sexta-feira, 15 de maio de 2026

Série "Famílias Saudáveis" - Finanças - V


Sempre que vou pagar compras com o cartão, ouço aquela indagação: é crédito ou débito? Respondo assim: o nome é crédito, mas toda vez que passo, fico devendo. Normalmente, a pessoa consente e dá aquela risadinha. Aí emendo: Esse negócio é muito engraçado, igual a Plano de Saúde. Quando você usa? Nesse momento, a pessoa já reflete e conclui ou eu ajudo a concluir: quando está doente. Embora tenha o aspecto preventivo, normalmente usa-se quando sente-se mal. Tem mais: E a Casa de Saúde, quando você vai lá? Ah, você diz ‘tenho seguro de vida’! Você tem que morrer, outro vai receber por você. A essa altura, o atendente está rindo mais espontaneamente.

Narrei este fato para uma advertência: cartão de crédito, cheque especial e crediário pré-aprovado não fazem parte de sua receita. São recursos para eventuais emergências. Os juros são altíssimos e quem se descuida nessas áreas terá grandes problemas financeiros. Caso você esteja nessa situação, precisa de orientação segura de como proceder. Procure alguém que entenda e busque assessoria. E tenha paciência para um planejamento a médio prazo, quando você se livrar disso, sua vida financeira na família será outra.

O resumo de tudo que falamos em finanças é: planejamento, precaução, poupança e perseverança. Ah, e se você for cristão, dará grande testemunho nessa área, sabia?


quinta-feira, 14 de maio de 2026

Série "Famílias Saudáveis" - Finanças - IV

Sabendo que finanças é uma das áreas mais difíceis no relacionamento familiar, que se deve ter um registro de todas as despesas e que se deve evitar a todo custo o desperdício, você precisa trabalhar o orçamento doméstico.

Ao contrário do que possa imaginar, o orçamento doméstico não é para os momentos de crises financeiras. Ele é o norteador de toda caminhada nessa área. O orçamento não deve ser visto como mecanismo para corrigir erros cometidos, mas como planejamento para alcançar melhor resultado no uso dos recursos. Claro, se o erro é exatamente a falta de planejamento nessa área, é hora de corrigir.

Uma boa prática é que todos os membros participem do planejamento e saibam qual é a realidade financeira da família. Isso evitará tensões quando se desejar um gasto que não poderá ser atendido.

Usando recursos da tecnologia com planilhas ou anotações numa folha de caderno, o importante é que o orçamento contemple as despesas fixas, dívidas, pagamentos, gastos eventuais, além da rotina normal de uma casa. No final, o ideal é que uma sobra entre 10 e 20% seja percebida, que fará parte de um planejamento de poupança para futuros problemas a enfrentar.

Lição básica no orçamento: você deve ganhar mais do que gasta. Normalmente, pensa-se que se deve gastar menos do que ganha. Dá no mesmo, mas penso que é mais motivador pensar em ganhar mais, agregando outras possíveis receitas, do que a tensão de gastar menos.

quarta-feira, 13 de maio de 2026

Série "Famílias Saudáveis" - Finanças - III

Um dos grandes problemas financeiros nas famílias é o desperdício. É o que chamamos de ralos. Recursos que somem pelos ralos.

Como exemplo, veja bem: normalmente, toda família brasileira gosta de café e faz uso dele duas vezes ao dia, pela manhã e à tarde. Imagine que uma família jogue fora duas xícaras pequenas de café que sobraram da manhã e duas xícaras da tarde. Quatro xícaras pequenas de café não representam muito. Mas raciocine: no final do mês, são 120 xícaras. No final do ano, 1440. Para efeito de arredondamento, considerando que o ano tem 365 dias e que você pode jogar um pouquinho mais de duas xícaras de cada vez, pensemos em 1500 xícaras durante o ano. Agora, multiplique isso pelos anos que se faz café em sua casa. Caso sejam 40 anos, são 60 mil xícaras de café. Aí o valor representa alguma coisa, concorda?

Para acertar a área financeira de sua vida, você precisa estar atento aos desperdícios. É cultura brasileira desperdiçar as coisas. E você observar direitinho, perceberá que muitos recursos estão indo pelo ralo, ou seja, você está desperdiçando.

Há um claro ensino de Jesus na multiplicação dos pães sobre evitar o desperdício. Ele mandou recolher o que sobrou. Provavelmente, seria reaproveitado.

Desperdiçar é pecado, até porque o que alguns desperdiçam poderia ser a solução para o sofrimento de muitas pessoas.

Então, a partir de hoje, segunda lição: evite a todo custo o desperdício.

terça-feira, 12 de maio de 2026

Série "Famílias Saudáveis" - Finanças - II

Uma família enfrentava problemas na área financeira e o homem procurou ajuda com um especialista. Indagado sobre os gastos, informou que não gastavam muito. O especialista pediu que apresentasse o registro dos gastos. Ele não tinha. Usando a memória, relatou os principais e, pelos cálculos, eram menores que a receita.

Experiente, o especialista perguntou: “Vocês não tem gasto com transporte?”. “Sim”, foi a resposta. “Vocês tem gasto com remédios?”. “Sim”. Em várias áreas foi percebido que tinham gastos e não se lembravam. Refeitas as contas, o orçamento não batia.

No Café de ontem, orientamos um exercício. Você fez? Se não, sua família nessa área continuará sofrendo. É preciso registrar todos os gastos. Repetindo, todos os gastos, até aquele cafezinho no bar da esquina.

Feito esse exercício, agora você vai comparar com suas receitas. Que coluna está maior? Se for a da receita, você tem superávit. Se for a da despesa, você tem déficit.

No caso de déficit, você precisa analisar um a um e ver a possibilidade de retirar aquele item ou diminuir. É comprovado que toda família pode diminuir os gastos em torno de 20%. Comece pelos gastos que podem ser diminuídos imediatamente. Por exemplo: menor consumo de água, menor consumo de luz, menos gastos com o telefone, melhor tarifa para a internet e outros. Feito isso, refaça as contas. Esse exercício precisa ser feito até que as duas colunas, no mínimo, empatem. Voltaremos com mais dicas.

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Série "Famílias Saudáveis" - Finanças - I

Finanças é uma das áreas mais tensas no relacionamento familiar. Com muito dinheiro ou sem dinheiro algum, famílias enfrentam problemas sérios e prejuízos incalculáveis surgem.

Todas as famílias estão sujeitas às dificuldades e tempos de provação, mas o que se tem percebido é que a maior parte é falta de planejamento nesse quesito. Trabalhei em situações em que famílias ganhavam milhares de reais e moravam pagando aluguel. Outras, bem mais modestas, com ganhos de algumas poucas centenas de reais, tinham casa própria e mais de uma, o que aumentava a renda com locação.

É também comum encontrar pessoas que, poucos dias após perder o emprego, não tem recursos para pagar a conta de luz, d’água e ter necessidades básicas atendidas. Por que isso acontece? Descuido e falta de planejamento.

Dinheiro em si não é problema. O problema é, tendo muito, desenvolver amor por ele. A Bíblia não condena o dinheiro, condena o “amor ao dinheiro”. Outro problema é guardar acima do que é previdência e impedir a família de desfrutar de alegrias. O dinheiro é um excelente servo e um péssimo senhor. Quando se tem pouco, maior habilidade exigirá. Mas deixe-me dizer uma coisa: o número dos que sofrem na área por terem muito é maior do que com os que tem pouco.

Um exercício pra hoje: anote todos os seus gastos, preste atenção, todos, até aquele cafezinho no bar da esquina. Amanhã, permitindo Deus, voltarei com orientações.

domingo, 10 de maio de 2026

Série "Famílias Saudáveis" - A Rainha do lar

Noemy Ferreira Lima

Zilanda Valentim, nas décadas de 70 e 80, gravou a música “Mãe”. A letra destaca: 

“Eu me lembro ainda em criança, mãe a me ensinar, 

Que Deus era grande e amava a mim! 

Hoje eu canto, sou de Jesus, graças a minha mãe. 

Eu louvo a Deus, por minha mãe!

Mãe, mamãe, quando pequeno por mim a olhar

Nome mais doce não existe, foi Deus que assim quis

Mãe, mãe, dádiva de Deus, concedida a mim”.

Uma parte era declamada:

“Mãe, hoje é seu dia, por isso quero vê-la mui feliz

Talvez a senhora nem se lembre mais

De quando pequeno me ensinava que Jesus me amava.

Mãe, de coração, muito obrigado pelo que fez por mim!

Que Deus a recompense!”.


Júlio Dantas declara: “Pode secar-se, num coração de mulher, a seiva de todos os amores; nunca se extinguirá a do amor materno”.

Mãe não deveria ser substantivo. Nem adjetivo. Nenhuma classe gramatical. Deveria ser inclassificável. Ou então, uma interjeição.

Quem não se lembra daquele sorriso encorajador? Do rosto sério na hora da bronca? Daquela mão dócil acariciando? Do abraço caloroso no momento da dor? Daquele canto suave na hora de dormir? Daquela coragem de guerreira diante do perigo? Da solidariedade em repartir o pouco que administrava?

Quem não se lembra?

sábado, 9 de maio de 2026

Série "Famílias Saudáveis" - Cuidar dos seus

Texto intrigante é o da 1ª carta de Paulo a Timóteo, capítulo 5, verso 8. Diz assim: “Mas, se alguém não tem cuidado dos seus, e principalmente dos da sua família, negou a fé, e é pior do que o infiel”. A NVI registra assim: “Se alguém não cuida de seus parentes, e especialmente dos de sua própria família, negou a fé e é pior que um descrente”. E a versão católica assim: “Quem se descuida dos seus, e principalmente dos de sua própria família, é um renegado, pior que um infiel”.

Há muitos heróis na sociedade e fracassados dentro de casa. Na sociedade, são respeitados, aplaudidos e elogiados, com vários títulos, reconhecidos pelos grandes feitos aos outros. Mas, em casa, um ausente e descuidado.

Muitos problemas seriam evitados, se o esposo cuidasse mais da esposa e esta daquele, se os pais cuidassem dos filhos e estes daqueles, se os irmãos se cuidassem mutuamente. Há inúmeros casos em que pessoas abandonam o lar por se sentirem como objetos e não como vidas que precisam de cuidados especiais.

Preocupado com isso, Paulo orienta ao jovem Timóteo: não basta cuidar dos outros e das outras coisas e descuidar-se dos que estão na sua família. Quem age assim é pior que um infiel. E tem mais: nega a fé! Neste caso, a fé não é um discurso, é uma prática com os de dentro de casa.

Série "Famílias saudáveis" - Família, bem valioso

Cremos que o plano de Deus, percebendo que não era bom que o homem estivesse só, dando-lhe uma companheira e, a partir daí, os filhos, é o bem mais precioso que o ser humano tem.

O polivalente francês Victor Hugo advertiu: “Toda a doutrina social que visa destruir a família é má, e para mais inaplicável. Quando se decompõe uma sociedade, o que se acha como resíduo final não é o indivíduo, mas sim a família”. Na verdade, a decomposição da sociedade é consequência da decomposição familiar.

Augusto Cury exaltou o seu valor: “Se você passar por uma guerra no trabalho, mas tiver paz quando chegar à casa, será um ser humano feliz. Mas, se você tiver alegria fora de casa e viver uma guerra na sua família, a infelicidade será sua amiga”.

Em gente humilde, Chico Buarque mostra o valor do lar: “E aí me dá como uma inveja dessa gente / Que vai em frente sem nem ter com quem contar / São casas simples com cadeiras na calçada / E na fachada escrito em cima que é um lar”.

Por outro lado, a solidão revelada na canção de Gilson Vieira da Silva, Casinha Branca, mostra um anseio: “Eu queria ter na vida, simplesmente / Um lugar de mato verde / Pra plantar e pra colher / Ter uma casinha branca / De varanda / Um quintal e uma janela / Para ver o sol nascer”. Ele queria mais que uma casa, queria um lar, uma família.

Família é bênção do Senhor! Bem valioso! Lute por ela!

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Série "Famílias Saudáveis" - Casa e Lar

Entre casa e lar há um abismo intransponível. Por não entenderem bem isso, muitos valorizam mais a casa do que o lar. Casa é sinônimo dos valores terrenos. Lar, de valores eternos. A casa precisa de fundamentos, de pilares que a sustentem. O lar também.

No lar, três pilares são decisivos.

Primeiro, lealdade. Significa fidelidade aos compromissos, franqueza, sinceridade, honestidade.

Segundo, amor. Na Bíblia, nunca é sentimento. É atitude. Atitude em favor do outro.

Terceiro, renúncia. Capacidade de perder alguma coisa em favor do outro.

Observando a primeira letra dos pilares, forma-se um acróstico: LAR. L de lealdade. A de amor. R de renúncia.

Por que nem todas as famílias cristãs desfrutam das mesmas vitórias que o evangelho apresenta? E algumas, infelizmente, sofrem com grandes crises. Por que muitos filhos de cristãos estão produzindo grandes males ao mundo?

Para que sua família não tenha apenas uma casa, mas um lar, é preciso que você assuma princípios e siga-os sem vacilar. Por exemplo: Princípio da fidelidade - Coloque cercas. Princípio da disciplina. Princípio dos limites. Princípio da prestação de contas - seu cônjuge sabe onde você está? Seus pais sabem onde você está? Seus filhos sabem onde você está?

Há a parte de Deus e há a parte sua. Leia a Bíblia. Estude bons livros. Participe de bons cursos. Busque bons conselheiros, veja bem, bons.

Desse jeito, você terá muito mais do que uma casa, terá um lar.

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Série "Famílias Saudáveis" - Jesus mora em seu lar?

Somos tendentes a pensar que a felicidade do lar depende de suas condições financeiras. É um engano. Já vi lares ricos com grandes sofrimentos e lares pobres com grandes alegrias. Também já vi lares ricos felizes e pobres infelizes.

Cassiane gravou uma música cuja letra é inspiradora. Seu nome é “Onde Jesus mora”. Diz assim:

Vejo nos seus olhos uma lágrima rolar

Fazendo transparecer o seu interior

Anda sem sentido, vive sem razão

Machucado está seu coração.


Mas chegou a hora de tudo terminar

A dor vai embora, já pode cantar

Sinta o seu coração explodir de emoção

Jesus nele entrou.


Onde Jesus mora não há tristeza

Onde Jesus mora não há dor, não há choro

Onde Jesus mora só existe alegria

A gente canta todo dia

É feliz quem tem Jesus no coração.

Podemos parafrasear: é feliz quem tem Jesus no lar. Logicamente que a letra não quer sugerir que estamos livres de passar privações e sofrer. Quer enfatizar que onde Jesus mora até a dor e o sofrimento tem destinos diferentes.

Jesus mora em seu lar?

terça-feira, 5 de maio de 2026

Série "Famílias Saudáveis" - Desenvolvimento da fé

Em II Timóteo 1.5 temos o registro de Paulo enaltecendo a fé que habitava em Timóteo, destacando que era não fingida e que habitara em sua avó Lóide e sua mãe Eunice. Aqui está em foco a fé como experiência recebida de Deus e aprendida com os antepassados.

Pensando assim, podemos refletir que a fé é, em primeiro lugar, aprendida com o exemplo dos familiares mais experientes. Atribui-se a Confúcio o provérbio “a palavra convence, mas o exemplo arrasta". Isso é verdade. Os filhos precisam ver na prática uma vida de fé na vida dos pais, avós e outros mais antigos.

Além do exemplo, a fé será adquirida e desenvolvida com a leitura da Palavra de Deus. Romanos 10.17 ensina que “a fé vem pelo ouvir e o ouvir pela palavra de Cristo”. Cada vez mais, menos se vê nos lares cristãos a prática da leitura da palavra de Deus.

A combinação do exemplo dos antepassados e o ensino da palavra de Deus gerarão na vida dos filhos o desenvolvimento da fé em Cristo que Deus dá a todos os homens. Fé recebida, aprendida e desenvolvida.

Famílias saudáveis promovem a fé na vida de seus membros.

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Série Famílias saudáveis - Que sustenta o casamento?

Este Café não é sobre a responsabilidade de provisão na família. Trata-se da seguinte provocação: é o amor que sustenta o casamento ou o casamento que sustenta o amor? Comumente, ouvimos: acabou o amor entre o casal. Foi o amor que acabou e, como consequência, terminou o casamento, ou o casamento acabou e, como consequência, acabou o amor?

Sei que não é tarefa fácil, mas partilho da ideia que o casamento é que sustenta o amor. Dois jovens que decidem se unir como casal o fazem, via de regra, movidos pelo amor. Os votos diante de Deus e dos presentes têm como fundamento o amor. Duas histórias diferentes buscando uma caminhada que implica unidade de propósitos e as aflições provocam em muitos a decisão de desistirem. O amor diminui, esfria, congela e morre. Caso renovassem os votos da aliança a cada dia e buscassem vencer juntos as lutas, a amor ganharia contornos diferentes e o que era, no início, recheado de paixão, amadurece e o amor cresce. Com a maturidade, acontece a retroalimentação, o casamento sustenta o amor e o amor sustenta o casamento.

Seu casamento passa por turbulência? Renove a aliança e persista, o amor vai crescer e, quando menos perceber, mercê da graça de Deus, você comemorará Bodas de Ouro.

domingo, 3 de maio de 2026

Série Famílias Saudáveis - Até que a morte separe

Todo casal tem razões humanas para se separar. Duas pessoas vindas de contextos diferentes, trazendo em sua mochila mental um mundo experiências, com expectativas nem sempre convergentes, temperamentos bem diferentes e, agora, compartilham o mesmo espaço, lutam pelos mesmos ideais e alçam um voo com turbulências constantes, trilham uma estrada com pavimentação irregular, navegam num oceano cujas ondas quase sempre são a preferência dos surfistas ousados e aventureiros.

Como dar certo essa relação? Impossível apenas com a participação humana. Deus precisa estar nesse negócio. Mas não é um estar protocolar, uma cerimônia breve no dia do casamento em que as pessoas estavam mais desejosas do almoço ou jantar e dos agradáveis docinhos e os noivos não viam a hora de ficarem, enfim, sós. É a presença diretiva, orientadora em que o casal dependa d’Ele em todos os passos a serem dados e ações a serem executadas.

Com a presença de Deus, vem o princípio da aliança: até que a morte separe. É uma atitude que deve ser renovada diariamente. A sensibilidade e compreensão com aqueles e aquelas que sofrem com separação não anulam o ideal divino: até que a morte os separe. 

“Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que edificam” - Salmo 127.1.

sábado, 2 de maio de 2026

Série Famílias Saudáveis - Deus, a família e o lazer

Deus deu o exemplo do trabalho e também do lazer. Como assim?

Primeiro, ele tirou um dia para o descanso. Depois de trabalhar intensamente, separou um tempo para refazer suas energias. A rigor, naquela condição, Ele não precisava disso, mas creio que seu descanso tinha uma função pedagógica, ensinar o princípio ao homem.

Segundo, quando esteve entre nós, o Deus encarnado, que trabalhava intensamente e sentia o desconforto do trabalho, em vários registros mostrou a necessidade de descansar e praticar o lazer. Que você imagina que Jesus estava fazendo no casamento em Caná da Galileia? Por que estava presente nas festas da cultura judaica? Qual a razão de visitar as casas, como a de Lázaro, e participar de uma suculenta refeição?

Há muitas famílias, inclusive cristãs, que não investem no lazer. Filhos crescem num ambiente pesado, carregado de exigências e, pasmem, há pais que nunca levaram os seus filhos para brincar na pracinha do bairro.

Assim como a família saudável tem prazer no trabalho, também tem no lazer e investe tempo e recursos para que o ambiente seja mais festivo e alegre.

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Série Famílias Saudáveis - Deus, a família e o trabalho

Quando encontrar alguém querendo saber quem inventou o trabalho para acertar as contas com ele, informe se rodeios: foi Deus. Sim, Deus é o criador do trabalho. A Bíblia registra em Gênesis que, após criar o homem, Deus o hospedou num jardim e o comissionou para cultivar e cuidar dele. Então, o inventor do trabalho é Deus e antes da entrada do pecado no coração do homem e da mulher.

A narrativa prossegue e informa que apareceu o inimigo para desvirtuar o que Deus planejou e, a partir de então, o trabalho que era tão agradável tornou-se enfadonho. O incômodo suor, o aterrorizante cansaço e os negativos resultados envolvendo o trabalho vieram com a entrada do pecado. Em Latim, trabalho é “tripalium”, um instrumento de tortura com três estacas de madeira para punir escravos e presos nos tempos antigos.

Assim, o homem só experimentará alegria no trabalho quando se voltar para Deus. Jesus, disse assim: “Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também” - João 5.17. E em outro texto, temos assertiva orientação: “Quem é negligente no seu trabalho já é irmão do desperdiçador” - Provérbios 18.9.

A família saudável tem o trabalho como fonte de prazer.

quinta-feira, 30 de abril de 2026

O plano em quatro palavras

A primeira palavra é forma. Em Gênesis 1, temos a narrativa que Deus criou o homem. No capítulo 2, o registro é que Deus formou a mulher. A ideia é que Deus formou o homem e a mulher. E Deus os formou de foma completa, perfeita, “à sua imagem e semelhança”.

No capítulo 3, encontramos a entrada em cena do inimigo de Deus e temos a segunda palavra: deforma. O homem e a mulher desobedeceram Deus e permitiram que o inimigo deformasse a forma perfeita que Deus criou. Deformar é alterar o original, tornando-o defeituoso.

Desde então, a humanidade tenta resolver o problema que a separou de Deus. Só que o máximo que o homem consegue fazer é uma reforma, a terceira palavra. Reformar é uma tentativa de consertar o que foi deformado, mas nunca se consegue voltar à forma original. 

Ainda no capítulo 3 de Gênesis, encontramos o plano que Deus tinha em mente desde a eternidade: da mulher, nasceria aquele que esmagaria a cabeça do inimigo, Jesus. Ele transforma, é a quarta palavra, voltando à forma completa, começando aqui e terminando na eternidade.

Deus forma. O inimigo deforma. O homem apenas reforma. Mas só Jesus transforma.

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Quem é mais feliz?

Caminhava em volta de um bonito lago com minha netinha e uma cena me chamou à atenção: dois patinhos deslizavam suavemente na calma água. Vieram em direção à margem, saíram da água, beliscaram alguns alimentos por um minuto aproximadamente, retornaram ao lago e continuaram singrando alegremente o lago.

Ao mesmo tempo, uma gaivota que beliscava algo na margem lateral empreendeu um rasante vôo, cruzando o lago no sentido de seu comprimento e com uma velocidade impressionante que nenhum atleta, por mais preparado que esteja, não consegue.

Pensei comigo: quem é mais feliz, os animais ou o homem? Os animais demonstram completa satisfação com a natureza presenteada por Deus e, quando o homem não interfere negativamente em seu habitat e no ecossistema, eles cumprem garbosamente sua missão.

O homem experimenta uma tresloucada correria e se apresenta sempre insatisfeito e, em muitas situações, para sua satisfação, é capaz de ferir, agredir, extorquir, reprimir, infringir, dissuadir e afligir.

Em suma: os animais são felizes com o que recebem. O homem, só recebendo Deus em sua vida.

terça-feira, 28 de abril de 2026

Motivação do alto

Um adolescente era craque no futebol. Sua habilidade e técnica refinadas notórias. Mas nunca era titular, era sempre apático, frio, desinteressado, sem correr. Mesmo com o incentivo do técnico, não se aplicava.

Teria um importante jogo naquela semana e ele, nos treinamentos, se mostrou muito interessado e suplicava ao técnico para jogar. Pelo histórico e comprometimento com o grupo, não foi atendido. Ele insistia, no dia do jogo intensificou e, enquanto a partida rolava, suplicava ao técnico.

Seu time perdia de 1x0 e ele, que entrava nos minutos finais, naquele dia, substituiu um jogador na metade do segundo tempo. Ao entrar em campo, todos perceberam a diferença. Alegria, empolgação, entusiasmo, garra, aplicação e disciplina, aliados à sua refinada técnica, fizeram o time virar o difícil jogo.

No final, alegria total. O técnico quis saber a razão de diferente atitude. Ele respondeu: “Treinador, pela primeira vez, meu pai veio me ver jogar!”. E saiu correndo em direção ao lado da arquibancada que ele estava.

Não perca a alegria, a empolgação, o entusiasmo, a garra, o Pai Eterno está vendo você lutar todo dia!

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Espinhos que ferem - Conclusão

Como sempre, na expressiva poesia “Espinhos”, Paulo César, do Grupo Logos, escreveu:


Senhor Jesus eu não entendo o espinho

Mas se a cruz é o Fim deste caminho

Dá-me mais graça

Não sou maior que meu Senhor

Apenas servo sou

Apenas servo e nada mais


Se as pontas aguçadas da coroa

Te feriram ó cabeça

Eu que sou corpo

Parte do teu corpo

Não devo reclamar


Dá-me mais graça Senhor!

Dá-me mais graça!

Passa os teus dedos nos meus olhos

Vem me consolar

Dá-me mais graça Senhor!

Dá-me mais graça!

Faz me em Cristo outra vez

Ser mais que vencedor


Senhor Jesus

Ainda não entendo o espinho

Mas, se o mesmo

Faz parte da tua cruz

Eu o aceito, não sou maior

Que meu senhor

Apenas servo sou

Apenas servo e nada mais


Senhor se estou por ti sendo provado

Eu quero aprovado ser

Agora sei o que tens a dizer

E creio nisto também

Basta-me a graça


Faz-me em Cristo outra vez

Faz-me em Cristo outra vez

Ser mais que vencedor

Um vencedor em Cristo


Paulo concluiu: “Quando estou fraco é que sou forte!”. Só a graça que basta faz obra assim!

domingo, 26 de abril de 2026

Espinhos que ferem - IX

Senhor Deus, eu tenho um espinho na carne, retire-o, por favor! Paulo, “arquei soi n káris mou”, “basta a ti a graça minha”.

A graça que basta é a que remete para uma esperança viva. Esperança do céu. Esperança da eternidade. Esperança de cessação do sofrimento. Esperança de lágrimas enxugadas. Esperança de ver o rosto da essência da graça, Jesus. Esperança de ser conhecido como se é conhecido. Esperança de novo céu e nova terra.

Esperança que foi oferecida com sangue. Sangue do cordeiro imaculado. Cordeiro que não experimentou espinho na carne, mas teve uma coroa de espinhos fixada na cabeça. Sim, a coroa do Salvador era de espinhos. E o que parecia ser o fim, era a efetivação da esperança.

Os espinhos não podem tirar a beleza das rosas. Os espinhos que experimentamos não precisam tirar a beleza da vida que recebemos. Os espinhos não são capazes de ocultar o perfume das rosas, pelo contrário, ferindo-as, fazem-nas exalar ainda mais seu aroma. Os espinhos na carne não precisam anular o perfume de Cristo que carregamos.

Deus diz para você: a minha graça te basta.

sábado, 25 de abril de 2026

Espinhos que ferem - VIII

A graça é melhor do que a vida, está presente na essência da salvação e é uma pessoa. E essa pessoa é Jesus.

A graça não é um discurso vazio. A graça não é um postulado. A graça não é um corpo doutrinário. A graça não é um conjunto de crenças. A graça não é manual de regras. A graça é o Deus que se encarnou, veio habitar entre nós, sofreu a nossa dor, experimentou nossas limitações, morreu, mas ressuscitou e está assentado em seu trono à direita do Eterno.

Pode faltar tudo, só não pode faltar a graça de Deus. Pode faltar tudo, só não pode faltar Jesus.

Por isso, o poeta escreveu: 

“Me falte a água o alimento, 

O suprimento para o amanhã que vem, 

Mesmo que falte dos meus olhos toda luz, 

Só não me falte a presença de Jesus. 

Sua presença é a razão de minha fé, 

Sua presença me conduz onde estiver. 

Sua presença é a razão de minha fé, 

Sua presença me conduz onde estiver.

Me falte o vento o mar e o sol 

Se estiver tão só não vou me abalar 

Se na seara o meu trigo não produz 

Só não me falte a presença de Jesus”.


Só Deus pode dizer: A minha graça te basta!

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Espinhos que ferem - VII

“Três vezes orei ao Senhor, pedindo que ele me tirasse esse sofrimento. Mas ele me respondeu: “A minha graça é tudo o que você precisa, pois o meu poder é mais forte quando você está fraco” - II Coríntios 12.8-9.

Além da graça ser melhor que a vida, a graça está presente na essência da salvação. Em Efésios 2.8-9, lemos: “Pois pela graça de Deus vocês são salvos por meio da fé. Isso não vem de vocês, mas é um presente dado por Deus. A salvação não é o resultado dos esforços de vocês; portanto, ninguém pode se orgulhar de tê-la”.

Graça é favor imerecido! Ninguém merece ser salvo! Ninguém pode fazer alguma coisa para ser salvo! Ninguém pode oferecer algum presente a Deus para receber um favor, uma cura, um milagre! Tudo é pela graça! 

O poeta escreveu: 

Graça! Que maravilhosa graça!

É imensurável e sem fim

É maravilhosa, é tão grandiosa

É suficiente para mim

É maior que a minha iniquidade

É revelação do amor do Pai

O nome de Jesus engrandecei

E a Deus louvai!

Senhor Deus, eu tenho um espinho na carne, retire-o, por favor! Paulo, “arquei soi n káris mou”, “basta a ti a graça minha”.

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Espinhos que ferem - VI

“Três vezes orei ao Senhor, pedindo que ele me tirasse esse sofrimento. Mas ele me respondeu: “A minha graça é tudo o que você precisa, pois o meu poder é mais forte quando você está fraco” - II Coríntios 12.8-9.

Imagino como se Deus respondesse a Paulo mais ou menos assim: “Paulo, relaxe, o espinho vai continuar aí, mas a minha graça te basta, “arquei soi n káris mou”, “basta a ti a graça minha”.

Em Salmo 63.3-4, lemos: “Porque a tua graça é melhor do que a vida, os meus lábios te louvam. Assim cumpre-me em bendizer-te enquanto eu viver”.

A graça é melhor do que a vida. A vida é bela. A vida apresenta mais momentos de alegria do que de tristeza! A vida oferece mais sorriso do que lágrimas. A vida é mais céu azul do que cinzento. A vida tem muito mais calmo mar do que ondas bravias e impetuosas. 

Ainda assim, a graça é melhor do que a vida. E quando a vida revela espinhos que ferem, a graça, que é maior do que ela, é capaz de dar suporte para continuar.

Não negue a existência de espinhos que ferem, mas realce a graça que é melhor do que a vida.

quarta-feira, 22 de abril de 2026

Espinhos que ferem - V

“Mas, para que eu não ficasse orgulhoso demais pelas coisas maravilhosas que vi, recebi um espinho na minha carne. Este espinho é um mensageiro de Satanás para me dar bofetadas”- II Coríntios 12.7.

Espinhos que ferem podem nos aproximar mais de Deus. Sim, esta é uma grande realidade. Deixe-me, no entanto, alertar sobre algo: Deus não envia espinhos para nos obrigar a aproximar d’Ele. Todos os espinhos são produzidos por nossa própria desobediência como humanidade. Desde a queda, a desobediência no Éden, a humanidade passou a viver com a experiência da dor.

Quem decidirá sobre a aproximação de Deus é a própria pessoa. Ela pode, inclusive, se afastar. Espinhos que ferem podem nos aproximar ou nos afastar de Deus.

A melhor decisão é agir assim: “Senhor, esse espinho me fere e me humilha, mas eu confio que o Senhor está no controle de tudo e que minha vida é guardada por ti. Pai, eu quero aprender e me aproximar mais de ti, mesmo que essa dor permaneça!”.

Mais um alerta: se você não consegue agir assim agora, não se preocupe, Deus tem paciência com a gente.

terça-feira, 21 de abril de 2026

O dia hoje é Clara

Sim, o dia hoje é Clara, não claro, até porque não seria é, seria está. O dia hoje é Clara, nossa primeira netinha. Eu e Ilcimar estamos muito felizes. Deus nos presenteou com uma doce, sorridente e bela menina.

Exatamente, há um ano, na estrada para São Paulo, recebemos a notícia do nascimento, estávamos a quase 8 mil quilômetros de distância. Que vontade decolar literalmente no pensamento e aterrissar no hospital. Não foi possível. Ali mesmo, oramos em gratidão.

Eu e Ilcimar experimentamos a terceira geração. Que bondade do Senhor!

Clarinha, como chamamos carinhosamente, encontrou um sólido lar, ambiente coberto de amor e relacionamento maduro. Guilherme, nosso genro, e Raquel, nossa filha, oferecem o que há de melhor possível em todos os sentidos. Clara será uma bênção neste mundo, mercê da graça de Deus.

Clara vem do latim “clarus” e significa brilhante, luminosa. Seu brilhantismo e luminosidade vem do alto, do pai das luzes. No kairós de Deus, “a verdadeira luz, que ilumina a todo homem”, conforme João 1.9, iluminará sua vida e a alcançará para a vida eterna.

Clarinha, eu e Ilcimar estamos rogando “que o Senhor te abençoe e te guarde, que o Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti e tenha misericórdia de ti. Que o Senhor sobre ti levante o seu rosto e te dê a paz” - Números 6.24-26.

segunda-feira, 20 de abril de 2026

Espinhos que ferem - IV

Ninguém sente prazer em espinhos que ferem. O que normalmente fazemos é buscar um recurso para que eles sejam arrancados de nossa pele. Nem sempre conseguimos sucesso. Os espinhos continuam firmes provocando sofrimento e intensificando a dor.

Espinhos que ferem são uma metáfora, uma figura que revela alguma batalha com o sofrimento. Pode ser uma enfermidade, pode ser uma decepção amorosa, pode ser uma traição nos negócios, pode ser a perda de pessoas queridas, pode ser um familiar preferindo a vida do crime, pode ser um filho desobediente. Que espinho fere você? Que espinho tem tirado a sua paz? Não a paz eterna, mas a paz de viver com alegria neste mundo.

Caso os espinhos permaneçam e, mesmo com o pedido a Deus eles não são retirados, ainda assim podemos experimentar vitória: crescer na dependência de Deus e aprender com a situação. Foi o que Paulo fez. E ele aprendeu que Deus está no controle e seu poder se aperfeiçoa na fraqueza.

Não despreze os espinhos que ferem. Eles podem nos aproximar mais de Deus.

domingo, 19 de abril de 2026

Espinhos que ferem - III

Três vezes Paulo pediu a Deus para retirar o espinho de sua vida. Deus disse não. O espinho na carne de Paulo tinha uma função pedagógica: ensinar-lhe a não trilhar o caminho do orgulho. Diante da grandeza e sublimidade das revelações, o apóstolo poderia trilhar a estrada da exaltação, da soberba.

Não é incomum encontrar cristãos que, após um grande livramento do Senhor, seja de uma enfermidade ou de situação embaraçosa, se gabam e publicam em alto e bom som que sua fé foi determinante para a ação de Deus. Falam como se fosses os detentores da maior capacitação de fé em toda a história. Por certo, não eram melhores cristãos do que Paulo e, mesmo assim, Deus disse “não” a este.

Todas as experiências de livramento, de cura e solução experimentadas pelos cristãos são produto da bondade e misericórdia do Senhor e nunca do nível de espiritualidade detectado em suas vidas.

Ainda que o espinho em sua carne permaneça e você não tenha certeza de que ele sairá, mesmo assim, exalte ao Senhor. Ele está dizendo para você: “arquei soi n káris mou”, “basta a ti a graça minha”.

sábado, 18 de abril de 2026

Espinhos que ferem - II

Você imagina ter um espinho na carne, pedir a Deus para retirá-lo e a resposta for “a minha graça te basta”? Ou seja: o espinho vai continuar te ferindo, mas você terá a minha graça, ela é bastante.

É muito compreensível se Paulo replicasse: como a tua graça me basta, eu tenho um espinho me ferindo? Eu tenho dor. Eu estou sofrendo.

O espinho me angustia.

O espinho me banaliza.

O espinho me chicoteia.

O espinho me danifica.

O espinho me escraviza.

O espinho me fere.

O espinho me golpeia.

O espinho me humilha.

O espinho me inferioriza.

O espinho me julga.

O espinho me limita.

O espinho me machuca.

O espinho me neurotiza.

O espinho me oprime.

O espinho me prejudica.

O espinho me quebra.

O espinho me recalcitra. 

O espinho me subjuga.

O espinho me traumatiza.

Esse espinho me usurpa.

Ele me vence.

O espinho me dá uma coça.

O espinho me zombeteia.

Mas Paulo não reage assim e aprende uma lição extraordinária: quando estamos quebrados é que Deus mais age em nossa vida. É na fraqueza humana que o poder divino se aperfeiçoa.

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Espinhos que ferem - I

“Mas, para que eu não ficasse orgulhoso demais pelas coisas maravilhosas que vi, recebi uma doença dolorosa, que é como um espinho no meu corpo. Ela veio como um mensageiro de Satanás para me dar bofetadas. Três vezes orei ao Senhor, pedindo que ele me tirasse esse sofrimento. Mas ele me respondeu: “A minha graça é tudo o que você precisa, pois o meu poder é mais forte quando você está fraco” - II Coríntios 12.7-9.

Versões antigas registram “espinho na carne” e “a minha graça te basta”.

A experiência aconteceu nada mais nada menos com o apóstolo Paulo. Sim, o grande e famoso apóstolo Paulo tinha um espinho na carne.

Muita gente quer saber que espinho era esse. Há quem sugira ser um problema familiar, um problema físico na visão ou a culpa por sua vida pregressa em perseguir os cristãos. Ninguém sabe que era, só Deus e Paulo sabem.

Paulo orou três vezes e Deus respondeu: “A minha graça te basta”. Em grego “arquei soi n káris mou”, “basta a ti a graça minha”.

Algum espinho ferindo e você pediu sua retirada? Deus responde: “A minha graça te basta”.

quarta-feira, 15 de abril de 2026

Tudo é possível para Deus - IX

“Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece” - Filipenses 4.13.

Nem sempre perfeitamente entendido, este verso, em vez de garantir a realização de grandes e extraordinários feitos, garante a capacidade recebida pelo cristão de enfrentar todas as dificuldades. Considerando os versos anteriores de Filipenses 4.13, será percebido que Paulo falava de “poder passar necessidades, enfrentar batalhas, viver com escassez”. Não era poder para realizar, era poder para suportar lutas.

É possível, sim, enfrentar com galhardia as batalhas.

É possível, sim, perseverar na caminhada, mesmo que tudo conspire para você desistir.

É possível, sim, estampar o sorriso ainda que o tempo imponha o chorar.

É possível, sim, acreditar que a vitória virá quando tudo estiver em aparente derrota.  

É possível, sim, perdoar o ofensor, ainda que ele tenha causado tanta dor e não se curvado suplicando o favor.

É possível, sim, ter esperança, ainda que o tempo se feche e a luz do sol tenha se escondido.

Mas, tudo isso só será possível com a intervenção do Deus do impossível.

terça-feira, 14 de abril de 2026

Tudo é possível para Deus - VIII

Os discípulos de um rabino esperavam receber dele o ensino capaz de lhes fazer diferentes, reconhecidos e, em certo sentido, superior aos outros. Paulo fazia questão de testemunhar que estudou aos pés de Gamaliel. Muito provavelmente, Pedro esperava esse reconhecimento também.

Nós somos assim, sempre esperamos que nossas ações redundem em algum tipo de benefício ou reconhecimento. É muito comum encontrar pessoas que registram o lamento: “Eu fiz tudo o que podia, me esforcei muito, e olha o que ganhei!”. Inclusive no próprio reino de Deus.

Jesus sinaliza para os discípulos que tudo isso era possível pelo próprio esforço e dedicação humanos, mas que o impossível só poderia vir de Deus. Por isso, ele afirma: “Eu afirmo a vocês que isto é verdade: quando chegar o tempo em que Deus vai renovar tudo e o Filho do Homem se sentar no seu trono glorioso, vocês, os meus discípulos, também vão sentar-se em doze tronos para julgar as doze tribos do povo de Israel. E todos os que, por minha causa, deixarem casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos ou terras receberão cem vezes mais e também a vida eterna” - Mateus 19.28-29.

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Tudo é possível para Deus - VII

A pergunta de Pedro “que é que nós vamos ganhar” não é tão ridícula assim, se considerarmos que, no fundo, no fundo mesmo, nós também somos tentados a fazer tal indagação. “Que vantagem eu terei, seguindo a Jesus?” é uma realidade presente na vida de todos e, por incrível que pareça, não é algo pecaminoso em si.

Raciocine comigo: se uma pessoa convidada a seguir o caminho contrário a Jesus assumisse a mesma condição, ou seja, se perguntasse “que vantagem eu terei, desobedecendo a Deus?”, certamente, não continuaria em sua escalada decadente do pecado.

O problema, na verdade, não era a consulta de Pedro. O problema era a motivação. Quando você pensa em levar vantagem ao seguir a Jesus, que tipo de vantagem você está pensando. Se a motivação passa pelos critérios materiais, você pode conseguir de outra forma. Mas perdão para os pecados, paz interior, capacidade de perdoar, vida motivada pelo amor, certeza de salvação, segurança de vida eterna e esperança do céu, tudo isso é impossível aos homens e só é possível para Deus.

Não busque o que é possível, busque o que só o Deus do impossível pode realizar.

domingo, 12 de abril de 2026

Tudo é possível para Deus - VI

Logo após a declaração de Jesus, afirmando que “para os seres humanos isso não é possível; mas, para Deus, tudo é possível”, Pedro entra em cena e indaga: “Nós deixamos tudo e seguimos o senhor. O que é que nós vamos ganhar?” - Mateus 19.27. Em outras palavras, “Senhor, que vantagem nós vamos ter em te seguir?”.

Pedro, nessa observação, representa o grupo dos que desejam obter vantagem por seguir a Jesus. E esse grupo não é pequeno, pelo contrário, é bem numeroso. E é tão perigosa tal tendência que até mesmo cristãos comprometidos podem ser sutilmente infectados por esse vírus. Não seria o caso de pessoas que refletem: “Senhor, por que isso está acontecendo comigo? Eu te sirvo há tanto tempo, eu sou um cristão ou cristã, e por que permites que essa situação aconteça comigo”? Em certo sentido, o questionamento não é parecido com o “Senhor, que vantagem eu tenho em te seguir?”.

Testemunhos do tipo, “antes eu era um falido, não tinha carro, agora, depois que me tornei cristão, paguei todas as minhas dívidas, tenho três carros zero” não revelam verdadeiramente as vantagens de seguir a Jesus.

sábado, 11 de abril de 2026

Tudo é possível para Deus - V

Ao ouvirem Jesus declarar da dificuldade de pessoas cujo coração está nas riquezas entrar no reino de Deus, “os discípulos ficaram muito admirados e perguntavam: Então, quem é que pode se salvar?” - Mateus 19.25.

Mateus 19.26 registra: “Jesus olhou para eles e respondeu: Para os seres humanos isso não é possível; mas, para Deus, tudo é possível”.

É impossível às pessoas amarem a Deus sobre todas e em primeiro lugar. Segundo o apóstolo do amor, João, “nós amamos a Deus porque Ele nos amou primeiro”.

É impossível às pessoas colocar Jesus em primeiro lugar em suas vidas, sua inclinação é para a desobediência.

É impossível às pessoas ter seus bens materiais como servos em vez de senhores, tendo como oportunidades dadas por Deus para servir a todos, independentemente de sua religiosidade.

É impossível às pessoas chegarem aos céus sem a intermediação e obra de Jesus Cristo.

E no centro dessas impossibilidades, eu e você somos convidados a descansar nossa vida no Deus das possibilidades. Não há impossível para Deus! Ele é capaz de fazer o impossível tornar-se possível.

sexta-feira, 10 de abril de 2026

Tudo é possível para Deus - IV

“Jesus então disse aos discípulos: Eu afirmo a vocês que isto é verdade: é muito difícil um rico entrar no Reino do Céu. E digo ainda que é mais difícil um rico entrar no Reino de Deus do que um camelo passar pelo fundo de uma agulha” - Mateus 19.23-24.

Na verdade, pelo contexto, o que Jesus desejava enfatizar era: é muito difícil uma pessoa que coloca seu coração no seu tesouro entrar no reino de Deus. Assim como o rico não está impedido de entrar no céu, o pobre não tem garantido o seu acesso. Tanto rico e pobre precisam ter Jesus como tesouro mais importante em suas vidas. Conheço muitos ricos que o tesouro de suas vidas não é o dinheiro nem suas posses e, também, conheço pobres que o seu coração está em suas pequenas economias.

Sempre que assentarmos nosso coração em tesouro que não seja Jesus, o final será experimentar a tristeza. Veja que ironia: o jovem rico saiu triste da presença da plenitude da alegria. Por que isso aconteceu? Porque nenhum tesouro, por mais valioso que seja, é capaz de garantir a alegria permanente. Apenas Jesus é capaz desse milagre.

quinta-feira, 9 de abril de 2026

Tudo é possível para Deus - III

O coração daquele jovem rico não estava em Jesus, estava, sim, em seus bens materiais. Lucas 12.34 registra: “Onde estiver o seu tesouro aí estará o seu coração”. A Nova Tradução da Linguagem de Hoje registra assim: “Pois onde estiverem as suas riquezas, aí estará o coração de vocês”. A inversão da ordem não altera: “Onde estiver o seu coração aí estará o seu tesouro”.

Há quem pense que o tesouro está sempre relacionado a dinheiro, à riqueza. Não, necessariamente. O tesouro é tudo o que representa grande valor para nós. Pode ser o trabalho, a família, o lazer, o time de futebol, o carro, a vaidade com o corpo, a academia e o dinheiro também. O que ocupar o primeiro lugar em nossa vida será o nosso maior tesouro. E por esse tesouro somos capazes de fazer qualquer coisa, até deixar Jesus em segundo plano.

O grande problema é que nenhum tesouro terreno tem existência para sempre. Tudo passa. Há quem argumente que aquele jovem perdeu todos os seus bens anos depois com a destruição de toda a região.

Que tesouro ocupa o primeiro lugar em seu coração? Em que tesouro o seu coração está?

quarta-feira, 8 de abril de 2026

Dc. Athel Antunes Fernandes

Interrompo a série “O Deus do impossível” para uma homenagem especial.

Ontem, nos depedimos do nosso querido irmão Athel Antunes Fernandes. Nascido em 11.11.1930, experimentou uma vida longeva, alcançando mais de 95 anos, descansando no Senhor no dia 05.04.2026.

Casado com Zélia Bastos Fernandes, teve 4 filhos: Elias, Lígia, Lídia e Lídice, quatro netos, Felipe, Letícia, Eliza e Elis, além de vários outros considerados que trabalhavam com ele ou para ele.

Foi um dos mais dignos e honrados membros da Igreja Batista do Braga. Consagrado ao Diaconato, foi membro fundador da Igreja e exerceu muitos cargos ao longo de sua trajetória, sempre com muito zelo e amor. Foi Vice-presidente da Igreja e Presidente do Corpo Diaconal por vários anos. Também dirigiu o Culto de Oração Missionário enquanto experimentou saúde. Sua vida, exemplo e dedicação foram, mercê da graça de Deus, decisivos para a solidificação da Igreja em seu início. 

Como Igreja, testemunhamos que ele "combateu o bom combate, completou a carreira e guardou a fé" - II Timóteo 4.7.

Descanse em paz, meu amigo e ovelha, até nos reencontrarmos.

terça-feira, 7 de abril de 2026

O Deus do impossível - II

Para os seres humanos isso é impossível; mas, para Deus, tudo é possível” - Mateus 19.26. Por que Jesus fez essa afirmação? No contexto da declaração, tudo tem seu início no diálogo de Jesus com um príncipe dos judeus. Sua inquietação era saber o que precisava fazer para ser salvo. Jesus, estrategicamente, conversa com ele sobre sua prática religiosa. Ele era exemplar, cumpria tudo à risca desde novinho.

Jesus, então, amplia o diálogo e o faz refletir sobre onde estava realmente o coração dele. Após orientar que deveria vender tudo o que tinha e distribuir com os pobres, Jesus o vê retirar-se de sua presença e o registro bíblico informa que ele retirou-se triste. É o único registro na Bíblia informando que alguém saiu triste da presença de Jesus. 

Jesus não desejava os bens dele. E nem estava sugerindo uma compra dos favores celestiais. Jesus queria mostrar-lhe que seu coração estava nos bens materiais. Sua religiosidade era de fachada. É impossível ao homem voltar-se para Deus com suas próprias forças, seu coração sempre o trairá.

segunda-feira, 6 de abril de 2026

O Deus do impossível - I

“Jesus olhou para eles e respondeu: Para os seres humanos isso é impossível; mas, para Deus, tudo é possível” - Mateus 19.26.

Uma das grandes provocações na vida é a pessoa achar que ela pode, por ela mesma, resolver tudo que surgir em sua caminhada. Todo ser humano pode desenvolver a Síndrome do Imperador que, alojada em sua mente, emerge sempre procurando tomar o controle da situação. A famosa carteirada “você sabe com quem está falando?” é um flash dessa tendência. Em outras palavras, quer dizer: “você sabe que tenho mais poder do que você?”. 

Diante de situações que incomodam, é possível também a reação: “ele ou ela vai ver com quem está lidando, hoje mesmo vou dar um jeito nessa situação, quem manda aqui sou eu!”.  

É verdade que ao homem é concedido algum poder, mas sua maturidade será verificada quando entender que, por si mesmo, nenhum poder tem. Somos como um minúsculo ser, um verme, no complexo que é a vida.

Sendo assim, a melhor decisão de sua vida é: eu nada posso, mas confio minha vida, minha agenda, meus projetos àquele que tudo pode. Para Deus, não há impossível!

domingo, 5 de abril de 2026

Dia da Alegria

Depois da sexta-feira angustiante

E do sábado inteiro silencioso,

Chega o domingo radiante

E, com ele, a vitória do Poderoso.


A esperança novamente ressurgiu,

Os tambores infernais silenciaram-se.

Do túmulo, o Salvador saiu,

As mulheres felizes anunciaram.


Tomé disse não acreditar,

Precisava ver para crer,

Recebeu do ressuscitado a lição:

O melhor é crer para ver.

Bem-aventurados o que não viram

E creram na ressurreição,

Felizes os que prosseguem na esperança

De irem para a celestial mansão.


A mulher samaritana sussurrou para o esposo:

“Eu tinha esperança, era Ele, não duvidei”.

Bartimeu celebrou com sua casa:

“Ele me chamou, me amou, eu o amei”.

Zaqueu, cercado de servos, testemunhou:

“Nem um centavo mais de alguém tomei!”.

E Simão, o voluntário Cireneu, 

Ainda com marcas da pesada cruz,

Não se cansava de gritar:

“Valeu a pena, valeu a pena,

Ressuscitou o meu Jesus”.


A vida apresenta a dor da sexta-feira,

Ensina a realidade do sábado silencioso,

Mas ressurge no domingo com ímpeto vigoroso

E nos alimenta com esperança:

A criança, o adolescente, o jovem, o adulto e o idoso.

sábado, 4 de abril de 2026

Dia do silêncio

Silêncio sepulcral em toda a região. Ontem, trevas em pleno dia. Choro, lágrimas, preocupações, medo e sofrimento. Em todas as conversas, lamento.

Dias depois, dois caminhantes na estrada de Emaús, evangelho de Lucas capítulo 24, revelam que tinham perdido a esperança. Com tristeza, declaram: “Nós esperávamos que fosse Ele quem remisse a Israel”.

Tomé assentou no coração a dúvida e se esqueceu de suas promessas, sofrendo o estigma que carregaria por toda a existência, apesar de seu amor leal a Jesus.

Pedro, envergonhado, desejava voltar ao primeiro ofício, pescador de peixes. E, por mais que se exalte sua intrepidez, é sempre lembrado como aquele que negou.

Entre a sexta-feira dolorosa e o domingo radiante, tem o sábado. O dia do silêncio. Silêncio ensurdecedor. Tudo parece estar perdido! A vida está morta!

Em apenas dois lugares havia celebração: no inferno, presumindo ter destruído o plano perfeito, o Salvador está morto. No céu, com a certeza de que o plano seguia seu curso como planejado, em poucas horas, as trevas seriam dissipadas pela luz.

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Tetelestai

No calendário cristão, a sexta-feira chamada santa é o dia da morte de Jesus, nosso Salvador. Na programação dos católicos, hoje é o dia do silêncio, do luto, das dores. Outros cristãos lembram o dia como de dores e o celebram com programações diversas.

Mais do que uma programação no calendário, a semana, principalmente, os últimos dias dela, deve ser celebrada tendo como tema central a obra completa de Jesus em favor do homem perdido. Antes de experimentar o encerramento da passagem aqui, uma das palavras da cruz foi “está consumado”. Na língua grega, a palavra é tetelestai e o evangelho de João registra no capítulo 19.30. 

Tetelestai não é uma sinalização de derrota. É a celebração da vitória. Não estava relacionada à morte de um criminoso derrotado, uma vítima impotente morrendo contra sua vontade, mas de um vencedor. Seu significado, dentre outros, é a obra está completada, nada faltou, tudo foi cumprido, nem um pormenor, sequer, foi esquecido.

O Deus eterno tomou o nosso lugar na cruz para nos livrar da condenação. Ele fez tudo. Nada você precisa fazer, apenas se entregar a ele.

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Dia da verdade

Para a cultura popular, hoje é o dia da mentira. Brincadeiras, piadas, pegadinhas e zoeiras promovem o cardápio e provocam boas risadas. Até aí, tudo bem, mas é bom refletir sobre como lidamos com o tema mentira em toda a nossa caminhada.

A Bíblia diz que o diabo é o pai da mentira e quem adota a prática torna-se companheiro dele. Jesus é apresentado como a verdade. Em João 14.6, ele declara: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”. Em João 8.32, temos: “E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. A verdade é o próprio Jesus.

Uma reflexão pertinente é: eu negocio com a verdade e trilho a estrada da mentira se tiver oportunidade ou alguma situação aflitiva se apresentar para mim? Todos responderemos com um sonoro não.

E a mensagem compartilhada sem o filtro da confirmação? Eu não sabia, argumenta-se. Tudo bem, mas imagine: você tem um filho pequeno, ele sente dor, alguém te oferece um suposto remédio num vidrinho, uma dose é ingerida e, logo depois, conclui-se que é veneno, com fatalidade. O fato de não saber evitou a consequência? Não. Assim acontece com as mentiras espalhadas.

No dia da mentira, fique com a verdade!

terça-feira, 31 de março de 2026

Travesseiro de pedra - Conclusão

Concluindo a série, o poema “Travesseiro de pedra”.


A jornada era longínqua,

O causticante sol provocava cansaço,

O medo pelo erro cometido

Ampliava demais a tensão 

E, depois de um dia inteiro,

Restou-me como descanso à noite,

De pedra, um travesseiro.

A noite era fria,

Contrastando com o dia,

Desconforto total,

Insegurança dominante,

Cansado, apagado, sonhei:

Anjos subiam e desciam,

Uma mensagem traziam:

Estou aqui, não te deixarei.


Acordei. 

O sonho estava fresquinho,

Não se apagou da memória.

Era mais do que um sonho,

Foi um encontro inesquecível,

Mudou cabalmente minha história.


No meio do caminho tinha uma pedra.

A pedra virou travesseiro.

O travesseiro virou coluna.

A coluna virou altar.

Mudou a vida de um homem

E mudou a vida de um lugar.

Antes era Luz, agora, Betel,

Casa de Deus, um pedaço do céu.


Renovado, lancei-me ao caminho,

Muito trecho a percorrer,

E nada a temer,

O Eterno falou, demonstrou carinho

A um enganador e trapaceiro

Que encontrou uma pedra e

Dela fez um travesseiro.


Bendito travesseiro de pedra.

Bendita pedra, que é Jesus,

A quem desejar, Ele é o repouso

Que revigora e a todos conduz.

segunda-feira, 30 de março de 2026

Você é mais importante do que sua roupa

Era um período de descanso de cinco dias, incluindo o domingo, num agradável e confortável sítio na zona rural de Araruama. Preparando a bagagem, decidi: “Não levarei calça, não tem igreja lá perto e vou evitar o deslocamento até a cidade, até porque não sei como é a segurança no período noturno”.

Tenho costume de caminhar e, na primeira investida, peguei a estrada. Para minha surpresa, na direção que tomei, aproximadamente 300 m, uma Congregação Batista. Tomei conhecimento que se reuniam no domingo manhã e noite.

Chega o domingo. Crente raiz vai ao templo. Mas eu não tinha levado calça. Crente raiz não vai ao templo para as celebrações de bermuda ou short. Mas desejava tanto ir. Pela manhã, substituí, acompanhando cultos pela internet. Faria o mesmo à noite.

Aproximando-se do horário da celebração, decidi: “Eu vou ao culto, vou de bermuda mesmo, ninguém me conhece aqui, chego um pouquinho atrasado, fico quietinho lá atrás e participarei com aqueles irmãos”. Decidi não levar Bíblia impressa para evitar qualquer “escândalo”.

Assim foi feito. Cheguei. Sentei-me. Eles cantavam hinos conhecidos e eu adorava a Deus, mas sem muita ênfase para ocultar a “identidade de crente”, afinal estava de bermuda. O pastor começa a pregar. Tive a impressão que ele imaginou ter recebido naquela noite a visita de um perdido. Era o único visitante e suas abordagens eram bem contundentes sobre a necessidade de se render a Cristo, alívio para as dores, descanso para os cansados e apelo no final com hino também raiz. 

Termina o culto. Os irmãos e irmãs começam a sair, carinhosamente me cumprimentam e querem saber de onde sou. Curiosamente, ninguém perguntou meu nome. O pastor já estava à porta para cumprimentar todos, percebi que não teve momento de entrega de dízimos e ofertas e sou informado que acontecera no início. Há um bom tempo praticamos como família, além de dízimos e ofertas especiais, entregar uma oferta em todos os cultos em que estivermos. Fui preparado para isso. Discretamente, fui à frente e depositei minha oferta com a orientação de um irmão que ainda estava sentado num dos primeiros bancos.

Ao retornar, esse irmão, bem idoso, me cumprimenta, fixa o olhar nos meus olhos e denuncia: “Você não é o Neemias, pastor Neemias?”. Ocultar, sim, mas não podia mentir. Respondi-lhe: “Não acredito, o irmão por aqui!”. Era conterrâneo meu, da inesquecível Cardoso Moreira, e devia ter uns quarenta anos que não nos encontrávamos. 

Todo constrangido, expliquei-lhe a razão da bermuda, supliquei-lhe que não falasse com ninguém, muito menos com o pastor e ouvi daquele idoso irmão: “Não senhor, vou te apresentar ao pastor, que alegria reencontrar o senhor!”. Crente raiz idoso chama o pastor mais novo de senhor. E ele ainda fulminou: “Você é mais importante que sua roupa!”. Foi uma espada afiada rasgando meu interior. Um idoso cristão, semianalfabeto, sem formação teológica, compreendendo melhor do que eu a distinção entre espiritualidade e religiosidade. Além da edificação do abençoado culto, aprendi uma lição.

Passam alguns anos. Os jovens de nossa Igreja estarão na direção das celebrações no domingo. Após o período de orações, sou consultado sobre Mateus, o dirigente das celebrações, atuar, estando de bermuda com as explicações de vestir-se assim. Levei um susto. Dirigir o culto, que é transmitido, com a presença de vários crentes raízes? Respondi: “Resolve com o líder da Juventude”. E saí para o gabinete, enquanto a EBD acontecia.

Meditando e refletindo sobre o que planejara pregar naquela manhã, lembrei-me de que um dia fui ao templo de bermuda e ouvi de um idoso irmão: “Você é mais importante que sua roupa!”. Mateus estava de bermuda porque no dia anterior fora abalroado em sua moto por um carro, seu joelho e parte da canela estavam com aquele famoso “ralado” e o uso de calça o incomodaria.

I Samuel 16.7 registra: “O Senhor disse a Samuel: Não olhe para a sua aparência nem para a sua altura, porque eu o rejeitei. Porque o Senhor não vê como o ser humano vê. O ser humano vê o exterior, porém o Senhor vê o coração”.

Reflita: em nossa prática religiosa, estamos mais preocupados com a aparência ou com o interior?

Neemias Lima