Por Neemias Lima*
No momento em que os amantes do esporte estavam ganhando confiança na melhor performance da seleção brasileira, vem o golpe: eliminação para a Noruega com o pior desempenho da história em termos de posse de bola. E não venham com síndrome de Alzheimer, ninguém acreditava e todos os mais entendidos um pouco sabiam que o período preparatório de nosso selecionado foi complicado com cinco técnicos de 2022 para cá. E o atual técnico está há um ano no comando, apenas 12 partidas antes da Copa para amistosos e jogos das eliminatórias e pouquíssimo tempo juntos. A título de comparação, o técnico da França está no comando há 14 anos.
Outro destaque é que, embora a posse de bola tenha sido um fiasco, na partida contra a Noruega não fomos tão mal assim. E não se deve esquecer a perda de 7 jogadores potencialmente titulares pouco antes e durante a Copa.
Com base nesses parcos fatos, que lições podemos aprender como cristãos com a eliminação do Brasil?
1ª - A cultura imediatista precisa ser sepultada. Tudo para os brasileiros tem que ser agora. É esquecido que uma floresta, diferentemente de uma horta, leva tempo para ser formada. Nada consistente e duradouro se constrói em pouco tempo.
2ª - A tendência de procurar um culpado nas derrotas ou um salvador da pátria nas vitórias tem que ser descartada. Essa mania tem produzido um esquecimento das virtudes apresentadas e resultados obtidos a partir de um erro ou superestimado um e outro em detrimento de outros.
3ª - A valorização do individualismo precisa ser vencida. Quando se ganha, logo aparece um nome como herói e assim Pelé em 1958, 1962 e 1970, Romário em 1994 e Ronaldo Fenômeno em 2022 são os mais, ou únicos, lembrados. Quando se perde, o mesmo ocorre, sempre se culpa um ou alguns. Esquece-se de que se trata de um conjunto e todos cooperam para a derrota ou para a vitória.
4ª - O reconhecimento pelo mérito do outro pode ser incentivado. Quase sempre quem nos vence é mais fraco, incapaz, não tem tradição, em suma, somos os melhores. Atitudes assim revelam a soberba que reina em nosso interior. O outro também tem méritos, se esforça, se prepara, se dedica e vai conseguir resultados também. Uma saudável reação é aprender com o outro o caminho da vitória.
É sempre bom lembrar que, de 23 edições da Copa, ganhamos 5 e, até 2030, nenhuma seleção terá o mesmo número que nós. Isso é para ser exaltado. Acrescente o fato que apenas 8 seleções ganharam pelo menos uma Copa, e as outras dezenas, o máximo que conseguiram foi o vice-campeonato que, para nós, é o primeiro dos últimos.
O melhor caminho que trilhamos é renascer a cultura do médio e longo prazo, nada de imediatismo, não culpar ou exaltar um ou outro por possíveis fracassos ou acachapantes vitórias, reacender a chama do trabalho em equipe (ninguém faz nada sozinho) e reconhecer os méritos do outro e aprender com ele.
O apóstolo Paulo, embora não falasse de futebol, foi cirúrgico: “Vocês não sabem que todos os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Corram de tal maneira que ganhem o prêmio!” - I Coríntios 9.24.
Ah, e não perca a esperança, faltam apenas 1.473 dias para o nosso hexa!
* Pastor da Igreja Batista do Braga em Cabo Frio.

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