domingo, 25 de agosto de 2024

Salmo 147


O Deus acessível

Para Charles Haddon Spurgeon, pastor batista inglês no século XIX, o Salmo 147 é um poema da cidade e do campo, da primeira criação e da segunda, da nação e da igreja”. Uma ênfase do salmo é a realidade do Deus Todo Poderoso, o ser que não é vencido por nenhum outro e a ninguém teme. Ele, como assegura o verso quatro, “conta o número das estrelas, chamando-as todas pelo seu nome”.

O mais interessante é que o Deus poderoso não despreza os que são fracos e impotentes. O verso 3 do poema registra: “Ele sara os que têm coração quebrantado e trata das feridas deles”. Na experiência humana, é inconcebível um soberano se preocupar com um súdito que se encontra na sarjeta. E tem mais: o verso seis informa que “o Senhor ampara os humildes”.

Consciente dessas realidades, o salmista convoca: “Cantem ao Senhor com ações de graças; ao som da harpa, cantem louvores ao nosso Deus” - verso 7.

Uma lição prática para nós: O Deus soberano, inatingível, inacessível, veio até nós para cuidar de nossas fraquezas e, através de Jesus Cristo, podemos acessá-lo quando desejarmos.

sábado, 24 de agosto de 2024

Salmo 146


Aleluia! Aleluia!

“Aleluia! Louve, ó minha alma ao Senhor!” - Salmo 146.1.

Do Salmo 146 ao 150, temos o chamado bloco dos salmos de Aleluia. Todos eles começam e terminam com a palavra aleluia!

Aleluia significa “Louvado seja Deus”. É como se o organizador do livro desejasse fechar todo o Saltério com um tempo significativo de louvor ao Senhor.

É uma pena que o vocábulo “Aleluia”, por algum tempo e em alguns segmentos do cristianismo, significou característica de adorador, diferenciando-o entre renovado e tradicional. Aleluia deve ser um refrão repetido durante todo o dia, independentemente das circunstâncias enfrentadas.

Neste Salmo, o poeta inicia convidando sua alma a louvar ao Senhor, ou seja, dar “Aleluia” e termina registrando que o reinado do Senhor é para sempre e acontece de geração em geração!

Você já pensou em iniciar o seu dia com a repetição de “Aleluias” durante um minuto? E que tal terminar o dia da mesma forma? Apenas uma advertência: não é para ser uma declaração retórica, é um sério compromisso de vida, em tudo Deus deve ser louvado por nós!

sexta-feira, 23 de agosto de 2024

Salmo 145



O Deus que levanta

O Salmo 145.14 na versão Nova Almeida Atualizada é assim: “O Senhor sustém todos os que vacilam e levanta todos os que estão prostrados”. Na Bíblia Completa Judaica, temos: “Adonai ampara todos os que caem e levanta todos os que estão curvados”.

A ideia predominante é de um ser poderoso que ampara o frágil homem em seu momento de queda. Diferentemente do homem que, muitas vezes, tem prazer com a queda do outro, Deus, além de se compadecer, age imediatamente para que ele se levante e se disponha a caminhar novamente.

É muito comum o ser humano, ao ver outro em seu tempo de queda, racionalizar, buscando razões para a experiência negativa e até mesmo seu ato de solidariedade pode estar comprometido com a intenção de se mostrar misericordioso e sua ação dependerá de quem caiu e o porquê. Com Deus, não, sua ação é imediata para levantar, dar condições ao frágil ser de continuar. A obra de Adonai é completa: ampara para que não se machuque e levanta para prosseguir.

Seja misericordioso, compassivo e solidário com aqueles que experimentam uma queda. Estenda sua mão e abra seu coração.

quinta-feira, 22 de agosto de 2024

Salmo 144


Uma lista de bênçãos

Você já fez o exercício de alistar bênçãos que gostaria de receber do Senhor? Ou sua oração é daquele tipo: “Senhor, abençoa toda a minha vida!”. É importante nomear e mentalmente trabalhar as bênçãos que deseja do Senhor.

Davi no Salmo 144 apresenta uma lista interessante:

1º - Que os nossos filhos sejam, na sua mocidade, como plantas viçosas. Que as nossas filhas sejam como colunas, esculpidas para um palácio. Toda lista de bênçãos deve ter em primeiro lugar a bênção sobre o lar. Que pedidos você faz a Deus pelos filhos e filhas!

2º - Que os nossos celeiros transbordem, cheios de todo tipo de provisões. Pedir ao Senhor a provisão é reconhecer que, antes de nosso esforço e trabalho, está a bênção dele.

3º - Que os nosso rebanhos produzam a milhares e a dezenas de milhares em nosso campo e que nosso gado seja fértil. É o pedido para prosperidade financeira. Não é pecado incluí-la na lista. Não é pecado ter dinheiro, pecado é amá-lo.

4º - Que não haja gritos de lamentos em nossas praças. Incluir o bem comum é necessário, é egoísmo pedir bênção apenas para si e egoísmo é pecado. Pense no outro.

E aí, vai fazer sua lista?

quarta-feira, 21 de agosto de 2024

Salmo 143



Lembrar, pensar e meditar

“Lembro-me dos dias de outrora, penso em todos os teus feitos e medito nas obras das tuas mãos” - Salmo 143.5.

Lembro-me dos dias de outrora. Lembrar-se do passado é um exercício saudável. Não é saudável querer viver o presente tendo o passado como fonte motivadora. Mas lembrar-se dele ajuda a não cometer os mesmos erros e a celebrar os feitos alcançados. Raciocine agora sobre como Deus guardou a sua vida desde o dia em que você nasceu.

Penso em todos os seus feitos. Lembrar-se é um exercício da memória, pensar nos feitos de Deus é refletir com gratidão. É comum, diante dos desafios, problemas e dilemas do presente, nos esquecermos de como Deus já fez por nós!

Meditar é o clímax da relação homem e Deus. É a celebração. É mais do que lembrar-se e pensar, é adorar a Deus pelo seu cuidado. É passar um tempo de silêncio em conversa com o pai.  

Lembre-se do que Deus fez por você até hoje, de como ele providenciou provisão e livramento, pense nisso com gratidão sincera e adore ao Senhor com alegria num bate-papo agradável com ele.

terça-feira, 20 de agosto de 2024

Salmo 142


Oração na caverna

Onde orar? Possivelmente, alguém imagine que para orar é preciso estar num lugar especial separado para esse fim. A experiência de servos do Senhor mostra que não é bem assim. Em qualquer lugar, pode-se orar. E deve.

Assim temos orações que brotaram de dentro do palácio, em cima no monte, nas estradas da vida, no meio do mato, dentro de um barco, no mar, na cova dos leões, na barriga de um grande peixe, na caverna e por aí vai. Para orar, basta ter um coração agradecido ou aflito e não importa o lugar.

Davi, em sua oração do Salmo 142, está numa caverna. A situação era aflitiva e o medo se apoderara de sua alma. Aparentemente, a caverna sinaliza segurança, mas esta é perdida quando se imagina sendo encontrado e a possiblidade de fuga inexiste. Davi revela sua angústia naquele lugar com o coração apertado: “Olha à minha direita e vê, pois não há quem me reconheça, nenhum lugar de refúgio, ninguém que por mim se interesse” - verso 4.

Não importa onde você estiver, levante sua voz ao céu, e com fé, clame ao Senhor. Ele tem prazer em ouvir o seu clamor!

segunda-feira, 19 de agosto de 2024

Salmo 141


Uma oração modelar

O Salmo 141 é mais um atribuído a Davi. Embora fosse imperfeito e seu pecado o tenha levado a cometer insanos atos, ele era um homem de oração e sempre se voltava a Deus.

Nesta oração, Davi apresenta algumas características que fazem dela uma oração modelar.

Primeiro, ele, sem rodeios, dirige-se a Deus: “Senhor, eu clamo a ti”. Clamar é mais do que fazer uma oração formal, é abrir o coração, é rasgar o peito, é apresentar um grito silencioso da alma.

Segundo, Davi sem mascarar a realidade, diz. “Senhor, apressa-te em me socorrer!”. É como se dissesse: “Senhor, eu tenho pressa!”. Mas não era uma afronta a Deus, como que determinando ou exigindo, era uma dor desesperadora.

Terceiro, ele valoriza a solenidade. “Suba à tua presença a minha oração como incenso”. Não era um discurso formal. Era um derramar de sua vida diante do altar.

Quarto, era oração com oferta. “Seja o erguer das minhas mãos como oferenda vespertina”. Oração sem comprometimento em ofertar é atitude interesseira e egoísta. As mãos erguidas aos céus devem ser estendidas ao próximo.

domingo, 18 de agosto de 2024

Salmo 140

A arma chamada bondade

O Salmo 140 apresenta em seu início um pedido de livramento: “Livra-me, Senhor, do homem perverso, guarda-me do homem violento, cujo coração maquina iniquidades e vive forjando contendas” - versos 1 e 2.

O pedido de livramento é reforçado no verso 4: “Guarda-me, Senhor, da mão dos ímpios, preserva-me do homem violento, os quais se empenham por me desviar os passos”.

A oração que tem início tão pertinente e agradável transforma-se num violento desejo de ver o mal sendo derramado sobre os adversários. Preste atenção no registro do verso 10: “Caiam sobre eles brasas vivas, sejam atirados ao fogo, lançados em abismos para que não mais se levantem”.

É possível que uma perseguição, uma maldade praticada contra nós gere um sentimento de revolta e o desejo de vingança emerja de nosso interior com força. Mas essa não é a proposta saudável e cristã. Revela a maldade que reside em nós também. E maldade nunca será vencida com maldade. A única arma que vence a maldade é a bondade.

Quando a vida lhe apresentar uma adversidade, não produza maldade, antes a expulse com a bondade.

sábado, 17 de agosto de 2024

Salmo 139


Sonda-me, ó Deus

Muitos consideram o Salmo 139 o mais notável de todos os salmos. O conteúdo do poema destaca a onisciência, a onipresença e a onipotência divinas, atributos em Deus que, segundo a Teologia, são incomunicáveis, ou seja, o homem não pode experimentar.

Pr. Hernandes Dias Lopes registra que Charles Swindoll “diz que esse salmo responde a quatro perguntas vitais: 1) Quão bem Deus me conhece? (1-6); 2) Quão próximo Deus está de mim? (7-12); 3) Quão cuidadosamente Deus me criou? (13-18); 4) O quanto Deus me protege (139:19-24). Essas quatro perguntas lidam com quatro dos nossos problemas humanos mais básicos: 1) Quão bem Deus me conhece? (o problema da identidade); 2) Quão próximo Deus está de mim? (o problema da solidão); 3) Quão cuidadosamente Deus me criou? (o problema da autoestima); 4) O quanto Deus me protege? (o problema do medo).

Ter consciência da onisciência, onipresença e onipotência divinas não deve produzir em nós o medo, mas o encorajamento para nos apresentar a ele como registra o versículo 24: “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração, prova-me e conhece os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno”.

sexta-feira, 16 de agosto de 2024

Salmo 138


Proteção e amor permanentes

Podemos dividir o Salmo 138, tendo como texto a Tradução da Linguagem de Hoje, assim:

1ª - Uma profissão de fé. “Ó Senhor Deus, eu te agradeço de todo o coração; diante de todos os deuses eu canto hinos de louvor a ti” - verso primeiro.

2ª - Um compromisso de adorador. “Por causa do teu amor e da tua fidelidade, eu me ajoelho virado para o teu santo Templo e dou graças a ti” - verso segundo.

3ª - A certeza do cuidado divino. “Quando te chamei, tu me respondeste e, com o teu poder, aumentaste as minhas forças” - verso terceiro.

4ª - O poder soberano do Deus Eterno. “Ó Senhor Deus, todos os reis da terra te louvarão quando ouvirem falar das tuas promessas. Eles cantarão a respeito das coisas que tu, ó Senhor, tens feito, pois grande é a tua glória. Tu estás lá nas alturas, e os orgulhosos não podem se esconder de ti” - versos quatro, cinco e seis.

5ª - A proteção e amor permanentes. “Quando estou cercado de perigos, tu me dás segurança. A tua força me protege do ódio dos meus inimigos; o teu amor dura para sempre, ó Senhor Deus. Não abandones o trabalho que começaste” - versos 7 e 8.

quinta-feira, 15 de agosto de 2024

Quando a essência da vida é perdida


Lucas 12.13-21

E disse-lhe um da multidão: Mestre, dize a meu irmão que reparta comigo a herança.

Mas ele lhe disse: Homem, quem me pôs a mim por juiz ou repartidor entre vós?

E disse-lhes: Acautelai-vos e guardai-vos da avareza; porque a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui.

E propôs-lhe uma parábola, dizendo: A herdade de um homem rico tinha produzido com abundância;

E arrazoava ele entre si, dizendo: Que farei? Não tenho onde recolher os meus frutos.

E disse: Farei isto: Derrubarei os meus celeiros, e edificarei outros maiores, e ali recolherei todas as minhas novidades e os meus bens;

E direi a minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e folga.

Mas Deus lhe disse: Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?

Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus.

Duas advertências de Jesus:

1º - Guardai-vos da avareza. 

Avareza é diferente de previdência. A avareza se liga ao senhorio dos bens. A previdência a não desperdiçar os bens.

2º - A vida não consiste no ter.

Esquecemo-nos do ser e queremos o ter. Somos considerados e destacados pelo que temos e não por quem somos. E assim também julgamos os outros.

Aplicações:

1ª - A predominância do eu.

Preste atenção no texto bíblico e veja quantas vezes aparece o pronome de primeira pessoa, eu, meu.

2ª - Uso da bênção em benefício próprio.

Em nenhum momento, o homem que recebeu uma grande bênção pensou no próximo, em distribuir com necessitados, tudo era para ele. Isso é egoísmo.

3ª - Consciência de que a vida passa rapidamente.

Esta noite te pedirão a tua alma. A vida é passageira, fugaz. Não temos controle sobre ela. A qualquer momento podemos ser convocados para a eternidade.

Conclusão:

1 - O "egocentrismo" não pode nos dominar.

2 - A bênção recebida é para ser repartida.

3 - Cuidado, a vida passa rapidamente.

Desejando assistir ao vídeo deste sermão, acesse pelo link abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=grk_vGHvrw4

Salmo 137



O canto entalado

Você já deve ter ouvido alguém dizer mais ou menos assim: “Isso estava entalado aqui e eu soltei tudo para fora”. Normalmente, a experiência está ligada a alguma situação desagradável que a pessoa ainda não tivera coragem de revelar.

O povo de Israel, cativo na Babilônia, contexto do Salmo 137, estava com o canto entalado em sua garganta. O verso quatro revela a angústia do povo: “Como entoaremos o canto do Senhor em terra estranha?”. A reação se dá em função dos opressores pedirem que eles cantassem um dos cânticos de Sião.

É sabido que argumentam ser a atitude do povo sensata, isso porque não deveria atender pedidos de opressores que, segundo esses, desejavam apenas tripudiar sobre o sofrimento.

Permita-me discordar. Quem tem o canto do Senhor deve cantar em qualquer circunstância. Não importa se o inimigo pede com motivações erradas, o importante é cantar. Aliás, como dizia o filósofo obeso e da buzina, “quem canta, seus males espanta! Ô, Teresinha!”.

Canto entalado não combina com o filho de Deus e não o glorifica. Então, solte a voz!

quarta-feira, 14 de agosto de 2024

Salmo 136



O grande salmo de louvor

Três nomes de Deus aparecem nos três primeiros versos do Salmo 136. No primeiro, Yahweh. No segundo, Elohim. No terceiro, Adonai. Uma sugestão curiosa, embora não se tenha confirmação da intenção, é que a trindade era destacada, Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo.

Ele tem 26 versículos. Em todos eles, o final é assim: “Porque a sua misericórdia dura para sempre”. A Bíblia de Jerusalém registra “porque o seu amor é para sempre”. Na Bíblia Judaica completa é assim: “Porque sua graça dura para sempre”. Na paráfrase “A Mensagem”, Eugene Peterson realçou “o seu amor jamais acaba”. Misericórdia, amor e graça, não importa muito a palavra em si, mas a certeza que dura para sempre. Na tradição judaica, este salmo é identificado como o “Grande Hallel”, o grande salmo de louvor.

Uma interessante sugestão de leitura é como num jogral de duas pessoas, em que uma fala a primeira parte e a outra a segunda. Ou um dirigente e congregação lendo alternadamente.

Ele pode ser chamado de “O Salmo do Estribilho”. E poderia ser repetido diariamente por nós, 26 vezes, o seu amor dura para sempre.

Amém!

terça-feira, 13 de agosto de 2024

Salmo 135


Quem é o seu Deus?

O verso 15 do Salmo 135 ensina algo interessante: o ser humano pode fazer um deus. Atente para o verso completo: “Os deuses das outras nações são de prata e de ouro, são feitos por seres humanos”.

Há quem imagine que construir um deus é apenas atividade de alguns religiosos com alguns símbolos que adotam e são objetos de veneração. Não. De repente, você fez um deus e nem percebeu. Ele pode ser o dinheiro, um esporte, o trabalho, uma pessoa, uma filosofia. 

O poeta adverte sobre a imaturidade de tal atitude. Os deuses feitos pelos homens não interagem com eles. São frios. “Eles têm boca, mas não falam; têm olhos, mas não veem. Têm ouvidos, mas não ouvem; e não podem respirar” - versos 16 e 17.

A falta da interação com o adorador cria um grave problema, como registra o verso 18: “Ficam iguais a esses ídolos aqueles que os fazem e, também, os que confiam neles!”.

Um deus que não interage, não nos faz crescer, não nos disciplina, não nos ama de verdade.

Que Deus ocupa lugar no seu coração? Não construa um Deus, entregue-se ao Deus que construiu você!

segunda-feira, 12 de agosto de 2024

Salmo 134


Mãos levantadas e mãos arriadas

O Salmo 134 é um dos menores textos do livro. Apenas três versículos. Em menos de um minuto é possível lê-lo. Há versão que sugere o título “Convocando ao culto vespertino”, provavelmente por causa da informação “nas horas da noite” no final do verso primeiro. 

Bendizer é a primeira palavra que aparece no poema. Bendizer é falar bem. É uma convocação para se falar bem do Senhor, do Eterno. Parece um assunto desnecessário e alguém poderia provocar: alguém fala mal de Deus? Pois é, de maneira afrontosa e agressiva, ninguém assumirá que tenha tal atitude. Mas fala-se mal de Deus quando a lamentação toma conta da vida em situações que alteram a normalidade. Pensando bem, podemos falar mal de Deus em várias circunstâncias. 

Outra convocação é para erguer as mãos. Não se trata de um ato coreográfico. Duas possíveis razões: 1ª - apresentar as orações ao trono da graça. 2ª - ofertar para o sustento da casa e da causa e ajudar necessitados. Não é pecado levantar as mãos no culto, mas não as abaixar e enfiar a mão no bolso é imaturidade, revela ingratidão pelo que recebe do Senhor.

domingo, 11 de agosto de 2024

Salmo 133



A bênção da união

“Quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união” - Salmo 133.1. Outra versão registra: “Como é bom e agradável quando os irmãos convivam em união”. A diferença entre suave e agradável, em minha leitura, sugere: solenidade na primeira e ação de fazer o bem na segunda.

Sou de um tempo em que religiosos cristãos atravessavam a rua para não cumprimentarem o outro que vinha no mesmo lado. Graças a Deus, isso passou. Hoje, é comum, cristãos atravessarem a rua para se abraçarem com alegria, mesmo que seja de rótulo bem diferente.

Ouvi a seguinte história: dezenas de patos viviam no mesmo lago. O dono da propriedade resolveu dividir o lago com cercas de arames, separando-o em quatro partes. Eles nadavam, se aproximavam, mas não podiam se alegrar todos no mesmo lugar. Cada um no seu canto. No lugar da alegria, tristeza. Certo dia, Deus mandou uma chuva torrencial. A água foi subindo, subindo e cobriu toda a cerca. Os patos, ao perceberem, se movimentaram de um lado pro outro numa alegria só.

Deus criou o evangelho. Os homens, as denominações. E colocaram cerca. Deus mandou uma chuva torrencial e o lago, novamente cheio, permite que todos alegremente se encontrem.

sábado, 10 de agosto de 2024

Lar & Casa


Salmos 127.1-2:

Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela.

Inútil vos será levantar de madrugada, repousar tarde, comer o pão de dores.

Se não for o Senhor o construtor da casa, será inútil trabalhar na construção. Se não for o Senhor o vigia a cidade, será inútil a sentinela montar guarda. Será inútil levantar cedo e dormir tarde, trabalhando arduamente por alimento.

Deus é o construtor, mas há a parte humana: levantar de madrugada, repousar tarde - trabalho. Não anula o trabalho, mas ensina que será em vão.

O casamento traz uma relação misteriosa: a construção em que a parte divina e a parte humana trabalham juntas. É como numa linha férrea, dois trilhos, eles precisam estar alinhados para que a locomotiva deslize e viaje tranquila.

Há uma figura interessante: Casa e Lar. E há diferença entre casa e lar.

A casa precisa de fundamentos. De pilares que a sustentem. O lar também.

Três pilares de um lar:

1º - Legado - é o que recebemos dos pais, avós e levamos para o novo lar. O casal não vai sozinho para o novo lar, vão acompanhados, ainda que possam morar milhares de quilômetros de distância. Ele levará pai, mãe, avós, cultura, práticas.

Este legado não deve ser desprezado, deve ser exaltado, mas não pode normatizar a conduta de vocês. A privacidade deve ser respeitada e o legado é transmitido ao casal como numa prova de revezamento.

2º - Amor - é a atitude que construímos em nosso interior.

O soneto de Camões ilustra bem a relação fogosa do amor.

Amor é fogo que arde sem se ver,

é ferida que dói, e não se sente;

é um contentamento descontente,

é dor que desatina sem doer.


É um não querer mais que bem querer;

é um andar solitário entre a gente;

é nunca contentar-se de contente;

é um cuidar que ganha em se perder.


É querer estar preso por vontade;

é servir a quem vence, o vencedor;

é ter com quem nos mata, lealdade.


Mas como causar pode seu favor

nos corações humanos amizade,

se tão contrário a si é o mesmo Amor?


Celebrem o amor como a letra de Tom Jobim e Vinícius de Moraes ensina:

Eu sei que vou te amar

Por toda a minha vida eu vou te amar

Em cada despedida eu vou te amar

Desesperadamente, eu sei que vou te amar


E cada verso meu será

Pra te dizer que eu sei que vou te amar

Por toda minha vida

Eu sei que vou chorar

A cada ausência tua eu vou chorar

Mas cada volta tua há de apagar

O que esta ausência tua me causou


Eu sei que vou sofrer a eterna desventura de viver

A espera de viver ao lado teu

Por toda a minha vida


Mas não se esqueçam de que o amor que sustenta o casamento não é o romântico, é o divino. E como poetizou Paulo em I Coríntios 13:1-8, Deus nos presenteou com o seu amor para que o transmitisse também:

Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o sino que ressoa ou como o prato que retine.

Ainda que eu tenha o dom de profecia e saiba todos os mistérios e todo o conhecimento, e tenha uma fé capaz de mover montanhas, mas não tiver amor, nada serei.

Ainda que eu dê aos pobres tudo o que possuo e entregue o meu corpo para ser queimado, mas não tiver amor, nada disso me valerá.

O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha.

Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor.

O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade.

Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

O amor nunca acaba.


3º - Renúncia - é a decisão que se toma em favor do outro. Capacidade de perder alguma coisa em favor do outro. 

A renúncia pavimentará a estrada para a mudança de paradigma. Em vez de “É o amor que sustenta o casamento”,  é “O casamento que sustenta o amor”. E acontece uma relação de feedback, o casamento sustenta o amor e o amor sustenta o casamento.

E para que isso aconteça, vocês precisarão de muita capacidade de renunciar algo em favor do outro.


Conclusão:

Legado

Amor

Renúncia

Acróstico formando lar.

A casa é fria, o lar é quente. A casa sem um lar é fria.

A casa é forma, o lar é informe. A casa sem um lar é uma empresa.

A casa é mecânica, o lar é espontâneo. A casa sem um lar é engrenagem.

A casa é cimento, o lar é sentimento. A casa sem um lar é pedra.

A casa é razão, o lar é coração. A casa sem um lar é tensão.

A casa é superfície, o lar é profundidade. A casa sem um lar é aparência.

A casa é palavra, o lar é atitude. A casa sem um lar é hipocrisia.

A casa é inteligência, o lar é sabedoria. A casa sem um lar é desvario.


Que o relacionamento das famílias seja de um LAR e não apenas uma CASA.

“Se o Senhor não edificar o lar, em vão trabalham os que a edificam”.

Salmo 132


Fartura de pão

“Abençoarei com abundância o seu mantimento e de pão fartarei os seus pobres” - Salmo 132.15.

Você já percebeu que a opção de prover alimentação para quem não tem é sempre visto como inclinação política? 

Você já observou como muita gente impõe um falso juízo sobre quem necessita de socorro, atribuindo-lhe um maldoso estigma de gente que não quer nada com trabalho e deseja andar às custas do outro?

Você sabia que apenas o alimento jogado fora pelas famílias daria para alimentar todos os que têm falta?

Por que muitos podem fazer até cinco refeições por dia e decidir o que deseja comer ou não enquanto outros ficam mendigando um prato? 

Preste atenção numa realidade: toda vez que nos preocupamos com aquele que nada tem para comer alegramos o coração de Deus. Sabe por quê? Porque o próprio Deus fez isso e ainda faz através de corações generosos.

Prover alimento para o outro é um bem que fazemos a nós mesmos, pois “a melhor coisa é dar do que receber”. Podemos ser mãos estendidas de Deus a abençoar vidas que estão experimentando privações. Que sejamos essas mãos!

sexta-feira, 9 de agosto de 2024

Salmo 131



A estrada da humildade

Parece-me que os tempos atuais transitam na contramão da orientação divina a respeito do comportamento das pessoas nos relacionamentos. Em nome da autoestima e da autoconfiança, há uma sutil tendência levando o ser humano a assumir uma atitude arrogante e presunçosa. 

O Salmo 131 começa com um testemunho muito oportuno do poeta: “Senhor, não é orgulhoso o meu coração, nem arrogante o meu olhar”. Como precisamos de atitude assim! O salmista prossegue: “Não ando à procura de coisas grandes, nem de coisas maravilhosas demais para mim”.

Almejar realizações grandiosas não é pecado e não deve ser desprezado esse procedimento. Mas devemos nos policiar, pois grandes realizações são uma porta aberta para a entrada da prepotência, do orgulho, da autossuficiência, da soberba e da arrogância. É pedagógica a orientação do maior sábio de todos os tempos: “A soberba precede a ruína!”. Quer experimentar o fracasso? Abrace a soberba como íntima de sua vida.

Em atitude diferente de arrogância, o salmista também testemunha: “Ao contrário, fiz calar a minha alma”.

Sepulte toda arrogância, trilhe a estrada da humildade.

quinta-feira, 8 de agosto de 2024

Aprendendo com Isaque e Rebeca a fazer seu casamento durar


O texto de Gênesis 26.8 é encantador: “Ora, depois que ele se demorara ali muito tempo, Abimeleque, rei dos filisteus, olhou por uma janela, e viu, e eis que Isaque estava brincando com Rebeca, sua mulher”. É bom registrar que o acontecimento do verso lido é bem posterior ao primeiro encontro de Isaque e Rebeca. Não se trata de um romance inicial, mas de uma caminhada bem longa. 

Aprendamos com esse casamento como fazer o nosso durar: 

1º - OUÇA OS CONSELHOS DOS PAIS - Veja Gênesis 24.1-4. Era um tempo chamado patriarcal, mas, embora o conceito de família tenha mudado, o melhor caminho é ouvir os conselhos paternos. Ilustração: A jovem que desejava terminar o casamento porque o namorado não acreditava no diabo. Os pais sabem mais dos que os filhos. Ouçam-os. 

2º - BUSQUE UM CÔNJUGE COM DIGNIDADE E SEJA DIGNO - Os versos 3 e 4 (destaque para as filhas dos cananeus e minha terra e minha parentela). Dignidade não tem cor religiosa, mas pressupõe-se que quem segue a Cristo é digno ou digna. Quem você está escolhendo? Onde vai buscar seu cônjuge? Cuidado com as escolhas! Não escolhemos as conseqüências. 

3º - MEDITE SOBRE A DECISÃO A TOMAR - O verso 63 é esclarecedor: “Saíra Isaque ao campo à tarde, para meditar; e levantando os olhos, viu, e eis que vinham camelos”. Não tome decisão precipitada. Um ditado: “Melhor só do que mal acompanhado”. 

4º - OBSERVE AS ATITUDES DO PRETENSO CÔNJUGE - O verso 65 diz que Rebeca tomou o véu e se cobriu. Isso diz alguma coisa pra você, homem e mulher? Os tempos modernos são de provocação. Mas quem deseja coisa séria não aceita isso! Uma jovem crente não aceitou a orientação do patrão para vestir-se com roupas provocativas. Disse que venceria pela competência. 

5º - BUSQUE A ORIENTAÇÃO DOS CÉUS - Olhe só que interessante: verso 63 “Isaque levantando os olhos” e verso 64 “Rebeca também levantou os olhos”. Isso pode ilustrar sobre a oração. 

6º - ELIMINE AS FONTES DE TENSÃO COM HUMOR - “Isaque estava brincando com Rebeca” - 26. 8. Quantos casais não brincam mais! Só se comunicam com palavras duras, monossilábicas. E não brincam, brigam! 

Seu casamento foi feito e pode ser planejado para durar. Até que a morte separe. Algo diferente não é o ideal de Deus, mas uma interferência carnal e que Deus suporta. Invista tudo no sentido de fazer seu casamento durar. Vale a pena!

Salmo 130


Até das profundezas pode-se clamar

O salmo 130 é um texto das peregrinações. Era comum, ao peregrinarem, o povo judeu cantar ou recitar textos que retratassem sua experiência com o criador.

Neste salmo, o poeta fala de uma experiência dramática. Ele clama das profundezas, suplica que os ouvidos do Senhor estejam atentos à voz das suas súplicas e implora que o Senhor o ouça.

Usa de um argumento bem bajulador: “Se tu, Soberano Senhor, registrasses os pecados, quem escaparia?” - v. 3. E arremata: “Mas contigo está o perdão para que sejas temido” - v. 4. Para ele, o perdão nas mãos do Senhor era uma forma de se fazer temido.

Depois disso, o salmista se lembra de um assunto muito comum no meio da aflição, a esperança. Ele declara: “Espero no Senhor com todo o meu ser e na sua palavra ponho a minha esperança. Espero pelo Senhor mais do que os guardas pelo romper da manhã; sim, mais do que as sentinelas esperam pela manhã” - vs. 5 e 6. Todo aflito tem esperança!

Por fim, apela: “Ponha a sua esperança no Senhor, ó Israel, pois no Senhor há amor leal e plena redenção. Ele próprio redimirá a Israel de todas as suas culpas” - vs. 7 e 8.

Você enfrenta alguma aflição? Clame ao Senhor e confie n’Ele. Esperança depositada no Senhor é garantia de socorro.

quarta-feira, 7 de agosto de 2024

Salmo 129



Perseguido, mas não derrotado

O título do Salmo 129, na versão Nova Almeida Atualizada, é: “Perseguido, mas não derrotado”. Os títulos não fazem parte do texto original assim como os capítulos e versículos. Estes, depois de algumas investidas, foram finalizados em 1555 por Estienne, que publicou toda a Bíblia com a divisão em capítulos e versículos. Os títulos não se tem ideia e cada versão apresenta nome diferente. Mas isso não interessa agora.

Perseguido, mas não derrotado. Ao ler diversos salmos sem o devido cuidado, pode-se concluir que os autores enfrentavam o transtorno mental de mania de perseguição. O delírio persecutório cria uma realidade mental em que o afetado acredita que um inimigo lhe causará mal e, sem prova alguma, desenvolve o medo e cria situações complicadas. É preciso tratamento com profissional específico.

Mas não era o caso dos poetas salmódicos. Havia clara e dirigida perseguição aos que optavam por servir ao único Deus. Por optar por uma conduta ética, você se sente perseguido? Não tenha medo. Como afirma o poeta, “o Senhor é justo, cortou as cordas dos ímpios” - Salmo 129.4.

terça-feira, 6 de agosto de 2024

Salmo 128



A família feliz

O Salmo 127 apresenta o fundamento da família e mostra a chegada dos filhos, que são herança do Senhor. O Salmo 128 aponta para a prosperidade material, o crescimento dos filhos, a família vivendo e união, os netos ornamentando o ambiente e a prosperidade da cidade. 

Você sabia que não é a cidade que faz a família feliz, mas é a família feliz que faz a cidade? Já vi gente infeliz morando em lugar tão lindo e desejado por muitos e gente feliz morando em lugar não tão requintado assim. Desenvolva a mentalidade: o lugar não me faz feliz, mas eu posso fazer o lugar feliz!

No salmo, temos três desdobramentos da felicidade:

1º - Comer do fruto do trabalho. Uma das maiores bênçãos na vida é poder se alimentar, ter prazer em comer.

2º - Ser feliz. É mais do que ter felicidade. É mais do que uma experiência transitória, é algo permanente.

3º - Ir tudo bem. Não significa ausência de problemas e lutas, mas a deliberada vontade de sempre estar bem.

A experiência de uma família feliz vai muito além de possuir bens. A própria família é o maior bem que você tem. Como você tem preservado este bem?

segunda-feira, 5 de agosto de 2024

Salmo 127


Os salmos da família

Os salmos 127 e 128 são conhecidos como da família. Sugerem alguns, inclusive, que formam um texto só. A base de toda relação familiar está no verso “se o senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que edificam; se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela”.

Argumenta o salmista que “inútil será acordar de madrugada, comer o pão das dores”. Embora o relacionamento familiar exija muito esforço, o salmista mostra que todo o esforço será em vão se o Senhor não for o fundamento. Preste atenção: não é anulado o esforço humano, pelo contrário, é valorizado. 

Nos salmos da família encontramos conceitos muito oportunos: filhos como herança do Senhor, homem com papel importante na segurança do lar, esposa como companheira fiel e todos, conjuntamente, cooperando para o crescimento do lar.

Percebemos que há uma apologia contra a família. Tentam-na destruir de todas as formas. Tal empreitada remonta aos tempos do início dessa instituição, quando Deus, ao criar a família, viu o inimigo se apresentar para destruí-la. 

De lá pra cá, os ataques têm se intensificado, mas a família tem se mostrado vencedora, pois quem a edificou foi o Senhor. Valorize a sua família e a dos outros, Deus se alegra disso.

domingo, 4 de agosto de 2024

Salmo 126


O Deus das grandes coisas

Certo domingo, praticamente nada tínhamos para comer. Disse para Ilcimar, esposa querida: você acredita que Deus pode fazer um milagre e providenciar para nós? Ela disse que sim.

Sinceramente, falei sem acreditar muito. Não que duvide de Deus, mas por que ele teria que fazer o milagre? 

Fomos ao culto da manhã no templo e coloquei um paletó que há muito não usava, era protocolo pastor usar paletó com gravata e tudo.

Durante a mensagem, automaticamente, enfio a mão num dos bolsos do paletó e percebo que tem um papel. Terminando a celebração, por curiosidade, quis saber que era aquilo. Era uma nota que deveria valer hoje mais de cinquenta reais, que deu para suprir bem o dia e nos ensinou que Deus continua fazendo grandes coisas.   

O poeta no Salmo 126 testemunha sua alegria ao celebrar: “Grandes coisas fez o Senhor por nós e por isso estamos alegres!”.

Comparada com a experiência do salmista, a nossa era café pequeno, mas o Deus, que é grande, faz grandes coisas nas lutas grandes e nos simples embates. O que vale é a necessidade de cada filho!

Que grande coisa você espera de Deus hoje!

sábado, 3 de agosto de 2024

Salmo 125


O salmo da confiança

No Comentário Tesouros de Davi, de Charles Haddon Spurgeon, temos a sugestão de seguinte divisão para o Salmo 125: “Em primeiro lugar, temos um cântico de santa confiança - versos 1 e 2; a seguir, uma promessa - verso 3; seguida por uma oração - verso 4; e uma nota de advertência - verso 5”.

O poema exalta a confiança no Senhor como fonte de segurança e firmeza. O monte Sião, símbolo de estabilidade e firmeza, é tomado como comparação para aquele ou aquela que confia no Senhor.

Ter confiança no Senhor pode sugerir mérito por parte do servo dele. Mas não é bem assim. A confiança revela exatamente uma dependência de um ser que se enxerga fragilizado, uma espécie de neurastenia, ou seja, um estado de inatividade extrema que alcança a área física e intelectual.

Assim como na firmeza do monte Sião tem um criador que o sustenta, e que uma intervenção da natureza pode tombá-lo, se ele permitir, na vida do ser humano, Deus está sustentando-o e nenhum temporal pode derrubá-lo.

“Os que confiam no Senhor são o como o monte Sião, que não se abala, mas permanece para sempre”.

sexta-feira, 2 de agosto de 2024

Salmo 124



Não fosse o Senhor

O Salmo 124 é atribuído a Davi e é um cântico das peregrinações. O contexto de sua composição é desconhecido, mas sinaliza circunstância de perigo e possível perseguição.

O poeta é categórico: “Não fosse o Senhor, que esteve ao nosso lado, Israel que o diga” - verso 1º.

A ênfase na repetição revela a intensidade do drama vivido: “Não fosse o Senhor, que esteve ao nosso lado, quando os homens se levantaram contra nós” - verso 2º.

Quatro perigos são alistados como riscos corridos pelo povo: 1º - eles nos teriam engolido vivos, quando a sua ira se acendeu contra nós. 2º - as águas nos teriam submergido. 3º - sobre a nossa alma teria passado a torrente. 4º - águas impetuosas teriam passado sobre a nossa alma. Em síntese, numa linguagem contemporânea: “Não fosse o Senhor, que esteve ao nosso, nós estaríamos na vala!”.

O poeta reconhece e agradece: “Bendito o Senhor, que não deu por presa aos dentes deles, salvou a nossa alma, quebrou o laço e nós ficamos livres”.

O Salmo encerra com uma promessa extraordinária: “O nosso socorro está em o nome do Senhor, criador do céu e da terra”.

quinta-feira, 1 de agosto de 2024

Aprendendo com o evangelista Paulo

Introdução:

O texto é Atos 17.16-34. O contexto é a segunda viagem missionária de Paulo. Ele chega a Atenas, a capital intelectual do mundo da época. Atenas que tinha em sua história homens como Sócrates, Platão e Aristóteles, agora recebe o evangelista Paulo.

Que aprendizado recebemos! Aprenda também com o evangelista Paulo.

1º - Qual é o objeto de nossa revolta? Com que nos revoltamos? Verso 16: “Enquanto Paulo os esperava em Atenas, o seu espírito se revoltava em face da idolatria dominante na cidade”. 

2º - Aproveitar todas as oportunidades. Verso 17: “Por isso, dissertava na sinagoga entre os judeus e os gentios piedosos; também na praça, todos os dias, entre os que se encontravam ali”.

3º - Saíram da praça (ágora) e foram para o centro cultural, político, acadêmico, o Areópago. Verso 19: “Então, tomando-o consigo, o levaram ao Areópago...”. O evangelista não distingue grupos sociais, testemunha na praça, no templo, nos centros culturais, onde Deus abrir portas.

4º - Os ouvintes curiosos. Versos 19 e 20: “Poderemos saber que nova doutrina é essa que ensinas? Posto que nos trazes aos ouvidos coisas estranhas, queremos saber o que vem a ser isso”. Os curiosos atenienses, principalmente os que desejavam filosofar, provocam Paulo.

5º - A doutrina pregada por Paulo. Leia os versos 22 a 31. Eles queriam saber que doutrina era aquela? O nome da doutrina que Paulo ensinava tem um nome: Jesus. O foco é na mensagem central do evangelho. Paulo tem foco e não se desvia de sua missão, anunciar a salvação em Cristo.

Conclusão:

Três tipos de ouvintes:

1º - Os escarnecedores/zombadores - Verso 32a: “Quando ouviram falar de ressurreição de mortos, uns escarneceram”.

2º - Os postergadores / os que deixam para depois - Verso 32b: “...outros disseram: A respeito disso te ouviremos noutra ocasião”.

3º - Os credores / os que dão crédito, acreditam - Verso 34: “Houve, porém, alguns homens que se agregaram a ele e creram; entre eles estava Dionísio, o areopagita, uma mulher chamada Dâmaris e, com eles, outros mais”.

É no grupo 3 que você deve focar. Pelos outros, orar.

Três perguntas para você:

1ª - Você já experimentou a alegria de ganhar uma pessoa para Jesus? 

2ª - Em seus relacionamentos, há pessoas que ainda estão sem Cristo?

3ª - Você assume o compromisso de ganhar uma alma para Jesus?

Salmo 123



O Salmo dos olhos

Spurgeon intitulou o Salmo 123 de “O Salmo dos antigos”, o “óculos sperans, olho da esperança”. Diferentemente do Salmo 121, aqui o poeta não olha para os montes, olha além dos montes. Assim ele diz: “A ti, que habitas nos céus, elevo os meus olhos” - verso primeiro.

Nos dois primeiros versos, quatro vezes a palavra “olhos” é citada, sempre com o foco na pessoa de Deus. E não se tratava de um olhar passageiro, despretensioso. Reforça o poeta: “até que tenha compaixão de nós!”.

Arival Dias Casimiro ensina que o Salmo ensina três lições:

1ª - Olhe para Deus como um Rei Soberano. “A ti, que habitas nos céus...”. Seu trono não é terreno. Seu reinado não é humano. Seu comando não é titubeante. É o Rei soberano!

2ª - Olhe para Deus como um servo olha para o seu Senhor. “Como os olhos dos servos estão atentos às mãos dos seus senhores e os olhos das servas, à mão de sua senhora...”. Ele é Senhor, nós, seus servos! 

3ª - Olhe para Deus como Pai de toda misericórdia. “Tem misericórdia de nós, Senhor, tem misericórdia...”. 

Diante de lutas, mantenha os olhos fixos em Deus. Ele é a esperança!

quarta-feira, 31 de julho de 2024

Salmo 122



Alegre-se, indo ao templo

Quando era criança, não era em Barbacena, sim, em Cardoso Moreira, cantávamos um cântico mais ou menos assim: “Alegrei-me, quando me disseram: vamos, vamos à casa do Senhor...”. É uma referência ao Salmo 122.

E como era alegre sair de casa, a pé, caminhar um bocado e ir ao templo. Toda a família junta. A roupa era a melhor, embora fosse muito simples. Sempre bem passada com ferro à brasa. Mamãe fazia questão de destacar que o melhor tinha que ser para o Senhor. E nós íamos felizes, muitas vezes cantando.

É verdade que era, praticamente, o único lugar que frequentávamos. Mas hoje, passados quase 50 anos, continuo indo ao templo com a mesma alegria. Mesmo em viagem, algumas vezes fora do país, não deixo de ir ao templo para celebrar ao Senhor. 

Somos o templo do Espírito Santo, segundo o conceito de Paulo, mas ir ao templo, devidamente separado por uma igreja local, para celebrar ao Senhor, cria uma atmosfera para nosso crescimento.

Vá ao templo mesmo que você não esteja com vontade. Ir ao templo com alegria significa desfrutar de grandes bênçãos. É o que diz o Salmo 122.

terça-feira, 30 de julho de 2024

Salmo 121


Olhando para cima

Nossa tendência, ao estarmos em aflição, é olhar para baixo. O salmista contraria essa lógica: “Elevo os meus olhos para os montes, de onde me virá o socorro?” - Salmo 121.1.

Ao olhar para cima, o poeta descobriu: 1° - O socorro vem do Senhor, criador do céu e a terra. 2° - Deus não permitiria que seus pés vacilassem. 3° - Deus não dorme, quer dizer, nem cochila. 4° - Deus será a sua sombra à sua direita. 5° - O Senhor o guardará de todo mal. 6° - O Senhor o guardará para sempre.

Interessante é que não se tem promessa do cessamento das aflições. Não se sabe que tipo de aflição enfrentava o salmista, mas sugere-se que fosse algo que lhe causava sofrimento, pois ele pede socorro de maneira contundente. O que se tem é a promessa da presença do Senhor, do seu socorro e de sua presença constante. Não há nenhuma promessa na Bíblia sobre a impossibilidade do sofrimento. Mas há centenas, talvez milhares, sobre a presença do Senhor com os que sofrem.

Você enfrenta alguma aflição? Olhe para cima. Mas olhe para cima, sinônimo de olhar para Deus. O socorro não vem dos montes, vem do Senhor. Ele é dono de todo o universo. É dono de sua vida. Ele pode socorrer. Confie n’Ele. 


segunda-feira, 29 de julho de 2024

Salmo 120

Língua que abençoa

Era garoto e morávamos às margens do Rio Muriaé em Cardoso Moreira. Na margem oposta, uma senhora lavava roupa nas límpidas águas do caudaloso rio e uma lembrança que não me sai da cabeça era uma música entoada por ela. Dizia mais ou menos assim: “Água, água lava tudo, só não lava a língua dessa gente!”.

Ela devia ter suas razões assim como o poeta no Salmo 120. No verso dois, ele suplica: “Senhor, livra-me dos lábios mentirosos, da língua enganadora!”.

Alguém já disse que se dominarmos nossa língua teremos eliminado praticamente todos os problemas da vida, restando alguns poucos. 

Tiago, irmão de Jesus, advertiu que muitos com a mesma língua adoram a Deus e ofendem ao seu irmão. E ele questiona como pode “de uma mesma fonte sair bênção e maldição!”.

Um dos grandes erros que podemos incorrer é adorar a Deus no domingo no templo e durante a semana agredir as pessoas, difamá-las, provocar fofocas e alimentar o mal com a nossa língua.

“O que lhe será dado ou acrescentado, ó língua enganadora?”, indaga o poeta no verso 3.

Sua língua edifica ou destrói vidas?

domingo, 28 de julho de 2024

Salmo 119


O valor da Palavra

O Salmo cento e dezenove é o maior texto num capítulo de toda a Bíblia. São cento e setenta e seis versos, distribuídos em vinte e duas estrofes de oito versos cada uma. Cada estrofe representa uma letra do alfabeto hebraico. Em algumas versões, é comum aparecer o nome das letras, como Álefe, Bete, Guímel, Dálete até Tau, a última.

William MacDonald diz que o Salmo 119 tem sido chamado o alfabeto de ouro da Bíblia. A ênfase do Salmo é uma exaltação da Palavra de Deus. Praticamente todos os versos, com exceção de 3,37,84,90,121,122 e 132, apresentam uma referência direta à Palavra, que pode receber o nome de mandamentos, lei, preceitos, testemunho, decretos e outros.

No contexto dos Salmos, a palavra era a Torah, o que chamamos hoje de Pentateuco, os cinco primeiros livros da Bíblia. Hoje, temos a Palavra completa, o que chamamos de Bíblia.

É sabido que cada vez mais menos se lê e se interessa pela palavra de Deus. Isso é uma tragédia, pois a palavra é alimento para o cristão. E “felizes são os que andam na lei do Senhor” - Salmo 119.1.

Que lugar a palavra de Deus ocupa em sua vida?

sábado, 27 de julho de 2024

Seguir a Jesus com motivação correta


A base é o evangelho de João, capítulo 6, onde é narrada a multiplicação dos pães. O fato gera reação positiva no povo: “este é verdadeiramente o profeta que devia vir ao mundo” - v. 14. A seguir, acontece o evento de Jesus andar sobre as águas - vs. 16-21. No dia seguinte, uma multidão foi para outra banda do mar. Quer estar com Jesus. Provavelmente, a expectativa era: que mais Ele fará agora? Multiplicou pães, andou sobre as águas e, agora? Qualquer líder se encheria de si com a multidão se deslocando de um lado ao outro para ouvi-lo. Menos Jesus. 

A multidão esperava novidade e Ele apresentou. Pregou um sermão, mostrando que Ele era o pão vivo que desceu do céu. Outra reação se verifica: “Duro é este discurso; quem o pode ouvir?” - v. 60. E acontece uma debandada incrível, ficando só 12. “Quereis vós, também, retirar-vos”, pergunta Jesus? 

Resumimos os eventos para fazermos as seguintes aplicações: 

1) DEUS CONHECE NOSSAS VERDADEIRAS INTENÇÕES - v. 26. Qualquer um se gabaria de ter uma multidão para ouvi-lo, mas Jesus conhecia o que estava no mais íntimo do ser deles. Jesus conhece o nosso ser. Não adianta ter multidão com intenções escusas. 

2) SEGUIR A JESUS NÃO É UM NEGÓCIO - v. 27. Não é um toma lá, dá cá. A menos que se tome negócio como negação do ócio. Fora disso, não é uma negociação de vantagens. Cuidado com a Teologia da Prosperidade. Os valores são eternos e duradouros. 

3) A MOTIVAÇÃO CORRETA NOS LEVA A GOSTAR DAS COISAS DE DEUS - v. 60. Rejeitaram um sermão de Jesus. E que sermão! Vale a pena ser lido! Se fosse um sermão meu, ainda vai lá, mas de Jesus. O problema era a motivação incorreta: não gostaram do alimento! Embora o zelo pela qualidade deva existir (e procuramos fazer isso!), preocupa-me reações do tipo “não gosto disso”. Motivação correta nos faz gostar das coisas de Deus, mesmo que não seja do modo como fazemos. 

4) JESUS NÃO NEGOCIA OS PRINCÍPIOS ESPIRITUAIS - v. 67. A debandada em massa não influenciou Jesus. Pergunta corajosamente: “Quereis vós também retirar-vos?”. Paulo enfatizou: “Todos os que querem viver piamente em Cristo Jesus padecerão perseguição” - II Tm 3.12. O cristianismo não é uma proposta que vise à satisfação plena do cliente como fim em si mesmo. Em muitos casos, significa arranjar um problemão. A plenitude de vida não significa facilitar as coisas para agregar mais gente. É renúncia que Jesus exige. 

5) VALE A PENA SERVIR E SEGUIR A JESUS - vs. 68, 69. Pedro diz “para quem iremos?” e não “para onde iremos”. O Cristianismo é uma pessoa, um sacrifício (único), uma entrega. “Quem quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me” – Lc 9.23. 

A maior bênção de Jesus não se restringe a esta vida. É no porvir. É lá e não cá! Como diz Sérgio Pimenta, “Lá está o meu tesouro; lá, onde não há choro”.

*Pastoral do Pr. Neemias Lima publicada no informativo da Igreja Batista do Braga em 28.07.2024.

Salmo 118

Bondade e alegria

Uma curiosidade sobre o Salmo 118: ele está entre o menor e o maior dos salmos e, também, entre o menor e maior capítulo de toda a Bíblia. Dois temas chamam a atenção no texto: bondade do Senhor e alegria no viver.  

O primeiro tema, bondade do Senhor, abre e fecha o Salmo: “Deem graças ao Senhor, porque ele é bom!”. Deus é sempre bom e todas as suas ações, mesmo aquelas que nos desagradam, estão assentadas sobre sua bondade. Um lema muito interessante para nossa caminhada é: Deus é bom o tempo todo, o tempo todo Deus é bom!

O segundo tema, alegria no viver, está registrado no verso 24: “Este é o dia que nos fez o Senhor, alegremo-nos e regozijemo-nos nele”. Alegrar-se e regozijar-se independentemente do que aconteça. A convicção de que o dia foi uma bênção providenciada pelo Senhor deve ser o fundamento para nossa motivação. 

Reconhecer a bondade do Senhor e alegrar-se independentemente do que aconteça não é uma atitude para mascarar a realidade. Podemos chorar e revelar nossa dor, mas sempre nos lembrando da bondade do Senhor e que Ele está no controle.

sexta-feira, 26 de julho de 2024

Salmo 117

Pequeno grande salmo

O Salmo 117 é o menor do livro e o menor capítulo da Bíblia. Na íntegra, o texto é: “Louvai ao Senhor, vós todos os gentios, louvai-o, todos os povos. Porque mui grande é a sua misericórdia para conosco, e a fidelidade do Senhor subsiste para sempre. Aleluia!” - Salmo 117.1-2.

Embora pequeno, tem grandes ensinos.

Em primeiro lugar, a relação adorador e criador não é privilégio de um grupo específico. Todos os povos podem e devem louvar ao Senhor. Deus não é exclusivista, mas inclusivista. Todos podem se relacionar com ele.

Em segundo lugar, o poeta apresenta o fundamento dessa inclusão: “Porque mui grande é a sua misericórdia para com o seu povo”. Deus sempre olha para o homem como um miserável que precisa de seu amor e compreensão. Não é um olhar para envergonhar, tripudiar, mas para recuperar, nova oportunidade dar. Alguém já sugeriu que misericórdia é Deus olhar nossa miséria (míser) com o coração (cord).

Em terceiro lugar, a fidelidade do Senhor dura para sempre. Deus não muda de opinião de acordo com seu humor, ele sempre se manterá fiel ao seu caráter.

Que pequeno grande salmo!

quinta-feira, 25 de julho de 2024

Salmo 116


Declaração de amor

O Salmo 116 começa com uma declaração de amor: “Amo ao Senhor...”. E tem uma razão: “...porque ele ouviu a minha voz e a minha súplica. Porque inclinou a mim os seus ouvidos...”.

E o poeta acrescenta: “Piedoso é o Senhor e justo; o nosso Deus tem misericórdia. O Senhor guarda aos símplices; fui abatido, mas ele me livrou”.

Sua experiência foi dolorosa: “Os cordéis da morte me cercaram, e angústias do inferno se apoderaram de mim; encontrei aperto e tristeza”.

Embora fosse triste a sua experiência, ele tem convicções firmes: “...portanto, o invocarei enquanto viver. Então invoquei o nome do Senhor, dizendo: Ó Senhor, livra a minha alma”.

E a sua declaração passa pela gratidão: “Que darei eu ao Senhor, por todos os benefícios que me tem feito?”. Pergunta cujas respostas sinalizam nossa condição de pecador, nada podemos fazer, apenas receber: “Tomarei o cálice da salvação, e invocarei o nome do Senhor. Pagarei os meus votos ao Senhor, agora, na presença de todo o seu povo”.

Você pode declarar seu amor e oferecer sua gratidão ao Senhor mesmo que a experiência seja dolorosa. Faça isso!

quarta-feira, 24 de julho de 2024

Salmo 115


Glória devida ao nome certo

Assim começa o poeta no Salmo 115: “Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao teu nome dá glória, por amor da tua benignidade e da tua verdade”.

O mundo moderno tem criado seus deuses e toda a glória é requerida para o ser humano. Da mesma maneira que se condena a idolatria a partir de confecção de objetos, deve-se combater a idolatria que apresenta o homem como capaz de resolver os seus problemas.

Há clara diferença entre Deus e os ídolos feitos por mãos humanas: “Os ídolos deles são prata e ouro, obra das mãos dos homens. Tem boca, mas não falam; olhos tem, mas não vêem. Tem ouvidos, mas não ouvem; narizes tem, mas não cheiram. Tem mãos, mas não apalpam; pés têm, mas não andam; nem som algum sai da sua garganta” - Salmo 115.4-7.

Um dos maiores problemas ao se adorar ídolos é: “A eles se tornem semelhantes os que os fazem, assim como todos os que neles confiam” - Salmo 115.8.

Deixar de confiar no Senhor Deus e confiar em ídolos ou em si mesmo é uma insensatez. Por isso, “Casa de Arão, confia no Senhor; ele é o seu auxílio e o seu escudo. Vós, os que temeis ao Senhor, confiai no Senhor; ele é o seu auxílio e o seu escudo. O Senhor se lembrou de nós; ele nos abençoará; abençoará a casa de Israel; abençoará a casa de Arão” - Salmo 115.8-11.

terça-feira, 23 de julho de 2024

O Salmo do êxodo


Êxodo significa saída ou partida. No contexto bíblico, lembra a história do povo de Israel saindo do Egito como cumprimento do programa de Deus para levar o povo à terra prometida.

O Salmo 114 realça a experiência, atente para os versos 1 e 2: “Quando os descendentes de Jacó, o povo de Israel, saíram do Egito, aquela terra estrangeira, Judá se tornou o povo escolhido de Deus”.

Mudanças sempre apresentam suas implicações, tempo de dores, dissabores, temores, saudades, temeridades. Embora fosse um livramento, como cortar os relacionamentos, os amigos, os vizinhos?  

Tais implicações despertaram mais de uma vez o desejo de voltar ao Egito. O povo reclamava e até blasfemava, liderá-lo não foi fácil, a ponto de Moisés apenas avistar a terra prometida e não entrar nela. A questão mais difícil não era sair do Egito, era o Egito sair deles. O Egito representava comodidade, zona de conforto, garantia de sustento. Mas eles tinham o Deus da provisão e nada lhes faltou, de tudo Deus os supriu.

De que Egito você precisa sair? Que Egito precisa sair de você? Deus é capaz de transformar êxodo em êxito. Acredite nisso!

segunda-feira, 22 de julho de 2024

Salmo 113


Mãe, pai e filhos do coração

“Deus faz com que a mulher que não tem filhos seja respeitada no seu lar e a torna feliz, dando-lhe filhos” - Salmo 113.9.

Com raríssimas exceções, todo casal, principalmente a mulher, deseja ter filhos. A expectativa pela chegada de filhos é uma extraordinária experiência. A expectativa traz em si preocupação, tensão e ansiedade. Ao experimentar a tristeza da impossibilidade de alcançar a paternidade e maternidade, o casal se frustra e, algumas experiências, tem sido dramáticas para a família.

Deus pode intervir operando o milagre, como fez no caso de Ana, mãe de Samuel. Mas também pode não intervir dessa forma e o casal carrega uma tremenda frustração.

Os filhos podem ser do coração. O milagre realizado por Deus é de sensibilizar o casal sobre a realidade de muitas crianças que esperam ter um lar, onde crescerão cercadas de carinho e amor.

Tadeu e Carol, a quem presto especial homenagem, lutaram para ter filhos naturalmente. Mas aprouve a Deus não acontecer assim. Venceram todos os medos e adotaram Hadassa e Priscila. 

Que gesto lindo, parabéns, Tadeu e Carol.

Todos nós podemos ter vários filhos, filhos do coração.

domingo, 21 de julho de 2024

Salmo 112

Um coração generoso

Salmo 112.5ª e 9: “Feliz aquele que tem pena dos outros e empresta generosamente... Ele dá generosamente aos pobres, e a sua bondade dura para sempre”.

Pr. Israel Belo de Azevedo comenta sobre ser generoso na Bíblia Sagrada Bom Dia:

“Generoso é quem faz mais do é esperado dele, ele inclusive.

Generoso é quem não depende da reciprocidade. Sua bondade é unilateral.

Generoso é quem não tem a última palavra, tendo sempre razão. Ele não tem dificuldade em reconhecer que está errado. 

Generoso é quem não tem a cara amarrada, antecipando a briga, mesmo aquela que jamais acontecerá. O generoso não briga.

Generoso é quem, embora tendo todas as razões, não é amargo.

Generoso é quem trata a todos como irmãos, mesmo que desconhecidos.

Generoso é quem não ostenta.

Generoso é quem alimenta o gosto do outro.

Generoso é quem sabe que o melhor da vida não se compra; recebe-se. Só se recebe quando alguém dá. 

Generoso é quem sabe que o que tem recebeu de graça”.

Quatro pessoas sabem se você é generoso: Deus, o Diabo, você e seu próximo. E aí, qual será o juízo de cada uma delas?

Você é generoso ou generosa?

sábado, 20 de julho de 2024

Escolhas e consequências*


Deus nos deu a capacidade de fazer escolhas. Somos livres para isso. Podemos fazer nossas escolhas e Deus não se intromete nisso. A responsabilidade das escolhas é nossa. Mas as consequências não podemos escolher. Elas são determinadas pelas nossas escolhas. Há escolhas cujas consequências atingirão apenas a nós, mas indiretamente o sofrimento possa outros também. Há escolhas que atingirão diretamente às pessoas que estão próximas de nós.

Exemplo:

Você está entre dois trilhos de uma linha de trem e ouve o barulho da buzina de um trem que se aproxima. Logo visualiza o trem se aproximando na curva próxima. Ele se aproxima bem rápido, você deve fazer uma escolha: continuar ali ou pular e sair. Fazendo isso, você estará salvo. Permanecendo ali, você será esmagado pelo trem. É uma escolha que atinge apenas você diretamente, embora pessoas de seu relacionamento também venha a sofrer.

Outro exemplo:

Você está próximo de uma linha de trem e vê que um homem cego e machucado está entre os trilhos. Você ouve o barulho da buzina de um trem que se aproxima e o trem se aproximando na curva próxima. Ele se aproxima bem rápido, você deve fazer uma escolha: deixar aquele homem ali ou se aproximar dele e arrastá-lo para fora da linha. Fazendo isso, ele estará salvo. Deixando-o ali, ele será esmagado pelo trem. Sua escolha atingiu um homem cego e machucado.

Como cristão, você fará escolhas que atingirão os outros que estão próximos e estão cegos e machucados, com fome espiritual e física. Como você tem agido?

São palavras de Jesus: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda a criatura. Façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-lhes a guardar todas as coisas que vos tenho mandado até a consumação dos séculos” - Marcos 16.15 e Mateus 28.19-20.

Jesus orientou e espera que obedeçamos. Que escolha você fará?

*Pastoral do dia 21 de julho de 2024 

Salmo 111

Aleluia!

O verso primeiro do Salmo 111 é assim: “Aleluia! Na reunião do povo eu louvarei a Deus, o Senhor, com todo o meu coração, junto com os que lhe obedecem”.

Comentando este verso na Bíblia Sagrada Bom Dia, o Pr. Israel Belo de Azevedo apresenta uma reflexão como o título “Como começar uma oração”. Diz ele: “Este salmo começa como sempre terminamos, com um “aleluia”, isto é, com um “louvado seja o Senhor”. Começar um poema assim deve ser um estímulo para que comecemos nosso dia dessa maneira: dando aleluias, não importando o que venha. A fé nos faz agradecer pelo que vamos receber. A fé nos faz ver atos de Deus em nosso favor. A fé nos faz meditar no que ele nos faz. Cantar “aleluia” no fim é um ato de gratidão. Entoar “aleluia” no começo é um ato de fé. A fé nos capacita a ver como Deus é. A fé nos ensina a viver a vida como ela deve ser vivida”.

Você já refletiu sobre como você inicia o seu dia? Você sabe que a maneira como você começa determinará quase que totalmente o desenvolvimento dele até o seu deitar?

Comece o dia com um ato de fé, brade aleluia!