sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Myrtes Matias: "Se queres dar-me uma flor, dá-me antes que eu morra".


Myrtes Matias foi uma poetisa muito badalada no cenário evangélico, principalmente Batista, nas décadas de 60,70, 80. Descansou em 1996.

O poema “Agora” é muito apropriado para hoje.


Se queres dar-me uma flor;
Dá-me antes que eu morra.

Se podes hoje fazer o milagre
De um sorriso num rosto que chora,
Não coloques flores sobre tumbas;
Se queres dar-me uma flor, faze-o agora.

Se podes dar um lar ao órfãozinho,
Abrigo ao pobre que geme lá fora,
Não encolhas a mão - Deus está vendo;
Se podes dar-me uma flor, faze-o agora.

Se conheces o Eterno Caminho
Que leva ao templo onde a alegria mora,
Não guardes, egoísta, o teu segredo;
Se podes dar-me uma flor, faze-o agora.

Se podes dizer uma frase linda
Algo que faça a tristeza ir embora,
Dize-a enquanto posso agradecer sorrindo;
Se podes dar-me uma flor, faze-o agora.

O que farei das orações, das flores
Quando do mundo eu já não mais for?
Aos pés de Deus eu as terei tão lindas
Que não precisarei do teu amor.

Não esperes o instante da partida:
Se podes me fazer feliz, faze-me agora.
Para que chorar de remorso e saudade?
Custa tão pouco a felicidade:
Dá-me uma flor antes que eu vá embora.

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Pr. Carlos Novaes: "A Reforma abriu as portas para a modernidade e deixou bem claro que uma coisa é a igreja institucional e outra é o evangelho".

DIA DA REFORMA PROSTESTANTE

De modo geral, podemos afirmar que são duas as principais contribuições da Reforma Protestante para a civilização ocidental.
Em primeiro lugar, a Reforma abriu as portas para a modernidade.
Os três princípios reformados — da autoridade das Escrituras (em contraste com o dogmatismo confessional), da salvação pela graça (em oposição ao sacramentalismo eclesiástico) e do sacerdócio universal dos crentes (contra a mediação da hierarquia clerical) — transpuseram as fronteiras da tutela da igreja e reforçaram a dimensão do relacionamento pessoal com Deus.
Além disso, o reformador Martinho Lutero defendia o livre exame das Escrituras. E quando perguntavam a ele se não era perigoso permitir que as pessoas lessem livremente as Escrituras, se o livre acesso do povo aos textos bíblicos não implicava no grave risco do surgimento de heresias e da multiplicação de interpretações errôneas, Lutero respondia: “Sim, há esse risco. Mas é melhor o risco de muitas interpretações diferentes, e de algumas até equivocadas, do que todos serem submetidos a uma única interpretação oficial.” Essa postura franqueou a trilha para todos os outros desdobramentos da modernidade, desde o Iluminismo até o conceito de liberdade religiosa.
Convém notar também que a mesma resposta de Lutero, com referência ao livre exame das Escrituras, pode ser aplicada à política e ao sistema democrático. Sempre é melhor a liberdade de pensamento, bem como o livre debate ou a livre expressão de ideias, do que submeter o povo a um estilo autoritário de governo e poder, ainda que se apresente com discursos de combate pela moralidade e defesa da religiosidade.

A segunda contribuição da Reforma foi deixar bem claro que uma coisa é a igreja institucional e outra é o evangelho. Lembremos que Jesus Cristo nunca fundou uma igreja institucional. Tanto que, pela informação dos evangelhos, Ele nem mesmo batizava seus seguidores. Os apóstolos é que batizavam. Então, Jesus Cristo nunca fundou uma igreja institucional. O que Ele fundou foi um conceito de igreja.
As igrejas institucionais que se aproximam desse conceito, e reproduzem os ensinos do evangelho, são igrejas de Jesus. As que se afastam desse conceito, e abandonam os ensinos do evangelho, não o são.
Em outras palavras, é possível encontrar dentro da igreja institucional pessoas que não tenham a menor ideia do que seja o evangelho, como acontecia na igreja medieval. Na cabeça dos reformadores se estabelecia essa nítida separação entre a fé institucionalizada e a autêntica fé na graça divina anunciada pelo evangelho.
Foi por isso que a Reforma aconteceu.

* Carlos César Peff Novaes é pastor da Igreja Batista de Barão da Taquara, no Rio de Janeiro, é Mestre em Teologia e Professor do Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil.

Reforma Protestante

 Hoje é o dia em que a Reforma Protestante completa 501 anos. O mais lembrado do evento é a figura de Lutero afixando as noventa e cinco teses na porta da Catedral de Wittenberg, na Alemanha, e os cinco “solas” (palavra latina que significa somente).

Destaco hoje o “Somente a Escritura”. A Bíblia é destacada como fonte de autoridade para todos os assuntos. O mundo é lido a partir da leitura da Bíblia e não a Escritura é lida a partir do cenário apresentado pelo mundo. Nela, temos o ensino necessário para a salvação do pecado e é o padrão pelo qual todo comportamento cristão deve ser avaliado.

O acesso à Palavra de Deus, privilégio apenas para um seleto grupo, é popularizado e todos terão oportunidade de examiná-la. Um equívoco que não se pode negar é que a liberdade de exame foi acompanhada pela liberdade de interpretação, o que não era intenção.

Passados 501 anos, ainda há cristão com a seguinte atitude em relação à Palavra do Senhor: “tô contigo e não abro”. Outros, “tô contigo, abro, mas não leio”. E ainda, “tô contigo, abro, leio, mas não pratico”.

Somente a Escritura não deve ser apenas uma declaração histórica, mas uma profissão de fé, pois a Palavra de Deus é viva e eficaz.

Minha Esperança - Final

Charles de Gaulle, o francês que, injustamente, é acusado da autoria da frase “o Brasil não é um país sério, declarou: “O fim da esperança é o começo da morte”. Ele está certo. Quando se vai a esperança se aproxima a estrada da morte.
Embora nossa esperança esteja no Senhor, sendo Ele a fonte, há estradas que pavimentamos com atitudes que nos conduzirão para nos alimentarmos dela.
A estrada do trabalho árduo. Esperar sem empreender esforço para alcançar o alvo é insanidade.
A estrada da perseverança. Esperar e desistir dos ideais e do servir ao próximo é imaturidade.
A estrada da avaliação permanente. Esperar algo absurdo, tudo bem, mas impossível, é infantilidade. Albert Einstein acreditava que “se, a princípio, a ideia não é absurda, então não há esperança para ela”.
Um pensamento judaico intrigante: “É bom ter esperança, mas é ruim depender dela”.
Uma palavra inspirada confortante: “Bom é ter esperança, e aguardar em silêncio a salvação do Senhor” - Lamentações 3.26.
Lute pelo Brasil. Ore pelo presidente, pelos governadores, senadores e deputados eleitos, mas assente sua esperança em Deus.


segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Minha Esperança - I

Passado o frisson das eleições no Brasil, cada um dos brasileiros vai experimentar dia a dia a leitura da realidade que, espera-se, não tenha sido perdida nos ânimos acirrados e na empolgação da defesa de seu candidato. Independentemente de ter votado em “A” ou “B”, o pão para chegar à sua mesa, mercê da bondade de Deus, dependerá de trabalho e suor.

É fato que governos mais justos que combatam a corrupção pavimentarão essa realidade. Mas não se deve assentar a esperança em homens, por mais bem-intencionados que sejam.

A poesia “Minha Esperança”, interpretada em canção pelo Projeto Vida Nova de Irajá, é muito oportuna para este momento:

Minha esperança está no Senhor
Desde agora e para sempre
Minha esperança está no Senhor
Só no Senhor

Eu me entrego na presença do Senhor
O que conhece o começo e o fim
O vendaval diante d’Ele se acalmou
Ele morreu por nós
Por você e por mim

Sua misericórdia vem no amanhecer
Para encontrar aquele que se arrependeu
Traz o perdão, liberta o coração
E quem nele confiar, a paz encontrará

A minha esperança está no Senhor.

Lute pelo Brasil. Ore pelo presidente, pelos governadores, senadores e deputados eleitos, mas assente sua esperança em Deus.

domingo, 28 de outubro de 2018

Três motivações


            Votaremos hoje para presidente e, em vários estados, para governador.
            O voto do cristão tem o mesmo peso/valor do voto do não cristão. Como representante de Cristo, o cristão tem maior responsabilidade. I Coríntios 10.31, “quer comam, quer bebam, ou façam qualquer outra coisa (votar está incluído), façam tudo para a glória de Deus”.
Três motivações devem orientar a ação:

1ª - Gratidão por morar num país democrático. Agradeça a Deus o fato de poder escolher livremente os governantes de nosso país.

2ª - Confiança na vontade soberana do Senhor. Descanse no comando absoluto do Senhor. Nossa atitude de “quietude diante d’Ele é por sabermos que Ele é o Senhor” - Salmo 46.10.

3ª - Consciência livre para exercer o direito/dever. O voto da pessoa mais pobre tem o mesmo peso do voto da pessoa mais rica, o da mais culta e da menos culta. Vote livremente.

            A partir de amanhã, tudo voltará ao normal. Tensões e brigas entre familiares e amigos, espera-se, serão esquecidas. Triste saber que amizades foram arranhadas, relacionamentos rompidos e testemunhos desonrosos tornados públicos.
É hora de arrependimento e súplica ao Senhor para que o nosso país encontre os caminhos de submissão ao Senhor e de prática de justiça social.

sábado, 27 de outubro de 2018

Ponte de ferro


Ainda na pré-adolescência vendia cocadas pelas ruas empoeiradas da amada Cardoso Moreira. Segundo minha mãe, eu sugeri a atividade para ajudar no orçamento da casa, em tempos difíceis. Nas lembranças dela, disse: “Mãe, a senhora faz cocada tão gostosa, faça para eu vender para as pessoas”.

Certo dia, depois de andar aproximadamente dez quilômetros, estava do outro lado do Rio Muriaé, praticamente em frente à nossa casa. Três eram as possibilidades: fazer todo o caminho de volta, atravessar a nado ou caminhar uns quinhentos metros e atravessar uma ponte de ferro e em poucos minutos chegaria à casa. Optei por esta.

Ao chegar à ponte e dar os primeiros passos, o espaço entre os vãos me causou temor e descobri o medo de altura. Mais tarde, aprendi que é acrofobia.

Tive vontade de me arrastar, mas não tive coragem. A saída foi retornar e fazer todo o percurso de volta, que fora aumentado com a ida até à ponte.

Há poucos dias, parei o carro, atravessei de um lado para o outro e ainda fiz um filme para marcar.

Não desista de seu desafio, mesmo que o vença quarenta anos depois.

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Caindo em si - X

Cair em si é reconhecer que erramos ao tomar algumas decisões.
Cair em si é arrepender-nos dos erros e fracassos sem tentativa de rodeios.
Cair em si é esperar que as consequências da desobediência se tornem realidade e não tentarmos negociar com Deus.
Cair em si é praticar quando tudo estiver bem o que decidimos quando tudo estava mal. 
Cair em si é assumir que a culpa de nosso fracasso é tão somente nossa e que em nada o outro contribuiu.
Cair em si é estar disposto a fazer o caminho de volta com outra atitude.
Cair em si é se humilhar diante daqueles que ferimos com nossa presunção e ter a humildade de encará-los com o nosso arrependimento.
Cair em si é reconhecer que precisamos de reorientação e que o outro é decisivo para esta nova fase.
Cair em si é estar preparado para receber frieza dos que não entenderam ainda o nosso arrependimento, pois a decepção que causamos foi grande.
Cair em si é se dispor a pagar o alto preço de nosso retorno às práticas antigas que revelam nosso relacionamento com o pai.

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Caindo em si - IX


O irmão mais velho da parábola, o que ficou em casa, é o tipo certinho. Cumpre os deveres estabelecidos pela cultura e torna-se exemplo para os demais.

No entanto, seu verdadeiro caráter só se revela quando vê graça sendo derramada sobre os outros. Ao receber a notícia que a festa surpresa era motivada pela volta do irmão, fecha-se em si, no seu orgulho, na sua presunção, no seu egoísmo e decide não entrar para participar da comemoração.

É injusto com o pai, que vai ao seu encontro para demovê-lo da decisão, mente ao informar que nada recebera em toda a vida - a herança fora repartida com ele também, e vomita sua hipócrita santidade, afirmando nunca ter transgredido um mandamento do pai.

O pai, o mesmo pai amoroso com o filho que saiu de casa e voltou, expressa também seu amor a ele: “Tu sempre estás comigo e tudo o que é meu, é teu”.

Como foi o final do irmão mais velho? Ninguém sabe. A parábola é encerrada com ele do lado de fora da festa. Quem não se dispõe a cair em si, além de ficar fora da festa, tem um final que só Deus sabe.

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Caindo em si - VIII


Ao cair em si e voltar para casa, o filho arrependido conhece verdadeiramente o caráter do pai. Sua decisão era para se tornar um trabalhador comum da casa. O pai o coroa com as prerrogativas de filho: o protege com vestido novo, o eleva com sandálias nos pés e o dignifica com anel no dedo.

Vestido novo é símbolo da proteção e da aparência, distinguindo-o dos pobres e escravos que usavam roupa velha.

Sandálias nos pés simboliza sua filiação, os escravos andavam descalço, ele era filho. O anel no dedo é símbolo de autoridade, os monarcas usavam anel para oficializar documentos.

O caráter do Pai não muda por causa da desobediência do filho. A teologia que apresenta o Pai como um ser vingador não me é muito bem-vinda. Ele tem sempre as mãos estendidas. Ao sofrer e morrer na cruz, seus braços estavam abertos, simbolizando que deseja abraçar a todos.

O filho é surpreendido com a misericórdia e graça do pai. Ele não merecia, mas o pai oferece gratuitamente.

Ao cair em si, arrependendo-se do erro, reorientando-se com o pai e pagando o preço, o filho experimentou o amor do pai que nunca percebera.

Caindo em si - VIII



Ao cair em si e voltar para casa, o filho arrependido conhece verdadeiramente o caráter do pai. Sua decisão era para se tornar um trabalhador comum da casa. O pai o coroa com as prerrogativas de filho: o protege com vestido novo, o eleva com sandálias nos pés e o dignifica com anel no dedo.

Vestido novo é símbolo da proteção e da aparência, distinguindo-o dos pobres e escravos que usavam roupa velha.

Sandálias nos pés simboliza sua filiação, os escravos andavam descalço, ele era filho. O anel no dedo é símbolo de autoridade, os monarcas usavam anel para oficializar documentos.

O caráter do Pai não muda por causa da desobediência do filho. A teologia que apresenta o Pai como um ser vingador não me é muito bem-vinda. Ele tem sempre as mãos estendidas. Ao sofrer e morrer na cruz, seus braços estavam abertos, simbolizando que deseja abraçar a todos.

O filho é surpreendido com a misericórdia e graça do pai. Ele não merecia, mas o pai oferece gratuitamente.

Ao cair em si, arrependendo-se do erro, reorientando-se com o pai e pagando o preço, o filho experimentou o amor do pai que nunca percebera.

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Caindo em si - VII

Durante muito tempo li a parábola com a informação de dois filhos presentes, o mais novo e o mais velho, o que saiu e o que ficou em casa. Recentemente, um pregador ensinou que são três filhos: o mais novo, o mais velho e o que conta a história, o Filho de Deus.

A partir de então, desenvolvi a ideia que são quatro filhos: o mais novo, o mais velho, o Filho de Deus e eu. Também estou na parábola. Você também está. E temos um pouco do filho mais novo e u, pouco do filho mais velho. Só que surgiu outro filho. Numa célula nos lares, foi lembrado que o filho mais novo ao voltar para casa não era o mesmo filho, era uma nova criatura. Faz sentido. Assim temos: o filho mais novo quando sai de casa, o filho mais velho, o Filho que conta a história, eu e o filho mais novo quando volta para casa.

Pouco ou nenhum valor tem se as experiências dolorosas da desobediência não produzirem em nós uma pessoa melhor. Não é a dor que muda a pessoa, mas sua atitude diante da dor. Precisamos voltar diferentes, uma nova pessoa.

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Caindo em si - VI


Assumir a rejeição do mecanismo chamado projeção e experimentar nova orientação para a vida podem parecer romântico demais para quem se afundou no lamaçal da desobediência. Então, eis a terceira sinalização: “Pagar o preço”. E preço alto.

O preço pago para o retorno à casa do pai foi muito grande. Imagine-o tendo que voltar e, diante do pai, assumir: “Pai, eu pequei contra ti”. Como encarar o irmão mais velho que continuava firme no seu lugar de filho? E os amigos que o viram sair pomposo, rico, e, agora, volta humilhado e pobre, sujo e rasgado? E ele se dispõe a isso. Entre o desejo apresentado longe de casa e a chegada ao lar nada mudou, ele, literalmente, verbaliza para o pai o conteúdo imaginado.

Alguns experimentam a dor da desobediência, até rejeitam a projeção e experimentam reorientação para a vida, mas não assumem pagar o preço. O arrependimento não anula as consequências da desobediência. É possível que elas permaneçam por muito tempo, ainda que perdoado pelo pai. 

Cair em si é estar disposto a pagar o preço da volta, do arrependimento.

Caindo em si - V


A primeira sinalização de seu arrependimento verdadeiro foi rejeitar o mecanismo de defesa chamado projeção. A segunda é uma nítida reorientação para a vida.

No meio da crise, arrependido, ele diz: “Vou me levantar e irei ter com meu Pai”. Aqui, não é o Pai que está em destaque, mas o filho que se lembra do Pai como referência de vida. Sua desobediência o levou a ficar desnorteado, quer dizer, sem norte. Agora, ele tem norte. O norte é a casa do Pai.

Meu amigo e ovelha Olímpio, comandante de aeronave, me disse que, ao estar no espaço com falha nos instrumentos de vôo, a saída é ver os pontos devidamente orientados para um pouso, quase sempre exigindo que se eleve mais para ter melhor visão.

O caminho da desobediência, a estrada do afastamento do Pai traz como consequência a desorientação. A experiência sincera de cair em si abre uma via expressa de reorientação. E esta está no Pai. “Vou me levantar e irei ter com meu Pai” foi a decisão do jovem.

Caso a desorientação insista em bater à porta de sua vida, caia em si e volte-se para o Pai.

Caindo em si - IV


O cair em si é muito mais do que uma decepção com a situação enfrentada. É uma atitude de arrependimento verdadeiro. Quando o cair em si é apenas uma tristeza superficial pelas motivações do sofrimento dura pouco. Decisão tomada no meio do temporal tende a ser esquecida hora da bonança.

Com este jovem não foi assim. E três sinalizações confirmam isso. A primeira é sua rejeição ao mecanismo de defesa chamado projeção. Os estudos sobre mecanismos remontam ao final do século XIX e início do século XX, mas sua companhia com o ser humano é desde o Éden.

O jovem rejeita e assume: “Pai, eu pequei contra o céu e perante ti e eu não sou digno de ser chamado teu filho”.

Sua atitude não sugere lançar a culpa sobre os outros. Ele poderia argumentar com o pai: eu saí de casa porque o Senhor sempre deu mais atenção ao meu irmão, fui influenciado por um professor na escola, fui enganado pelos meus amigos e perdi tudo e coisas desse tipo. Não, nada disso. Ele assume: eu pequei.

Cair em si é trilhar a estrada da culpa assumida, sem lançá-la sobre os outros.

Caindo em si - III


Na casa do pai há proteção. Mas não é na casa de qualquer pai, é na casa de meu Pai.

Aquele moço, com motivações erradas, desejou abandonar a companhia do pai. E seu desejo foi concretizado com a decisão de sair de casa. Mas ele não conseguiu desfazer os laços da paternidade. Nenhuma decisão, nenhuma rebeldia, nenhuma desobediência, nenhuma atitude é capaz de anular a paternidade.

Ao ser lançado nas profundezas do sofrimento, o filho se lembra da casa de seu pai. Ele tem referência.

Aquele pai estava em sua casa esperando. Aguardava ansiosamente pela volta do filho. Um pormenor na Parábola é muito sugestivo: seu pai o viu de longe. Não foi o filho que viu o pai de longe, mas este viu àquele. Isso tem um nome: AMOR.

De Bertrand Russell, temos: “Os nossos pais nos amam porque somos seus filhos, é um fato inalterável. Nos momentos de sucesso, isso pode parecer irrelevante, mas nas ocasiões de fracasso, oferecem um consolo e uma segurança que não se encontram em qualquer outro lugar”.

O nosso Pai - Deus - nos ama porque ele é AMOR.

Caindo em si - II


No meio daquele turbilhão de problemas, aquele temporal violento, furacão destruidor, tsunami devastador, o jovem toma uma decisão: “Vou me levantar e irei para a casa de meu pai”.

Uma luta, um problema, uma aflição tende a prostrar a pessoa. Ainda que ela tenha recursos financeiros em reserva, seu organismo apresente todas as taxas boas e sua casa esteja em ordem, lá dentro, bem no íntimo, no mais recôndito do ser, há um vazio, uma angústia, uma dor que só a pessoa experimenta. Mesmo silenciosa, sua alma grita, seu coração sangra e pensamentos passeiam e se cruzam em sua mente na velocidade da luz. Sua primeira defesa é se prostrar, se contorcer, procurar uma posição em que a dor seja menor.

Ficar prostrado não resolve o problema. Mas como levantar, se não se tem forças? É verdade, é muito difícil. Mas não impossível!

Em nosso Pequeno Grupo, o irmão Edilson indagou: “Pode-se dizer que este cair em si dele era provocado pelo Espírito Santo atuando sem sua vida?”. Respondi que sim.

Tá aí a saída. Sozinho, você não consegue. Peça poder ao Espírito Santo e levante-se para ir ter com o Pai.

Caindo em si - I


Depois de ferir o pai com o pedido antecipado da herança, sair pelo mundo e, desordenadamente, gastar todos os recursos, o filho mais novo da parábola, tradicionalmente, chamada de Filho Pródigo, experimenta necessidades e o sofrimento invade sua vida sem pedir licença.

Além de não ter recursos para as despesas pessoais, sem companhia de amigos, humilhado no serviço de cuidar de porcos que, para o judeu, era uma ofensa, a ausência da casa paterna, com seu aconchego e proteção, toma conta de suas lembranças e ele experimenta arrependimento. É marcante o registro de Lucas 15.17: “Então, caindo em si...”. No texto da Bíblia A Mensagem registra desta forma: “Isso o fez cair na realidade”.

As aflições trazem em si um resultado pedagógico: a pessoa experimenta claramente a sua realidade. Realidade da limitação, da insignificância, da impotência. Vida tranquila tende a projetar a pessoa, tornando-a presunçosa, enquanto problemas oportunizam cair em si.

Por que esperar uma luta para experimentar a verdadeira realidade?  Você precisa agora “cair em si?”.

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Um pós 1º turno negativo


Passado o primeiro turno das eleições, os evangélicos saem com mais perda do que ganho. É possível que sinalizarão a votação expressiva de vários evangélicos e, quem sabe, até do aumento da famosa e achincalhada “bancada evangélica” na Câmara e no Senado. Mas não falo nessa perspectiva.

Falo da proliferação e compartilhamento em massa de fake news de todos os lados. É triste receber mensagens falsas de cristãos com grande experiência cristã. Fake News é um nome pomposo, politicamente correto, para mentira. E mentira é do diabo.

Falo de exageros para defender o candidato de sua preferência. Ver cristãos com o polegar e o indicador apontados para frente, sinalizando o desejo de matar, ainda que de brincadeira, nesse contexto, é deplorável. Foi divulgado que em determinado culto dezenas de fiéis posaram para uma foto com tal postura.

Falo de cristãos que assumiram o dom da profecia como no Velho Testamento e anunciaram com entusiasmo o candidato e partido de Deus, como se Deus tivesse candidato e partido preferidos, num discurso que ouço desde minha juventude.

Falo de cristãos que ofenderam sem piedade pessoas, proclamaram a mensagem da honestidade contra políticos corruptos em nível nacional, mas sempre andaram de mãos dadas com os corruptos de sua cidade e, alguns, se beneficiando disso.

Que teria a dizer os não cristãos que presenciaram isso tudo? Que avaliação faria Deus de seus filhos amados?

“Quer comam, quer bebam, ou façam qualquer outra coisa - inclui eleições no Brasil - façam tudo para a glória de Deus” - I Coríntios 10.31.

terça-feira, 2 de outubro de 2018

Vencendo as batalhas da vida - I



“No mundo, terão aflições, mas tenham bom ânimo, eu venci o mundo” - parte final de João 16.33.

Estas são palavras de Jesus que fazem parte de seus últimos momentos com os discípulos. Didaticamente falando, estava encerrando seu último sermão a eles e o conteúdo, em síntese, é: vocês não ficarão sozinhos, enviarei o Espírito Santo, que estará em vocês para sempre.

A parte inicial do verso registra assim: “Tenho lhes dito estas coisas para que em mim tenham paz”.

É possível ter paz em Jesus no meio da tempestade. É possível ter equilíbrio em Jesus ao enfrentar uma turbulência. É possível ter direção em Jesus na experiência de um mundo desgovernado. É possível descansar em Jesus num mundo agitado e impiedoso. É possível ter segurança em Jesus no epicentro do terremoto da insegurança.

Em todas as quartas-feiras de outubro, acontecerá em nossa Igreja, às 19h 29min, a série Vencendo as batalhas da Vida. O endereço é: Rua Omar Fontoura, 117 - Braga - em frente ao Centro de Marcação de Consultas. O primeiro foco será “Vencendo a batalha da Ansiedade”, com a Psicóloga Raquel Lima.