domingo, 9 de agosto de 2026

Pai, abrace e beije seus filhos. Filhos, abracem e beijem seu pai.

Pr. Neemias Lima

Sou do tempo em que pai beijar filho era raro. Quando muito, beijava-se a filha. Abraço era um pouco mais presente, mesmo assim meio seco. Um menino sentia-se constrangido se fosse beijado por outro homem, mesmo que fosse pai. Lembro-me que meu pai era meio rude e essa forma de carinho, quase inexistente. Veja bem, essa forma de carinho, pois era carinhoso. Mais idoso, passou a praticar o carinho.

Os tempos mudaram e é comum pais e filhos se abraçarem e beijarem, mesmo quando a idade destes alcança a maturidade. Que experiência agradável é beijar meu filho de trinta e quatro anos. E minha filha também, mais nova três anos (é deselegante dizer a idade, rsrsrsrsrsrs).

Conheci um jovem cristão que, mesmo contando vinte e cinco anos, nunca tinha recebido um abraço de seu pai. Sentia falta disso e, por um milagre, não tinha se revoltado, buscando formas agressivas de revelar sua dor. Um exemplo para jovens que desejam justificar a ausência de carinho dos pais com atitudes pecaminosas. Um conselho: sofram a dor, apresentem-na a Deus, casem-se e, quando tiverem filhos, aja de modo diferente e não perca a esperança de mudança de seu pai.

Em visita a uma prisão há quinze anos, vi vários abraços: de um idoso na esposa, num filho, numa amiga e dois netos. De um adulto na esposa que, longamente, conversaram sem trocar palavra. Jovem de cor parda recebe uma caravana de sete e os abraços da irmã, do amigo, do irmão, da tia, de duas primas e da namorada, que tem duração e sentimento diferentes. Jovem escuro recebe seis e os abraços são afetuosos. Jovem de cor branca recebe uma visita, da mamãe. Saem para um cantinho, sentam-se num banquinho, ela no colo dele, e que cena bonita, apesar da prisão. A mão acaricia o rosto pra lá e pra cá de um e de outro. E o abraço é banhado por lágrimas que rolam rosto abaixo.

Ao sair dali, a cena dos abraços não me sai da cabeça. Cada abraço era diferente do outro. Mas todos eram demorados, celebrados, curtidos, festejados e chorados. Por ironia, quando cheguei à casa, recebo caloroso abraço de minha filha, gratuitamente, como faz constantemente. Abraçou-me, beijou-me, falou nos meus ouvidos uma série de coisas e me lembrei dos abraços que há pouco presenciara. Seu abraço tornou-se de mais valor.

Um provérbio conhecido décadas atrás orientava: abrace seu filho antes que um traficante faça por você. Embora tenha seu valor, é muito pouco. Abrace-o, abrace-a por amor, por relacionamento, porque faz bem, estreita laços, aumenta a autoestima. 

A parábola do filho pródigo tem um clímax: “E, levantando-se, foi para seu pai; e, quando ainda estava longe, viu-o seu pai, e se moveu de íntima compaixão e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou” - Lucas 15.20. Lançar-se ao pescoço é abraçar. E mais: o beijou.

Penso em Deus como o Deus do abraço. A cruz sugere, segundo alguns, isso, pois, ao estar de braços abertos, Jesus anunciava: quero abraçar você. Hoje o abraço de Jesus pode acontecer na sua vida.

Pai, abrace e beije seus filhos. Filhos, abracem e beijem seu pai.

Tudo é vaidade - 09

Eclesiastes 2.10 revela a falta de sobriedade do homem mais sábio da história: “Tudo aquilo que os meus olhos desejaram eu não lhes neguei, nem privei o meu coração de alegria alguma, pois eu me alegrava com todas as minhas fadigas, e isso era a recompensa por todas elas”.

Salomão era guiado por seus olhos. Ele não nega que “tudo que seus olhos desejaram ele atendeu”. Atitude assim coloca risco qualquer caminhada de sucesso. É bom lembrar que o adultério de seu pai com Betesebá começou com um olhar. E Jesus não deixou de prevenir: “Os olhos são a lâmpada do corpo. Se os seus olhos forem bons, todo o seu corpo será cheio de luz; se, porém, os seus olhos forem maus, todo o seu corpo estará em trevas. Portanto, se a luz que existe em você são trevas, que grandes trevas serão!” - Mateus 6.22-23.

Salomão acrescenta que não privou seu coração de alegria alguma. Não é pecado buscar a alegria, mas ela precisa atender as motivações corretas e critérios éticos aprovados pelo Senhor.

Cuidado com seus olhos e com seu coração, sem Deus, eles são maldição.

sábado, 8 de agosto de 2026

Tudo é vaidade - 08

Salomão descobre uma saída nada aconselhável. Eclesiastes 2.3 revela: “Resolvi no meu coração entregar-me ao vinho, sem deixar de me guiar pela sabedoria e de me apoderar da loucura, até descobrir o que de bom os filhos dos homens poderiam fazer debaixo do céu, durante os poucos dias da sua vida”.

Ele buscou refúgio na bebida. É bom lembrar que o vinho era parte integrante da cultura local, mas o cuidado com o uso era fortemente orientado. O próprio Salomão orientou sobre o perigo de seu uso desordenado: “O vinho é zombador e a bebida forte causa alvoroço; todo aquele que é vencido por eles não é sábio” - Provérbios 20.1.

A atitude de Salomão em se refugiar na bebida revela uma fuga para não encarar a realidade da aridez de sua vida. Sua vida estava vazia, sua alma se apresentava sedenta, seu espírito revelava angústia e seu corpo mostrava-se fraco.

Sempre que o ser humano estiver vazio de Deus, o inimigo apresentará robusto material para preencher sua alma. O prazer aparece, mas é temporário e as dores da alma aparecerão rapidamente. Preencher o vazio da alma sem Deus é correr atrás do vento.

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Tudo é vaidade - 07

Eclesiastes 2.1-2 registra: “Eu disse a mim mesmo: Vamos! Prove a alegria; procure ser feliz. Mas também isso era vaidade. Concluí que o riso é tolice e que a alegria não serve para nada”.

Em sua tresloucada crise, Salomão insiste no seu “eu” como centro da vida e das reflexões e conclui que o riso é tolice e a alegria para nada serve. Ele que, provavelmente, escrevera em Provérbios 15.13 “o coração alegre aformoseia o rosto”, agora não encontra qualquer benefício na alegria. Provavelmente, o que o Pregador desconhecia era que a alegria externa é consequência da alegria interna. Seu coração estava doente. E coração doente gera doença no corpo. É o que se chama de doença psicossomática ou, contemporaneamente, somatização, uma enfermidade na alma se manifestando no corpo.

A alegria não será adquirida com habilidades e recursos humanos, mas a partir de uma experiência de entrega da vida a Deus e o prazer em servir ao semelhante. Sempre que o nosso “eu” estiver no centro das ações, Deus e o próximo serão destronados em nossa alma.

E não há tristeza maior do que destronar Deus e o próximo de nossa vida!

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Tudo é vaidade - 06

Há uma atitude em Salomão que nem sempre é destacada como uma das possíveis causas de sua derrocada. Preste atenção no verso dezesseis do capítulo primeiro: “Eu disse a mim mesmo: Eu me tornei importante e superei em sabedoria todos os que governaram em Jerusalém antes de mim. O meu coração tem tido larga experiência da sabedoria e do conhecimento”. 

Reflita sobre a preponderância do eu: “Eu disse a mim mesmo, eu me tornei importante, eu superei em sabedoria todos, o meu coração tem tido larga experiência da sabedoria e do conhecimento”. Não sugere a evocação do eu como agente de seu sucesso? E onde fica Deus que o contemplou com tudo isso?

Preste atenção: toda vez que nos gabarmos, ainda que interna e sutilmente, de nosso sucesso, como se fôssemos os protagonistas do processo, experimentamos o despenhamento, despencamos da montanha do sucesso que experimentamos. O verso dezessete, mais uma vez, Salomão admite: “descobri que também isto é correr atrás do vento”.

Sepulte o eu que deseja assumir o trono de sua vida, ele é um péssimo rei, isso é vaidade!

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Tudo é vaidade - 05

Negar que Salomão estava muito pra baixo quando escreveu Eclesiastes é desatenção extrema.

Acompanhe uma pequena sequência de argumentos de sua mente:

1º - “Dediquei-me a investigar e a me informar com sabedoria a respeito de tudo o que se faz debaixo do céu. Que enfadonho trabalho Deus impôs aos filhos dos homens, para com ele os afligir!” - Eclesiastes 1.13. Entendeu?: Deus tem prazer em afligir os seres humanos.

2º - “Vi todas as obras que se fazem debaixo do sol, e eis que tudo é vaidade e correr atrás do vento” - Eclesiastes 1.14. Percebe a generalização? Todas as obras que se fazem debaixo do sol, tudo vão. É como correr atrás do vento.

3º - “Aquilo que é torto não pode ser endireitado; e o que falta não pode ser contado” - Eclesiastes 1.15. Embora se argumente que Salomão não sugeria um fatalismo, mas a impossibilidade do ser humano consertar o que está errado, pelo contexto, ele não acreditava em mudança de quadro.

Você já se sentiu assim? Lembre-se: “tudo vale a pena quando a alma não é pequena” - Fernando Pessoa. Nada é em vão, Deus faz tudo valer a pena!

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Tudo é vaidade - 04

A derrocada de Salomão é tão profunda que o deixa incapacitado de ver a beleza da vida. Para ele, a experiência da vida é uma tela em preto e branco, não há colorido, não há cores embelezando o cenário.

Para ele, a vida é um enfado. No verso 8º do capítulo 1º, ele declara: “Todas as coisas são canseiras tais, que ninguém as pode exprimir; os olhos não se fartam de ver, nem os ouvidos se enchem de ouvir”.

Sua percepção do mundo é que tudo se repete numa falta de criatividade impressionante. Veja o que diz o verso 9 do capítulo 1: “O que foi é o que há de ser; e o que se fez, isso se tornará a fazer; não há nada de novo debaixo do sol”.

Sua crise é tão intensa que ele insiste: “Será que existe alguma coisa de que se possa dizer: Veja! Isto é novo!? Não! Já existiu em tempos passados, muito antes de nós” - Eclesiastes 1.10.

A quebra no relacionamento com Deus gera um coração petrificado e uma mente destruída a ponto de não perceber a mão de Deus colorindo cada dia de forma inédita. Tudo é alegria e tudo é novo quando o foco da vida é Deus!

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Tudo é vaidade - 03

Após uma breve introdução, Eclesiastes apresenta a primeira de muitas perguntas presentes no livro. Salomão questiona: “Que proveito alguém tem de todo o seu trabalho, com que se afadiga debaixo do sol?” - Eclesiastes 1.3.

Usando outras palavras, é como se o Pregador provocasse: vale a pena trabalhar? Vale a pena suar a camisa num trabalho honesto se, no final, tudo fica do mesmo jeito? Que diferença há entre o trabalhador incansável e o persistente preguiçoso?

Veja a sutileza da provocação: o trabalho foi criado por Deus para que o homem honradamente pudesse sobreviver. Antes da entrada do pecado no mundo, o trabalho era totalmente prazeroso. Com a queda, ele passou a ser doloroso. Mas o trabalho dignifica, dá prazer e promove o bem. Duvidar dessa proposta pode levar a pessoa a produzir seu sustento através de atividades desonestas, por isso crescem as apostas nas bets e o envolvimento com a corrupção. Não se deve esquecer que trabalhar com desleixo e empurrar com a barriga são formas de desonrar a dignidade do trabalho.

Vale a pena trabalhar, no Senhor, nosso trabalho não é vão!

domingo, 2 de agosto de 2026

Tudo é vaidade - 02

Ao ler Eclesiastes e compará-lo com outros livros, o leitor é provocado a uma pertinente reflexão: vale a pena viver? A vida vale a pena? Não resolvendo de maneira prática essa aparente contradição, muitos o veem como um livro deprimente, pessimista, fatalista, materialista, inútil, fútil, irrelevante e desprezível.

Calma, vá devagar, não se precipite, como diz o Chapolin Colorado, “não priemos cânico”. Espere o final do livro. O que o Pregador, no caso, Salomão, quer ensinar é que a vida sem Deus é vazia, é passageira. Na poesia “Folha Seca”, Jair Pires destacou: “Eu comparo a vida do homem sem Deus / Como uma folha seca caída no chão / Que vai para onde o vento levar / Tudo é tristeza, tudo é solidão / Seu viver é triste, tão cheio de dor / Seus dias turbados, sem consolação / Assim é a vida do homem sem Deus / É uma folha seca caída no chão”.

A rigor, todos os homens são como folha seca. O que diferencia uns dos outros é a relação com Deus pela fé em Cristo. É isso que Salomão quer ensinar.

Você vive com a consciência de que nada somos, por isso, precisamos de Deus?

sábado, 1 de agosto de 2026

Tudo é vaidade - 01

Em Eclesiastes 1.1-2, lemos: “Palavras do Pregador, filho de Davi, rei de Jerusalém. Vaidade de vaidades, diz o Pregador. Vaidade de vaidades! Tudo é vaidade”.

A autoria de Eclesiastes é atribuída a Salomão, no texto identificado como “Pregador”. A palavra hebraica que nomeou o livro é “Qoheleth”, significando “Pregador ou Mestre ou um orador público que dirige uma assembleia”. Há dúvidas se “Qoheleth” é um nome pessoal, um pseudônimo ou título de um ofício. “Qoheleth” aparece sete vezes em Eclesiastes e não aparece em nenhum outro livro do Antigo Testamento.

A Septuaginta, tradução do hebraico para o grego, cunhou o nome do livro como Eclesiastes, que vem de “ekklesía”, uma assembleia, um grupo chamado de fora.

Para muitos, Eclesiastes é um livro pesado, depressivo, pra baixo, mas não podemos negar seus preciosos ensinos. Uma tradição rabínica defende que Salomão escreveu três livros: Cântico dos Cânticos, quando experimentava o vigor da juventude com a libido nas nuvens. Provérbios, em sua fase adulta e de sábio empreendedor. Eclesiastes, no final da vida em sua fase depressiva.

O objetivo do livro é mostrar que tudo é passageiro. Você se lembra disso?

sexta-feira, 31 de julho de 2026

José do Egito, um sonhador - Conclusão

A dramática história está fechando seu ciclo. Jacó e os seus filhos foram amparados por José. Jacó está morto. E a vida seguirá seu curso com o perdão de José.

Três ensinos práticos devem nortear nossas ações:

1º - Não basta sonhar, é preciso agir. Sonhar não é garantia de sucesso. É preciso agir. Entre o sonho e a realização existe uma longa estrada que, muitas vezes, se apresenta muito acidentada.

2º - Quem vê resultado, não vê processo. É comum exaltarmos quem desenvolve grandes projetos e, quase sempre, argumentamos ter sorte, ter recebido ajuda e até se utilizado de meios não muito republicanos. Nem sempre nos damos conta das dores, dissabores, problemas, dilemas e tensões envolvidos no percurso.

3º - Não é o que fizeram com você, é o que você fará com o que fizerem com você. Durante a caminhada, podemos sofrer ataques, injustiças, provocações e perseguições, mas o que determinará nosso sucesso é como reagimos às situações.

José é um exemplo, soube agir, interagir e reagir. E aí, você tem sonhos? Você sabe com clareza quais são? Então, mãos à obra!

quinta-feira, 30 de julho de 2026

José do Egito, um sonhador - XXX

“Vendo os irmãos de José que seu pai já era morto, disseram: É possível que José tenha ódio de nós; certamente nos retribuirá todo o mal que lhe fizemos” - Gênesis 50.15. 

Jacó descansou e o fato trouxe preocupação aos irmãos de José. Pensavam assim: agora José irá a forra. Depois de tantos anos e vendo o agir de Deus na história de José, ainda assim seus irmãos não aprenderam, inventaram uma mentira. Atribuíram a Jacó uma orientação que não se tem informação sobre ela, e mandaram dizer a José: “O seu pai, antes de morrer, ordenou o seguinte: perdoe, por favor, a transgressão dos seus irmãos e o pecado que cometeram, porque eles lhe fizeram mal” - Gênesis 50.16-17.

Os próprios irmãos confirmam o pedido e se humilham diante de José, que toma algumas atitudes:

1ª - Chora. É sensível.

2ª - Encoraja-os, dizendo “não tenham medo”.

3ª - Sabe de seu lugar ao dizer “estou no lugar de Deus”?

4ª - Revela que Deus está no controle, ele transformou o mal deles em bem.

5ª - Mostra compaixão. Eu sustentarei vocês e seus filhos.

Quem tem realmente sonhos não fica de picuinhas e revanchismo com quem o fez sofrer.

quarta-feira, 29 de julho de 2026

José do Egito, um sonhador - XXIX

Que reencontro extraordinário! Alguns destaques no texto revelam que José se preparou para aquele momento especial! Suas reações desde o primeiro encontro sinalizam uma espécie de revanche, fazendo-os se sentirem fragilizados e com medo, mas, paulatinamente, foi digerindo e permitindo que o amor divino norteasse todo o enredo.

José aconselha: “não fiquem tristes nem irritados contra vocês mesmos por terem me vendido para cá”. Ele não nega o maldoso evento que eles provocaram, mas garbosamente argumenta: “porque foi para a preservação da vida que Deus me enviou adiante de vocês”. 

José tem claramente em sua mente a direção de Deus: “Não foram vocês que me enviaram para cá, e sim Deus, que fez de mim como que um pai de Faraó, e senhor de toda a sua casa, e como governador em toda a terra do Egito” - Gênesis 45.8.

Destaca Gênesis 45.15 que “José beijou todos os seus irmãos e chorou, abraçado com eles”. Por fim, orienta a buscar o pai e cuida carinhosamente de todos eles. Quem sonha grandes sonhos e tem sólidos alvos, retribui com o bem o mal que recebem.

terça-feira, 28 de julho de 2026

José do Egito, um sonhador - XXVIII

Depois de intenso diálogo entre José e seus irmãos, sem que eles o reconhecessem, idas e vindas entre o Egito e Canaã, José se apresenta a eles. O evento é o clímax de suspense altamente emocional e a revelação que José não conseguiu mais se conter. Assim, toma algumas atitudes:

1ª - José ordena que todos saiam de sua presença, exceto seus irmãos. Eles que tempos atrás não queria a presença de José, agora José quer ficar com eles em secreto.

2ª - José chora copiosamente. Sua intensidade é tão grande que os egípcios o  ouviam e a casa de Faraó também.

3ª - José revela quem é. Gênesis 45.3 registra: “E disse a seus irmãos: Eu sou José. Meu pai ainda está vivo?”.

4ª - José ordena mais uma vez: “E José disse aos seus irmãos: Agora cheguem perto de mim” - Gênesis 45.4. Ele não queria apenas a presença, queria estar pertinho, sentir o cheiro de irmão, ativar a memória afetiva.

Seus irmãos estão espantados, não sabem o que fazer. José sabia. E trata os seus algozes com compaixão e graça. Os verdadeiros sonhadores não provocam pesadelo na vida de quem lhes fez o mal.

segunda-feira, 27 de julho de 2026

José do Egito, um sonhador - XXVII

A partir do primeiro encontro com José, seus irmãos vivem um drama que nenhuma sensibilidade é capaz de imaginar e nenhum habilidoso poeta é capaz de registrar como estavam reagindo. 

O texto bíblico sinaliza a tensão: “Então disseram entre si: Na verdade, estamos sendo castigados por causa de nosso irmão, pois vimos a angústia de sua alma, quando nos pedia, e não lhe demos ouvidos; por isso, nos sobrevém agora esta ansiedade. Rúben respondeu-lhes: Não é verdade que eu disse: ‘Não pequem contra o jovem’? Mas vocês não quiseram me ouvir. Pois agora estão vendo que o sangue dele está sendo requerido de nós” - Gênesis 42.21-22.

O irônico de tudo é que José entendia toda a conversa deles e eles não sabiam. Embora alguns vejam sarcasmo e sadismo em José, provocando aquelas reações com suas atitudes, Gênesis 42.24 revela a sensibilidade de José: “E, retirando-se deles, José chorou”.

Nenhuma maldade e nenhum sofrimento são capazes de tirar a sensibilidade dos sonhadores. Quem sonha é sensível, principalmente com a dor do outro. Não existe sonho quando se torce pelo mal do outro.

domingo, 26 de julho de 2026

José do Egito, um sonhador - XXVI

Está se aproximando o momento do primeiro encontro dos assassinos de sonhos com o jovem sonhador. Os irmãos se reencontrarão. Benjamim, o mais novo, não está entre eles, pois Jacó queria preservá-lo de possível problema e perda, afinal, pensava Jacó, é o único filho com a amada Raquel, que falecera no parto.

Eles se reencontram. José reconhece seus irmãos, mas eles não o reconhecem. Possíveis razões para isso: em sua mente, José estava morto ou era um escravo em algum lugar e a indumentária de José o descaracterizava, suas roupas eram de governante importante.

O verso 6 do capítulo 42 apresenta no final uma realidade ao mesmo tempo humilhante e celebrativa. Diz o texto: “Os irmãos de José vieram e se prostraram com o rosto em terra, diante dele”. Humilhante para os 10 e celebrativa para José. Imagino como estava a mente de José. O verso 9 esclarece: “Então José se lembrou dos sonhos que teve a respeito deles”.

Alguém disse: “O mundo não gira, ele capota, se você o trata como um jogo, amanhã ele ensinará como se jo⁠ga”. 

Cuidado com suas ações hoje. Quem sonha grande, semeia muito hoje!!

sábado, 25 de julho de 2026

José do Egito, um sonhador - XXV

O capítulo 41 de Gênesis encerra com a triste informação que a fome chegou em todo o mundo. Os sonhos do jovem sonhador José começaram a ser cumpridos.

A primeira ação do Faraó ao ouvir o clamor do povo pedindo pão foi: “Vão falar com José e façam o que ele disser” - Gênesis 41.55.

O capítulo 42 inicia com uma bombástica informação: “Quando Jacó soube que havia mantimento no Egito, disse a seus filhos: Por que vocês estão aí olhando uns para os outros? E acrescentou: Ouvi dizer que há cereais no Egito. Vão até lá e comprem cereais, para que vivamos e não morramos. Então dez dos irmãos de José foram, para comprar cereal do Egito” - Gênesis 42.1-3.

Lembra-se do capítulo 37 que narra o início do drama de José? Ele estava com 17 anos e seu pai o mandou ir ao encontro dos irmãos para ver como estavam. Agora, 13 anos depois, Jacó manda os filhos ao Egito e não imaginava que encontrariam José. E nem os irmãos imaginavam também.

Quando alguém de seus relacionamentos sonhar com grandes propósitos, não tente assassinar seus sonhos, pode ser que anos depois vocês se reencontrem.

sexta-feira, 24 de julho de 2026

José do Egito, um sonhador - XXIV

O jovem sonhador José está agora no centro das decisões do poderoso Egito, apenas o Faraó está acima dele em termos humanos, considerando que o próprio rei se submetia às suas orientações.

O período de sete anos de fartura tem início. Gênesis 41.47 registra: “Nos sete anos de fartura a terra produziu com abundância”. Habilidosamente, “José ajuntou todo o mantimento que houve na terra do Egito durante os sete anos e o guardou nas cidades; o mantimento do campo ao redor de cada cidade foi guardado na mesma cidade” - Gênesis 41.48.

Um fato importante acontece antes da chegada da fome: José e sua esposa Asenate recebem dois filhos. O primeiro recebeu o nome de Manassés com a seguinte dedicação: "Deus me fez esquecer todo o meu trabalho e toda a casa de meu pai". O segundo recebeu o nome de Efraim: "Deus me fez próspero na terra da minha aflição".

Mesmo mandatário de todo o Egito, José não se esqueceu do autor de todo o processo, Deus, e não guardava mágoa em seu coração.

Os verdadeiros sonhadores não se esquecem de Deus quando os sonhos são realizados e não permitem mágoa no coração.

quinta-feira, 23 de julho de 2026

José do Egito, um sonhador - XXIII

“Então Faraó perguntou aos seus oficiais: Será que poderíamos achar alguém melhor do que José, um homem em quem está o Espírito de Deus?” - Gênesis 4.38.

A estrada aparentemente intransitável recebe a última etapa de pavimentação na realização dos sonhos do pacato jovem hebreu. O jovem sonhador é elevado à condição de vice-rei do Egito, acima dele, só o Faraó.

Pr. Hernandes Dias Lopes destacou que a nomeação de Faraó tem 7 fatos importantes:

1º - Faraó destaca as qualificações de José - Gênesis 41.37-39. 

2º - Faraó confere poder a José - Gênesis 41.40-41. 

3º - Faraó dá os símbolos de poder a José - Gênesis 41.42.

4º - Faraó apresenta José em público - Gênesis 41.43.

5º - Faraó estabelece os limites de poder de José - Gênesis 41.44.

6º - Faraó dá um novo nome a José - Gênesis 41.45.

7º - Faraó dá a José uma esposa - Gênesis 41-45-46.

Quem concedeu tudo isso a José foi o Faraó? Não. Ele era instrumento de Deus na concretização do projeto. Tenha consciência de algo: nenhum de seus sonhos será realizado por alguém limitado como você, todas as pessoas envolvidas serão instrumentos de Deus.

quarta-feira, 22 de julho de 2026

José do Egito, um sonhador - XXII

José ainda acrescenta a Faraó: “Faraó devia fazer isto: pôr administradores sobre a terra e recolher a quinta parte dos frutos da terra do Egito nos sete anos de fartura. Esses administradores deviam ajuntar toda a colheita dos bons anos que virão, recolher cereal por ordem de Faraó, para mantimento nas cidades, e guardá-lo em armazéns. Assim, o mantimento servirá para abastecer a terra nos sete anos da fome que haverá no Egito, para que a terra não seja destruída pela fome” - Gênesis 41.34-36.

Eu imagino o poderoso Faraó diante de um jovem sonhador ouvindo suas orientações. Como diz a cultura popular, deveria estar de boca aberta.

O que poucos realçam da dramática e empolgante história de José é que, embora Deus dirigisse tudo, José estava preparado para aquele desafio. Há grande diferença entre estar preparado ou começar a se preparar quando surgir a oportunidade. A oportunidade escapa quando não estamos preparados para ela.

Quais são os seus sonhos? Eles parecem impossíveis? Você está se preparando para o tempo em que eles surgirem?