segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Babel ou Betel? - XI

A atitude de adoração de Jacó após o evento miraculoso não apresentava conteúdo apenas teórico, ele assume um voto prático.

Seu voto é precedido das seguintes condições: se Deus for comigo, se me guardar nesta jornada, se me der pão para comer, se me der roupa para vestir e se eu voltar em paz para a casa de meu pai. Deve-se compreender que Jacó fazia parte do início da revelação progressiva de Deus, pouco conhecimento era a realidade, daí se entender as condições estabelecidas. A maturidade cristã, depois da revelação completa, não comporta apresentar condições a Deus.

Seu voto incluía:  o Senhor será o meu Deus, a pedra, que pus como coluna, será a casa de Deus e, de tudo o que me concederes, certamente te darei o dízimo.

Independentemente do que fizer por nós, o Senhor deve ser o nosso Deus, a adoração deve ser uma experiência permanente, chova ou faça sol, e a gratidão, na devolução do dízimo, uma experiência prazerosa. Quando alguém disser que dízimo é da lei, mostre a experiência de Jacó, que reproduzia a experiência de seu avô Abraão. A lei veio quatrocentos anos depois.

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Babel ou Betel? - X

Após a linda e impactante experiência da manifestação sobrenatural de Deus, lemos no início do verso 18 de Gênesis 28 que, na manhã seguinte, Jacó tomou algumas atitudes:

1ª - Pegou a pedra que lhe servira de travesseiro e a transformou numa coluna. 

2ª - Derramou azeite no topo dela.

3ª - Ressignificou o lugar onde estava, mudando o nome de Luz para Betel.

Importantes aplicações podem ser feitas:

1ª - Travesseiro de pedra pode ser transformado em monumento de boas lembranças. O tempo era aflitivo, o medo se avizinhara, mas Deus pode transformar o travesseiro de pedra numa coluna. 

2ª - Adoração ao Senhor pode ocorrer mesmo quando a vida nos apresentar um travesseiro de pedra.

3ª - Deus pode nos capacitar para ressignificar tudo em nossa vida. De Luz, o lugar passa a se chamar Betel, casa de Deus. A casa de Deus é muito mais do que um lugar, a casa de Deus é uma experiência e onde houver uma, ali Deus está, pois Ele está onde sua presença se fizer necessária.

Mesmo sem saber o conceito, Jacó aprendeu sobre a onipresença de Deus. Você sabia que Deus está aí com você, independentemente do que estiver fazendo?

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Babel ou Betel? - IX

A reação de Jacó após a experiência da teofania, que é uma manifestação extraordinária de Deus, é encantadora.

É como se ele bradasse: “Na verdade, o Senhor está neste lugar, e eu não o sabia” - Gênesis 28.16.

A realidade é que Deus está em todo lugar em que se fizer necessária sua presença. Jacó conheceu um aspecto da pessoa de Deus, mesmo sem ter conhecimento algum do processo revelador em que estava envolvido. O conhecimento da presença do Senhor onde estivermos desenvolve uma atitude de confiança no cuidado de Deus.

Em seu brado, Jacó revela sua ignorância: e eu não o sabia. Era algo novo para ele. O conhecimento da pessoa de Deus soberano e dirigente moral do universo, aquele que dirige a história, gera em Jacó uma dependência dele. Nada sabemos quando se pensa na magnificência, na grandeza de Deus.

Diante da grandeza divina, nossa melhor atitude é de reverência e temor. Temor, não medo. Ele cuida de nós e, se for preciso, ele aparece literalmente para nos encorajar.

Onde você está? Que está fazendo você? Deus está aí, coladinho com você. Cuidado! Mas celebre isso!

Babel ou Betel? - VIII

No sonho, Deus desceu até Jacó e lhe fez promessas preciosas, como Gênesis 28.13 a 15 registra.

Primeiro, Deus se apresenta. Eu sou o Senhor, Deus de Abraão e Deus de Isaque. Jacó era a terceira geração. O programa redentivo de Deus não começou com Jacó, era desde a eternidade e sua relação com, primeiramente o povo, começou com Abraão. O Deus que se apresenta a Jacó é o que dirige a história, história que chegou até nós.

Agora, as promessas:

1ª - A terra em que está deitado, eu a darei a você e à sua descendência.

2ª - A sua descendência será como o pó da terra.

3ª - Em você e na sua descendência serão benditas todas as famílias da terra.

4ª - Eu estou com você e o guardarei por onde quer que você for.

5ª - Farei com que você volte para esta terra, porque não o abandonarei até que eu cumpra aquilo que lhe prometi.

O Deus que desceu até nós é o que faz promessas. E ele é fiel para cumprir o que prometeu. Nada do que prometer falhará!

Que promessa de Deus você precisa se apoderar hoje?

Babel ou Betel? - VII

Gênesis 28.10 registra: “Jacó partiu de Berseba e seguiu para Harã”. Jacó estava fugindo de Esaú, seu irmão, a quem lhe aplicara um golpe. Era um trapaceiro fugitivo.

A distância entre Berseba, sul de Israel, e Harã, atualmente a Síria, era de aproximadamente 750 km. Considerando a possibilidade de caminhar 25 km por dia, seriam necessários 30 dias para finalizar o trajeto. Era uma baita caminhada. 

O primeiro pit stop de Jacó foi num local não identificado, já era noite, uma pedra foi seu travesseiro e se deitou para dormir. Era um trapaceiro cansado.

Em seu sono, surge um sonho. A cultura de sua época valorizava o sonho. Seu conteúdo: uma escada posta na terra cujo topo atingia o céu. Os anjos de Deus subiam e desciam por ela. E o Senhor estava perto dele.

Uma escada ligando a terra e o céu. Não planejada e construída por seres humanos, mas idealizada pelo próprio Deus. O homem não pode ligar a terra ao céu, como em Babel, mas Deus pode, como em Betel.

E no sonho, Deus desceu. Deus desceu não para confundir, mas para esclarecer. Deus desceu para encorajar.

Babel ou Betel? - VI


 Em Gênesis 11.8-9, lemos: “Assim o Senhor os dispersou dali pela superfície da terra; e pararam de edificar a cidade. Por isso a cidade foi chamada de Babel, porque ali o Senhor confundiu a língua de toda a terra e dali o Senhor os dispersou por toda a superfície dela”.

Babel é confusão. Confusão no sentido de ser confundida. Foi uma ação divina desarticulando união para objetivos reprováveis. Sempre que o ser humano desobedecer às orientações divinas, buscar a glória para si, transitar no desejo de notoriedade e valorizar mais a religiosidade do que o relacionamento com Deus irá experimentar a realidade da confusão. 

Interessante que, aproximadamente, dois mil anos depois, várias nações estavam reunidas em Jerusalém. Deus desceu novamente. Ele desceu na pessoa do Espírito Santo. O apóstolo Pedro pregou um sermão e todos os presentes entenderam na sua própria língua. Não é interessante? Na verdade, é miraculoso!

Em Babel, Deus desceu e confundiu. Em Jerusalém, Deus desceu e abriu o entendimento. Deus deseja descer sobre você e abrir o seu entendimento para o relacionamento com Jesus.

Babel ou Betel? - V

Gênesis 11.6-7 apresenta o seguinte registro: “E o Senhor disse: - Eis que o povo é um, e todos têm a mesma língua. Isto é apenas o começo; agora não haverá restrição para tudo o que planejam fazer. Venham, vamos descer e confundir a língua que eles falam, para que um não entenda o que o outro está dizendo”.

Preste atenção no pormenor: “Venham, vamos descer!”. Deus desceu com uma comitiva. Ele não veio sozinho! Sugerem os estudiosos que aqui está em foco a atuação da trindade. Embora este termo não esteja presente na Bíblia, e alguns se aproveitam disso para tentar negar sua realidade, a trindade é a manifestação de Deus em três pessoas. Não são três deuses, não somos triteístas. São três manifestações de Deus - Pai, Filho e Espírito Santo. Ele é uno e trino. Não é inconcebível que ele também veio acompanhado de seres angelicais.

Ao descer com uma comitiva, Deus não apenas demonstra seu interesse pelo homem como também se empenha para dar-lhe o melhor! Não se esqueça: você nunca estará sozinho, Deus desce para ajudar você!

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Babel ou Betel? - IV

Nos versos de um a quatro do capítulo onze, sabemos das ações e intenções dos homens em construir a torre. Nos versos cinco a nove, vemos o juízo de Deus sobre aqueles homens.

No verso cinco lemos assim: “Então o Senhor desceu para ver a cidade e a torre, que os filhos dos homens estavam construindo”. Deus desceu.

Em vários outros textos da Bíblia há sinalizações da descida de Deus. Ele precisa descer para saber de alguma ação humana? De certo que não. Por que, então, há o registro que Ele desceu?

A ideia da descida de Deus demonstra seu cuidado com a criação. Deus não criou o ser humano e o abandonou ao léu da sorte. Não, ele não fez isso e nunca fará. Não somos como os deístas (d de dado) que acreditam que Deus, após a criação, abandonou tudo e todos e foi observar de seu trono como eles se virariam. Somos teístas (t de trabalho), acreditamos no Deus Eterno que criou todas as coisas e o ser humano e continua caminhando com ele, suprindo-lhe suas faltas, ajudando-o a prosseguir, confrontando-o com amor.

Lembre-se de uma coisa: você não está sozinho nas batalhas da vida, Deus desce para estar com você!

Babel ou Betel? - III

A finalidade da construção da torre revela a fraqueza humana em três áreas muito perigosas:

A primeira área é a religiosidade. Eles intencionavam chegar ao céu. Todo ser humano tem necessidade de relacionar-se com o divino. Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski, escritor, filósofo e jornalista russo, declarou que “o homem tem um vazio do tamanho de Deus!”. O conteúdo que preenche esse vazio não é a religiosidade.

A segunda área é a notoriedade. O desejo de se tornar grande e ser notório é uma permanente tentação na vida do ser humano. Mesmo quando se luta contra essa tendência, no fundo, lá no fundo mesmo, insiste um desejo de grandeza.

A terceira área é a desobediência. Era clara como a límpida água a orientação divina de encher a terra. Mas vem a inclinação humana de sempre desobedecer. Não havia uma afrontosa desobediência, mas, sutilmente, desobedeciam com um evento que poderia passar despercebido.

Muito cuidado com as finalidades de nossas atitudes e ações, Deus pode reprovar, mesmo que a cultura não reprove.

Sacou?

Babel ou Betel? - II

Em Gênesis 11. 2 e 4, lemos: “Os homens partiram do Oriente, encontraram uma planície na terra de Sinar e habitaram ali. E disseram: Venham, vamos construir uma cidade e uma torre cujo topo chegue até os céus e tornemos célebre o nosso nome, para que não sejamos espalhados por toda a terra”.

Qual é o problema de se construir uma torre? Aparentemente, nenhum. Mas, quando se descobre a finalidade do projeto, a intenção do coração, aí a coisa pega e o texto bíblico dá as pistas onde está o pecado.

Primeiro, o topo da torre chegará até o céu. É a tentativa de se chegar ao céu pelo seu próprio esforço, pela sua própria inteligência. 

Segundo, nosso nome se tornará célebre. É a inversão da declaração de João Batista: “Que ele cresça e que eu diminua!”. Aqui é “que eu cresça e ele diminua!”.

Terceiro, “para que não sejamos espalhados por toda a terra”. Era a revelação da desobediência. A ordem de Deus era que eles enchessem a terra, mas deliberadamente eles assumem não obedecer. 

Muito cuidado com o que você está construindo, pode ser uma afronta a Deus!

Babel ou Betel? - I

Gênesis 11.1 registra: “Em toda a terra havia apenas uma língua e uma só maneira de falar”.

Um leitor mais atento pode, precipitadamente, sugerir uma contradição entre a afirmação deste versículo, que informa haver apenas uma língua, com os versículos cinco, vinte e trinta e um do capítulo dez, que informa, na ordem, sobre os descendentes de Noé, o seguinte: “...cada qual segundo a sua língua, segundo as suas famílias, em suas nações... segundo as suas línguas, em suas terras, em suas nações”.

Como entender “suas línguas” no capítulo dez e “uma língua” no capítulo onze? Uma explicação plausível é que o registro obedece ao critério literário e não ao critério cronológico. Sugerem os estudiosos que a narrativa do capítulo onze está situada logo após o dilúvio e o que se lê no dez após o evento de Babel.

Babel é cidade dos homens. Babel é manifestação da soberba, arrogância e prepotência. Babel é símbolo de confusão. Babel é declaração de afronta a Deus.

Você não precisa sair de Babel, mas Babel não pode entrar em você!


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

O deserto de cada um de nós - Conclusão

O deserto é a transição entre dois lugares: Egito e Canaã. Em toda a caminhada, os dois lugares influenciarão suas atitudes e decisões. Há quem foque no passado e deseje voltar à comodidade dele. E há quem foque no futuro e lute para que ele seja desvendado o mais rápido.

O passado é o Egito. O Egito traz boas lembranças: segurança, amizades, estabilidade, provisão e comodidade. E traz lembranças ruins: opressão, perda da liberdade, ausência de alegria verdadeira e dúvidas permanentes.

O futuro é Canaã. Canaã é a terra da promessa, exige fé no Eterno, tudo é intangível e as dúvidas passeiam pela mente. Terei segurança em Canaã, serei bem recebido, terei estabilidade? E a provisão será garantida?

E é numa dessas encruzilhadas do deserto que o caminhante precisa tomar uma decisão: abandonar o passado, esquecer o Egito. Não adianta sair do Egito, é preciso que o Egito saia de você! Sem abandonar o passado, você não conquistará o futuro. Sem deixar o Egito, você não conquistará Canaã.

Você é tentado a desistir com a aflição do deserto, mas não desista, Canaã está logo ali!

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

O deserto de cada um de nós - XI

Ninguém passa pelo deserto sozinho, Deus caminha junto. Você já ouvIiu falar de Lesly Mucutuy, Soleiny Mucutuy, Tien Mucutuy e Cristin Mucutuy? São os irmãos que ficaram perdidos na floresta amazônica em maio de 2023 após a queda do avião em que estavam. Três adultos morreram e eles ficaram vivos. Foram quarenta dias perdidos, sem nenhuma notícia e, no fim desse período, resgatados com leves problemas. 

Veja algumas questões interessantes:

Primeira, foram quarenta dias no deserto da floresta. Por que quarenta e não trinta e nove, quarenta e um ou número de dias próximo? Quarenta dias era o tempo que o povo de Israel poderia atravessar o deserto.

Segunda, Lesly tem treze anos, Soleiny, 9, Tien, quatro, e Cristin, um ano, apenas um aninho. Lesly e Soleiny ainda tem alguma autonomia, mas Tien e Cristin? Nenhuma! Deus os guardou naquele deserto terrível! Deus caminhou com eles! Deus dormiu com eles! Quando se aproximava um animal feroz Deus levantava um muro imaginário para protegê-los. Indefesas crianças que nada podiam fazer, Deus fez por elas. 

Tenha coragem e ânimo, Deus caminha com você no deserto!

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

O deserto de cada um de nós - X

Quem define o tempo do deserto? Em certo sentido, Deus é quem determina o tempo do deserto. Ele é o dirigente moral da história, o senhor soberano, quem estabelece os planos, quem põe e depõe.

Em outro sentido, o homem participa ativamente na duração do tempo do deserto. A viagem do povo de Israel poderia ser feita em 40 dias, mas durou 40 anos. O deserto que poderia ser breve se alongou muito.

O tempo no deserto pode se alongar em função da desobediência. Foi o que aconteceu com o povo de Israel. Uma caminhada que poderia ser muito proveitosa e prazerosa se tornou enfadonha e sacrificante. Tempo de reclamação, momentos dramáticos com mortes em grande escala, murmuração impertinente em relação a Deus e aos líderes, desobediência deliberada e ações impensadas formavam o cardápio desastroso daquele povo.

Não é que Deus não tenha controle, mas é como se agisse assim: pode ir, vamos ver até onde você suportará! Rejeitar a direção de Deus é fazer o deserto ficar mais longo.

Não alongue seu deserto, busque obedecer a Deus!

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

O deserto de cada um de nós - IX

O deserto cria excelentes oportunidades de preparo para grandes desafios e vitórias. O que, aparentemente, é uma derrota, na verdade, é um extraordinário exercício cujos resultados trarão grandes vitórias.

O deserto é um laboratório para entender o que é prioritário. Quando a caminhada é tranquila e sem desafios é natural que se desvie o foco do que é realmente prioridade na vida e muita energia é desperdiçada com banalidades.

Muito do que se aprende no deserto não será totalmente utilizado ou praticado por quem viveu as experiências. Mas as gerações futuras usufruirão dos resultados daquele aprendizado. No deserto, o povo de Israel, por exemplo, aprendeu sobre agricultura, mas quem colocou em prática o ensino foram as gerações seguintes, filhos, netos, bisnetos e tataranetos, pois a geração que herdou a terra não foi a mesma que atravessou o deserto.

O deserto prepara para o futuro e fortalece a fé. Os heróis da fé são homens e mulheres impotentes que acreditavam no futuro e não se acovardavam diante dos desafios da fé no deserto.

domingo, 15 de fevereiro de 2026

O deserto de cada um de nós - VIII

A passagem pelo deserto desenvolve uma realidade meio confusa: ao mesmo tempo em que se deseja a solidão, tem-se o desejo de estar entre a multidão. E, num certo sentido, o deserto amplifica a tensão entre a multidão e a solidão. As duas realidades precisam ser bem administradas. 

Na solidão, podemos reoxigenar a mente, conversar intimamente com Deus, reencontrar consigo mesmo, avaliar e reavaliar a caminhada, firmar propósitos novos na relação com o pai e com o próximo, enfim, é uma realidade em que amadurecemos.

No meio da multidão, o deserto torna-se menos amedrontador. A companhia de outros, o sofrimento do próximo e o compartilhar dores, dissabores e favores amenizam as atrocidades do deserto.

Segundo Charles Baudelaire, “Quem não sabe povoar sua solidão, também não saberá ficar sozinho em meio a uma multidão”.

Invista em seu tempo de solidão e não despreze a bênção da multidão. Deus tem prazer na solidão. Deus tem prazer na multidão. Mas não permita que a solidão se instale e considere maravilhosa a recepção.

sábado, 14 de fevereiro de 2026

O deserto de cada um de nós - VII

Um jovem senhor foi preso ao transportar drogas de uma capital para uma interiorana cidade. Entrevistado na delegacia, respondeu ao repórter: “Eu estou desempregado e me contrataram para transportar o material, preciso alimentar minha família, aceitei e me dei mal”.

É possível que sua história seja inverídica. Mas admitamos que seja verídica. O que, na verdade, ocorreu? O desemprego que causava a preocupação de não alimentar sua família era o seu deserto. Vulnerável, foi tentado na área que lhe causava tensão. 

Lembra-se do evento de Jesus no deserto logo depois de seu batismo? Mateus 4 registra. Depois de quarenta dias e quarenta noites sem comer, o Diabo primeiramente o tentou exatamente na área fragilizada, a fome. Nocauteado com a palavra de Deus, o inimigo não se deu por vencido, o tentou em outras áreas.

O povo de Israel foi tentado durante todo o tempo no deserto e, muitas vezes, perdeu a batalha.

Cuidado com a área fragilizada de sua vida, no deserto, a tentação se intensificará, mas com a Palavra de Deus, você poderá vencer.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

O deserto de cada um de nós - VI

“Entendo que solidariedade é enxergar no próximo as lágrimas nunca choradas e as angústias nunca verbalizadas” - Augusto Cury.

Não resta dúvida de que o deserto é um celeiro para exercício da solidariedade. A dor é capaz de unir as pessoas. É o tempo em que o ser humano está mais sensível ao toque do amor, do perdão, da compreensão e se apresenta mais solidário.

No deserto, pessoas que sofrem se solidarizam. No deserto, pessoas se ajudam. No deserto, um sente a dor do outro. O tempo de maior solidariedade é quando se encontra no deserto. Quem vive um deserto parece enxergar de longe quem está sofrendo e se apresenta para se solidarizar.

A solidariedade pode ser o choro junto, o ombro apresentado, o braço estendido, a mão afável no rosto. Materialmente falando, você pode nada ter para oferecer, você também está no deserto, mas você é solidário e reparte o que tem. Você nada tem material, tangível, mas você se apresenta com sua vida.

Não despreze o deserto e desenvolva mais ainda a solidariedade e, quando o deserto acabar, continue solidário. Quem é solidário nunca se sente solitário.


O deserto de cada um de nós - V

Qual o tempo de duração do deserto? Não dá para saber. Cada deserto terá o seu tempo. A Bíblia diz que o “choro pode durar uma noite, mas a alegria vem no amanhecer”. O choro pode ser lido como “o deserto dura uma noite, mas a alegria vem no amanhecer”. A noite é uma figura, pode durar oito horas, um dia, uma semana, um mês e até anos. 

O deserto de cada um dura o tempo que for preciso para que cada um experimente o crescimento. O povo de Israel poderia cruzar o deserto do Sinai e chegar à Canaã em quarenta dias. No entanto, durou quarenta anos. Qual a razão de durar tanto tempo assim? Embora outras plausíveis explicações sejam dadas, uma delas é que o deserto dura o tempo que cada um precisar para amadurecer.

É comum encontrar os que desejam trilhar por atalhos para encurtar o tempo do deserto. Decisão imatura e infantil. O que forja o caráter dos que experimentam o deserto é exatamente resistir as intempéries e prosseguir até o final. Não se alcança a maturidade trilhando pelo atalho.

A sabedoria está em não desprezar o deserto e caminhar o tempo que for necessário, no tempo certo, o deserto terá fim.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

O deserto de cada um de nós - IV

Mais uma riqueza preciosa: no deserto, prova-se o cuidado do Senhor.

Em Deuteronômio 8.2-4, lemos: “Lembre-se de como o Senhor, o seu Deus, os conduziu por todo o caminho no deserto, durante estes quarenta anos, para humilhá-los e pô-los à prova, a fim de conhecer suas intenções, se iriam obedecer aos seus mandamentos ou não. Assim, ele os humilhou e os deixou passar fome. Mas depois os sustentou com maná, que nem vocês nem os seus antepassados conheciam, para mostrar-lhe que nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca do Senhor. As roupas de vocês não se gastaram e os seus pés não incharam durante esses quarenta anos”.

Você já refletiu quantos milagres aconteceram durante um deserto em sua história? Milagres acontecem no deserto. Uma orientação do Senhor nem sempre entendida é: “Santifiquem-se porque amanhã o Senhor fará maravilhas no meio de vocês!” - Josué 3.5. A maioria entende assim: “Santifiquem-se para que o Senhor faça maravilhas no meio de vocês!”. Não é para que o Senhor faça, é porque Ele fará. Deus sempre faz milagres no meio do deserto!

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

O deserto de cada um de nós - III

Apesar de ser um período de grandes lutas, o deserto é um tempo em que extraordinárias riquezas podem ser desfrutadas. Mas nem todos as percebem. Sua energia, atenção e foco estão centrados nos problemas da caminhada que acabam perdendo a visão de ações extraordinárias.

Uma riqueza é que o deserto cria oportunidade para definições que precisam ser assumidas: o falso conforto anterior ou o visível sofrimento atual. Diante das dificuldades da caminhada no deserto, há uma falsa impressão de que o período anterior era mais confortante. 

O povo de Israel oscilou diante das dificuldades e dizia preferir a comodidade do Egito a enfrentar os desafios do deserto. No fundo, no fundo, não era bem isso que eles desejavam, mas a falsa impressão de um conforto no Egito provocava a oscilação.

No deserto, podemos reafirmar nossa profissão de fé: aconteça o que acontecer, venha o que vier, haja ou que houver, seguirei firme com meu Senhor. Um antigo hino afirmava: “Estou seguindo a Jesus Cristo, deste caminho e não desisto. Estou seguindo a Jesus Cristo, atrás não volto, não volto mais!”.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

O deserto de cada um de nós - II

Há vários tipos de desertos e eles são divididos em dois grandes grupos: quentes e frios. 

Os desertos quentes estão, de forma geral, situados nas faixas tropicais do planeta e apresentam temperaturas elevadas.  

Os desertos frios estão situados nos extremos do globo, especialmente nas regiões de clima subtropical.

Os cinco maiores desertos do planeta são:

1 - Deserto da Antártida - 14.200.000 de km2.

2 - Deserto do Ártico - 13.900.000 km2.

3 - Deserto do Saara - 9.000.000 km2.

4 - Deserto da Arábia - 2.600.000 de km2.

5 - Deserto de Gobi - 1.300.000 km2.

Quando pregou em nossa Igreja em 2016, o Rabino Yehuda Hockmann introduziu o sermão afirmando: "A passagem pelo deserto é uma etapa inicial na nossa liberação espiritual, onde poderemos enfrentar desafios se sabemos aceitar a preparação que Deus nos dá nesse trajeto. Cada um de nós deve passar pelo seu deserto pessoal, enfrentando os momentos difíceis que com certeza chegarão, superando a tentação de voltar a uma escravidão cômoda e tranquila, porém vazia de conteúdo".

Qual é o tamanho do seu deserto?


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

O deserto de cada um de nós - I

Em Números 1:1-3, lemos: “O Senhor falou a Moisés na Tenda do Encontro, no deserto do Sinai, no primeiro dia do segundo mês do segundo ano, depois que os israelitas saíram do Egito. Ele disse: Façam um recenseamento de toda a comunidade de Israel, pelos seus clãs e famílias, alistando todos os homens, um a um, pelo nome. Você e Arão contarão todos os homens que possam servir no exército, de vinte anos para cima, organizados segundo as suas divisões”.

Números é um daqueles livros que apresentam para a leitura uma resistência logo de início. Também pudera. O nome do livro é inapropriado e só passou a ter essa nomenclatura a partir da Septuaginta, versão da Bíblia hebraica traduzida para o grego. Originalmente, seu nome era “No deserto”. Outro nome sugerido é “Ele falou”, referindo-se a Deus.

O livro de Números é riquíssimo e apresenta extraordinárias riquezas desfrutadas pelo povo de Israel. Há riquezas no deserto.

Figuradamente, deserto pode ser o desemprego, uma traição, a frieza no relacionamento, uma enfermidade grave. Que deserto você está enfrentando hoje?

Vamos aprender caminhando pelo deserto?

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

O pão de queijo e o pão da vida

Por Neemias Lima

O voo era de Orlando para o Rio com escala em Brasília. Viagem tranquila com algumas boas horas de sono. A aterrissagem na capital federal seria antes das sete da manhã, oito e meia o destino era a cidade maravilhosa, dez horas pousava, meio-dia e meia estaria em casa, descansaria e dezesseis horas um casamento de jovens ovelhas.

Tudo muito bem planejado. Mas, e a vida tem sempre um mas, aeronave quase tocando na pista, decolagem abortada. Comissária de bordo: o comandante decidiu por segurança em função da pista molhada, vamos pousar em Goiânia. Reabastecimento. Espera na aeronave, mais de uma hora depois, retorno a Brasília. E começou a frenética maratona.

A chuva em Brasília impediu outros voos de pousarem e decolarem no horário, aeroporto cheio, acomodação em outros horários, um frisson daqueles. No check-in, meu horário programado para 16 horas. E o casamento? Argumentação com a atendente, por sinal muito atenciosa, alteração para meio-dia. Tem que sair correndo, o embarque vai encerrar em breve, advertiu a atenta funcionária do guichê, coisa rara.

Corro, corro, corro, chego, ouço o apelo de funcionária do embarque: “Tenho três ofertas de R$ 1.000,00 (hum mil reais) para quem desejar viajar às 16h”. Que oferta para esperar apenas três horas! Nem pensar, tem o casamento. Um interessado indaga: “Tem almoço?”. Ouve: “Sim, inclui almoço e lanche!”. Lembrei-me que a última refeição fora a escassa janta do longo trajeto inicial. 

Fome e sede. Entro na aeronave, na saudação, peço um copo d’água. Sento-me. Cadeira central. Na janela, um jovem. No corredor, uma jovem. Respiro lentamente. Relaxo. Percebo que os dois trocam palavras. Ofereço à jovem a oportunidade de trocar de lugar, mas ela recusa. Não se sente bem próximo da janela. Pensei: 50 centímetros apenas. Argumento que não ofereci ao jovem, presumindo que sua preferência era a janela. E era.

Perguntei para onde iriam. Cidade maravilhosa. Casamento de amigo. Coincidência o casamento, não a viagem, eles iam, eu voltava. Falei da maratona e, agora mais íntimo, revelei minha fome avassaladora. A jovem de prontidão: “Eu tenho pão de queijo aqui, quer?”. Sou meio reservado a aceitar imediatamente de gente não íntima, mas a fome nem me deu tempo de pensar e respondeu por mim: “Ah, seria muito bom!”. Elegantemente, peguei um. Ela orientou para pegar outro. Peguei mais dois. Comi lentamente, iludindo a fome. Relaxo novamente. Vem o lanche. Graças a Deus. Meu estômago saltitou. Decepção. Água, suco artificial, café e biscoitinho, aqueles salgadinhos, pacote pequeno, dois. Argumento com o funcionário se não tinha lanche mais substancial, estava viajando mais de 15 horas com apenas uma leve janta. Nada pode fazer. Então, suplico-lhe mais pacotinhos de biscoito, acrescenta três. Recolhem o material. Relaxo de novo. Minha companheira de viagem me lembra que tem mais pão de queijo já com o pacote aberto, devoro mais uns três. Agora deu.

Por elegância, pergunto seu nome. Cristiane. Significa “de Cristo, seguidora de Cristo, ungida”. A associação é imediata: Cristiane, pão de queijo, Cristo, pão da vida. Vagamente se lembrava que seu nome tinha significado importante, reforcei e realcei que sua atitude revelava ser de Cristo. O nome do jovem é Acyr.

Pão de queijo é um dos alimentos preferidos meus. Alimenta o corpo, faz bem ao paladar, renova a energia. Pão da Vida alimenta a alma, faz bem ao paladar, renova o espírito.

Cristiane supriu minha fome, mas tive fome mais tarde. Cristo supre a fome para sempre. Ele mesmo garantiu: “Eu sou o pão da vida; o que vem a mim jamais terá fome” - João 6.35.

Minha fome era apenas um pequeno intervalo. Tem gente que passa fome permanentemente. O pão da vida disse: “tive fome física e vocês me deram de comer”. Estupefatos, perguntaram: “quando te vimos com fome e te demos de comer?”. O pão da vida respondeu: “quando fizeram a um desses pequeninos!”. Jesus disse “eu tive fome”, não “eles tiveram fome”. Isso diz algo para você? Que sejamos cristianes na vida dessas pessoas.

Ah, tá curioso sobre o casamento? Cheguei um pouco atrasado, mas consegui participar de praticamente tudo. E comi muito na recepção. 

*Pastor da Igreja Batista no Braga em Cabo Frio