Por Diogo Carvalho*

Com uma chuva fina, decidimos pedir permissão ao proprietário de uma lanchonete para nos instalarmos em duas mesas no interior de seu estabelecimento. Depois de barrados na primeira lanchonete, a segunda tentativa foi bem diferente: “Boa noite, nós somos um grupo de missionários do Rio de Janeiro. A música é uma coisa boa, mas esses jovens também precisam ouvir um pouco sobre a Palavra de Deus, concorda?” A dona do estabelecimento, que ficava ao lado da Casa do Rock, assentiu. “Então a senhora permitiria que nós ocupássemos duas mesas no fundo da varanda, sabendo que iremos desocupá-las tão logo a senhora faça questão?” Ela disse “Sem problemas”. Glória a Deus!
Ali, sentados às duas mesas, começamos a cantar de forma bem discreta e, em oração, a nos preparar para as abordagens pessoais. Em pouco tempo aparece o mesmo jovem que havia se aproximado, dizendo: “É música evangélica?... Eu gosto de música evangélica... Sou católico, mas também leio a Bíblia em casa”. Era o garçom da lanchonete, João Carlos, de mais ou menos 20 anos.
Aproveitamos para pregar o evangelho em três minutos e fazer um apelo para que ele entregasse a sua vida a Jesus naquele momento. Triste, ele disse que não poderia ser perdoado porque havia cometido o pecado imperdoável, a blasfêmia contra o Espírito Santo, que teria sido quando caçoou de um pastor pentecostal que falava “em línguas estranhas”. Nós dissemos que ele poderia, sim, ser perdoado por Jesus e entregamos um folheto. Foi aí que a campainha do balcão tocou pela primeira vez e ele teve que sair para atender algum cliente.
Passados uns minutos, e nós cantando e orando pelo João Carlos, ele se achegou mais uma vez: “Eu li sobre o juízo de Deus. Também sei que existe um versículo (não me recordo onde) que diz que devemos buscar a Deus enquanto Ele está perto”. Dissemos: “Sim! Devemos buscá-lo enquanto se pode achar, invocá-lo enquanto está perto”. E depois de explicarmos o plano de salvação mais uma vez, dissemos: “Sabemos que você sente que Deus o está atraindo. Você não quer, agora mesmo, se render ao Seu amor e entregar seu coração a Jesus?” Ele respondeu, com pressa para atender outro toque da sineta: “O orgulho no coração do homem é muito grande...”
Naquele momento, enquanto o Pr. Evandro e sua esposa Juniana, mais o Bruno, saíam para as abordagens pessoais na frente da Casa do Rock, Deus ministrou aos nossos corações, através da parábola da centésima ovelha (Lucas 15.4), que talvez aquela nossa saída à noite tenha sido só para alcançar a vida do João Carlos, o que já valeria a pena. Cientes disso, intensificamos nossas orações por sua salvação.
Na terceira e última abordagem, lá pelas 23:00h, quando estávamos quase desistindo, Deus nos conferiu uma maior ousadia, mas com muito amor: “João Carlos, você quer saber mesmo o que significa o pecado imperdoável?... É o que você está fazendo essa noite inteira!” Ele se surpreendeu. “Você está sentindo o Espírito Santo te tocar, te atrair, e você coloca seu orgulho à frente. Você bloqueia seu coração à ação de Deus e se recusa a se arrepender. É justamente essa a blasfêmia que não tem perdão, já que sem arrependimento ninguém pode ser salvo. Você não quer renunciar o seu orgulho agora e clamar a Jesus para que Ele te salve?”
Ele disse, com a cabeça baixa: “Eu quero”. Então, eu o encorajei a, ali mesmo, na lanchonete, fazer uma oração espontânea de confissão e pedido de perdão, confessando a fé no Filho de Deus. Mas, antes, me ofereci para orar por ele. Pedi ao Pai Poderoso que naquele momento a sineta não tocasse, a fim de que João Carlos tivesse seu momento especial aos pés de Jesus.
O jovem orou silenciosamente por alguns instantes e depois levantou a cabeça, com os olhos lacrimejantes. E, com um sorriso, me disse: “Estou impressionado. Desde que, nessa última vez, começamos a conversar, a campainha não tocou mais, e agora não para de tocar de novo!”
Dei um abraço no João Carlos, entregando sua vida ao Senhor Jesus, sabendo que Aquele que o atraiu daquela forma tão especial o conservará na Sua santa presença.
*Seminarista com formação em Direito e membro da Primeira Igreja Batista de Cabo Frio
Fonte: http://fugadelaodiceia.blogspot.com/
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