa por uma perspectiva muito pertinente: deixa de olhar para o seu umbigo e olha para o próximo. Ele deixa de ser o centro da vida e entroniza o próximo em sua existência. Veja o que diz o verso primeiro do capítulo: “Lança o teu pão sobre as águas, porque depois de muitos dias o acharás”. Sua atitude é de solidariedade.

Quer uma vida colorida? Pense mais no próximo.

terça-feira, 25 de agosto de 2026

Tudo é vaidade - 25

“Se a cobra morder antes de estar encantada, de nada adianta o trabalho do encantador” - Eclesiastes 10.11. A Bíblia de Jerusalém assim traduz o mesmo verso: “Se a cobra morde por falta de encantamento, de que vale o encantador”.

A agilidade e a perícia estão em foco no texto lido. Sendo o encantador lerdo e imperito, será picado pela serpente. E é muito interessante, quando se dialoga com um encantador, saber que não é a música que seduz a serpente, é o movimento do profissional. 

Há quem pense que agilidade signifique obrigatoriamente velocidade, pressa e rapidez. Isso tudo está incluído, mas não, necessariamente. A agilidade é a capacidade de se adaptar rápido às mudanças, aprender com os erros e gerar valor real por meio de pessoas colaborativas e processos simples.

Já encontrou alguém que orgulhosamente assume continuar indo ao banco ou a uma loja lotérica porque não confia nos recursos eletrônicos como aplicativos? Pois é, pode ser a demora para entender os processos de mudança e correr menos riscos ao se deslocar, inclusive perdendo oportunidade de mais tempo para lazer.

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Tudo é vaidade - 24

“Se o machado está embotado e ninguém o afia, é preciso redobrar a força; mas com sabedoria se obtém êxito” - Eclesiastes 10.10.

Um idoso e um jovem foram desafiados a derrubarem uma árvore e quem fizesse no menor tempo seria o vencedor. Recebeu cada um o machado. O jovem iniciou afoitamente e, à distância, observava o idoso sentado. O jovem estava bem adiantado e contava terminar muito antes do idoso. Daí a pouco, o idoso se levantou e começou a machadar o tronco. Em pouco tempo, bem antes do jovem, derrubou a árvore. O jovem quis saber o segredo. O idoso respondeu: enquanto você desferia golpes contra o tronco, eu fui afiar mais o machado.

Machado cego exige mais força física e mais tempo para a execução das tarefas. Machado afiado facilita o trabalho e dá mais alegria ao trabalhador. 

Machado cego sinaliza falta de planejamento para o trabalho. Machado afiado sinaliza preparo antecipado para as oportunidades que surgem.

Na vida, podemos usar um machado cego ou afiado. Dependendo do machado, seremos bem ou malsucedidos. Qual é o machado que você está usando?

domingo, 23 de agosto de 2026

Tudo é vaidade - 23

No capítulo nove, Salomão alude à morte e sua percepção difere do Novo Testamento. A perspectiva de Salomão está limitada a tudo que acontece na terra. Sua cosmovisão é realçada pela expressão “debaixo do Sol”. Nessa perspectiva, tudo acaba aqui.

Sobre o capítulo nove, o Pr. Hernandes Dias Lopes argumenta:

Em primeiro lugar, a morte fecha a porta da esperança (9:4a). “Para aquele que está entre os vivos há esperança...”.

Em segundo lugar, a morte acaba com todo prestígio (9:4b). “...porque mais vale um cão vivo do que um leão morto”.

Em terceiro lugar, a morte encerra os privilégios (9:5). “Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tampouco terão eles recompensa, porque a sua memória jaz no esquecimento”.

Em quarto lugar, a morte encerra as atividades (9:6). “Amor, ódio e inveja para eles já pereceram; para sempre eles não têm parte em coisa alguma do que se faz debaixo do sol”.

O Novo Testamento realça a esperança de uma nova vida. Vida é dinamismo. Vida é movimento. Vida é relacionamento. Eu imagino isso tudo na eternidade.

sábado, 22 de agosto de 2026

Lança ou harpa

Quando estava em apuros, o valente e guerreiro rei fazia uso de sua lança. Com maestria invejável, amedrontava inimigos e dava segurança ao seu povo. O problema é que usava a lança quando deveria guardá-la.

O jovem tinha uma funda. E, com sensibilidade, compunha poemas e tocava também uma harpa, dedilhando-a magistral e divinamente.

Um dia, seus caminhos se cruzam. E tudo começa com uma funda, preferida no lugar de pesadas armadilhas. Um gigante no confronto do campo é destruído e o povo celebra. Mas havia outro gigante com vestes reais. A inveja o atormenta, sua lança é atirada contra o sensível músico que, lépido, se desvencilha. 

O jovem, por sua vez, ao agigantar-se o monarca, dedilha suavemente sua harpa, que, imediatamente, o acalma. É mais poderosa que a lança. Ele se agiganta novamente e quer matá-lo, mas havia um plano. E ele está se desenrolando para a aposentadoria da lança e o reinado da harpa. O gigante do campo foi tombado com a funda. O gigante real é acalmado com a harpa.

Na vida, escolhe-se usar a lança ou a harpa. Em alguns momentos, pode-se usar a lança. Noutros, não se deve usá-la, mas, sim, a harpa.

Na vida, assume-se ser Saul ou Davi. Nunca os dois. Seja Davi e use mais a harpa do que a lança.

A lança assusta, a harpa acalma. A lança causa medo, a harpa encoraja. A lança cria insegurança, a harpa gera segurança. A lança empobrece, a harpa enobrece. A lança é nossa carne, a harpa é nosso espírito. A lança é o diabo, a harpa é Deus.

Não aceite as provocações para usar a lança, usar a harpa é muito melhor.

Neemias Lima - Pastor


Tudo é vaidade - 22

Em Eclesiastes 9.1, lemos: “Tenho refletido sobre todas estas coisas para chegar à seguinte conclusão: os justos e os sábios, com os seus feitos, estão nas mãos de Deus; e, se é amor ou se é ódio que está à sua espera, isso ninguém sabe. Ninguém sabe o que vai acontecer”.

Mesmo experimentando uma intensa crise emocional, Salomão apresenta uma teologia saudável: todos estão nas mãos de Deus. Nenhuma pessoa sabe o que acontecerá no futuro. Deus sabe.

Os versos dois e três ampliam seu raciocínio: “Tudo acontece igualmente com todos: o mesmo acontece com o justo e com o ímpio, com o bom e com o mau, com o puro e com o impuro, com o que oferece sacrifícios e com o que não os oferece, com o bom e com o pecador, tanto com o que faz juramentos como com aquele que tem medo de fazê-los. Este é o mal que há em tudo o que se faz debaixo do sol: a mesma coisa acontece com todos. Também o coração das pessoas está cheio de maldade; está cheio de loucura enquanto elas vivem; depois, rumo aos mortos”.

Em suma: estamos todos no mesmo barco, o que diferencia é quem está pilotando e Deus é o melhor piloto.

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Tudo é vaidade - 21

No capítulo oitavo de Eclesiastes, Salomão apresenta várias observações sobre a vida. Alguns lampejos de sobriedade são percebidos no meio de tanta limitação e depressão.

Nos versos doze e treze, lemos: “Ainda que o pecador faça o mal cem vezes, e a vida dele se prolongue, eu sei, com certeza, que tudo correrá bem para os que temem a Deus. Mas nada correrá bem para o ímpio, e ele não prolongará os seus dias; será como a sombra, visto que não teme a Deus”.

O verso quinze registra: “Por isso exalto a alegria, porque para o ser humano não há nada melhor debaixo do sol do que comer, beber e alegrar-se; pois isso o acompanhará no seu trabalho nos dias da vida que Deus lhe dá debaixo do sol”.

Assim registram os versos dezesseis e dezessete: “Quando me dediquei a conhecer a sabedoria e a ver o trabalho que há sobre a terra, contemplei toda a obra de Deus e vi que o ser humano não pode compreender a obra que se faz debaixo do sol; por mais que se esforce para a descobrir, não a entenderá”.

Ainda que no ápice de sua crise, Salomão tem momentos de lucidez. Abençoada lucidez!

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Tudo é vaidade - 20

Salomão reforça a argumentação sobre o luto com a afirmação “o coração dos sábios está na casa do luto, mas o dos insensatos, na casa da alegria” - Eclesiastes 7.4, e elenca outras comparações curiosas, algumas sensatas e outras não, como se vê.

“Melhor é a mágoa do que o riso, porque com a tristeza do rosto se melhora o coração” - Eclesiastes 7.3.

“Melhor é ouvir a repreensão do sábio do que ouvir a canção dos tolos” - Eclesiastes 7.5.

“Melhor é o fim das coisas do que o seu princípio; a paciência é melhor do que a arrogância” - Eclesiastes 7.8.

A vida é recheada de experiências melhores e piores. Elas podem ser melhores e piores se comparadas a outras e teremos que evitar as piores, quando pudermos, e pedir sabedoria divina para distingui-las.

O que precisamos ter consciência é que todas as experiências podem contribuir para o nosso bem pela ação divina e que elas são causadas por nós, como Salomão concluiu no verso vinte e novo do capítulo sétimo: “O que descobri é tão somente isto: que Deus fez o ser humano reto, mas ele se meteu em muitos problemas”.

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Tudo é vaidade - 19

Vamos à terceira comparação de Salomão: “Melhor é ir à casa onde há luto do que ir à casa onde há banquete, pois naquela se vê o fim de todas as pessoas; e que os vivos o tomem em consideração” - Eclesiastes 7.2.

Para mim, aqui está uma espécie de ápice do quadro depressivo que Salomão enfrentava. Não vejo sentido em concluir que estar num lugar de morte seja melhor do que num lugar de vida. Pergunte a quem trabalha num hospital especializado em casos terminais e a quem trabalha numa maternidade. Onde há mais alegria?

Sim, eu sei que surge a espiritualização e a racionalização, como: a experiência da morte é pedagógica e podemos ver o fim de todos os homens. Isso é válido. Mas sejamos sinceros: aonde desejamos fazer uma visita: numa casa com recém-nascido ou com uma pessoa em estado terminal?

Aprender com as lições do luto não nos exige concluir que é melhor do que um banquete. Pudesse, nunca estaria num ambiente de luto e sempre estaria num ambiente de festa. Mas a queda trouxe a experiência dolorosa do luto e precisamos nos ombrear com os que choram. Fora isso, tô fora!

terça-feira, 18 de agosto de 2026

Tudo é vaidade - 18

A segunda comparação de Salomão é: “...e o dia da morte é melhor do que o dia do nascimento” - Eclesiastes 7.1b.

Da crônica “A maior verdade sobre a vida e a morte: uma Leitura de dar fôlego”, do Pr. Dr. Glauner da Silva Pereira, extraímos o fragmento: “Isto é uma filosofia da vida e da morte. Morrer é natural? As pessoas geralmente respondem que sim. E por que elas dizem que morrer é natural? Porque todos morrem. Então perguntamos: nós encaramos a morte com naturalidade? Nós a vemos com familiaridade? Aqui, as pessoas prontamente dizem que não - de jeito nenhum. Nós encaramos a morte com pavor. Temos aversão a ela - uma profunda aversão natural”.

Mais uma vez, o texto sugere que Salomão está num tempo de crise, tempo de decepção. Pergunte a uma família qual a sua preferência: estar numa funerária ou numa maternidade? O sofrimento com a perda é ampliado quando se trata de gente bem jovem e de forma inesperada.

Preparemo-nos para o dia da morte e celebremos o dia do nascimento. Não nascemos para morrer, mas para viver. E Deus preparou, em Cristo, um novo nascimento para nós.

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Tudo é vaidade - 17

No capítulo sétimo, Salomão abre uma sessão que poderia receber o nome de “melhor do que”. E apresenta várias comparações. A primeira delas aparece no primeiro verso: “A boa fama, ou o bom nome, é melhor do que um bom perfume”. 

Na língua hebraica, há um jogo de palavras aqui. A palavra “shem” é traduzida por “nome”. E a palavra “shemen” é traduzida por “unguento” ou “perfume”. Assim, um bom “shem”, nome” é melhor do que um bom “shemen”, "unguento" ou "perfume". 

Era comum no Oriente os homens investirem em bons perfumes para se tornarem mais agradáveis, socialmente mais aceitos e até mais desejados. Salomão, conhecedor e, muito provavelmente, praticante dessa cultura, lembra que mais importante do que ser cheiroso é ser bondoso, no sentido de ser bom, ser íntegro. Uma coisa não anula, necessariamente, a outra, podendo ser cheiroso e bondoso, melhor ainda. Mas um homem cheiroso por fora e fedido por dentro provoca muito mais prejuízo.

Muito cuidado em avaliar uma pessoa pela aparência do exterior, procure saber como é o cheiro de seu caráter, esse tem muito mais valor.

domingo, 16 de agosto de 2026

Tudo é vaidade - 16

“Todo trabalho do homem é para a sua boca; e, contudo, nunca se satisfaz o seu apetite” - Eclesiastes 6.7.

O ser humano é um eterno insatisfeito. O que era extremamente desejado por ele tem valor de satisfação por alguns meses, em muitos casos, alguns dias, e, em alguns casos, por algumas horas.

O carro zero tão desejado por anos e acariciado no início, logo depois é olhado com certa frieza e o desejo por outro modelo começa a ganhar o controle da mente. Assim é com a casa adquirida e, para tristeza, até os relacionamentos mais íntimos têm experimentado a volubilidade e a insatisfação.

No Salmo 23, o pai de Salomão, deu a senha: “O Senhor é o meu pastor, de nada eu sinto falta”. Você pode não ter tudo, mas você de nada sente falta porque o pastor preenche satisfatoriamente a sua vida. Não é a satisfação na terra que determinará a satisfação no céu, é a satisfação do céu que determinará a satisfação na terra. 

Deus é a fonte de toda satisfação. Satisfação plena somente n’Ele. O resto é correr atrás do vento, esforço em vão, é vaidade, não vale a pena.

sábado, 15 de agosto de 2026

Tudo é vaidade - 15

Salomão trata de um assunto mais tenso da vida: o dinheiro. Ele, em si, não é problema, mas os perigos de não administrar de maneira sábia.

Primeiro, o dinheiro não deve ser amado. “Quem ama o dinheiro jamais se fartará de dinheiro; e quem ama a abundância nunca ficará satisfeito com o que ganha. Também isto é vaidade” - Eclesiastes 5.10.

Segundo, o dinheiro atrai muita gente. “Onde os bens se multiplicam, também se multiplicam os que deles comem. E que proveito têm os donos, a não ser o de ver esses bens com os seus olhos?” - Eclesiastes 5.11.

Terceiro, o dinheiro pode prejudicar o sono. “Doce é o sono do trabalhador, quer coma pouco, quer muito; mas a fartura do rico não o deixa dormir” - Eclesiastes 5.12.

Quarto, o dinheiro pode gerar prejuízo. “Há um grave mal que vi debaixo do sol: as riquezas que os seus donos guardam para o seu próprio prejuízo” - Eclesiastes 5.13.

Quinto, mal administrado, a gerações futuras podem ficar sem dinheiro. “E, se essas riquezas se perdem num mau negócio, o filho que esse homem gerou ficará de mãos vazias” - Eclesiastes 5.14.

Cuidado, o dinheiro não é tudo. É vaidade.

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Tudo é vaidade - 14

“Quando você fizer algum voto a Deus, não demore a cumpri-lo, pois ele não se agrada de tolos. Cumpra o voto que você faz. Melhor é não fazer voto do que fazer e não cumprir” - Eclesiastes 5.4-5.

Que é um voto? Pr. Hernandes Dias Lopes destaca que “o voto é um compromisso firmado com Deus, na presença dele. É empenhar a palavra, garantindo que o que se prometeu será cumprido”. Ele registra que Michael Eaton destaca que “voto no antigo Israel era uma promessa feita a Deus, que poderia ser parte de uma oração suplicando bênçãos (Números 21.2), ou uma expressão espontânea de gratidão (Jonas 2.9). Poderia tomar a forma de uma promessa de lealdade (Gênesis 28.20-22), oferta alçada, espontânea (Levítico 22.18) ou dedicação de uma criança para tornar-se nazireu (I Samuel 1.11).

Eu me simpatizo com a ideia do voto a Deus. Não se trata de uma negociação. É um compromisso firmado com Ele. Mais do que o valor para Deus, tem o valor para o cristão em se desafiar e alcançar vitórias importantes.

Você votou algo alguma vez e deixou de cumprir? Quer refazer o seu voto e pedir graça para cumprir?

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Tudo é vaidade - 13

O quarto capítulo de Eclesiastes inicia com a tríplice visão que Salomão experimentou da vida. Diz assim: “Vi ainda todas as opressões praticadas debaixo do sol: vi as lágrimas dos que foram oprimidos, sem que ninguém os consolasse; vi a violência na mão dos opressores, sem que ninguém consolasse os oprimidos”.

A primeira visão é da opressão praticada. A segunda é das lágrimas dos oprimidos. E a terceira é a violência na mão dos opressores. Ele reforça o drama dos oprimidos com a dupla declaração “sem que ninguém os consolasse”. 

Diante da dramática visão, Salomão conclui que “mais felizes são os que já morreram, mais felizes do que os que ainda vivem”. E dramatiza ainda mais ao afirmar que “mais feliz do que uns e outros é aquela que ainda não nasceu e não viu as más obras que se fazem debaixo do sol”.

O quadro deprimente de Salomão desce ladeira, tudo é vaidade, realmente, viver não vale a pena, ser feliz é uma utopia, a caminhada é uma triste cena e a vida nada tem de alegria, tudo parece uma permanente alergia. Triste visão da vida, que é bela e boa.

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Tudo é vaidade - 12

A crise de Salomão se intensifica e ele faz uma comparação muito problemática, como registra Eclesiastes 3.19: “Porque o mesmo que acontece com os filhos dos homens acontece com os animais: como morre um, assim morre o outro. Todos têm o mesmo fôlego de vida, e o ser humano não tem nenhuma vantagem sobre os animais. Porque tudo é vaidade”.

Para Salomão, um homem e um cachorro estão na mesma categoria no relacionamento com Deus e com a vida. O verso vinte amplifica sua equivocada conclusão: “Todos vão para o mesmo lugar; todos procedem do pó e ao pó voltarão”.

Ninguém espera atitudes violentas e maus-tratos contra os animais, mas dar a eles maior atenção que ao ser humano é um equívoco. Deus criou os animais e cuida deles carinhosamente. Mas a coroa da criação é o ser humano e nele está a imagem e semelhança de Deus. A obra da salvação foi toda preparada para o ser humano e a promessa de vida eterna, a partir do sacrifício de Cristo, foi prometida ao homem.

Elevar o animal à condição de humano é um erro. E diminuir o homem à condição de um animal também.

terça-feira, 11 de agosto de 2026

Tudo é vaidade - 11

“Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu” - Eclesiastes 3.1.

Geraldo Vandré, na poesia “Pra não dizer que não falei das flores”, provoca: “Vem, vamos embora / Que esperar não é saber / Quem sabe faz a hora / Não espera acontecer”.

Somos tentados a acreditar que temos domínio sobre o tempo. É verdade que podemos administrá-lo melhor e com mais eficácia, mas nunca saberemos em que consiste essa administração e nem sua eficácia. Pode ser que a ociosidade em determinada circunstância seja melhor aproveitamento do tempo do que trabalhando incansavelmente. Quantos arrependimentos em função de não ter aproveitado melhor o tempo com atenção a alguém que se foi.

O conceito “não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje”, em muitos casos, poderá ser alterado para “não faça hoje o que você poderá fazer amanhã”.

Aproveite o tempo, mas não se esqueça de valorizar o verdadeiro dono do tempo. Pode ser que, quando menos esperarmos, ouçamos: chegou seu tempo de se encontrar comigo para dar conta de seu tempo.

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Tudo é vaidade - 10

É conhecido modernamente o acrônimo da competência profissional CHA: Conhecimento, Habilidade e Atitude. Segundo a proposta, o profissional precisa do saber, do saber fazer e do querer fazer. 

Não é estranho sugerir que Salomão propôs o mesmo aproximadamente mil anos antes de Cristo, como registra a primeira parte de Eclesiastes 2.21: “Porque uma pessoa pode fazer o seu trabalho com sabedoria, conhecimento e habilidade...”. Um problema é que Salomão, em sua decepcionante conclusão da vida, não via sentido nos resultados desse trabalho para as gerações futuras, conforme completa o pensamento no mesmo verso: “...mas deixará o seu ganho como herança a quem por ele não se esforçou. Também isto é vaidade e grande mal”.

É muita pobreza quando a filosofia de vida de alguém orbita em torno de sua própria existência. A nobreza reside em construir pensando nos que virão depois e encontrarão um mundo melhor.

E o mundo melhor não significa apenas herança material, mas atitudes que revelam mais humanidade e desejo de servir ao próximo. Há muitos que deixam herança e se esquecem de deixar vida.

domingo, 9 de agosto de 2026

Pai, abrace e beije seus filhos. Filhos, abracem e beijem seu pai.

Pr. Neemias Lima

Sou do tempo em que pai beijar filho era raro. Quando muito, beijava-se a filha. Abraço era um pouco mais presente, mesmo assim meio seco. Um menino sentia-se constrangido se fosse beijado por outro homem, mesmo que fosse pai. Lembro-me que meu pai era meio rude e essa forma de carinho, quase inexistente. Veja bem, essa forma de carinho, pois era carinhoso. Mais idoso, passou a praticar o carinho.

Os tempos mudaram e é comum pais e filhos se abraçarem e beijarem, mesmo quando a idade destes alcança a maturidade. Que experiência agradável é beijar meu filho de trinta e quatro anos. E minha filha também, mais nova três anos (é deselegante dizer a idade, rsrsrsrsrsrs).

Conheci um jovem cristão que, mesmo contando vinte e cinco anos, nunca tinha recebido um abraço de seu pai. Sentia falta disso e, por um milagre, não tinha se revoltado, buscando formas agressivas de revelar sua dor. Um exemplo para jovens que desejam justificar a ausência de carinho dos pais com atitudes pecaminosas. Um conselho: sofram a dor, apresentem-na a Deus, casem-se e, quando tiverem filhos, aja de modo diferente e não perca a esperança de mudança de seu pai.

Em visita a uma prisão há quinze anos, vi vários abraços: de um idoso na esposa, num filho, numa amiga e dois netos. De um adulto na esposa que, longamente, conversaram sem trocar palavra. Jovem de cor parda recebe uma caravana de sete e os abraços da irmã, do amigo, do irmão, da tia, de duas primas e da namorada, que tem duração e sentimento diferentes. Jovem escuro recebe seis e os abraços são afetuosos. Jovem de cor branca recebe uma visita, da mamãe. Saem para um cantinho, sentam-se num banquinho, ela no colo dele, e que cena bonita, apesar da prisão. A mão acaricia o rosto pra lá e pra cá de um e de outro. E o abraço é banhado por lágrimas que rolam rosto abaixo.

Ao sair dali, a cena dos abraços não me sai da cabeça. Cada abraço era diferente do outro. Mas todos eram demorados, celebrados, curtidos, festejados e chorados. Por ironia, quando cheguei à casa, recebo caloroso abraço de minha filha, gratuitamente, como faz constantemente. Abraçou-me, beijou-me, falou nos meus ouvidos uma série de coisas e me lembrei dos abraços que há pouco presenciara. Seu abraço tornou-se de mais valor.

Um provérbio conhecido décadas atrás orientava: abrace seu filho antes que um traficante faça por você. Embora tenha seu valor, é muito pouco. Abrace-o, abrace-a por amor, por relacionamento, porque faz bem, estreita laços, aumenta a autoestima. 

A parábola do filho pródigo tem um clímax: “E, levantando-se, foi para seu pai; e, quando ainda estava longe, viu-o seu pai, e se moveu de íntima compaixão e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou” - Lucas 15.20. Lançar-se ao pescoço é abraçar. E mais: o beijou.

Penso em Deus como o Deus do abraço. A cruz sugere, segundo alguns, isso, pois, ao estar de braços abertos, Jesus anunciava: quero abraçar você. Hoje o abraço de Jesus pode acontecer na sua vida.

Pai, abrace e beije seus filhos. Filhos, abracem e beijem seu pai.

Tudo é vaidade - 09

Eclesiastes 2.10 revela a falta de sobriedade do homem mais sábio da história: “Tudo aquilo que os meus olhos desejaram eu não lhes neguei, nem privei o meu coração de alegria alguma, pois eu me alegrava com todas as minhas fadigas, e isso era a recompensa por todas elas”.

Salomão era guiado por seus olhos. Ele não nega que “tudo que seus olhos desejaram ele atendeu”. Atitude assim coloca risco qualquer caminhada de sucesso. É bom lembrar que o adultério de seu pai com Betesebá começou com um olhar. E Jesus não deixou de prevenir: “Os olhos são a lâmpada do corpo. Se os seus olhos forem bons, todo o seu corpo será cheio de luz; se, porém, os seus olhos forem maus, todo o seu corpo estará em trevas. Portanto, se a luz que existe em você são trevas, que grandes trevas serão!” - Mateus 6.22-23.

Salomão acrescenta que não privou seu coração de alegria alguma. Não é pecado buscar a alegria, mas ela precisa atender as motivações corretas e critérios éticos aprovados pelo Senhor.

Cuidado com seus olhos e com seu coração, sem Deus, eles são maldição.

sábado, 8 de agosto de 2026

Tudo é vaidade - 08

Salomão descobre uma saída nada aconselhável. Eclesiastes 2.3 revela: “Resolvi no meu coração entregar-me ao vinho, sem deixar de me guiar pela sabedoria e de me apoderar da loucura, até descobrir o que de bom os filhos dos homens poderiam fazer debaixo do céu, durante os poucos dias da sua vida”.

Ele buscou refúgio na bebida. É bom lembrar que o vinho era parte integrante da cultura local, mas o cuidado com o uso era fortemente orientado. O próprio Salomão orientou sobre o perigo de seu uso desordenado: “O vinho é zombador e a bebida forte causa alvoroço; todo aquele que é vencido por eles não é sábio” - Provérbios 20.1.

A atitude de Salomão em se refugiar na bebida revela uma fuga para não encarar a realidade da aridez de sua vida. Sua vida estava vazia, sua alma se apresentava sedenta, seu espírito revelava angústia e seu corpo mostrava-se fraco.

Sempre que o ser humano estiver vazio de Deus, o inimigo apresentará robusto material para preencher sua alma. O prazer aparece, mas é temporário e as dores da alma aparecerão rapidamente. Preencher o vazio da alma sem Deus é correr atrás do vento.

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Tudo é vaidade - 07

Eclesiastes 2.1-2 registra: “Eu disse a mim mesmo: Vamos! Prove a alegria; procure ser feliz. Mas também isso era vaidade. Concluí que o riso é tolice e que a alegria não serve para nada”.

Em sua tresloucada crise, Salomão insiste no seu “eu” como centro da vida e das reflexões e conclui que o riso é tolice e a alegria para nada serve. Ele que, provavelmente, escrevera em Provérbios 15.13 “o coração alegre aformoseia o rosto”, agora não encontra qualquer benefício na alegria. Provavelmente, o que o Pregador desconhecia era que a alegria externa é consequência da alegria interna. Seu coração estava doente. E coração doente gera doença no corpo. É o que se chama de doença psicossomática ou, contemporaneamente, somatização, uma enfermidade na alma se manifestando no corpo.

A alegria não será adquirida com habilidades e recursos humanos, mas a partir de uma experiência de entrega da vida a Deus e o prazer em servir ao semelhante. Sempre que o nosso “eu” estiver no centro das ações, Deus e o próximo serão destronados em nossa alma.

E não há tristeza maior do que destronar Deus e o próximo de nossa vida!

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Tudo é vaidade - 06

Há uma atitude em Salomão que nem sempre é destacada como uma das possíveis causas de sua derrocada. Preste atenção no verso dezesseis do capítulo primeiro: “Eu disse a mim mesmo: Eu me tornei importante e superei em sabedoria todos os que governaram em Jerusalém antes de mim. O meu coração tem tido larga experiência da sabedoria e do conhecimento”. 

Reflita sobre a preponderância do eu: “Eu disse a mim mesmo, eu me tornei importante, eu superei em sabedoria todos, o meu coração tem tido larga experiência da sabedoria e do conhecimento”. Não sugere a evocação do eu como agente de seu sucesso? E onde fica Deus que o contemplou com tudo isso?

Preste atenção: toda vez que nos gabarmos, ainda que interna e sutilmente, de nosso sucesso, como se fôssemos os protagonistas do processo, experimentamos o despenhamento, despencamos da montanha do sucesso que experimentamos. O verso dezessete, mais uma vez, Salomão admite: “descobri que também isto é correr atrás do vento”.

Sepulte o eu que deseja assumir o trono de sua vida, ele é um péssimo rei, isso é vaidade!

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Tudo é vaidade - 05

Negar que Salomão estava muito pra baixo quando escreveu Eclesiastes é desatenção extrema.

Acompanhe uma pequena sequência de argumentos de sua mente:

1º - “Dediquei-me a investigar e a me informar com sabedoria a respeito de tudo o que se faz debaixo do céu. Que enfadonho trabalho Deus impôs aos filhos dos homens, para com ele os afligir!” - Eclesiastes 1.13. Entendeu?: Deus tem prazer em afligir os seres humanos.

2º - “Vi todas as obras que se fazem debaixo do sol, e eis que tudo é vaidade e correr atrás do vento” - Eclesiastes 1.14. Percebe a generalização? Todas as obras que se fazem debaixo do sol, tudo vão. É como correr atrás do vento.

3º - “Aquilo que é torto não pode ser endireitado; e o que falta não pode ser contado” - Eclesiastes 1.15. Embora se argumente que Salomão não sugeria um fatalismo, mas a impossibilidade do ser humano consertar o que está errado, pelo contexto, ele não acreditava em mudança de quadro.

Você já se sentiu assim? Lembre-se: “tudo vale a pena quando a alma não é pequena” - Fernando Pessoa. Nada é em vão, Deus faz tudo valer a pena!

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Tudo é vaidade - 04

A derrocada de Salomão é tão profunda que o deixa incapacitado de ver a beleza da vida. Para ele, a experiência da vida é uma tela em preto e branco, não há colorido, não há cores embelezando o cenário.

Para ele, a vida é um enfado. No verso 8º do capítulo 1º, ele declara: “Todas as coisas são canseiras tais, que ninguém as pode exprimir; os olhos não se fartam de ver, nem os ouvidos se enchem de ouvir”.

Sua percepção do mundo é que tudo se repete numa falta de criatividade impressionante. Veja o que diz o verso 9 do capítulo 1: “O que foi é o que há de ser; e o que se fez, isso se tornará a fazer; não há nada de novo debaixo do sol”.

Sua crise é tão intensa que ele insiste: “Será que existe alguma coisa de que se possa dizer: Veja! Isto é novo!? Não! Já existiu em tempos passados, muito antes de nós” - Eclesiastes 1.10.

A quebra no relacionamento com Deus gera um coração petrificado e uma mente destruída a ponto de não perceber a mão de Deus colorindo cada dia de forma inédita. Tudo é alegria e tudo é novo quando o foco da vida é Deus!

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Tudo é vaidade - 03

Após uma breve introdução, Eclesiastes apresenta a primeira de muitas perguntas presentes no livro. Salomão questiona: “Que proveito alguém tem de todo o seu trabalho, com que se afadiga debaixo do sol?” - Eclesiastes 1.3.

Usando outras palavras, é como se o Pregador provocasse: vale a pena trabalhar? Vale a pena suar a camisa num trabalho honesto se, no final, tudo fica do mesmo jeito? Que diferença há entre o trabalhador incansável e o persistente preguiçoso?

Veja a sutileza da provocação: o trabalho foi criado por Deus para que o homem honradamente pudesse sobreviver. Antes da entrada do pecado no mundo, o trabalho era totalmente prazeroso. Com a queda, ele passou a ser doloroso. Mas o trabalho dignifica, dá prazer e promove o bem. Duvidar dessa proposta pode levar a pessoa a produzir seu sustento através de atividades desonestas, por isso crescem as apostas nas bets e o envolvimento com a corrupção. Não se deve esquecer que trabalhar com desleixo e empurrar com a barriga são formas de desonrar a dignidade do trabalho.

Vale a pena trabalhar, no Senhor, nosso trabalho não é vão!

domingo, 2 de agosto de 2026

Tudo é vaidade - 02

Ao ler Eclesiastes e compará-lo com outros livros, o leitor é provocado a uma pertinente reflexão: vale a pena viver? A vida vale a pena? Não resolvendo de maneira prática essa aparente contradição, muitos o veem como um livro deprimente, pessimista, fatalista, materialista, inútil, fútil, irrelevante e desprezível.

Calma, vá devagar, não se precipite, como diz o Chapolin Colorado, “não priemos cânico”. Espere o final do livro. O que o Pregador, no caso, Salomão, quer ensinar é que a vida sem Deus é vazia, é passageira. Na poesia “Folha Seca”, Jair Pires destacou: “Eu comparo a vida do homem sem Deus / Como uma folha seca caída no chão / Que vai para onde o vento levar / Tudo é tristeza, tudo é solidão / Seu viver é triste, tão cheio de dor / Seus dias turbados, sem consolação / Assim é a vida do homem sem Deus / É uma folha seca caída no chão”.

A rigor, todos os homens são como folha seca. O que diferencia uns dos outros é a relação com Deus pela fé em Cristo. É isso que Salomão quer ensinar.

Você vive com a consciência de que nada somos, por isso, precisamos de Deus?

sábado, 1 de agosto de 2026

Tudo é vaidade - 01

Em Eclesiastes 1.1-2, lemos: “Palavras do Pregador, filho de Davi, rei de Jerusalém. Vaidade de vaidades, diz o Pregador. Vaidade de vaidades! Tudo é vaidade”.

A autoria de Eclesiastes é atribuída a Salomão, no texto identificado como “Pregador”. A palavra hebraica que nomeou o livro é “Qoheleth”, significando “Pregador ou Mestre ou um orador público que dirige uma assembleia”. Há dúvidas se “Qoheleth” é um nome pessoal, um pseudônimo ou título de um ofício. “Qoheleth” aparece sete vezes em Eclesiastes e não aparece em nenhum outro livro do Antigo Testamento.

A Septuaginta, tradução do hebraico para o grego, cunhou o nome do livro como Eclesiastes, que vem de “ekklesía”, uma assembleia, um grupo chamado de fora.

Para muitos, Eclesiastes é um livro pesado, depressivo, pra baixo, mas não podemos negar seus preciosos ensinos. Uma tradição rabínica defende que Salomão escreveu três livros: Cântico dos Cânticos, quando experimentava o vigor da juventude com a libido nas nuvens. Provérbios, em sua fase adulta e de sábio empreendedor. Eclesiastes, no final da vida em sua fase depressiva.

O objetivo do livro é mostrar que tudo é passageiro. Você se lembra disso?

sexta-feira, 31 de julho de 2026

José do Egito, um sonhador - Conclusão

A dramática história está fechando seu ciclo. Jacó e os seus filhos foram amparados por José. Jacó está morto. E a vida seguirá seu curso com o perdão de José.

Três ensinos práticos devem nortear nossas ações:

1º - Não basta sonhar, é preciso agir. Sonhar não é garantia de sucesso. É preciso agir. Entre o sonho e a realização existe uma longa estrada que, muitas vezes, se apresenta muito acidentada.

2º - Quem vê resultado, não vê processo. É comum exaltarmos quem desenvolve grandes projetos e, quase sempre, argumentamos ter sorte, ter recebido ajuda e até se utilizado de meios não muito republicanos. Nem sempre nos damos conta das dores, dissabores, problemas, dilemas e tensões envolvidos no percurso.

3º - Não é o que fizeram com você, é o que você fará com o que fizerem com você. Durante a caminhada, podemos sofrer ataques, injustiças, provocações e perseguições, mas o que determinará nosso sucesso é como reagimos às situações.

José é um exemplo, soube agir, interagir e reagir. E aí, você tem sonhos? Você sabe com clareza quais são? Então, mãos à obra!

quinta-feira, 30 de julho de 2026

José do Egito, um sonhador - XXX

“Vendo os irmãos de José que seu pai já era morto, disseram: É possível que José tenha ódio de nós; certamente nos retribuirá todo o mal que lhe fizemos” - Gênesis 50.15. 

Jacó descansou e o fato trouxe preocupação aos irmãos de José. Pensavam assim: agora José irá a forra. Depois de tantos anos e vendo o agir de Deus na história de José, ainda assim seus irmãos não aprenderam, inventaram uma mentira. Atribuíram a Jacó uma orientação que não se tem informação sobre ela, e mandaram dizer a José: “O seu pai, antes de morrer, ordenou o seguinte: perdoe, por favor, a transgressão dos seus irmãos e o pecado que cometeram, porque eles lhe fizeram mal” - Gênesis 50.16-17.

Os próprios irmãos confirmam o pedido e se humilham diante de José, que toma algumas atitudes:

1ª - Chora. É sensível.

2ª - Encoraja-os, dizendo “não tenham medo”.

3ª - Sabe de seu lugar ao dizer “estou no lugar de Deus”?

4ª - Revela que Deus está no controle, ele transformou o mal deles em bem.

5ª - Mostra compaixão. Eu sustentarei vocês e seus filhos.

Quem tem realmente sonhos não fica de picuinhas e revanchismo com quem o fez sofrer.

quarta-feira, 29 de julho de 2026

José do Egito, um sonhador - XXIX

Que reencontro extraordinário! Alguns destaques no texto revelam que José se preparou para aquele momento especial! Suas reações desde o primeiro encontro sinalizam uma espécie de revanche, fazendo-os se sentirem fragilizados e com medo, mas, paulatinamente, foi digerindo e permitindo que o amor divino norteasse todo o enredo.

José aconselha: “não fiquem tristes nem irritados contra vocês mesmos por terem me vendido para cá”. Ele não nega o maldoso evento que eles provocaram, mas garbosamente argumenta: “porque foi para a preservação da vida que Deus me enviou adiante de vocês”. 

José tem claramente em sua mente a direção de Deus: “Não foram vocês que me enviaram para cá, e sim Deus, que fez de mim como que um pai de Faraó, e senhor de toda a sua casa, e como governador em toda a terra do Egito” - Gênesis 45.8.

Destaca Gênesis 45.15 que “José beijou todos os seus irmãos e chorou, abraçado com eles”. Por fim, orienta a buscar o pai e cuida carinhosamente de todos eles. Quem sonha grandes sonhos e tem sólidos alvos, retribui com o bem o mal que recebem.

terça-feira, 28 de julho de 2026

José do Egito, um sonhador - XXVIII

Depois de intenso diálogo entre José e seus irmãos, sem que eles o reconhecessem, idas e vindas entre o Egito e Canaã, José se apresenta a eles. O evento é o clímax de suspense altamente emocional e a revelação que José não conseguiu mais se conter. Assim, toma algumas atitudes:

1ª - José ordena que todos saiam de sua presença, exceto seus irmãos. Eles que tempos atrás não queria a presença de José, agora José quer ficar com eles em secreto.

2ª - José chora copiosamente. Sua intensidade é tão grande que os egípcios o  ouviam e a casa de Faraó também.

3ª - José revela quem é. Gênesis 45.3 registra: “E disse a seus irmãos: Eu sou José. Meu pai ainda está vivo?”.

4ª - José ordena mais uma vez: “E José disse aos seus irmãos: Agora cheguem perto de mim” - Gênesis 45.4. Ele não queria apenas a presença, queria estar pertinho, sentir o cheiro de irmão, ativar a memória afetiva.

Seus irmãos estão espantados, não sabem o que fazer. José sabia. E trata os seus algozes com compaixão e graça. Os verdadeiros sonhadores não provocam pesadelo na vida de quem lhes fez o mal.

segunda-feira, 27 de julho de 2026

José do Egito, um sonhador - XXVII

A partir do primeiro encontro com José, seus irmãos vivem um drama que nenhuma sensibilidade é capaz de imaginar e nenhum habilidoso poeta é capaz de registrar como estavam reagindo. 

O texto bíblico sinaliza a tensão: “Então disseram entre si: Na verdade, estamos sendo castigados por causa de nosso irmão, pois vimos a angústia de sua alma, quando nos pedia, e não lhe demos ouvidos; por isso, nos sobrevém agora esta ansiedade. Rúben respondeu-lhes: Não é verdade que eu disse: ‘Não pequem contra o jovem’? Mas vocês não quiseram me ouvir. Pois agora estão vendo que o sangue dele está sendo requerido de nós” - Gênesis 42.21-22.

O irônico de tudo é que José entendia toda a conversa deles e eles não sabiam. Embora alguns vejam sarcasmo e sadismo em José, provocando aquelas reações com suas atitudes, Gênesis 42.24 revela a sensibilidade de José: “E, retirando-se deles, José chorou”.

Nenhuma maldade e nenhum sofrimento são capazes de tirar a sensibilidade dos sonhadores. Quem sonha é sensível, principalmente com a dor do outro. Não existe sonho quando se torce pelo mal do outro.

domingo, 26 de julho de 2026

José do Egito, um sonhador - XXVI

Está se aproximando o momento do primeiro encontro dos assassinos de sonhos com o jovem sonhador. Os irmãos se reencontrarão. Benjamim, o mais novo, não está entre eles, pois Jacó queria preservá-lo de possível problema e perda, afinal, pensava Jacó, é o único filho com a amada Raquel, que falecera no parto.

Eles se reencontram. José reconhece seus irmãos, mas eles não o reconhecem. Possíveis razões para isso: em sua mente, José estava morto ou era um escravo em algum lugar e a indumentária de José o descaracterizava, suas roupas eram de governante importante.

O verso 6 do capítulo 42 apresenta no final uma realidade ao mesmo tempo humilhante e celebrativa. Diz o texto: “Os irmãos de José vieram e se prostraram com o rosto em terra, diante dele”. Humilhante para os 10 e celebrativa para José. Imagino como estava a mente de José. O verso 9 esclarece: “Então José se lembrou dos sonhos que teve a respeito deles”.

Alguém disse: “O mundo não gira, ele capota, se você o trata como um jogo, amanhã ele ensinará como se jo⁠ga”. 

Cuidado com suas ações hoje. Quem sonha grande, semeia muito hoje!!

sábado, 25 de julho de 2026

José do Egito, um sonhador - XXV

O capítulo 41 de Gênesis encerra com a triste informação que a fome chegou em todo o mundo. Os sonhos do jovem sonhador José começaram a ser cumpridos.

A primeira ação do Faraó ao ouvir o clamor do povo pedindo pão foi: “Vão falar com José e façam o que ele disser” - Gênesis 41.55.

O capítulo 42 inicia com uma bombástica informação: “Quando Jacó soube que havia mantimento no Egito, disse a seus filhos: Por que vocês estão aí olhando uns para os outros? E acrescentou: Ouvi dizer que há cereais no Egito. Vão até lá e comprem cereais, para que vivamos e não morramos. Então dez dos irmãos de José foram, para comprar cereal do Egito” - Gênesis 42.1-3.

Lembra-se do capítulo 37 que narra o início do drama de José? Ele estava com 17 anos e seu pai o mandou ir ao encontro dos irmãos para ver como estavam. Agora, 13 anos depois, Jacó manda os filhos ao Egito e não imaginava que encontrariam José. E nem os irmãos imaginavam também.

Quando alguém de seus relacionamentos sonhar com grandes propósitos, não tente assassinar seus sonhos, pode ser que anos depois vocês se reencontrem.

sexta-feira, 24 de julho de 2026

José do Egito, um sonhador - XXIV

O jovem sonhador José está agora no centro das decisões do poderoso Egito, apenas o Faraó está acima dele em termos humanos, considerando que o próprio rei se submetia às suas orientações.

O período de sete anos de fartura tem início. Gênesis 41.47 registra: “Nos sete anos de fartura a terra produziu com abundância”. Habilidosamente, “José ajuntou todo o mantimento que houve na terra do Egito durante os sete anos e o guardou nas cidades; o mantimento do campo ao redor de cada cidade foi guardado na mesma cidade” - Gênesis 41.48.

Um fato importante acontece antes da chegada da fome: José e sua esposa Asenate recebem dois filhos. O primeiro recebeu o nome de Manassés com a seguinte dedicação: "Deus me fez esquecer todo o meu trabalho e toda a casa de meu pai". O segundo recebeu o nome de Efraim: "Deus me fez próspero na terra da minha aflição".

Mesmo mandatário de todo o Egito, José não se esqueceu do autor de todo o processo, Deus, e não guardava mágoa em seu coração.

Os verdadeiros sonhadores não se esquecem de Deus quando os sonhos são realizados e não permitem mágoa no coração.

quinta-feira, 23 de julho de 2026

José do Egito, um sonhador - XXIII

“Então Faraó perguntou aos seus oficiais: Será que poderíamos achar alguém melhor do que José, um homem em quem está o Espírito de Deus?” - Gênesis 4.38.

A estrada aparentemente intransitável recebe a última etapa de pavimentação na realização dos sonhos do pacato jovem hebreu. O jovem sonhador é elevado à condição de vice-rei do Egito, acima dele, só o Faraó.

Pr. Hernandes Dias Lopes destacou que a nomeação de Faraó tem 7 fatos importantes:

1º - Faraó destaca as qualificações de José - Gênesis 41.37-39. 

2º - Faraó confere poder a José - Gênesis 41.40-41. 

3º - Faraó dá os símbolos de poder a José - Gênesis 41.42.

4º - Faraó apresenta José em público - Gênesis 41.43.

5º - Faraó estabelece os limites de poder de José - Gênesis 41.44.

6º - Faraó dá um novo nome a José - Gênesis 41.45.

7º - Faraó dá a José uma esposa - Gênesis 41-45-46.

Quem concedeu tudo isso a José foi o Faraó? Não. Ele era instrumento de Deus na concretização do projeto. Tenha consciência de algo: nenhum de seus sonhos será realizado por alguém limitado como você, todas as pessoas envolvidas serão instrumentos de Deus.

quarta-feira, 22 de julho de 2026

José do Egito, um sonhador - XXII

José ainda acrescenta a Faraó: “Faraó devia fazer isto: pôr administradores sobre a terra e recolher a quinta parte dos frutos da terra do Egito nos sete anos de fartura. Esses administradores deviam ajuntar toda a colheita dos bons anos que virão, recolher cereal por ordem de Faraó, para mantimento nas cidades, e guardá-lo em armazéns. Assim, o mantimento servirá para abastecer a terra nos sete anos da fome que haverá no Egito, para que a terra não seja destruída pela fome” - Gênesis 41.34-36.

Eu imagino o poderoso Faraó diante de um jovem sonhador ouvindo suas orientações. Como diz a cultura popular, deveria estar de boca aberta.

O que poucos realçam da dramática e empolgante história de José é que, embora Deus dirigisse tudo, José estava preparado para aquele desafio. Há grande diferença entre estar preparado ou começar a se preparar quando surgir a oportunidade. A oportunidade escapa quando não estamos preparados para ela.

Quais são os seus sonhos? Eles parecem impossíveis? Você está se preparando para o tempo em que eles surgirem?

terça-feira, 21 de julho de 2026

José do Egito, um sonhador - XXI

A aflição de Faraó o fez ser direto no encontro com José. Gênesis 41.15 resume: “Tive um sonho, e não há quem o interprete. Porém ouvi falar a respeito de você que, quando ouve um sonho, é capaz de interpretá-lo”.

Sem pestanejar, José responde: “Isso não está em mim; mas Deus dará resposta favorável a Faraó”. José tinha claramente consciência de seu papel em todo o enredo de sua caminhada. Ele não era protagonista, era coadjuvante. E Deus não era apenas mero protagonista, era o idealizador, o diretor, o escritor do roteiro e o orientador em todas as cenas.

Após ouvir o sonho e apresentar-lhe a interpretação, José é assertivo: “O sonho de Faraó foi repetido, porque a coisa é estabelecida por Deus, e Deus se apressa a fazê-la. Agora, pois, Faraó devia escolher um homem ajuizado e sábio e encarregá-lo de dirigir a terra do Egito” - Gênesis 41.32-33.

Preste atenção: José está diante do dominador do mundo dando-lhe orientações sobre como agir. Alguém em sã consciência imaginaria um final assim para aquele jovem sonhador? Nem José imaginaria isso!

Os mais criativos sonhadores são incapazes de prever o que Deus pode fazer com eles. Creia nisso!

segunda-feira, 20 de julho de 2026

José do Egito, um sonhador - XX

Com a informação do copeiro a Faraó, José é reconduzido à sua presença e o verso 14 destaca que “o fizeram sair às pressas da masmorra”. Ainda no versículo 14, antes de sair da cela, temos duas informações muito importantes. A primeira é que José se barbeou e a segunda é que mudou de roupa.

Ele se apresentou a Faraó com sua aparência cuidada. A aparência não determina vitória nos desafios propostos, mas revela importantes aspectos do sonhador. Há uma diferença abissal entre a aparência como vaidade e como zelo. 

A aparência como vaidade revela a vida vazia de quem sonha. Sinaliza que os sonhos que se tem são, na verdade, produto de interesse egoísta e materialismo.

A aparência como zelo revela o caráter do sonhador e mostra que seus sonhos estão voltados para o bem comum e a sua realização contribuirá para o bem da alma e do interior do ser humano. A aparência como zelo honra a Deus, glorifica a Jesus e valoriza as pessoas. José desejou se apresentar ao rei terreno com a mensagem que servia ao Rei Eterno.

O zelo pela aparência pode revelar o tamanho de seus sonhos!

domingo, 19 de julho de 2026

José do Egito, um sonhador - XIX

José dependia de Deus, mas tentou dar um jeitinho, pediu ao copeiro que se lembrasse dele quando fosse reconduzido às funções junto ao Faraó. Não há erro na atitude, mas, parece-me, que Deus queria mostrar a José que Ele seria o condutor de todo o processo.

Que acontece? O copeiro se esquece. O capítulo 40 de Gênesis termina assim: “Porém o copeiro-chefe não se lembrou de José; esqueceu-se dele”. O capítulo 41 começa assim: “Passados dois anos completos, Faraó teve um sonho…”. E Gênesis 41.9 registra: “Então o copeiro-chefe disse a Faraó: Hoje me lembro das minhas ofensas”. De que se lembrara o copeiro? Do pedido de José.

Sabe que significa isso? José ficou dois anos presos após a libertação do copeiro. Nosso primeiro raciocínio é: que copeiro ingrato e descuidado. Retribuiu com ingratidão e deixou de cuidar de alguém que fora bênção para ele.

Agora, amplie seu raciocínio. Tivesse sido liberto dois anos antes pela mediação do coveiro, José seria o governador? Pois é, Deus sabia o tempo certo. Sonhadores precisam entender o tempo de Deus e não precipitar as realidades.

sábado, 18 de julho de 2026

José do Egito, um sonhador - XVIII

Diante da aflição do copeiro e do padeiro com os sonhos, José bem que podia se gabar de entender de sonhos, mas não é isso que faz. Sua primeira intervenção é: “Não pertencem a Deus as interpretações? Contem-me o sonho que tiveram” - Gênesis 40.8.

José tinha bastante consciência que a realização de seus sonhos não aconteceria por causa de sua capacidade, habilidade, preparo e estratégia. Um dos grandes problemas dos sonhadores, talvez o maior, é que, mesmo começando na dependência de Deus, pouco a pouco vão se sentindo capazes, habilidosos, preparados e estratégicos, esquecendo-se da dependência de Deus. José ensina que não importa se estamos numa pacata região ou no centro mais importante do mundo nada depende totalmente de nós. Dependemos sempre de Deus.

Iniciar uma caminhada de sonhos na dependência de Deus é decisivo, continuar é salutar e permanecer nela é garantia de prosperar. Não basta iniciar bem, é preciso encerrar bem.

E aí, quais são os seus sonhos para o futuro? Você os tem com clareza em sua mente? Não abandone a dependência de Deus!

sexta-feira, 17 de julho de 2026

José do Egito, um sonhador - XVII

A liderança de José também foi reconhecida na prisão. Além da atitude do carcereiro em promovê-lo, os presos se renderam à sabedoria e, certamente, perceberam aspectos diferentes e relevantes na vida do jovem sonhador.

É apenas uma imaginação, mas eu penso que José ao transpor o portão da cela estampava um sorriso no rosto, sua boca cantarolava uma canção e foi saudando um a um com entusiasmo impactante. Como diz a gíria, foi “chegando, chegando”. 

Pouco tempo depois, chegam mais dois presos. E eram importantes oficiais chefes de Faraó, um copeiro e um padeiro. José foi designado para servi-los na prisão. José se envolvia com as pessoas, não era um companheiro frio e logo percebeu que o copeiro e o padeiro estavam tristes. Perguntou-lhes: “Por que vocês estão com o rosto triste hoje?”. Percebeu a sensibilidade? Eles responderam que tiveram um sonho. José foi cirúrgico: “Contem-me o sonho!”. José podia completar: de sonho, eu entendo.

Os sonhadores não podem trilhar a estrada da frieza nos relacionamentos, precisam estar atentos às reações das pessoas e se apresentar para ajudá-las.

quinta-feira, 16 de julho de 2026

José do Egito, um sonhador - XVI

José foi odiado, vendido como escravo e agora está preso. Que escalada! Mas preste atenção num fato: José não foi assassinado pelos irmãos e não foi executado por Potifar. Ele podia matá-lo, mas não o fez. Provavelmente a integridade de José ecoava em sua mente, logicamente que Deus estava dirigindo tudo.

Os expectadores dos sonhos alheios raciocinaram: agora, acabou! José, “tu, finish!”. E Deus sussurrava ternamente nos ouvidos de José: “Estamos no processo, não desista, continue firme!”. Quando um problema parecer ser o fim de seus sonhos, preste atenção na voz de Deus, não dê ouvidos aos expectadores e assassinos de sonhos.

Na prisão, José também revela seu espírito de serviço e liderança. Gênesis 39.21-23 destaca: “Deus foi bondoso com ele e fez com que encontrasse favor aos olhos do carcereiro, que confiou às mãos de José todos os presos. O carcereiro não se preocupava com nada do que tinha sido entregue às mãos de José”.

O lugar podia mudar, mas José não mudava, não importava se no conforto da moradia oficial ou numa prisão. Sonhadores sonham em qualquer lugar!

quarta-feira, 15 de julho de 2026

José do Egito, um sonhador - XV

A resistência inicial de José não diminuiu a maldosa intenção da provocante esposa de Potifar. Gênesis 39.10 realça que “ela falava com José todos os dias, mas ele não lhe dava ouvidos, recusando-se a ir para cama com ela e a ficar perto dela”.

Provavelmente, sentindo-se ferida em seu orgulho, pode ser que José tenha sido o primeiro a negar-lhe um momento de prazer, astuciosamente, armou uma cilada, aproveitando-se da ausência de outros funcionários na casa e o atacou, forçando-o a ter relações com ela. Livrando-se dela e fugindo, deixou em suas mãos uma peça de roupa, possivelmente uma capa, que foi usada por ela para o acusar de assédio sexual ou até mesmo estupro.

Encenando desespero com o mentiroso ataque, alardeou entre os outros funcionários e mais tarde contou ao seu marido. Potifar ficou irado e o lançou na prisão. Algo me intriga: por que Potifar não executou José? A primeira resposta é: Deus estava na direção e não permitiu. Muito bem. Mas gosto de especular: além disso, nem Potifar acreditava na integridade de sua mulher. Seu histórico não devia ser nada bom.

O sonhador era escravo e, agora, é prisioneiro.

terça-feira, 14 de julho de 2026

José do Egito, um sonhador - XIV

Tudo ia de vento em popa com José na casa de Potifar. Gênesis 39.6 registra que “Potifar confiou tudo o que tinha às mãos de José, de maneira que não se preocupava com nada, a não ser com o pão que comia. José tinha um belo porte e boa aparência”.

Mas, e a vida sempre tem um “mas”, José seria mais uma vez testado. A mulher de Potifar se encantou com ele. De belo porte e de boa aparência, aliado à possível ausência do oficial gerando carência na esposa, o cenário estava preparado para uma aventura espetacular, o que poderia, inclusive, falsamente sugerir possibilidade de dias tranquilos.

José revela seu maior tesouro: a integridade. Gênesis 39.8 destaca: “Ele disse à mulher: O meu senhor não se preocupa com nada do que existe nesta casa, porque eu estou aqui; tudo o que tem ele passou às minhas mãos”. E o verso 9 completa: “Não há ninguém nesta casa que esteja acima de mim. Ele não me vedou nada, a não ser a senhora, porque é a mulher dele. Como, pois, cometeria eu tamanha maldade e pecaria contra Deus?”.

E José tinha consciência de que seu pecado não seria contra Potifar, seria contra Deus. Os verdadeiros sonhadores escalam o degrau da integridade.

segunda-feira, 13 de julho de 2026

José do Egito, um sonhador - XIII

José agora está no Egito sob o comando de Potifar, oficial de Faraó. O que parecia um desastre é mais um degrau na escada da realização dos sonhos. Seus irmãos o venderam como escravo. Os ismaelitas o compraram como escravo. Os ismaelitas o revenderam como escravo. Potifar o comprou como escravo. Todos na casa de Potifar o viam como escravo. Mas José não se enxergava como escravo. Aqui reside a grande diferença: o sonhador não é o que os outros pensam sobre ele. O sonhador não enxerga apenas o que está ao alcance de seus olhos ou o que sua mente deseja impor. O sonhador vê longe, muito além do que está diante de seus olhos.

A temporada na casa de Potifar revelou algumas surpresas. A primeira foi que o oficial “viu que o Senhor estava com José e tudo que ele fazia Deus fazia prosperar” - Gênesis 39.3. A segunda é que José foi elevado a servir o próprio oficial, isso era grande promoção. A terceira é que Potifar o promoveu ainda mais, agora ele era administrador e tudo estava sob o comando de José.

Não se apavore quando os assassinos de sonhos tentarem destruir você, continue focado na realização.

domingo, 12 de julho de 2026

José do Egito, um sonhador - XII

A história de José é interrompida no capítulo 38 e retorna ao 39. O capítulo 37 termina com José sendo vendido e o início do capítulo 39 informa que José foi comprado. E veja que ironia: os assassinos de sonhos tiraram José do contexto de uma pacata região e o levaram para o centro nervoso do mundo, agora ele está no Egito, no ambiente do reino. As ações malignas de seus irmãos para matar seus sonhos estavam se transformando numa ponte para José atravessar, rumo ao pódio do sucesso.

O versículo dois de Gênesis 39 apresenta uma chave que é muito decisiva em todo o processo de realização dos sonhos de José. Diz o texto: “O Senhor Deus estava com José”. E quando Deus está com uma pessoa, não há assassino de sonhos que consiga êxito em sua jornada. Seus irmãos pensavam que José estava abandonado em sua viagem como escravo nas mãos dos ismaelitas e não refletiram na possibilidade de Deus estar presente com José. Deus nunca abandona aqueles ou aquelas que sonham!

Todos podem te abandonar, irmãos, amigos e religiosos, mas Deus está com você durante o período de seus sonhos.

sábado, 11 de julho de 2026

José do Egito, um sonhador - XI

Rúben não estava com os irmãos quando venderam José e, voltando à cisterna e não o encontrando, confronta seus irmãos com uma pergunta angustiante: “E agora, o que eu vou fazer?” - Gênesis 37.30.

Rúben era o irmão mais velho e sua responsabilidade incluía dar conta dos outros irmãos ao pai. Como explicaria o desaparecimento de José? A saída foi criar uma mentirosa história em que um animal selvagem tenha matado José e, com a túnica manchada de sangue, informaram ao pai. A tristeza de Jacó foi tão grande que ele recusou ser consolado.

Certamente, anos atrás, Jacó ouviu o choro de seu irmão Esaú quando recebeu a notícia da perda da primogenitura por uma atitude precipitada dele e desonesta de seu irmão Jacó. Agora, Jacó chora amargamente porque recebe a notícia que seu predileto filho fora devorado por uma fera. O capítulo 37 de Gênesis encerra com a informação que José fora vendido a Potifar, oficial de Faraó.

O que parecia ser o fim dos sonhos seria o começo de sua realização. Quando seus sonhos sofrerem oposição, não desista, não é o fim, é apenas o começo.