sábado, 7 de maio de 2016

Quem não se lembra?

Zilanda Valentim, nas décadas 70 e 80, gravou a música “Mãe”. A letra destaca:

“Eu me lembro ainda em criança, mãe a me ensinar, 
Que Deus era grande e amava a mim! 
Hoje eu canto, sou de Jesus, graças a minha mãe. 
Eu louvo a Deus, por minha mãe!
Mãe, mamãe, quando pequeno por mim a olhar
Nome mais doce não existe, foi Deus que assim quis
Mãe, mãe, dádiva de Deus, concedida a mim”.
Uma parte era declamada:
“Mãe, hoje é seu dia, por isso quero vê-la mui feliz
Talvez a senhora nem se lembre mais
De quando pequeno me ensinava que Jesus me amava.
Mãe, de coração, muito obrigado pelo que fez por mim!
Que Deus a recompense!”.

Embora seja da categoria de humanos, a mãe, na relação com os filhos, parece ser meio divina. Ainda que tenhamos grandes diferenças no que cremos, Agatha Christie foi muito feliz ao afirmar: “O amor de mãe por seu filho é diferente de qualquer outra coisa no mundo. Ele não obedece à lei ou piedade, ele ousa todas as coisas e extermina sem remorso tudo o que ficar em seu caminho”. Júlio Dantas, mais objetivo, confirma: “Pode secar-se, num coração de mulher, a seiva de todos os amores; nunca se extinguirá a do amor materno”.

Mãe não deveria ser substantivo. Nem adjetivo. Nenhuma classe gramatical. Deveria ser inclassificável. Ou então, uma interjeição.
Quem não se lembra daquele sorriso encorajador? Do rosto sério na hora da bronca? Daquela mão dócil acariciando? Do abraço caloroso no momento da dor? Daquele canto suave na hora de dormir? Daquela coragem de guerreira diante do perigo? Da solidariedade em repartir o pouco que administrava?

Quem não se lembra?

*Foto de Noemy Ferreira Lima, minha mãe, há três anos descansa no Senhor.

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