quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Tudo é vaidade - 05

Negar que Salomão estava muito pra baixo quando escreveu Eclesiastes é desatenção extrema.

Acompanhe uma pequena sequência de argumentos de sua mente:

1º - “Dediquei-me a investigar e a me informar com sabedoria a respeito de tudo o que se faz debaixo do céu. Que enfadonho trabalho Deus impôs aos filhos dos homens, para com ele os afligir!” - Eclesiastes 1.13. Entendeu?: Deus tem prazer em afligir os seres humanos.

2º - “Vi todas as obras que se fazem debaixo do sol, e eis que tudo é vaidade e correr atrás do vento” - Eclesiastes 1.14. Percebe a generalização? Todas as obras que se fazem debaixo do sol, tudo vão. É como correr atrás do vento.

3º - “Aquilo que é torto não pode ser endireitado; e o que falta não pode ser contado” - Eclesiastes 1.15. Embora se argumente que Salomão não sugeria um fatalismo, mas a impossibilidade do ser humano consertar o que está errado, pelo contexto, ele não acreditava em mudança de quadro.

Você já se sentiu assim? Lembre-se: “tudo vale a pena quando a alma não é pequena” - Fernando Pessoa. Nada é em vão, Deus faz tudo valer a pena!

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Tudo é vaidade - 04

A derrocada de Salomão é tão profunda que o deixa incapacitado de ver a beleza da vida. Para ele, a experiência da vida é uma tela em preto e branco, não há colorido, não há cores embelezando o cenário.

Para ele, a vida é um enfado. No verso 8º do capítulo 1º, ele declara: “Todas as coisas são canseiras tais, que ninguém as pode exprimir; os olhos não se fartam de ver, nem os ouvidos se enchem de ouvir”.

Sua percepção do mundo é que tudo se repete numa falta de criatividade impressionante. Veja o que diz o verso 9 do capítulo 1: “O que foi é o que há de ser; e o que se fez, isso se tornará a fazer; não há nada de novo debaixo do sol”.

Sua crise é tão intensa que ele insiste: “Será que existe alguma coisa de que se possa dizer: Veja! Isto é novo!? Não! Já existiu em tempos passados, muito antes de nós” - Eclesiastes 1.10.

A quebra no relacionamento com Deus gera um coração petrificado e uma mente destruída a ponto de não perceber a mão de Deus colorindo cada dia de forma inédita. Tudo é alegria e tudo é novo quando o foco da vida é Deus!

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Tudo é vaidade - 03

Após uma breve introdução, Eclesiastes apresenta a primeira de muitas perguntas presentes no livro. Salomão questiona: “Que proveito alguém tem de todo o seu trabalho, com que se afadiga debaixo do sol?” - Eclesiastes 1.3.

Usando outras palavras, é como se o Pregador provocasse: vale a pena trabalhar? Vale a pena suar a camisa num trabalho honesto se, no final, tudo fica do mesmo jeito? Que diferença há entre o trabalhador incansável e o persistente preguiçoso?

Veja a sutileza da provocação: o trabalho foi criado por Deus para que o homem honradamente pudesse sobreviver. Antes da entrada do pecado no mundo, o trabalho era totalmente prazeroso. Com a queda, ele passou a ser doloroso. Mas o trabalho dignifica, dá prazer e promove o bem. Duvidar dessa proposta pode levar a pessoa a produzir seu sustento através de atividades desonestas, por isso crescem as apostas nas bets e o envolvimento com a corrupção. Não se deve esquecer que trabalhar com desleixo e empurrar com a barriga são formas de desonrar a dignidade do trabalho.

Vale a pena trabalhar, no Senhor, nosso trabalho não é vão!

domingo, 2 de agosto de 2026

Tudo é vaidade - 02

Ao ler Eclesiastes e compará-lo com outros livros, o leitor é provocado a uma pertinente reflexão: vale a pena viver? A vida vale a pena? Não resolvendo de maneira prática essa aparente contradição, muitos o veem como um livro deprimente, pessimista, fatalista, materialista, inútil, fútil, irrelevante e desprezível.

Calma, vá devagar, não se precipite, como diz o Chapolin Colorado, “não priemos cânico”. Espere o final do livro. O que o Pregador, no caso, Salomão, quer ensinar é que a vida sem Deus é vazia, é passageira. Na poesia “Folha Seca”, Jair Pires destacou: “Eu comparo a vida do homem sem Deus / Como uma folha seca caída no chão / Que vai para onde o vento levar / Tudo é tristeza, tudo é solidão / Seu viver é triste, tão cheio de dor / Seus dias turbados, sem consolação / Assim é a vida do homem sem Deus / É uma folha seca caída no chão”.

A rigor, todos os homens são como folha seca. O que diferencia uns dos outros é a relação com Deus pela fé em Cristo. É isso que Salomão quer ensinar.

Você vive com a consciência de que nada somos, por isso, precisamos de Deus?

sábado, 1 de agosto de 2026

Tudo é vaidade - 01

Em Eclesiastes 1.1-2, lemos: “Palavras do Pregador, filho de Davi, rei de Jerusalém. Vaidade de vaidades, diz o Pregador. Vaidade de vaidades! Tudo é vaidade”.

A autoria de Eclesiastes é atribuída a Salomão, no texto identificado como “Pregador”. A palavra hebraica que nomeou o livro é “Qoheleth”, significando “Pregador ou Mestre ou um orador público que dirige uma assembleia”. Há dúvidas se “Qoheleth” é um nome pessoal, um pseudônimo ou título de um ofício. “Qoheleth” aparece sete vezes em Eclesiastes e não aparece em nenhum outro livro do Antigo Testamento.

A Septuaginta, tradução do hebraico para o grego, cunhou o nome do livro como Eclesiastes, que vem de “ekklesía”, uma assembleia, um grupo chamado de fora.

Para muitos, Eclesiastes é um livro pesado, depressivo, pra baixo, mas não podemos negar seus preciosos ensinos. Uma tradição rabínica defende que Salomão escreveu três livros: Cântico dos Cânticos, quando experimentava o vigor da juventude com a libido nas nuvens. Provérbios, em sua fase adulta e de sábio empreendedor. Eclesiastes, no final da vida em sua fase depressiva.

O objetivo do livro é mostrar que tudo é passageiro. Você se lembra disso?

sexta-feira, 31 de julho de 2026

José do Egito, um sonhador - Conclusão

A dramática história está fechando seu ciclo. Jacó e os seus filhos foram amparados por José. Jacó está morto. E a vida seguirá seu curso com o perdão de José.

Três ensinos práticos devem nortear nossas ações:

1º - Não basta sonhar, é preciso agir. Sonhar não é garantia de sucesso. É preciso agir. Entre o sonho e a realização existe uma longa estrada que, muitas vezes, se apresenta muito acidentada.

2º - Quem vê resultado, não vê processo. É comum exaltarmos quem desenvolve grandes projetos e, quase sempre, argumentamos ter sorte, ter recebido ajuda e até se utilizado de meios não muito republicanos. Nem sempre nos damos conta das dores, dissabores, problemas, dilemas e tensões envolvidos no percurso.

3º - Não é o que fizeram com você, é o que você fará com o que fizerem com você. Durante a caminhada, podemos sofrer ataques, injustiças, provocações e perseguições, mas o que determinará nosso sucesso é como reagimos às situações.

José é um exemplo, soube agir, interagir e reagir. E aí, você tem sonhos? Você sabe com clareza quais são? Então, mãos à obra!

quinta-feira, 30 de julho de 2026

José do Egito, um sonhador - XXX

“Vendo os irmãos de José que seu pai já era morto, disseram: É possível que José tenha ódio de nós; certamente nos retribuirá todo o mal que lhe fizemos” - Gênesis 50.15. 

Jacó descansou e o fato trouxe preocupação aos irmãos de José. Pensavam assim: agora José irá a forra. Depois de tantos anos e vendo o agir de Deus na história de José, ainda assim seus irmãos não aprenderam, inventaram uma mentira. Atribuíram a Jacó uma orientação que não se tem informação sobre ela, e mandaram dizer a José: “O seu pai, antes de morrer, ordenou o seguinte: perdoe, por favor, a transgressão dos seus irmãos e o pecado que cometeram, porque eles lhe fizeram mal” - Gênesis 50.16-17.

Os próprios irmãos confirmam o pedido e se humilham diante de José, que toma algumas atitudes:

1ª - Chora. É sensível.

2ª - Encoraja-os, dizendo “não tenham medo”.

3ª - Sabe de seu lugar ao dizer “estou no lugar de Deus”?

4ª - Revela que Deus está no controle, ele transformou o mal deles em bem.

5ª - Mostra compaixão. Eu sustentarei vocês e seus filhos.

Quem tem realmente sonhos não fica de picuinhas e revanchismo com quem o fez sofrer.

quarta-feira, 29 de julho de 2026

José do Egito, um sonhador - XXIX

Que reencontro extraordinário! Alguns destaques no texto revelam que José se preparou para aquele momento especial! Suas reações desde o primeiro encontro sinalizam uma espécie de revanche, fazendo-os se sentirem fragilizados e com medo, mas, paulatinamente, foi digerindo e permitindo que o amor divino norteasse todo o enredo.

José aconselha: “não fiquem tristes nem irritados contra vocês mesmos por terem me vendido para cá”. Ele não nega o maldoso evento que eles provocaram, mas garbosamente argumenta: “porque foi para a preservação da vida que Deus me enviou adiante de vocês”. 

José tem claramente em sua mente a direção de Deus: “Não foram vocês que me enviaram para cá, e sim Deus, que fez de mim como que um pai de Faraó, e senhor de toda a sua casa, e como governador em toda a terra do Egito” - Gênesis 45.8.

Destaca Gênesis 45.15 que “José beijou todos os seus irmãos e chorou, abraçado com eles”. Por fim, orienta a buscar o pai e cuida carinhosamente de todos eles. Quem sonha grandes sonhos e tem sólidos alvos, retribui com o bem o mal que recebem.

terça-feira, 28 de julho de 2026

José do Egito, um sonhador - XXVIII

Depois de intenso diálogo entre José e seus irmãos, sem que eles o reconhecessem, idas e vindas entre o Egito e Canaã, José se apresenta a eles. O evento é o clímax de suspense altamente emocional e a revelação que José não conseguiu mais se conter. Assim, toma algumas atitudes:

1ª - José ordena que todos saiam de sua presença, exceto seus irmãos. Eles que tempos atrás não queria a presença de José, agora José quer ficar com eles em secreto.

2ª - José chora copiosamente. Sua intensidade é tão grande que os egípcios o  ouviam e a casa de Faraó também.

3ª - José revela quem é. Gênesis 45.3 registra: “E disse a seus irmãos: Eu sou José. Meu pai ainda está vivo?”.

4ª - José ordena mais uma vez: “E José disse aos seus irmãos: Agora cheguem perto de mim” - Gênesis 45.4. Ele não queria apenas a presença, queria estar pertinho, sentir o cheiro de irmão, ativar a memória afetiva.

Seus irmãos estão espantados, não sabem o que fazer. José sabia. E trata os seus algozes com compaixão e graça. Os verdadeiros sonhadores não provocam pesadelo na vida de quem lhes fez o mal.

segunda-feira, 27 de julho de 2026

José do Egito, um sonhador - XXVII

A partir do primeiro encontro com José, seus irmãos vivem um drama que nenhuma sensibilidade é capaz de imaginar e nenhum habilidoso poeta é capaz de registrar como estavam reagindo. 

O texto bíblico sinaliza a tensão: “Então disseram entre si: Na verdade, estamos sendo castigados por causa de nosso irmão, pois vimos a angústia de sua alma, quando nos pedia, e não lhe demos ouvidos; por isso, nos sobrevém agora esta ansiedade. Rúben respondeu-lhes: Não é verdade que eu disse: ‘Não pequem contra o jovem’? Mas vocês não quiseram me ouvir. Pois agora estão vendo que o sangue dele está sendo requerido de nós” - Gênesis 42.21-22.

O irônico de tudo é que José entendia toda a conversa deles e eles não sabiam. Embora alguns vejam sarcasmo e sadismo em José, provocando aquelas reações com suas atitudes, Gênesis 42.24 revela a sensibilidade de José: “E, retirando-se deles, José chorou”.

Nenhuma maldade e nenhum sofrimento são capazes de tirar a sensibilidade dos sonhadores. Quem sonha é sensível, principalmente com a dor do outro. Não existe sonho quando se torce pelo mal do outro.

domingo, 26 de julho de 2026

José do Egito, um sonhador - XXVI

Está se aproximando o momento do primeiro encontro dos assassinos de sonhos com o jovem sonhador. Os irmãos se reencontrarão. Benjamim, o mais novo, não está entre eles, pois Jacó queria preservá-lo de possível problema e perda, afinal, pensava Jacó, é o único filho com a amada Raquel, que falecera no parto.

Eles se reencontram. José reconhece seus irmãos, mas eles não o reconhecem. Possíveis razões para isso: em sua mente, José estava morto ou era um escravo em algum lugar e a indumentária de José o descaracterizava, suas roupas eram de governante importante.

O verso 6 do capítulo 42 apresenta no final uma realidade ao mesmo tempo humilhante e celebrativa. Diz o texto: “Os irmãos de José vieram e se prostraram com o rosto em terra, diante dele”. Humilhante para os 10 e celebrativa para José. Imagino como estava a mente de José. O verso 9 esclarece: “Então José se lembrou dos sonhos que teve a respeito deles”.

Alguém disse: “O mundo não gira, ele capota, se você o trata como um jogo, amanhã ele ensinará como se jo⁠ga”. 

Cuidado com suas ações hoje. Quem sonha grande, semeia muito hoje!!

sábado, 25 de julho de 2026

José do Egito, um sonhador - XXV

O capítulo 41 de Gênesis encerra com a triste informação que a fome chegou em todo o mundo. Os sonhos do jovem sonhador José começaram a ser cumpridos.

A primeira ação do Faraó ao ouvir o clamor do povo pedindo pão foi: “Vão falar com José e façam o que ele disser” - Gênesis 41.55.

O capítulo 42 inicia com uma bombástica informação: “Quando Jacó soube que havia mantimento no Egito, disse a seus filhos: Por que vocês estão aí olhando uns para os outros? E acrescentou: Ouvi dizer que há cereais no Egito. Vão até lá e comprem cereais, para que vivamos e não morramos. Então dez dos irmãos de José foram, para comprar cereal do Egito” - Gênesis 42.1-3.

Lembra-se do capítulo 37 que narra o início do drama de José? Ele estava com 17 anos e seu pai o mandou ir ao encontro dos irmãos para ver como estavam. Agora, 13 anos depois, Jacó manda os filhos ao Egito e não imaginava que encontrariam José. E nem os irmãos imaginavam também.

Quando alguém de seus relacionamentos sonhar com grandes propósitos, não tente assassinar seus sonhos, pode ser que anos depois vocês se reencontrem.

sexta-feira, 24 de julho de 2026

José do Egito, um sonhador - XXIV

O jovem sonhador José está agora no centro das decisões do poderoso Egito, apenas o Faraó está acima dele em termos humanos, considerando que o próprio rei se submetia às suas orientações.

O período de sete anos de fartura tem início. Gênesis 41.47 registra: “Nos sete anos de fartura a terra produziu com abundância”. Habilidosamente, “José ajuntou todo o mantimento que houve na terra do Egito durante os sete anos e o guardou nas cidades; o mantimento do campo ao redor de cada cidade foi guardado na mesma cidade” - Gênesis 41.48.

Um fato importante acontece antes da chegada da fome: José e sua esposa Asenate recebem dois filhos. O primeiro recebeu o nome de Manassés com a seguinte dedicação: "Deus me fez esquecer todo o meu trabalho e toda a casa de meu pai". O segundo recebeu o nome de Efraim: "Deus me fez próspero na terra da minha aflição".

Mesmo mandatário de todo o Egito, José não se esqueceu do autor de todo o processo, Deus, e não guardava mágoa em seu coração.

Os verdadeiros sonhadores não se esquecem de Deus quando os sonhos são realizados e não permitem mágoa no coração.

quinta-feira, 23 de julho de 2026

José do Egito, um sonhador - XXIII

“Então Faraó perguntou aos seus oficiais: Será que poderíamos achar alguém melhor do que José, um homem em quem está o Espírito de Deus?” - Gênesis 4.38.

A estrada aparentemente intransitável recebe a última etapa de pavimentação na realização dos sonhos do pacato jovem hebreu. O jovem sonhador é elevado à condição de vice-rei do Egito, acima dele, só o Faraó.

Pr. Hernandes Dias Lopes destacou que a nomeação de Faraó tem 7 fatos importantes:

1º - Faraó destaca as qualificações de José - Gênesis 41.37-39. 

2º - Faraó confere poder a José - Gênesis 41.40-41. 

3º - Faraó dá os símbolos de poder a José - Gênesis 41.42.

4º - Faraó apresenta José em público - Gênesis 41.43.

5º - Faraó estabelece os limites de poder de José - Gênesis 41.44.

6º - Faraó dá um novo nome a José - Gênesis 41.45.

7º - Faraó dá a José uma esposa - Gênesis 41-45-46.

Quem concedeu tudo isso a José foi o Faraó? Não. Ele era instrumento de Deus na concretização do projeto. Tenha consciência de algo: nenhum de seus sonhos será realizado por alguém limitado como você, todas as pessoas envolvidas serão instrumentos de Deus.

quarta-feira, 22 de julho de 2026

José do Egito, um sonhador - XXII

José ainda acrescenta a Faraó: “Faraó devia fazer isto: pôr administradores sobre a terra e recolher a quinta parte dos frutos da terra do Egito nos sete anos de fartura. Esses administradores deviam ajuntar toda a colheita dos bons anos que virão, recolher cereal por ordem de Faraó, para mantimento nas cidades, e guardá-lo em armazéns. Assim, o mantimento servirá para abastecer a terra nos sete anos da fome que haverá no Egito, para que a terra não seja destruída pela fome” - Gênesis 41.34-36.

Eu imagino o poderoso Faraó diante de um jovem sonhador ouvindo suas orientações. Como diz a cultura popular, deveria estar de boca aberta.

O que poucos realçam da dramática e empolgante história de José é que, embora Deus dirigisse tudo, José estava preparado para aquele desafio. Há grande diferença entre estar preparado ou começar a se preparar quando surgir a oportunidade. A oportunidade escapa quando não estamos preparados para ela.

Quais são os seus sonhos? Eles parecem impossíveis? Você está se preparando para o tempo em que eles surgirem?

terça-feira, 21 de julho de 2026

José do Egito, um sonhador - XXI

A aflição de Faraó o fez ser direto no encontro com José. Gênesis 41.15 resume: “Tive um sonho, e não há quem o interprete. Porém ouvi falar a respeito de você que, quando ouve um sonho, é capaz de interpretá-lo”.

Sem pestanejar, José responde: “Isso não está em mim; mas Deus dará resposta favorável a Faraó”. José tinha claramente consciência de seu papel em todo o enredo de sua caminhada. Ele não era protagonista, era coadjuvante. E Deus não era apenas mero protagonista, era o idealizador, o diretor, o escritor do roteiro e o orientador em todas as cenas.

Após ouvir o sonho e apresentar-lhe a interpretação, José é assertivo: “O sonho de Faraó foi repetido, porque a coisa é estabelecida por Deus, e Deus se apressa a fazê-la. Agora, pois, Faraó devia escolher um homem ajuizado e sábio e encarregá-lo de dirigir a terra do Egito” - Gênesis 41.32-33.

Preste atenção: José está diante do dominador do mundo dando-lhe orientações sobre como agir. Alguém em sã consciência imaginaria um final assim para aquele jovem sonhador? Nem José imaginaria isso!

Os mais criativos sonhadores são incapazes de prever o que Deus pode fazer com eles. Creia nisso!

segunda-feira, 20 de julho de 2026

José do Egito, um sonhador - XX

Com a informação do copeiro a Faraó, José é reconduzido à sua presença e o verso 14 destaca que “o fizeram sair às pressas da masmorra”. Ainda no versículo 14, antes de sair da cela, temos duas informações muito importantes. A primeira é que José se barbeou e a segunda é que mudou de roupa.

Ele se apresentou a Faraó com sua aparência cuidada. A aparência não determina vitória nos desafios propostos, mas revela importantes aspectos do sonhador. Há uma diferença abissal entre a aparência como vaidade e como zelo. 

A aparência como vaidade revela a vida vazia de quem sonha. Sinaliza que os sonhos que se tem são, na verdade, produto de interesse egoísta e materialismo.

A aparência como zelo revela o caráter do sonhador e mostra que seus sonhos estão voltados para o bem comum e a sua realização contribuirá para o bem da alma e do interior do ser humano. A aparência como zelo honra a Deus, glorifica a Jesus e valoriza as pessoas. José desejou se apresentar ao rei terreno com a mensagem que servia ao Rei Eterno.

O zelo pela aparência pode revelar o tamanho de seus sonhos!

domingo, 19 de julho de 2026

José do Egito, um sonhador - XIX

José dependia de Deus, mas tentou dar um jeitinho, pediu ao copeiro que se lembrasse dele quando fosse reconduzido às funções junto ao Faraó. Não há erro na atitude, mas, parece-me, que Deus queria mostrar a José que Ele seria o condutor de todo o processo.

Que acontece? O copeiro se esquece. O capítulo 40 de Gênesis termina assim: “Porém o copeiro-chefe não se lembrou de José; esqueceu-se dele”. O capítulo 41 começa assim: “Passados dois anos completos, Faraó teve um sonho…”. E Gênesis 41.9 registra: “Então o copeiro-chefe disse a Faraó: Hoje me lembro das minhas ofensas”. De que se lembrara o copeiro? Do pedido de José.

Sabe que significa isso? José ficou dois anos presos após a libertação do copeiro. Nosso primeiro raciocínio é: que copeiro ingrato e descuidado. Retribuiu com ingratidão e deixou de cuidar de alguém que fora bênção para ele.

Agora, amplie seu raciocínio. Tivesse sido liberto dois anos antes pela mediação do coveiro, José seria o governador? Pois é, Deus sabia o tempo certo. Sonhadores precisam entender o tempo de Deus e não precipitar as realidades.

sábado, 18 de julho de 2026

José do Egito, um sonhador - XVIII

Diante da aflição do copeiro e do padeiro com os sonhos, José bem que podia se gabar de entender de sonhos, mas não é isso que faz. Sua primeira intervenção é: “Não pertencem a Deus as interpretações? Contem-me o sonho que tiveram” - Gênesis 40.8.

José tinha bastante consciência que a realização de seus sonhos não aconteceria por causa de sua capacidade, habilidade, preparo e estratégia. Um dos grandes problemas dos sonhadores, talvez o maior, é que, mesmo começando na dependência de Deus, pouco a pouco vão se sentindo capazes, habilidosos, preparados e estratégicos, esquecendo-se da dependência de Deus. José ensina que não importa se estamos numa pacata região ou no centro mais importante do mundo nada depende totalmente de nós. Dependemos sempre de Deus.

Iniciar uma caminhada de sonhos na dependência de Deus é decisivo, continuar é salutar e permanecer nela é garantia de prosperar. Não basta iniciar bem, é preciso encerrar bem.

E aí, quais são os seus sonhos para o futuro? Você os tem com clareza em sua mente? Não abandone a dependência de Deus!

sexta-feira, 17 de julho de 2026

José do Egito, um sonhador - XVII

A liderança de José também foi reconhecida na prisão. Além da atitude do carcereiro em promovê-lo, os presos se renderam à sabedoria e, certamente, perceberam aspectos diferentes e relevantes na vida do jovem sonhador.

É apenas uma imaginação, mas eu penso que José ao transpor o portão da cela estampava um sorriso no rosto, sua boca cantarolava uma canção e foi saudando um a um com entusiasmo impactante. Como diz a gíria, foi “chegando, chegando”. 

Pouco tempo depois, chegam mais dois presos. E eram importantes oficiais chefes de Faraó, um copeiro e um padeiro. José foi designado para servi-los na prisão. José se envolvia com as pessoas, não era um companheiro frio e logo percebeu que o copeiro e o padeiro estavam tristes. Perguntou-lhes: “Por que vocês estão com o rosto triste hoje?”. Percebeu a sensibilidade? Eles responderam que tiveram um sonho. José foi cirúrgico: “Contem-me o sonho!”. José podia completar: de sonho, eu entendo.

Os sonhadores não podem trilhar a estrada da frieza nos relacionamentos, precisam estar atentos às reações das pessoas e se apresentar para ajudá-las.

quinta-feira, 16 de julho de 2026

José do Egito, um sonhador - XVI

José foi odiado, vendido como escravo e agora está preso. Que escalada! Mas preste atenção num fato: José não foi assassinado pelos irmãos e não foi executado por Potifar. Ele podia matá-lo, mas não o fez. Provavelmente a integridade de José ecoava em sua mente, logicamente que Deus estava dirigindo tudo.

Os expectadores dos sonhos alheios raciocinaram: agora, acabou! José, “tu, finish!”. E Deus sussurrava ternamente nos ouvidos de José: “Estamos no processo, não desista, continue firme!”. Quando um problema parecer ser o fim de seus sonhos, preste atenção na voz de Deus, não dê ouvidos aos expectadores e assassinos de sonhos.

Na prisão, José também revela seu espírito de serviço e liderança. Gênesis 39.21-23 destaca: “Deus foi bondoso com ele e fez com que encontrasse favor aos olhos do carcereiro, que confiou às mãos de José todos os presos. O carcereiro não se preocupava com nada do que tinha sido entregue às mãos de José”.

O lugar podia mudar, mas José não mudava, não importava se no conforto da moradia oficial ou numa prisão. Sonhadores sonham em qualquer lugar!

quarta-feira, 15 de julho de 2026

José do Egito, um sonhador - XV

A resistência inicial de José não diminuiu a maldosa intenção da provocante esposa de Potifar. Gênesis 39.10 realça que “ela falava com José todos os dias, mas ele não lhe dava ouvidos, recusando-se a ir para cama com ela e a ficar perto dela”.

Provavelmente, sentindo-se ferida em seu orgulho, pode ser que José tenha sido o primeiro a negar-lhe um momento de prazer, astuciosamente, armou uma cilada, aproveitando-se da ausência de outros funcionários na casa e o atacou, forçando-o a ter relações com ela. Livrando-se dela e fugindo, deixou em suas mãos uma peça de roupa, possivelmente uma capa, que foi usada por ela para o acusar de assédio sexual ou até mesmo estupro.

Encenando desespero com o mentiroso ataque, alardeou entre os outros funcionários e mais tarde contou ao seu marido. Potifar ficou irado e o lançou na prisão. Algo me intriga: por que Potifar não executou José? A primeira resposta é: Deus estava na direção e não permitiu. Muito bem. Mas gosto de especular: além disso, nem Potifar acreditava na integridade de sua mulher. Seu histórico não devia ser nada bom.

O sonhador era escravo e, agora, é prisioneiro.

terça-feira, 14 de julho de 2026

José do Egito, um sonhador - XIV

Tudo ia de vento em popa com José na casa de Potifar. Gênesis 39.6 registra que “Potifar confiou tudo o que tinha às mãos de José, de maneira que não se preocupava com nada, a não ser com o pão que comia. José tinha um belo porte e boa aparência”.

Mas, e a vida sempre tem um “mas”, José seria mais uma vez testado. A mulher de Potifar se encantou com ele. De belo porte e de boa aparência, aliado à possível ausência do oficial gerando carência na esposa, o cenário estava preparado para uma aventura espetacular, o que poderia, inclusive, falsamente sugerir possibilidade de dias tranquilos.

José revela seu maior tesouro: a integridade. Gênesis 39.8 destaca: “Ele disse à mulher: O meu senhor não se preocupa com nada do que existe nesta casa, porque eu estou aqui; tudo o que tem ele passou às minhas mãos”. E o verso 9 completa: “Não há ninguém nesta casa que esteja acima de mim. Ele não me vedou nada, a não ser a senhora, porque é a mulher dele. Como, pois, cometeria eu tamanha maldade e pecaria contra Deus?”.

E José tinha consciência de que seu pecado não seria contra Potifar, seria contra Deus. Os verdadeiros sonhadores escalam o degrau da integridade.

segunda-feira, 13 de julho de 2026

José do Egito, um sonhador - XIII

José agora está no Egito sob o comando de Potifar, oficial de Faraó. O que parecia um desastre é mais um degrau na escada da realização dos sonhos. Seus irmãos o venderam como escravo. Os ismaelitas o compraram como escravo. Os ismaelitas o revenderam como escravo. Potifar o comprou como escravo. Todos na casa de Potifar o viam como escravo. Mas José não se enxergava como escravo. Aqui reside a grande diferença: o sonhador não é o que os outros pensam sobre ele. O sonhador não enxerga apenas o que está ao alcance de seus olhos ou o que sua mente deseja impor. O sonhador vê longe, muito além do que está diante de seus olhos.

A temporada na casa de Potifar revelou algumas surpresas. A primeira foi que o oficial “viu que o Senhor estava com José e tudo que ele fazia Deus fazia prosperar” - Gênesis 39.3. A segunda é que José foi elevado a servir o próprio oficial, isso era grande promoção. A terceira é que Potifar o promoveu ainda mais, agora ele era administrador e tudo estava sob o comando de José.

Não se apavore quando os assassinos de sonhos tentarem destruir você, continue focado na realização.

domingo, 12 de julho de 2026

José do Egito, um sonhador - XII

A história de José é interrompida no capítulo 38 e retorna ao 39. O capítulo 37 termina com José sendo vendido e o início do capítulo 39 informa que José foi comprado. E veja que ironia: os assassinos de sonhos tiraram José do contexto de uma pacata região e o levaram para o centro nervoso do mundo, agora ele está no Egito, no ambiente do reino. As ações malignas de seus irmãos para matar seus sonhos estavam se transformando numa ponte para José atravessar, rumo ao pódio do sucesso.

O versículo dois de Gênesis 39 apresenta uma chave que é muito decisiva em todo o processo de realização dos sonhos de José. Diz o texto: “O Senhor Deus estava com José”. E quando Deus está com uma pessoa, não há assassino de sonhos que consiga êxito em sua jornada. Seus irmãos pensavam que José estava abandonado em sua viagem como escravo nas mãos dos ismaelitas e não refletiram na possibilidade de Deus estar presente com José. Deus nunca abandona aqueles ou aquelas que sonham!

Todos podem te abandonar, irmãos, amigos e religiosos, mas Deus está com você durante o período de seus sonhos.

sábado, 11 de julho de 2026

José do Egito, um sonhador - XI

Rúben não estava com os irmãos quando venderam José e, voltando à cisterna e não o encontrando, confronta seus irmãos com uma pergunta angustiante: “E agora, o que eu vou fazer?” - Gênesis 37.30.

Rúben era o irmão mais velho e sua responsabilidade incluía dar conta dos outros irmãos ao pai. Como explicaria o desaparecimento de José? A saída foi criar uma mentirosa história em que um animal selvagem tenha matado José e, com a túnica manchada de sangue, informaram ao pai. A tristeza de Jacó foi tão grande que ele recusou ser consolado.

Certamente, anos atrás, Jacó ouviu o choro de seu irmão Esaú quando recebeu a notícia da perda da primogenitura por uma atitude precipitada dele e desonesta de seu irmão Jacó. Agora, Jacó chora amargamente porque recebe a notícia que seu predileto filho fora devorado por uma fera. O capítulo 37 de Gênesis encerra com a informação que José fora vendido a Potifar, oficial de Faraó.

O que parecia ser o fim dos sonhos seria o começo de sua realização. Quando seus sonhos sofrerem oposição, não desista, não é o fim, é apenas o começo.

sexta-feira, 10 de julho de 2026

A eliminação do Brasil e as lições para a vida

Por Neemias Lima*

No momento em que os amantes do esporte estavam ganhando confiança na melhor performance da seleção brasileira, vem o golpe: eliminação para a Noruega com o pior desempenho da história em termos de posse de bola. E não venham com síndrome de Alzheimer, ninguém acreditava e todos os mais entendidos um pouco sabiam que o período preparatório de nosso selecionado foi complicado com cinco técnicos de 2022 para cá. E o atual técnico está há um ano no comando, apenas 12 partidas antes da Copa para amistosos e jogos das eliminatórias e pouquíssimo tempo juntos. A título de comparação, o técnico da França está no comando há 14 anos.

Outro destaque é que, embora a posse de bola tenha sido um fiasco, na partida contra a Noruega não fomos tão mal assim. E não se deve esquecer a perda de 7 jogadores potencialmente titulares pouco antes e durante a Copa.

Com base nesses parcos fatos, que lições podemos aprender como cristãos com a eliminação do Brasil?

1ª - A cultura imediatista precisa ser sepultada. Tudo para os brasileiros tem que ser agora. É esquecido que uma floresta, diferentemente de uma horta, leva tempo para ser formada. Nada consistente e duradouro se constrói em pouco tempo.

2ª - A tendência de procurar um culpado nas derrotas ou um salvador da pátria nas vitórias tem que ser descartada. Essa mania tem produzido um esquecimento das virtudes apresentadas e resultados obtidos a partir de um erro ou superestimado um e outro em detrimento de outros. 

3ª - A valorização do individualismo precisa ser vencida. Quando se ganha, logo aparece um nome como herói e assim Pelé em 1958, 1962 e 1970, Romário em 1994 e Ronaldo Fenômeno em 2022 são os mais, ou únicos, lembrados. Quando se perde, o mesmo ocorre, sempre se culpa um ou alguns. Esquece-se de que se trata de um conjunto e todos cooperam para a derrota ou para a vitória.

4ª - O reconhecimento pelo mérito do outro pode ser incentivado. Quase sempre quem nos vence é mais fraco, incapaz, não tem tradição, em suma, somos os melhores. Atitudes assim revelam a soberba que reina em nosso interior. O outro também tem méritos, se esforça, se prepara, se dedica e vai conseguir resultados também. Uma saudável reação é aprender com o outro o caminho da vitória. 

É sempre bom lembrar que, de 23 edições da Copa, ganhamos 5 e, até 2030, nenhuma seleção terá o mesmo número que nós. Isso é para ser exaltado. Acrescente o fato que apenas 8 seleções ganharam pelo menos uma Copa, e as outras dezenas, o máximo que conseguiram foi o vice-campeonato que, para nós, é o primeiro dos últimos. 

O melhor caminho que trilhamos é renascer a cultura do médio e longo prazo, nada de imediatismo, não culpar ou exaltar um ou outro por possíveis fracassos ou acachapantes vitórias, reacender a chama do trabalho em equipe (ninguém faz nada sozinho) e reconhecer os méritos do outro e aprender com ele.

O apóstolo Paulo, embora não falasse de futebol, foi cirúrgico: “Vocês não sabem que todos os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Corram de tal maneira que ganhem o prêmio!” - I Coríntios 9.24.

Ah, e não perca a esperança, faltam apenas 1.473 dias para o nosso hexa!

Pastor da Igreja Batista do Braga em Cabo Frio.

José do Egito, um sonhador - X

Enquanto os irmãos saboreiam a refeição com José agonizando na cisterna, vem chegando uma caravana de ismaelitas, vinda de Gileade, trazendo especiarias, bálsamo e mirra, para levarem ao Egito.

Ruben foi o primeiro instrumento para livrar José, agora se apresenta Judá como socorro: “Judá disse aos irmãos: O que vamos ganhar se matarmos o nosso irmão e depois escondermos a sua morte? Venham, vamos vendê-lo aos ismaelitas. Não lhe façamos mal, pois é nosso irmão, é do nosso sangue. Seus irmãos concordaram” - Gênesis 37.26-27. Ao tempo em que surgem os assassinos de sonhos, Deus levanta socorro para mantê-los vivos.

José foi vendido por 20 moedas de prata, uma pechincha, pois um escravo, normalmente, era vendido por 30 moedas de prata. José se tornou uma mercadoria para seus irmãos. No lugar de ser amado, foi vendido. Os irmãos de José contribuíram para a degradante atividade de tráfico de escravos.

Sonhar custa caro. Muitas vezes, significa sofrer grandes injustiças. Mas é melhor sofrer injustiças do sonho do que ter a tranquilidade da acomodação. Custe o que custar, não deixe de sonhar!


quinta-feira, 9 de julho de 2026

José do Egito, um sonhador - IX

O versículo 24 do capítulo 37 é dramático. Ele registra: “... e o jogaram na cisterna. A cisterna estava vazia, sem água”. O verso 25 inicia com revelação de extrema frieza: “Depois, sentaram-se para comer”. Percebe a insensibilidade? A repulsa pelos sonhos do outro produz uma insensibilidade tamanha que faz os algozes comerem enquanto seu irmão agoniza na cisterna. O ódio assentado no coração estava produzindo os frutos de sua maldade.

Pr. Hernandes Dias Lopes ensina que “o ódio paga o bem com o mal. José vai a seus irmãos como mensageiro de paz, para demonstrar o cuidado do pai, mas eles maquinam contra ele antes mesmo dele chegar, intentando matá-lo. O ódio faz alianças malignas para o mal. Conspiração é um acordo feito no subterrâneo da maldade para atingir alguém com violência. O ódio faz registros distorcidos e negativos contra o próximo para prejudicá-lo”.

O que os assassinos de sonhos não percebem é que antes de matar os sonhos do outros, eles matam os seus próprios sonhos. Quem odeia, não sonha e planeja matar os sonhos dos outros.

Limpe seu coração do ódio, você pode ser tornar um assassino de sonhos!

quarta-feira, 8 de julho de 2026

José do Egito, um sonhador - VIII

O plano para matar os sonhos de José ganhou força e seus irmãos orquestraram: “Vamos matá-lo e jogar o corpo numa destas cisternas. Diremos que um animal selvagem o devorou. Vejamos em que vão dar os sonhos dele” - Gênesis 37.20.

Percebeu a clareza no texto? Eles disseram: “Vejamos em que vão dar os sonhos dele”. O alvo deles não era, propriamente, José, eram seus sonhos. Fique atento, pois nem sempre quem se opõe a você, deseja mesmo atingir você. Na verdade, está se revelando como assassino de seus sonhos. Quando você parar de sonhar, eles se acalmarão.

O extraordinário de todo o drama de José é que, enquanto surgem os assassinos de sonhos, aparece o dono dos sonhos, Deus. Ruben era irmão mais velho de José por parte de pai. Ele foi instrumento para executar o primeiro livramento de Deus. Ele disse: “Não lhe tiremos a vida. Não derramem sangue. Joguem o rapaz naquela cisterna, e não lhe façam mal” - Gênesis 37.21-22. Ele desejava levá-lo de volta ao pai. Os assassinos podem estar bem próximos, mas o socorro também.

Permaneça firme. Ao surgirem os assassinos de sonhos, Deus se apresenta com livramento.

terça-feira, 7 de julho de 2026

José do Egito, um sonhador - VII

Gênesis 37.18-19 registra: “De longe seus irmãos viram José e, antes que chegasse, conspiraram contra ele para o matar. Disseram uns aos outros: Lá vem o grande sonhador!”.

Após saber dos sonhos de José e terem odiado-o ainda mais, na primeira oportunidade que tiveram, planejaram matá-lo. A rigor, o que os irmãos tentavam matar eram os sonhos de José. Há gente que, além de não sonhar, sente-se mal com os sonhos dos outros.

Em relação aos sonhos dos outros, algumas atitudes podem surgir:

1ª - Encorajar os sonhadores com palavras, atitudes e ajuda para que os sonhos se tornem realidade.

2ª - Ficar na sua de maneira fria, nem torcendo nem atrapalhando, esperando no que vai dar.

3ª - Assassinar os sonhos da pessoa. Existem assassinos de sonhos. E o mais triste é que, normalmente, são as pessoas mais próximas. Os assassinos dos sonhos de José eram seus irmãos.

Os irmãos de José estavam em Dotã, que significa lugar de boas pastagens. Mas foi em Dotã que José começou a passar pelo vale das maldades.

Não desista de sonhar, Deus é maior do que os assassinos de seus sonhos!

segunda-feira, 6 de julho de 2026

José do Egito, um sonhador - VI

Para alguns palestrantes da linha motivacional, não se deve contar os sonhos para outras pessoas. Segundo eles, suas metas e projetos devem ser guardados em silêncio para evitar que inimigos se apresentem tentando destruí-los. Concordo que no mercado de trabalho, no mundo corporativo, pode até fazer sentido, mas, de modo geral, é bobagem. Gosto da cultura popular que assegura “o que é do homem, o bicho não come”.

Então, Gênesis 37.5-6 registra: “José teve um sonho e o contou aos seus irmãos; por isso, o odiaram ainda mais. Ele lhes disse: Peço que ouçam o sonho que tive”. Segundo a linha motivacional, José errou. Mas, convenhamos, um jovenzinho, seus irmãos eram mais velhos, exceto Benjamim, qual era a sua expectativa? Que os irmãos mais experientes o acolhessem e o ajudassem. Que eles fazem? Odeiam ainda mais a José. 

Preste atenção: “o odiaram ainda mais”, diz a Bíblia. O ódio já estava lá. Não foi a revelação de José que gerou o ódio, ele era odiado. E ter contado o sonho valorizou ainda mais o resultado no final de tudo.

Contando ou não seus sonhos, sonhe! E sonhe grande!

domingo, 5 de julho de 2026

José do Egito, um sonhador - V

Gênesis 37.3-4 registra: “Ora, Jacó amava mais José do que todos os seus outros filhos, porque era filho da sua velhice; e mandou fazer para ele uma túnica talar de mangas compridas. Quando os seus irmãos viram que o pai o amava mais do que todos os outros filhos, odiaram-no e já não podiam falar com ele de forma pacífica”.

No contexto familiar de um homem casado com quatro mulheres, convivendo juntas e filhos com todas elas, imagine o ambiente em que José foi criado. Além disso, o histórico de seu pai não era algo para celebrar. Mas é exatamente aqui que José sonha. O sonhador não se liga muito na realidade em que está envolvido. A cultura popular assegura que “sonhar não custa nada”. E é verdade.

José era o primeiro filho de Jacó com sua amada Raquel e isso o fez ser preferido de seu pai. Acontece que isso trouxe a inimizade dos outros irmãos. Eles o odiaram, afirma a Bíblia.

Que contexto conturbado! Em que circunstância você está envolvido? Não foque na realidade em que você está inserido, sonhe! Sonhe grande e apresente seus sonhos ao grande Deus! Deus é maior do que a realidade e é maior do que os seus sonhos!

sábado, 4 de julho de 2026

José do Egito, um sonhador - IV

Mesmo sendo pecador, José era íntegro. Sobre a vida de José, o Pr. Hernandes Dias Lopes pontua: “José se manteve fiel na prosperidade e na adversidade, na prisão e no palácio, na juventude e na velhice. Jamais claudicou. Jamais vendeu sua consciência. Jamais transigiu com os valores absolutos que pautaram sua vida da juventude à velhice e governaram suas decisões”.

Não há dúvidas de que Deus estava na direção de tudo o que ocorria na vida de José, mas atribuir tão somente a Deus a razão de seu sucesso e negar-lhe o reconhecimento de renúncia, disciplina, coragem, resiliência e determinação não é atitude plausível. José suou a camisa, perdeu sono, experimentou dúvidas, suportou estigmas, mas permaneceu firme.

O romantismo do sonhar só existe no início na vida de quem busca executar seus sonhos, mas depois é dolorosa luta, renhida batalha e cruenta guerra. Para os observadores, é romance o tempo todo, porque não estão no front do enfrentamento.

Você tem sonhos? Saiba que quanto maiores, maiores as lutas. Mas, como José, não desista! Não foque nas lutas do presente, foque nas vitórias do futuro!

sexta-feira, 3 de julho de 2026

José do Egito, um sonhador - III

Gênesis 37.2 registra: “Quando José tinha dezessete anos, apascentava os rebanhos com os seus irmãos. Sendo ainda jovem, acompanhava os filhos de Bila e os filhos de Zilpa, mulheres de seu pai; e trazia más notícias deles a seu pai”.

O jovem sonhador José era filho de Jacó e tinha irmãos que eram filhos de quatro mulheres de seu pai. Bila e Zilpa eram servas de Raquel e Lia, respectivamente, e foram oferecidas a Jacó por elas para suprirem a esterilidade de Raquel e a cessação de procriação de Lia. José, com dezessete anos, apascentava os rebanhos com os filhos das servas Bila e Zilpa e informava ao pai sobre atitudes ruins que os seus irmãos por parte de pai praticavam.

Duas leituras podem ser feitas: 1ª - José, apesar de jovem, era zeloso e desejava honrar o nome do pai. 2ª - José era um mexeriqueiro. Uma reflexão pode ser proposta: como devem agir os pais quando irmãos apresentam conflitos nos relacionamentos?

É bom lembrar que o fato de ver José como protótipo de Cristo não o exclui da lista de pecadores. Jovens sonhadores também são pecadores. E o pecado tem seu preço!

quinta-feira, 2 de julho de 2026

José do Egito, um sonhador - II

A proposta de sonhos tem a intenção de despertar você para conquistas que podem fazer parte de sua caminhada. Sonhar é o mesmo que estabelecer metas para a sua vida. José estava num contexto de grande valorização dos sonhos. Estes recebiam interpretação e as pessoas se guiavam por eles. Nossa cultura tem outra leitura sobre os sonhos, mas, figuradamente, eles são nossos desejos e metas que estabelecemos. 

Vou te provocar com uma pergunta: você tem com clareza o que deseja para sua vida daqui a 30 anos? É possível que você seja tentado a responder: nem sei se estarei vivo ou viva. Pois é, mas se você tem até 50 anos, a possibilidade de estar vivo é muito grande. E aí, como será quando chegar lá, considerando o que dependerá de você? E esteja certo de uma coisa: se você tem até 50 anos, o que você é hoje foi, em grande parte, o que você sonhou ou não sonhou quando estava com vinte anos. Daí a importância de sonhar.

Quero encorajar você, independentemente de sua idade, a sonhar. Projete grandes coisas para o futuro. Isso sem presunção, soberba ou vaidade. Apresente tudo diante do Senhor!

quarta-feira, 1 de julho de 2026

José do Egito, um sonhador - I

A emocionante, dramática e vitoriosa história de José do Egito é registrada nos capítulos 37 a 50 do livro de Gênesis. Há quem faça a leitura literalmente e outros, figuradamente. Independentemente da forma que se lê, ninguém o faz sem se envolver nas tramas e nos dramas vividos pelo jovem que se tornou um exemplo do agir de Deus. José é uma figura muito cativante. A partir da revelação progressiva de Deus, José é um protótipo de Cristo. Protótipo é um primeiro tipo, uma perspectiva inicial de alguma ideia ou verdade.

José é filho de Jacó e Raquel. Seu nascimento está num contexto de família muito conturbada em que ações humanas aconteceram para satisfazer o ego de seus membros. Sua mãe Raquel não podia ter filhos. Lia ou Leia, sua irmã, podia e isso provocava ciúmes. Bila, serva de Raquel, tem filho com Jacó por orientação de Raquel. Quando Lia cessou de ter filhos, orientou que Jacó se relacionasse com Zilpa, sua serva.

Deus abençoou Raquel e ela engravidou. Nasce José, Gênesis 30.24 registra. Apesar de nascer nesse contexto, José tinha grandiosos sonhos. Você tem sonhos? Quais são os seus sonhos? Faça uma lista deles.

terça-feira, 30 de junho de 2026

Van Gogh e Seu Augusto - Conclusão

As reações de seu Augusto não eram obra do acaso. Nem eram produto de elaborações racionais advindas de estudos aprofundados. Eram consequência de relacionamento com quem preenche o vazio da alma.

Muitos vivem sem nenhuma preocupação de estabelecer um relacionamento estreito com o Senhor. Na hora do temporal, a solução encontrada é cortar a orelha, chutar o pau da barraca, dar cabo à vida. Quem tem experiência com Cristo é capaz de cantar ainda que tenha as pernas cortadas. Isso não é gostar de sofrer. É saber sofrer. É saber que, na hora do sofrimento, Deus está amparando. Habacuque encerrou seu livro que iniciou dramaticamente com adoração: “Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto nas vides; ainda que falhe o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que o rebanho seja exterminado da malhada e nos currais não haja gado. Todavia, eu me alegrarei no Senhor, exultarei no Deus da minha salvação”.

Acredito que Van Gogh e seu Augusto estão no céu. Lá não experimentam sofrimento. Uma diferença é que aqui seu Augusto também viveu com alegria. Quando encontrar seu Augusto no céu, quero falar para ele como aquele encontro me abençoou.

segunda-feira, 29 de junho de 2026

Van Gogh e Seu Augusto - III

Fui chegando (no interior, não tem essa de campainha e nem portão com trancas) e, ao perceber minha presença, o simpático barbeiro dá uma risada, manda-me entrar e começa a cantar com mais vigor. Lá, estava o seu Augusto com a mesma alegria de outrora. Minha preocupação dissipou-se e aprendi uma das mais fortes lições de minha vida: a felicidade não depende das circunstâncias externas.

Que fazia diferença na vida de Van Gogh e Seu Augusto? É a mesma diferença na vida de pessoas que enfrentam grandes problemas com reações extremamente diferentes. Por que Van Gogh quis terminar a vida aos 37 anos e seu Augusto, com seus 80, ainda cantava e desejava viver ainda mais? Van Gogh era filho de pastor, mas, provavelmente, não conhecia o pastor dos pastores. Seu Augusto tinha experiência com Ele. Van Gogh conhecia, provavelmente, o salmo do bom pastor, mas seu Augusto conhecia o bom pastor do salmo.

Por, aproximadamente, uma hora conversamos, rimos, cantamos, lemos a Bíblia. Voltei para casa e, quase cinquenta anos depois, o sorriso de seu Augusto está vívido em minha mente.

domingo, 28 de junho de 2026

Van Gogh e Seu Augusto - II


Van Gogh, certa vez, num ato de autoflagelamento, cortou a orelha e enviou a um amigo pintor que brigara com ele. Seu Augusto teve uma das pernas amputadas em função de problemas de saúde com a senilidade. Van Gogh morreu, supostamente, por ação sua. Seu Augusto, de velhice.

Cresci, experimentei certa independência, deixei de cortar cabelo com seu Augusto. Coisas de rapazinho. Mas continuamos nos encontrando na igreja, no comércio onde trabalhava, aqui e ali. Seu Augusto sempre assobiando, sorrindo, beijando as crianças e dando um cascudinho de brincadeira. Fui para o Seminário e, quando estava no meio do curso, fiquei sabendo que seu Augusto estava bem doente. Numa de minhas idas à terra natal, resolvi visitá-lo. Mas que dizer para um velho que me viu criança e estava com uma das pernas amputadas, com possibilidades de amputar a outra, e não podia manobrar sua bicicleta velha? Fui preocupado à sua humilde casa e, quando me aproximei do portão, ouvi uma voz conhecida. Prestei atenção. Era do velho Augusto.

Sabendo de seu quadro, de longe, sua recepção me impactou. Sorriso e alegria com a perna amputada.

sábado, 27 de junho de 2026

Van Gogh e Seu Augusto - I

Pode parecer loucura, mas estabeleci uma relação entre Van Gogh, pintor holandês, e Augusto, barbeiro de Cardoso Moreira. Conheci os dois: Van Gogh nos livros e Augusto pelos cabelos que arrancou de minha cabeça quando criança com aquela máquina velha e suas manobras numa velha bicicleta, sempre assobiando.

Van Gogh viveu 37 anos. Augusto mais do dobro de sua idade. Aquele conheceu o chamado primeiro mundo: França, Holanda (onde nasceu) e outros países vizinhos. Este, apenas o que nem mundo é considerado: Baú, Valão do Cedro, Três Cacetes, Morro Grande. Lugares tipo daquele onde vento faz a curva. O pintor era filho de pastor calvinista e o barbeiro conhecia alguns pastores por se orientar com eles. Van Gogh manteve contatos com pessoas da mais alta expressão como o doutor Gauchet, médico que lhe deu abrigo como num asilo. Seu Augusto conhecia gente humilde, trabalhadores da roça, alguns doentes, que se aproveitavam de seu serviço em domicílio para fazer a cabeça de todos os filhos, preferencialmente com máquina zero até o coco para demorar a crescer e, assim, alguns cruzeiros, à época, economizar.

sexta-feira, 26 de junho de 2026

Princípios de oração na vida de Daniel - Conclusão

Daniel, com certeza, não era perfeito, mas sua vida é repleta de exemplos que devem ser observados e praticados. Os registros bíblicos não sugerem, em nenhum momento, qualquer deslize no exercício de suas funções, mesmo estando em cativeiro. Ele não permitiu que a cultura babilônica influenciasse sua vida e os princípios assumidos desde menino fossem negociados.

Sua autoridade era tão grande que o próprio rei Dario ficou triste com a sua decisão e, enquanto Daniel dormia tranquilo na cova, ele não conseguiu sequer cochilar no palácio. E no outro dia, bem cedo, vai à cova e grita: “Daniel, o teu Deus, a quem tu continuamente serves, te livrou da prisão?”. Essa autoridade de Daniel estava relacionada aos princípios de oração.

Oração é relacionamento, e relacionamento maduro sugere equilíbrio.

Vida de oração não é esporádica contemplação.

Vida de oração não é uma roda de negociação.

Vida de oração não é um conjunto de emoção.

Vida de oração não é um reino da razão.

Vida de oração não é uma proposta de imposição.

Vida de oração é desenvolver princípios como convicção.

quinta-feira, 25 de junho de 2026

Princípios de oração na vida de Daniel - IX

Daniel era perseverante. E perseverança é o quinto princípio na vida de oração de Daniel. Há muita gente que começa a todo vapor e, com o passar do tempo, vai se esfriando, esfriando até congelar. É o chamado efeito coca-cola, muito gás no início e, logo a seguir, perde o interesse.

A Bíblia registra que Daniel foi ao quarto orar “como antes costumava fazer”. Não se tratava de uma experiência eventual, esporádica, momentânea. Não, era uma experiência constante.

A Bíblia orienta em I Tessalonicenses 5.17 “orem sem cessar”. Em Colossenses 4.2, o ensino é semelhante: "Perseverem em oração, velando nela com ação de graças”. E em Romanos 12.12, temos uma orientação encorajadora: “Alegrem-se na esperança, sejam pacientes na tribulação, perseverem na oração”.

Não basta apenas começar bem, é importante e, diria, decisivo, que se mantenha firme e termine bem. Começar é apenas a saída de bola num jogo de futebol, perseverar firme significa não perder o foco de nossa missão até o final da partida.

Não se encante com os troféus do início, permaneça firme até o final para receber a coroa da justiça.

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Altamir Silva Soares - Tony Soares

Interrompo a série “Princípios de Oração na vida de Daniel” para homenagem especial. Descansou ontem no Senhor, aos sessenta e três anos, membro da Igreja Batista no Braga, o irmão Altamir Silva Soares, mais conhecido como Tony Soares, nome artístico adotado em função de sua carreira musical. Tony aparentemente apresentava muito vigor, mas em dois meses, um tumor se agigantou de tal forma que o fez partir para a eternidade.

Tony amava cantar. Ele cantava em qualquer lugar que tivesse oportunidade. Igrejas grandes, médias ou pequenas, com som de qualidade ou ruim, lá estava ele com a maior alegria. Ele fazia questão de se arrumar da melhor maneira. Seu repertório eram os hinos antigos e, por muito tempo, além da carreira solo, fez parte do Quarteto Arautos do Senhor.

Apesar de seu curto período de enfermidade, pude visitá-lo algumas vezes e nosso último encontro foi sábado passado. Desejei ficar com ele sozinho e, por meia hora, conversamos com franqueza. Fique impactado com a serenidade e a segurança num momento tão dramático. Ele tinha consciência de tudo e falou da eternidade com muita paz.

Tony não cantará mais aqui, cantará na eternidade, com o seu Salvador!

"Bem-aventurados os que, desde agora, descansam no Senhor, eles descansarão do seu fatigante trabalho, e as suas obras os seguirão" - Apocalipse 14.13.

Descanse em paz, meu amigo e ovelha!

terça-feira, 23 de junho de 2026

Princípios de oração na vida de Daniel - VIII

O quarto princípio de oração na vida de Daniel é o conteúdo de suas orações. Registra o texto que, sabendo que o decreto que o condenaria estava assinado, ele foi orar e “e dava graças, diante do seu Deus”. É possível que a tensão que envolvia o momento o levasse a suplicar ao Senhor, mas é interessante que o registro bíblico afirma que “ele dava graças, diante do seu Deus”. 

Agradecer no meio das lutas é um sinal de relacionamento com Deus. A Bíblia diz que “em tudo, deem graças porque esta é a vontade de Deus” - I Tessalonicenses 5.18. Observe bem: não é “por tudo, deem graças”, mas “em tudo…”. Você não precisa dar graças por uma tragédia, mas pode dar graças no meio da tragédia.

A tendência da maioria dos cristãos é fazer das orações um muro de lamentações. O que Deus deseja é que façamos das orações um templo de adoração. E a gratidão a Ele, às pessoas, às organizações devem fazer parte do conteúdo das orações.

A vida se torna mais bela quando agradecemos mais e pedimos menos. E a gratidão elimina mais problema do que a petição, sabia disso?

E aí, você já agradeceu hoje?

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Princípios de oração na vida de Daniel - VII

O lugar tranquilo na vida de Daniel não era uma experiência eventual e nem a partir do surgimento de um temporal. Era uma rotina. Mas não uma rotina formal, mecânica, fria, era um encontro de sua alma com a alma de Deus. Diz a Bíblia que “três vezes por dia, se punha de joelhos, e orava”.

Essa prática pode ser denominada “Princípio do aproveitamento das oportunidades”. É o terceiro princípio. Daniel, em função de sua importante liderança na Babilônia, tinha muitas ocupações. Não era um desocupado. Ainda assim, três vezes por dia, ele parava tudo e se derramava diante do Senhor. A agenda de Daniel não era orientada pela chefia de seu gabinete, nem pelas demandas apresentadas pelo rei, nem pelos problemas que surgiam no cotidiano. Sua agenda era dirigida por Deus e tudo era alistado em segunda categoria quando chegava o tempo de falar com Deus.

A vida moderna sugere uma tresloucada correria e os argumentos de pouco tempo ganham corpo para as desculpas de tempo de oração. É preciso sabedoria e disciplina para aproveitar as oportunidades. 

Daniel aproveitava! E você, aproveita?

domingo, 21 de junho de 2026

Princípios de oração na vida de Daniel - VI

O segundo princípio de oração na vida de Daniel é: lugar tranquilo. O texto afirma: “entrou em sua casa e, em cima, no seu quarto…”. 

Você pode orar em qualquer lugar, mas é saudável que se tenha um lugar tranquilo. Em seu ministério terreno, Jesus, impossibilitado de ter um lugar tranquilo no meio da cidade, subia ao monte para falar com o Pai.

Uma piedosa cristã recebeu a primeira visita de seu novo pastor. Em sua humilde casa, ela o recebeu. Depois de um gostoso bate-papo, ela o convidou para ir ao quintal e, bem no final do terreno, onde a cerca fazia um ângulo de 90º, debaixo de uma árvore, ela informou: “Pastor, aqui é o meu cantinho da oração, muitas vezes o barulho dentro de casa me impede, eu venho para cá e falo com o pai”.

O princípio do lugar tranquilo sinaliza fugir do ativismo e silenciar-se diante de Deus. Quando Billy Graham esteve no Brasil a primeira vez, um repórter de grande veículo de comunicação foi procurá-lo para uma entrevista. Seus assessores disseram: “Ele não pode atender agora, está em seu período de conversa com Deus”.

Você tem o seu lugar tranquilo?

sábado, 20 de junho de 2026

Princípios de oração na vida de Daniel - V

Fidelidade tem a ver com fé. E fé não é um dispositivo para resolver problemas. Fé é permanecer firme na confiança que o Senhor está no controle de todas as coisas. Em Hebreus 11, lemos que a fé é a certeza de coisas que se esperam, não, necessariamente, de coisas que acontecerão. A fé não está ligada ao futuro, mas ao presente e ao passado. É muito mais uma âncora para o presente do que um atestado para o futuro.

Algumas pessoas se arrogam em dizer: eu tenho muita fé. E relacionam conquistas pessoais à sua fé. Deixe-me dizer algo: eu e você temos fé muito pequena. Nenhum de nos tem grande fé. Jesus afirmou que “se tivermos fé do tamanho de um grão de mostarda, faremos coisas grandiosas”. Você já observou um grão de mostarda? Percebeu como é pequeníssimo?

O princípio da fidelidade é manter uma vida comprometida com Deus mesmo que alguma situação apresente risco de morte para nós. Daniel manteve sua vida de intimidade com Deus mesmo sabendo que o decreto vinha com força para destruí-lo.

Temos fé não quando realizamos algo, mas quando descansamos em Deus que decide realizar ou não.