sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Tudo é vaidade - 21

No capítulo oitavo de Eclesiastes, Salomão apresenta várias observações sobre a vida. Alguns lampejos de sobriedade são percebidos no meio de tanta limitação e depressão.

Nos versos doze e treze, lemos: “Ainda que o pecador faça o mal cem vezes, e a vida dele se prolongue, eu sei, com certeza, que tudo correrá bem para os que temem a Deus. Mas nada correrá bem para o ímpio, e ele não prolongará os seus dias; será como a sombra, visto que não teme a Deus”.

O verso quinze registra: “Por isso exalto a alegria, porque para o ser humano não há nada melhor debaixo do sol do que comer, beber e alegrar-se; pois isso o acompanhará no seu trabalho nos dias da vida que Deus lhe dá debaixo do sol”.

Assim registram os versos dezesseis e dezessete: “Quando me dediquei a conhecer a sabedoria e a ver o trabalho que há sobre a terra, contemplei toda a obra de Deus e vi que o ser humano não pode compreender a obra que se faz debaixo do sol; por mais que se esforce para a descobrir, não a entenderá”.

Ainda que no ápice de sua crise, Salomão tem momentos de lucidez. Abençoada lucidez!

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Tudo é vaidade - 20

Salomão reforça a argumentação sobre o luto com a afirmação “o coração dos sábios está na casa do luto, mas o dos insensatos, na casa da alegria” - Eclesiastes 7.4, e elenca outras comparações curiosas, algumas sensatas e outras não, como se vê.

“Melhor é a mágoa do que o riso, porque com a tristeza do rosto se melhora o coração” - Eclesiastes 7.3.

“Melhor é ouvir a repreensão do sábio do que ouvir a canção dos tolos” - Eclesiastes 7.5.

“Melhor é o fim das coisas do que o seu princípio; a paciência é melhor do que a arrogância” - Eclesiastes 7.8.

A vida é recheada de experiências melhores e piores. Elas podem ser melhores e piores se comparadas a outras e teremos que evitar as piores, quando pudermos, e pedir sabedoria divina para distingui-las.

O que precisamos ter consciência é que todas as experiências podem contribuir para o nosso bem pela ação divina e que elas são causadas por nós, como Salomão concluiu no verso vinte e novo do capítulo sétimo: “O que descobri é tão somente isto: que Deus fez o ser humano reto, mas ele se meteu em muitos problemas”.

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Tudo é vaidade - 19

Vamos à terceira comparação de Salomão: “Melhor é ir à casa onde há luto do que ir à casa onde há banquete, pois naquela se vê o fim de todas as pessoas; e que os vivos o tomem em consideração” - Eclesiastes 7.2.

Para mim, aqui está uma espécie de ápice do quadro depressivo que Salomão enfrentava. Não vejo sentido em concluir que estar num lugar de morte seja melhor do que num lugar de vida. Pergunte a quem trabalha num hospital especializado em casos terminais e a quem trabalha numa maternidade. Onde há mais alegria?

Sim, eu sei que surge a espiritualização e a racionalização, como: a experiência da morte é pedagógica e podemos ver o fim de todos os homens. Isso é válido. Mas sejamos sinceros: aonde desejamos fazer uma visita: numa casa com recém-nascido ou com uma pessoa em estado terminal?

Aprender com as lições do luto não nos exige concluir que é melhor do que um banquete. Pudesse, nunca estaria num ambiente de luto e sempre estaria num ambiente de festa. Mas a queda trouxe a experiência dolorosa do luto e precisamos nos ombrear com os que choram. Fora isso, tô fora!

terça-feira, 18 de agosto de 2026

Tudo é vaidade - 18

A segunda comparação de Salomão é: “...e o dia da morte é melhor do que o dia do nascimento” - Eclesiastes 7.1b.

Da crônica “A maior verdade sobre a vida e a morte: uma Leitura de dar fôlego”, do Pr. Dr. Glauner da Silva Pereira, extraímos o fragmento: “Isto é uma filosofia da vida e da morte. Morrer é natural? As pessoas geralmente respondem que sim. E por que elas dizem que morrer é natural? Porque todos morrem. Então perguntamos: nós encaramos a morte com naturalidade? Nós a vemos com familiaridade? Aqui, as pessoas prontamente dizem que não - de jeito nenhum. Nós encaramos a morte com pavor. Temos aversão a ela - uma profunda aversão natural”.

Mais uma vez, o texto sugere que Salomão está num tempo de crise, tempo de decepção. Pergunte a uma família qual a sua preferência: estar numa funerária ou numa maternidade? O sofrimento com a perda é ampliado quando se trata de gente bem jovem e de forma inesperada.

Preparemo-nos para o dia da morte e celebremos o dia do nascimento. Não nascemos para morrer, mas para viver. E Deus preparou, em Cristo, um novo nascimento para nós.

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Tudo é vaidade - 17

No capítulo sétimo, Salomão abre uma sessão que poderia receber o nome de “melhor do que”. E apresenta várias comparações. A primeira delas aparece no primeiro verso: “A boa fama, ou o bom nome, é melhor do que um bom perfume”. 

Na língua hebraica, há um jogo de palavras aqui. A palavra “shem” é traduzida por “nome”. E a palavra “shemen” é traduzida por “unguento” ou “perfume”. Assim, um bom “shem”, nome” é melhor do que um bom “shemen”, "unguento" ou "perfume". 

Era comum no Oriente os homens investirem em bons perfumes para se tornarem mais agradáveis, socialmente mais aceitos e até mais desejados. Salomão, conhecedor e, muito provavelmente, praticante dessa cultura, lembra que mais importante do que ser cheiroso é ser bondoso, no sentido de ser bom, ser íntegro. Uma coisa não anula, necessariamente, a outra, podendo ser cheiroso e bondoso, melhor ainda. Mas um homem cheiroso por fora e fedido por dentro provoca muito mais prejuízo.

Muito cuidado em avaliar uma pessoa pela aparência do exterior, procure saber como é o cheiro de seu caráter, esse tem muito mais valor.

domingo, 16 de agosto de 2026

Tudo é vaidade - 16

“Todo trabalho do homem é para a sua boca; e, contudo, nunca se satisfaz o seu apetite” - Eclesiastes 6.7.

O ser humano é um eterno insatisfeito. O que era extremamente desejado por ele tem valor de satisfação por alguns meses, em muitos casos, alguns dias, e, em alguns casos, por algumas horas.

O carro zero tão desejado por anos e acariciado no início, logo depois é olhado com certa frieza e o desejo por outro modelo começa a ganhar o controle da mente. Assim é com a casa adquirida e, para tristeza, até os relacionamentos mais íntimos têm experimentado a volubilidade e a insatisfação.

No Salmo 23, o pai de Salomão, deu a senha: “O Senhor é o meu pastor, de nada eu sinto falta”. Você pode não ter tudo, mas você de nada sente falta porque o pastor preenche satisfatoriamente a sua vida. Não é a satisfação na terra que determinará a satisfação no céu, é a satisfação do céu que determinará a satisfação na terra. 

Deus é a fonte de toda satisfação. Satisfação plena somente n’Ele. O resto é correr atrás do vento, esforço em vão, é vaidade, não vale a pena.

sábado, 15 de agosto de 2026

Tudo é vaidade - 15

Salomão trata de um assunto mais tenso da vida: o dinheiro. Ele, em si, não é problema, mas os perigos de não administrar de maneira sábia.

Primeiro, o dinheiro não deve ser amado. “Quem ama o dinheiro jamais se fartará de dinheiro; e quem ama a abundância nunca ficará satisfeito com o que ganha. Também isto é vaidade” - Eclesiastes 5.10.

Segundo, o dinheiro atrai muita gente. “Onde os bens se multiplicam, também se multiplicam os que deles comem. E que proveito têm os donos, a não ser o de ver esses bens com os seus olhos?” - Eclesiastes 5.11.

Terceiro, o dinheiro pode prejudicar o sono. “Doce é o sono do trabalhador, quer coma pouco, quer muito; mas a fartura do rico não o deixa dormir” - Eclesiastes 5.12.

Quarto, o dinheiro pode gerar prejuízo. “Há um grave mal que vi debaixo do sol: as riquezas que os seus donos guardam para o seu próprio prejuízo” - Eclesiastes 5.13.

Quinto, mal administrado, a gerações futuras podem ficar sem dinheiro. “E, se essas riquezas se perdem num mau negócio, o filho que esse homem gerou ficará de mãos vazias” - Eclesiastes 5.14.

Cuidado, o dinheiro não é tudo. É vaidade.

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Tudo é vaidade - 14

“Quando você fizer algum voto a Deus, não demore a cumpri-lo, pois ele não se agrada de tolos. Cumpra o voto que você faz. Melhor é não fazer voto do que fazer e não cumprir” - Eclesiastes 5.4-5.

Que é um voto? Pr. Hernandes Dias Lopes destaca que “o voto é um compromisso firmado com Deus, na presença dele. É empenhar a palavra, garantindo que o que se prometeu será cumprido”. Ele registra que Michael Eaton destaca que “voto no antigo Israel era uma promessa feita a Deus, que poderia ser parte de uma oração suplicando bênçãos (Números 21.2), ou uma expressão espontânea de gratidão (Jonas 2.9). Poderia tomar a forma de uma promessa de lealdade (Gênesis 28.20-22), oferta alçada, espontânea (Levítico 22.18) ou dedicação de uma criança para tornar-se nazireu (I Samuel 1.11).

Eu me simpatizo com a ideia do voto a Deus. Não se trata de uma negociação. É um compromisso firmado com Ele. Mais do que o valor para Deus, tem o valor para o cristão em se desafiar e alcançar vitórias importantes.

Você votou algo alguma vez e deixou de cumprir? Quer refazer o seu voto e pedir graça para cumprir?

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Tudo é vaidade - 13

O quarto capítulo de Eclesiastes inicia com a tríplice visão que Salomão experimentou da vida. Diz assim: “Vi ainda todas as opressões praticadas debaixo do sol: vi as lágrimas dos que foram oprimidos, sem que ninguém os consolasse; vi a violência na mão dos opressores, sem que ninguém consolasse os oprimidos”.

A primeira visão é da opressão praticada. A segunda é das lágrimas dos oprimidos. E a terceira é a violência na mão dos opressores. Ele reforça o drama dos oprimidos com a dupla declaração “sem que ninguém os consolasse”. 

Diante da dramática visão, Salomão conclui que “mais felizes são os que já morreram, mais felizes do que os que ainda vivem”. E dramatiza ainda mais ao afirmar que “mais feliz do que uns e outros é aquela que ainda não nasceu e não viu as más obras que se fazem debaixo do sol”.

O quadro deprimente de Salomão desce ladeira, tudo é vaidade, realmente, viver não vale a pena, ser feliz é uma utopia, a caminhada é uma triste cena e a vida nada tem de alegria, tudo parece uma permanente alergia. Triste visão da vida, que é bela e boa.

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Tudo é vaidade - 12

A crise de Salomão se intensifica e ele faz uma comparação muito problemática, como registra Eclesiastes 3.19: “Porque o mesmo que acontece com os filhos dos homens acontece com os animais: como morre um, assim morre o outro. Todos têm o mesmo fôlego de vida, e o ser humano não tem nenhuma vantagem sobre os animais. Porque tudo é vaidade”.

Para Salomão, um homem e um cachorro estão na mesma categoria no relacionamento com Deus e com a vida. O verso vinte amplifica sua equivocada conclusão: “Todos vão para o mesmo lugar; todos procedem do pó e ao pó voltarão”.

Ninguém espera atitudes violentas e maus-tratos contra os animais, mas dar a eles maior atenção que ao ser humano é um equívoco. Deus criou os animais e cuida deles carinhosamente. Mas a coroa da criação é o ser humano e nele está a imagem e semelhança de Deus. A obra da salvação foi toda preparada para o ser humano e a promessa de vida eterna, a partir do sacrifício de Cristo, foi prometida ao homem.

Elevar o animal à condição de humano é um erro. E diminuir o homem à condição de um animal também.

terça-feira, 11 de agosto de 2026

Tudo é vaidade - 11

“Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu” - Eclesiastes 3.1.

Geraldo Vandré, na poesia “Pra não dizer que não falei das flores”, provoca: “Vem, vamos embora / Que esperar não é saber / Quem sabe faz a hora / Não espera acontecer”.

Somos tentados a acreditar que temos domínio sobre o tempo. É verdade que podemos administrá-lo melhor e com mais eficácia, mas nunca saberemos em que consiste essa administração e nem sua eficácia. Pode ser que a ociosidade em determinada circunstância seja melhor aproveitamento do tempo do que trabalhando incansavelmente. Quantos arrependimentos em função de não ter aproveitado melhor o tempo com atenção a alguém que se foi.

O conceito “não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje”, em muitos casos, poderá ser alterado para “não faça hoje o que você poderá fazer amanhã”.

Aproveite o tempo, mas não se esqueça de valorizar o verdadeiro dono do tempo. Pode ser que, quando menos esperarmos, ouçamos: chegou seu tempo de se encontrar comigo para dar conta de seu tempo.

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Tudo é vaidade - 10

É conhecido modernamente o acrônimo da competência profissional CHA: Conhecimento, Habilidade e Atitude. Segundo a proposta, o profissional precisa do saber, do saber fazer e do querer fazer. 

Não é estranho sugerir que Salomão propôs o mesmo aproximadamente mil anos antes de Cristo, como registra a primeira parte de Eclesiastes 2.21: “Porque uma pessoa pode fazer o seu trabalho com sabedoria, conhecimento e habilidade...”. Um problema é que Salomão, em sua decepcionante conclusão da vida, não via sentido nos resultados desse trabalho para as gerações futuras, conforme completa o pensamento no mesmo verso: “...mas deixará o seu ganho como herança a quem por ele não se esforçou. Também isto é vaidade e grande mal”.

É muita pobreza quando a filosofia de vida de alguém orbita em torno de sua própria existência. A nobreza reside em construir pensando nos que virão depois e encontrarão um mundo melhor.

E o mundo melhor não significa apenas herança material, mas atitudes que revelam mais humanidade e desejo de servir ao próximo. Há muitos que deixam herança e se esquecem de deixar vida.

domingo, 9 de agosto de 2026

Pai, abrace e beije seus filhos. Filhos, abracem e beijem seu pai.

Pr. Neemias Lima

Sou do tempo em que pai beijar filho era raro. Quando muito, beijava-se a filha. Abraço era um pouco mais presente, mesmo assim meio seco. Um menino sentia-se constrangido se fosse beijado por outro homem, mesmo que fosse pai. Lembro-me que meu pai era meio rude e essa forma de carinho, quase inexistente. Veja bem, essa forma de carinho, pois era carinhoso. Mais idoso, passou a praticar o carinho.

Os tempos mudaram e é comum pais e filhos se abraçarem e beijarem, mesmo quando a idade destes alcança a maturidade. Que experiência agradável é beijar meu filho de trinta e quatro anos. E minha filha também, mais nova três anos (é deselegante dizer a idade, rsrsrsrsrsrs).

Conheci um jovem cristão que, mesmo contando vinte e cinco anos, nunca tinha recebido um abraço de seu pai. Sentia falta disso e, por um milagre, não tinha se revoltado, buscando formas agressivas de revelar sua dor. Um exemplo para jovens que desejam justificar a ausência de carinho dos pais com atitudes pecaminosas. Um conselho: sofram a dor, apresentem-na a Deus, casem-se e, quando tiverem filhos, aja de modo diferente e não perca a esperança de mudança de seu pai.

Em visita a uma prisão há quinze anos, vi vários abraços: de um idoso na esposa, num filho, numa amiga e dois netos. De um adulto na esposa que, longamente, conversaram sem trocar palavra. Jovem de cor parda recebe uma caravana de sete e os abraços da irmã, do amigo, do irmão, da tia, de duas primas e da namorada, que tem duração e sentimento diferentes. Jovem escuro recebe seis e os abraços são afetuosos. Jovem de cor branca recebe uma visita, da mamãe. Saem para um cantinho, sentam-se num banquinho, ela no colo dele, e que cena bonita, apesar da prisão. A mão acaricia o rosto pra lá e pra cá de um e de outro. E o abraço é banhado por lágrimas que rolam rosto abaixo.

Ao sair dali, a cena dos abraços não me sai da cabeça. Cada abraço era diferente do outro. Mas todos eram demorados, celebrados, curtidos, festejados e chorados. Por ironia, quando cheguei à casa, recebo caloroso abraço de minha filha, gratuitamente, como faz constantemente. Abraçou-me, beijou-me, falou nos meus ouvidos uma série de coisas e me lembrei dos abraços que há pouco presenciara. Seu abraço tornou-se de mais valor.

Um provérbio conhecido décadas atrás orientava: abrace seu filho antes que um traficante faça por você. Embora tenha seu valor, é muito pouco. Abrace-o, abrace-a por amor, por relacionamento, porque faz bem, estreita laços, aumenta a autoestima. 

A parábola do filho pródigo tem um clímax: “E, levantando-se, foi para seu pai; e, quando ainda estava longe, viu-o seu pai, e se moveu de íntima compaixão e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou” - Lucas 15.20. Lançar-se ao pescoço é abraçar. E mais: o beijou.

Penso em Deus como o Deus do abraço. A cruz sugere, segundo alguns, isso, pois, ao estar de braços abertos, Jesus anunciava: quero abraçar você. Hoje o abraço de Jesus pode acontecer na sua vida.

Pai, abrace e beije seus filhos. Filhos, abracem e beijem seu pai.

Tudo é vaidade - 09

Eclesiastes 2.10 revela a falta de sobriedade do homem mais sábio da história: “Tudo aquilo que os meus olhos desejaram eu não lhes neguei, nem privei o meu coração de alegria alguma, pois eu me alegrava com todas as minhas fadigas, e isso era a recompensa por todas elas”.

Salomão era guiado por seus olhos. Ele não nega que “tudo que seus olhos desejaram ele atendeu”. Atitude assim coloca risco qualquer caminhada de sucesso. É bom lembrar que o adultério de seu pai com Betesebá começou com um olhar. E Jesus não deixou de prevenir: “Os olhos são a lâmpada do corpo. Se os seus olhos forem bons, todo o seu corpo será cheio de luz; se, porém, os seus olhos forem maus, todo o seu corpo estará em trevas. Portanto, se a luz que existe em você são trevas, que grandes trevas serão!” - Mateus 6.22-23.

Salomão acrescenta que não privou seu coração de alegria alguma. Não é pecado buscar a alegria, mas ela precisa atender as motivações corretas e critérios éticos aprovados pelo Senhor.

Cuidado com seus olhos e com seu coração, sem Deus, eles são maldição.

sábado, 8 de agosto de 2026

Tudo é vaidade - 08

Salomão descobre uma saída nada aconselhável. Eclesiastes 2.3 revela: “Resolvi no meu coração entregar-me ao vinho, sem deixar de me guiar pela sabedoria e de me apoderar da loucura, até descobrir o que de bom os filhos dos homens poderiam fazer debaixo do céu, durante os poucos dias da sua vida”.

Ele buscou refúgio na bebida. É bom lembrar que o vinho era parte integrante da cultura local, mas o cuidado com o uso era fortemente orientado. O próprio Salomão orientou sobre o perigo de seu uso desordenado: “O vinho é zombador e a bebida forte causa alvoroço; todo aquele que é vencido por eles não é sábio” - Provérbios 20.1.

A atitude de Salomão em se refugiar na bebida revela uma fuga para não encarar a realidade da aridez de sua vida. Sua vida estava vazia, sua alma se apresentava sedenta, seu espírito revelava angústia e seu corpo mostrava-se fraco.

Sempre que o ser humano estiver vazio de Deus, o inimigo apresentará robusto material para preencher sua alma. O prazer aparece, mas é temporário e as dores da alma aparecerão rapidamente. Preencher o vazio da alma sem Deus é correr atrás do vento.

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Tudo é vaidade - 07

Eclesiastes 2.1-2 registra: “Eu disse a mim mesmo: Vamos! Prove a alegria; procure ser feliz. Mas também isso era vaidade. Concluí que o riso é tolice e que a alegria não serve para nada”.

Em sua tresloucada crise, Salomão insiste no seu “eu” como centro da vida e das reflexões e conclui que o riso é tolice e a alegria para nada serve. Ele que, provavelmente, escrevera em Provérbios 15.13 “o coração alegre aformoseia o rosto”, agora não encontra qualquer benefício na alegria. Provavelmente, o que o Pregador desconhecia era que a alegria externa é consequência da alegria interna. Seu coração estava doente. E coração doente gera doença no corpo. É o que se chama de doença psicossomática ou, contemporaneamente, somatização, uma enfermidade na alma se manifestando no corpo.

A alegria não será adquirida com habilidades e recursos humanos, mas a partir de uma experiência de entrega da vida a Deus e o prazer em servir ao semelhante. Sempre que o nosso “eu” estiver no centro das ações, Deus e o próximo serão destronados em nossa alma.

E não há tristeza maior do que destronar Deus e o próximo de nossa vida!

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Tudo é vaidade - 06

Há uma atitude em Salomão que nem sempre é destacada como uma das possíveis causas de sua derrocada. Preste atenção no verso dezesseis do capítulo primeiro: “Eu disse a mim mesmo: Eu me tornei importante e superei em sabedoria todos os que governaram em Jerusalém antes de mim. O meu coração tem tido larga experiência da sabedoria e do conhecimento”. 

Reflita sobre a preponderância do eu: “Eu disse a mim mesmo, eu me tornei importante, eu superei em sabedoria todos, o meu coração tem tido larga experiência da sabedoria e do conhecimento”. Não sugere a evocação do eu como agente de seu sucesso? E onde fica Deus que o contemplou com tudo isso?

Preste atenção: toda vez que nos gabarmos, ainda que interna e sutilmente, de nosso sucesso, como se fôssemos os protagonistas do processo, experimentamos o despenhamento, despencamos da montanha do sucesso que experimentamos. O verso dezessete, mais uma vez, Salomão admite: “descobri que também isto é correr atrás do vento”.

Sepulte o eu que deseja assumir o trono de sua vida, ele é um péssimo rei, isso é vaidade!

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Tudo é vaidade - 05

Negar que Salomão estava muito pra baixo quando escreveu Eclesiastes é desatenção extrema.

Acompanhe uma pequena sequência de argumentos de sua mente:

1º - “Dediquei-me a investigar e a me informar com sabedoria a respeito de tudo o que se faz debaixo do céu. Que enfadonho trabalho Deus impôs aos filhos dos homens, para com ele os afligir!” - Eclesiastes 1.13. Entendeu?: Deus tem prazer em afligir os seres humanos.

2º - “Vi todas as obras que se fazem debaixo do sol, e eis que tudo é vaidade e correr atrás do vento” - Eclesiastes 1.14. Percebe a generalização? Todas as obras que se fazem debaixo do sol, tudo vão. É como correr atrás do vento.

3º - “Aquilo que é torto não pode ser endireitado; e o que falta não pode ser contado” - Eclesiastes 1.15. Embora se argumente que Salomão não sugeria um fatalismo, mas a impossibilidade do ser humano consertar o que está errado, pelo contexto, ele não acreditava em mudança de quadro.

Você já se sentiu assim? Lembre-se: “tudo vale a pena quando a alma não é pequena” - Fernando Pessoa. Nada é em vão, Deus faz tudo valer a pena!

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Tudo é vaidade - 04

A derrocada de Salomão é tão profunda que o deixa incapacitado de ver a beleza da vida. Para ele, a experiência da vida é uma tela em preto e branco, não há colorido, não há cores embelezando o cenário.

Para ele, a vida é um enfado. No verso 8º do capítulo 1º, ele declara: “Todas as coisas são canseiras tais, que ninguém as pode exprimir; os olhos não se fartam de ver, nem os ouvidos se enchem de ouvir”.

Sua percepção do mundo é que tudo se repete numa falta de criatividade impressionante. Veja o que diz o verso 9 do capítulo 1: “O que foi é o que há de ser; e o que se fez, isso se tornará a fazer; não há nada de novo debaixo do sol”.

Sua crise é tão intensa que ele insiste: “Será que existe alguma coisa de que se possa dizer: Veja! Isto é novo!? Não! Já existiu em tempos passados, muito antes de nós” - Eclesiastes 1.10.

A quebra no relacionamento com Deus gera um coração petrificado e uma mente destruída a ponto de não perceber a mão de Deus colorindo cada dia de forma inédita. Tudo é alegria e tudo é novo quando o foco da vida é Deus!

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Tudo é vaidade - 03

Após uma breve introdução, Eclesiastes apresenta a primeira de muitas perguntas presentes no livro. Salomão questiona: “Que proveito alguém tem de todo o seu trabalho, com que se afadiga debaixo do sol?” - Eclesiastes 1.3.

Usando outras palavras, é como se o Pregador provocasse: vale a pena trabalhar? Vale a pena suar a camisa num trabalho honesto se, no final, tudo fica do mesmo jeito? Que diferença há entre o trabalhador incansável e o persistente preguiçoso?

Veja a sutileza da provocação: o trabalho foi criado por Deus para que o homem honradamente pudesse sobreviver. Antes da entrada do pecado no mundo, o trabalho era totalmente prazeroso. Com a queda, ele passou a ser doloroso. Mas o trabalho dignifica, dá prazer e promove o bem. Duvidar dessa proposta pode levar a pessoa a produzir seu sustento através de atividades desonestas, por isso crescem as apostas nas bets e o envolvimento com a corrupção. Não se deve esquecer que trabalhar com desleixo e empurrar com a barriga são formas de desonrar a dignidade do trabalho.

Vale a pena trabalhar, no Senhor, nosso trabalho não é vão!

domingo, 2 de agosto de 2026

Tudo é vaidade - 02

Ao ler Eclesiastes e compará-lo com outros livros, o leitor é provocado a uma pertinente reflexão: vale a pena viver? A vida vale a pena? Não resolvendo de maneira prática essa aparente contradição, muitos o veem como um livro deprimente, pessimista, fatalista, materialista, inútil, fútil, irrelevante e desprezível.

Calma, vá devagar, não se precipite, como diz o Chapolin Colorado, “não priemos cânico”. Espere o final do livro. O que o Pregador, no caso, Salomão, quer ensinar é que a vida sem Deus é vazia, é passageira. Na poesia “Folha Seca”, Jair Pires destacou: “Eu comparo a vida do homem sem Deus / Como uma folha seca caída no chão / Que vai para onde o vento levar / Tudo é tristeza, tudo é solidão / Seu viver é triste, tão cheio de dor / Seus dias turbados, sem consolação / Assim é a vida do homem sem Deus / É uma folha seca caída no chão”.

A rigor, todos os homens são como folha seca. O que diferencia uns dos outros é a relação com Deus pela fé em Cristo. É isso que Salomão quer ensinar.

Você vive com a consciência de que nada somos, por isso, precisamos de Deus?

sábado, 1 de agosto de 2026

Tudo é vaidade - 01

Em Eclesiastes 1.1-2, lemos: “Palavras do Pregador, filho de Davi, rei de Jerusalém. Vaidade de vaidades, diz o Pregador. Vaidade de vaidades! Tudo é vaidade”.

A autoria de Eclesiastes é atribuída a Salomão, no texto identificado como “Pregador”. A palavra hebraica que nomeou o livro é “Qoheleth”, significando “Pregador ou Mestre ou um orador público que dirige uma assembleia”. Há dúvidas se “Qoheleth” é um nome pessoal, um pseudônimo ou título de um ofício. “Qoheleth” aparece sete vezes em Eclesiastes e não aparece em nenhum outro livro do Antigo Testamento.

A Septuaginta, tradução do hebraico para o grego, cunhou o nome do livro como Eclesiastes, que vem de “ekklesía”, uma assembleia, um grupo chamado de fora.

Para muitos, Eclesiastes é um livro pesado, depressivo, pra baixo, mas não podemos negar seus preciosos ensinos. Uma tradição rabínica defende que Salomão escreveu três livros: Cântico dos Cânticos, quando experimentava o vigor da juventude com a libido nas nuvens. Provérbios, em sua fase adulta e de sábio empreendedor. Eclesiastes, no final da vida em sua fase depressiva.

O objetivo do livro é mostrar que tudo é passageiro. Você se lembra disso?