sexta-feira, 19 de julho de 2024

Pr. Diego Bravim, novo Diretor Executivo, declara: “Os batistas fluminenses podem esperar, pois teremos uma convenção dinâmica!”.

Pr. Diego Bravim, sua esposa Gleiziany
e as filhas Elisa e Alice

Com vários representantes de diversos segmentos da estrutura denominacional batista no Brasil, tomou posse como Diretor Executivo da Convenção Batista Fluminense nesta sexta-feira, dia 19 de julho, o Pr. Diego Juliano Bravim. 

O novo comandante da dinâmica estrutural dos batistas fluminenses vem do Espírito Santo e por onze anos foi o Diretor Executivo dos batistas capixabas. Sua gestão foi marcada por dinamismo tão visível e prático que o reconhecimento pelo seu trabalho é testemunhado por todos os que puderam acompanhar.

Em entrevista exclusiva ao Folha Evangélica como Diretor Executivo da Convenção Batista Fluminense, Pr. Diego Bravim apresentou as pautas que nortearão sua gestão.

Participando do Conselho da CBB

Você é conhecido da liderança atual, mas desconhecido do povo batista fluminense em geral. Quem é Diego Juliano Bravim?

Eu me converti aos 6 anos e fui batizado aos 9. Tenho 14 anos de ministério, sou casado com Gleiziany Rodrigues Bravim e temos duas filhas: Elisa Rodrigues Bravim e Alice Rodrigues Bravim. Por 11 anos, atuei como Diretor Geral da Convenção Batista do Estado do Espírito Santo. Tenho formação em Teologia, sou Bacharel em Administração e MBA em Gestão e Liderança.

Quais as qualidades pessoais um Diretor Executivo precisa para ser bem sucedido em seu trabalho?

Creio que o executivo de uma denominação precisa ser uma pessoa com coração pastoral, disposto a servir com humildade e com zelo às pessoas e com a estrutura. Saber ouvir a todos mesmo os que pensam diferente.

Com o grande amigo Pr. Raphael Abdalla na Câmara Federal

Com a sua experiência de gestor, como define a sua gestão?

Gestão se divide em duas formas: pessoas e líderes, estrutura e números. Gestão tem relação com mordomia e zelo pelos outros e por uma estrutura que pertence ao Senhor e as igrejas. 

Sua atuação como Diretor Executivo da Convenção Batista do Espírito Santo é elogiada por todos os batistas capixabas. Segundo informações, assim que assumiu, a situação financeira e cooperativa estava muito acanhada e acúmulo de dívidas. Dados apontam semelhanças com a realidade aqui. Que podem esperar os batistas fluminenses?

Vamos trabalhar com muita dedicação, sem medir esforços para cumprir responsabilidades financeiras, mas, para que isso aconteça, vamos dedicar tempo a ouvir, estar junto e unir o campo em torno de um projeto. Os batistas fluminenses podem esperar de nós uma força com muita motivação e sonhos, mas com muita responsabilidade. Tenho certeza de que voltaremos a ser um referencial de relevância às igrejas do campo e, também, a nossa nação. 

Com a família sendo homenageado pela
Convenção Batista do Estado do Espírito Santo

O carro chefe de arrecadação em nossa estrutura denominacional é o Plano Cooperativo. Qual a estratégia para revolucioná-lo, aderindo mais Igrejas cooperantes?

Creio que como batistas temos uma responsabilidade do que é pactuado em nossas doutrinas e documentos que regem nossa atuação. O Plano Cooperativo não é uma obrigação, mas é um ato de fidelidade. Sua recuperação será natural, a partir do momento que apresentarmos propostas ao campo para o benefício da igreja e expansão do reino.

A Convenção Batista Fluminense carrega uma "fama" de estar num Estado muito evangelizado. Você entende que a Evangelização é uma das prioridades para uma Convenção?

Creio que temos muitas pautas importantes, a evangelização é, sem dúvida, nosso alvo principal. Porém focaremos intensamente no discipulado das novas gerações, mentoria de pastores da nova geração, cuidado com o pastor e família pastoral, capacitação de líderes, fortalecimento da educação cristã e teológica, fortalecimento de nossas organizações, gestão enxuta e transparente. 


Impressões através das mídias dão conta que sua gestão foca muito no treinamento de líderes. Fale sobre isso.

Creio que a base principal de fortalecimento de uma igreja está relacionada ao investimento no discipulado e preparação de líderes para o serviço. É importante cuidar do coração do líder, dar a ele ferramentas e apoio para o exercício de sua função ministerial. Gosto de investir nessa área, pois sei que a longo prazo dará retorno sem dúvida alguma .

Os batistas fluminenses terão um executivo de escritório ou um homem do campo?

Sei da importância de um escritório para organização e gestão do que será produzido. Meu objetivo é potencializar e formar equipe para que eu possa ir ao campo e estar com todas as associações e assisti-las de perto em suas necessidades e conhecer as igrejas do campo. Estar no campo é o grande clamor dos líderes e igrejas, responderemos à altura esse pedido. 

Considerações finais:

Estou muito feliz em poder servir a maior convenção da América Latina, mas feliz ainda em estar onde Deus quer que eu e minha família estejamos. Venho para o campo Fluminense com uma missão e por convicção da vontade de Deus. Peço aos pastores e igrejas paciência neste primeiro momento, peço apoio, creio que se dermos as mãos e caminharmos juntos construiremos um grande legado as próximas gerações. Os batistas fluminenses podem esperar pois teremos uma convenção dinâmica, com identidade que respeita a história mas que se relaciona com as necessidades do hoje. Juntos somos mais fortes.

Salmo 110

Somos sacerdotes

O Salmo 110 é o texto do Antigo Testamento mais citado no Novo Testamento. Nenhuma outra passagem é comparada a ele. Em relação a Cristo e seu reino, ele é citado 21 vezes. Jesus o cita, o apóstolo Pedro também e o escritor aos Hebreus não economiza e 10 alusões ao Salmo aparecem em sua epístola. É um texto messiânico e Jesus e Pedro referem-se a ele como sendo de Davi.

O verso quatro do Salmo é extraordinário. Diz assim: “O Senhor jurou e não se mudará: Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque”. Fala de Jesus como nosso sacerdote. O sacerdote por excelência. Maior do que todos e tudo!

O sacerdócio de Jesus Cristo no garante a possibilidade de ir a ele e ser representado por ele diante do Pai. Não precisamos ter medo, pois o filho, sacerdote, nos apresenta ao Pai, nosso Senhor.

Em Cristo, somos feitos reis e sacerdotes. Não precisamos de nenhum representante, podemos ir diretamente a Cristo, ele nos representará diante do Pai. 

Você tem dúvidas com relação à vida? Você tem medo do amanhã? Vá direto a Cristo e compartilha com ele, como sacerdote, ele nos levará ao Pai.

quinta-feira, 18 de julho de 2024

CBF dará posse a novo Diretor Executivo

 
    

Dono de impressionante carisma, o flamenguista DIEGO JULIANO BRAVIM, pastor batista, formado em Teologia, Administração e MBA em Gestão e Liderança assumirá a Direção Executiva da CBF - Convenção Batista Fluminense.

Trazendo na bagagem a passagem vitoriosa como Diretor Geral da Convenção Batista do Espírito Santo, onde por 11 anos capitaneou as investidas dos batistas capixabas, sua chegada ao campo fluminense é vista como uma oportunidade de mudança de realidade, considerando alguns desafios que atualmente são enfrentados, principalmente a considerável queda na arrecadação do Plano Cooperativo e problemas de ordem financeira na estrutura, envolvendo a JUNEDAS - Junta de Educação e Ação Social em suas duas áreas de atuação, o Colégio Batista Fluminense e o Lar Pr. Antônio Soares Ferreira.

A escolha do novo Diretor Executivo foi uma surpresa, sendo o primeiro a assumir a função vindo de outro estado. Nas rodas de conversa durante os trabalhos convencionais esta semana em Rio Bonito, o papo predominante é que foi uma carta tirada da manga do maior conhecedor da história dos batistas fluminenses na atualidade, Pr. Dr. Vanderlei Batista Marins.

A posse do novo Diretor acontecerá no dia 19 de julho, às 19h30, no aprazível Acampamento Batista Fluminense, local que recebe a 115ª Assembleia da Convenção. A posse será dada pelo Pr. Dr. Vanderlei Batista Marins e o pregador da noite será o Pr. Raphael Abdalla (foto abaixo), Presidente da Convenção Batista do Espírito Santo e Pastor da Primeira Igreja Batista de Guarapari que, apesar de bem jovem, é hoje, muito provavelmente, o pregador batista com maior atuação de pregação em todo o Brasil.






Salmo 109

O mal não vence o mal

“Incita contra ele um ímpio...” - Salmo 109.6ª.

Este é mais um texto imprecatório. Que é um texto imprecatório, alguém pode perguntar? É um forte desejo que algo de mau aconteça a quem nos persegue. É uma espécie de praga, maldição. Você já deve ter ouvido a expressão: está rogando, ou jogando, praga para mim?

Uma outra reflexão que pode ser feita é: então, é permitido agir assim, desejar o mal para quem nos agride ou nos faz alguma mal, visto que a Bíblia registra tal situação? Não, não é permitido. A Bíblia registra a atitude, não a prescreve. É um texto narrativo, não normativo.

A proposta do evangelho é que o mal se vence com o bem. Lembra-se de Estêvão que, mesmo sendo violentamente apedrejado, levantou sua voz aos céus e disse: “Senhor, não lhes imputes este pecado!”. Que atitude linda e madura! 

Ah, pastor, isso não é fácil. E quem disse que seria fácil! Mas é possível! O texto registra que Estêvão, enquanto era apedrejado, não olhava para a terra e nem para as pedras, olhava para o céu! Aqui está o segredo, olhar para o céu quando for perseguido! Para onde você olha?

quarta-feira, 17 de julho de 2024

Salmo 108



Coração firme

É de Charles Haddon Spurgeon, pregador batista inglês do século XIX, o seguinte comentário: “As rodas de um carro giram, mas o eixo não; as asas de um moinho se movem com o vento, mas o moinho propriamente dito não se move; a terra é levada ao redor da sua órbita, mas o seu centro é fixo. Assim, o cristão deve ser capaz de dizer entre cenários variáveis e a sorte mutável: Firme está o meu coração, ó Deus”.

E é assim que o Salmo 108 inicia: “Firme está o meu coração, ó Deus! Cantarei e entoarei louvores de toda a minha alma”. Coração firme, necessidade fundamental para a caminhada da vida, muitas vezes marcada por temporais, tentando desestabilizar o cristão.

Há cristão que se curva e se prostra diante de qualquer dificuldade. Qualquer ventinho o desestabiliza e o deixa desesperado. Lembro-me de meu pai que, ao enfrentar um terrível temporal, com relâmpagos e trovoadas ensurdecedoras, dizia: “Só peço a Deus sabedoria e saúde para vencer essa batalha”. E venceu!

Coração firme recita o último verso do salmo: “Em Deus, faremos proezas, pois ele mesmo pisará os nossos inimigos”.

terça-feira, 16 de julho de 2024

Batistas Fluminenses terão Assembleia com grandes expectativas

 


A partir de amanhã, dia 17, até o próximo sábado, o batistas membros das Igrejas Batistas do Estado do Rio de Janeiro, exceto a capital, estarão reunidos em seu encontro deliberativo anual. Será a 115ª assembleia ordinária da Convenção Batista Fluminense. O evento acontecerá no Acampamento Batista de Rio Bonito, lugar aconchegante, com espaço muito agradável de contato com a natureza.


Pr. Dr. Vanderlei Batista Marins (foto) presidirá pela 17ª vez o encontro, tornando-se o segundo que mais vezes presidiu a Convenção, perdendo apenas para o lendário Manoel Avelino de Souza, de saudosa memória, pastor da Primeira Igreja Batista de Niterói. Sua presidência é marcada pela competência com profundo conhecimento de toda a estrutura e comando parlamentar, sempre pautado pela nobreza e fidalguia no trato com os mensageiros. 

Em publicação no Instagram oficial da Convenção, a diretoria apresentou os motivos para você não faltar, conforme se vê no quadro abaixo:


Dois momentos muito esperados envolvem a Diretoria Executiva da Convenção com as despedidas do Pr. Amilton Ribeiro Vargas que, por dezoito anos, serviu com competência e dedicação e, por dez anos, foi seu gestor principal e a posse do novo Diretor Executivo Pr. Diego Bravim. Vindo do Espírito Santo, onde por dez anos serviu aos batistas capixabas, deixou marcas de uma gestão vitoriosa e, segundo informações, a Convenção Batista do Espírito Santo viveu seus melhores dias em toda a sua história.

A assembleia tem em sua programação a aprovação dos relatórios do Conselho Geral e das organizações e os programas que deverão nortear a Convenção nos próximos anos. Um assunto que tem repercutido nos encontros regionais e que causa preocupação é a situação financeira do Colégio Batista Fluminense que, por certo, terá por parte do Conselho Fiscal e Diretoria as explicações plausíveis.

O encontro dos batistas fluminenses é sempre um tempo de comunhão, alegria e encorajamento.

 

Salmo 107


Erro pedagógico

É bom lembrar que o livro dos Salmos está dividido em cinco livros. O Salmo 107 abre o quinto livro e até o 150 é o segundo mais extenso em termos de conteúdo e número de versos. Em sua grande maioria, a ênfase do quinto livro é na adoração pública.

O último verso do Salmo 107 é assim: “Quem é sábio atente para essas

coisas e considere as misericórdias do Senhor”. O final da profecia de Oséias também registra a necessidade de ser sábio. No verso 9 do capítulo 14, lemos: “Quem é sábio, que entenda estas coisas! Quem é inteligente, que as compreenda! Porque os caminhos do Senhor são retos e os justos andarão neles, mas os transgressores neles cairão”.

A sabedoria não está necessariamente em descobrir coisas novas e aprender conteúdo que norteará a caminhada. Ela reside também na experiência de aprender com os erros dos outros. Em vez de nos alegramos com os erros do semelhante, deveríamos, prostrados, suplicar ao Senhor por misericórdia por ele, e, como diz o ditado popular, colocar nossa barba de molho e aprender a lição para não incorrermos no mesmo problema. Caso contrário, não seremos sábios, mas insensatos.

segunda-feira, 15 de julho de 2024

Salmo 106



Graça X Ingratidão

O título do Salmo 106 na versão Nova Almeida Atualizada é: “A graça de Deus e a ingratidão de Israel”. Que contraste! Enquanto Deus deságua sua graça sobre o povo e não se desvia de sua fidelidade, o povo devolve, reage, responde com ingratidão. O Salmo 105 é lembrado pela fidelidade de Deus. O Salmo 106, pela infidelidade do povo.

Parece experiência apenas dos outros. Mas seja sincero: não é o que ocorre com a gente também? Como respondemos ao amor de Deus? Como retribuímos as bênçãos recebidas?

O povo tinha consciência disso e não terceirizava, ou transferia, sua culpa. No verso 6, o registro é bem incisivo: “Pecamos, como os nossos pais; cometemos iniquidade, procedemos mal”.

Embora o povo agisse assim, Deus não mudava seu caráter: “Deus olhou para eles quando estavam angustiados e lhes ouviu o clamor; lembrou-se, a favor deles, de sua aliança e se compadeceu, segundo a multidão de suas misericórdias”.

Independentemente do que você fizer, Deus continuará sendo fiel. Mas tem um perigo: Ele não nos livra de sofrermos as consequências de nossas escolhas. Entendeu?

domingo, 14 de julho de 2024

Salmo 105

Condução leve a agradável

O Salmo 105, assim como o 106, é um salmo histórico. Fala da história de Israel desde a experiência de Abraão com Deus, em que uma aliança divina foi firmada.

No Salmo 105, vemos a confirmação da fidelidade de Deus sobre o povo e seu compromisso de cumprir fielmente o que estabeleceu, independentemente das ações do povo. É muito comum encontrar gente que acredita ser abençoado por sua fidelidade a Deus. É um engano, até porque nunca o homem conseguirá ser totalmente fiel. Mas Deus, não, Ele é totalmente fiel e não se desvia de sua deliberada decisão de cuidar do homem.

Na experiência da fidelidade divina, encontramos uma condução, direção por parte de Deus bem leve e agradável. Não se trata de uma direção opressora, pesada, marcada pela dureza, orientada por rigor como de déspotas.

Os versos 43 e 44 registram a leveza da condução divina: “E conduziu com alegria o seu povo e, com jubiloso canto, os seus escolhidos. Deu-lhes as terras das nações, e eles se apossaram do trabalho dos povos”.

O objetivo de condução assim está no verso 45: “para que lhe guardassem os preceitos e lhe observassem as leis. Aleluia!”.

sábado, 13 de julho de 2024

Salmo 104

O Deus magnificente



Depois que perdi o medo de viajar de avião e passei a contemplar o cenário pela janela fique sobremodo impactado. Concluí que desfrutava de privilégio que nem todos podiam de olhar de cima das nuvens toda a beleza e imaginei como deve ser extraordinária a experiência dos astronautas que vasculham o universo em outros planetas.

O salmista revela sua admiração: “Que variedade, Senhor, nas tuas obras! Fizeste todas elas com sabedoria; a terra está cheia das tuas riquezas. Eis o mar, vasto, imenso, no qual se movem seres sem conta, animais pequenos e grandes. Por ele, transitam os navios e o monstro marinho que formaste para nele brincar” - Salmo 104.24-26.

Reconhecer a grandeza de Deus deve provocar uma atitude de reverência, de submissão e de comprometimento com a sua pessoa. Fora disso, é poesia produzida com a frieza de um competente poeta.

A revelação da grandeza de Deus não tem como objetivo humilhar o homem, enquadrá-lo em sua condição de pequenez, mas apresentar elementos palpáveis da relação criatura & criador.

Curve-se diante da grandeza de Deus!

sexta-feira, 12 de julho de 2024

Gênesis 22.2,3 e 4


Por Neemias Lima*

“E disse: Toma agora o teu filho, o teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá, e oferece-o ali em holocausto sobre uma das montanhas, que eu te direi. Então se levantou Abraão pela manhã de madrugada, e albardou o seu jumento, e tomou consigo dois de seus moços e Isaque seu filho; e cortou lenha para o holocausto, e levantou-se, e foi ao lugar que Deus lhe dissera. Ao terceiro dia levantou Abraão os seus olhos, e viu o lugar de longe”.

Para alguns, isso é mito. Abraão é mito. Isaque também. E esse evento é narrativa humana. Mas, admitamos que seja mito, em nada diminui os princípios que se fazem presentes na dramática história. É bom lembrar que considerar um texto mito não é atitude relacionada à falta de fé ou descrença em Deus. 

Cremos como sendo palavra de Deus, independentemente de sua comprovação e, deixando de lado tais questões, reflitamos:

1º - Oferta especial. Que Isaque temos oferecido a Deus? Via de regra, pede-se muito e oferece-se pouco, ou nada. E alguns, oferecem o que sobeja, o menos importante. É de arrepiar: teu único filho, a quem amas.

2º - Obediência total. Sem pestanejar, obedeceu. Sem questionar, tomou todas as providências: levantou-se de madrugada (hora do silêncio, ninguém vê), albardou o jumento, convocou dois servos e foi ao lugar determinado. É melhor obedecer do que sacrificar, disse Samuel a Saul. Abraão obedeceu e sacrificaria.

3º - Confiança plena. Fé. O escritor aos Hebreus exaltou: “Pela fé ofereceu Abraão a Isaque, quando foi provado; sim, aquele que recebera as promessas ofereceu o seu unigênito” - Hebreus 11.17. Como diz a linguagem virtual, “os incrédulos pira”.

4º - Persistência dolorosa. Para alguns, Isaque sabia que era o “cordeiro” para aquele sacrifício. Suas intervenções durante a viagem são denunciadoras. Que dor! Persistir na obediência causava dor. Três dias que pareciam milênios.

5º - Visão acurada. Levantou os seus olhos e viu o lugar de longe. A obediência não é cega. Tem-se a visão ampliada. É de Jesus a orientação: “Levantem os olhos e vejam os campos, que já estão brancos para a ceifa”.  

Dois destaques:

1º - Gênesis 22.2,3,4 é importante na vida de Abraão porque teve Gênesis 12.1-4. Aquele é consequência deste. Antes de oferecer Isaque, ofereceu-se a si mesmo. Cortou todos os laços afetivos e foi ao desconhecido.

2º - Gênesis 22.2,3,4 é presente em nossa vida. Somos desafiados a apresentar oferta especial, mostrar obediência total, demonstrar confiança plena, sofrer persistência dolorosa e desenvolver visão acurada.

Quem deseja se lançar a qualquer desafio precisa passar por Gênesis 22.2,3,4. E conversar com Abraão. Ele dará a receita: oferta especial, obediência total, confiança plena, persistência dolorosa e visão acurada.

Deus não precisava provar Abraão. Ele oportunizava condições para que ele tivesse prova de seu amor. E, no final, Isaque foi substituído por um cordeiro escondido. Assim como eu e você por Jesus na cruz. 

Deseja assumir o desafio? Deus cuidará do final.

*Pastor da Igreja Batista no Braga em Cabo Frio

Salmo 103

Bênçãos muito mais que materiais

Somos convidados a não nos esquecermos dos benefícios do Senhor: “Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e tudo o que há em mim bendiga o seu santo nome. Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e não te esqueças de nenhum de seus benefícios. Ele é o que perdoa todas as tuas iniquidades, que sara todas as tuas enfermidades, que redime a tua vida da perdição; que te coroa de benignidade e de misericórdia, que farta a tua boca de bens, de sorte que a tua mocidade se renova como a da águia” - Salmo 103.1-5.

Perdão, cura, redenção, reconhecimento, provisão e renovo são bênçãos alistadas pelo salmista. Não sei se intencional, mas a relação tem início com bênção espiritual. Parece-me que a tendência atual é em outra direção. Tudo se volta para o aqui. O ali é sempre esquecido.

É possível, e eu creio assim, que o envolvimento com Deus traga benefícios materiais. Mas a essência de sua bênção está no invisível, no que não se pode tocar nem perceber com os olhos físicos. Há cristãos muito mais próximos de Deus do que nós em grandes sofrimentos neste mundo afora.

Mesmo que materialmente você não tenha muito a agradecer, lembre-se de que Deus te concedeu o bem maior, a salvação eterna.

quinta-feira, 11 de julho de 2024

Salmo 102


Tempo da angústia

Você já experimentou alguma situação aflitiva que parecia o chão ter formado uma cratera e a abóbada celeste desabado sobre sua vida? Momento de tensão, não é verdade? Dúvidas, incertezas, inquietações, perguntas sem respostas, respostas vazias, insegurança, dores, dissabores, dilemas e problemas, tudo parece conspirar contra você.

Era assim que o poeta se encontrava ao escrever o Salmo 102. Ele não rodeia e ora assim: “Não me ocultes o rosto no dia da minha angústia; inclina-me os ouvidos; no dia em que eu clamar, dá-te pressa em acudir-me” - verso 2. Na versão Linguagem de Hoje é assim que lemos: “Ó Senhor, ouve a minha oração e escuta o meu grito pedindo socorro!”.

Ao rasgar o coração, o poeta revela um equívoco: pensava que Deus abandona os necessitados no tempo da angústia. Até hoje é assim e é possível que você já tenha pensado assim ou, quem sabe, esteja pensando.

Reforçando um ensino: Deus nunca abandona o ser humano, seja na bonança ou no tempo de aflição. Independentemente do que tenha acontecido, o Eterno estará sempre caminhando com você! Creia nisso!

quarta-feira, 10 de julho de 2024

Salmo 101


O caminho da integridade

Na versão Nova Almeida Atualizada, o Salmo 101 recebe o título de “Promessas de um rei”. Sinceramente, achei meio reduzido em função da grandeza que o Salmo trata. Penso que melhor seria “A perseguição da integridade” ou “Um rei que lutou pela integridade”.

Bem no início do poema, o poeta apresenta sua identidade: “Quero com sabedoria refletir no caminho da perfeição. Quando virás ao meu encontro? Em minha casa andarei com sinceridade de coração” - Salmo 101.2. Atente bem para sua decisão: refletir no caminho da perfeição e andar com sinceridade de coração.

E não para por aí. No verso terceiro, é bem assertivo: “Não porei coisa injusta diante dos meus olhos. Detesto a conduta dos que se desviam. Nada disto se pegará em mim”. No sétimo verso, reitera sua decisão: “Não ficará em minha casa o que usa de fraude; o que fala mentiras não permanecerá diante dos meus olhos”.

Com a intenção de alcançar sucesso em seu intento, ele assume: “Os meus olhos procurarão os fiéis da terra para que morem comigo” - Salmo 101.6.

Trilhe o caminho da integridade, é possível!

terça-feira, 9 de julho de 2024

Escalando os degraus do sucesso*


Josué 1.1-13

1 E sucedeu depois da morte de Moisés, servo do SENHOR, que o SENHOR falou a Josué, filho de Num, servo de Moisés, dizendo:

2 Moisés, meu servo, é morto; levanta-te, pois, agora, passa este Jordão, tu e todo este povo, à terra que eu dou aos filhos de Israel.

3 Todo o lugar que pisar a planta do vosso pé, vo-lo tenho dado, como eu disse a Moisés.

4 Desde o deserto e do Líbano, até ao grande rio, o rio Eufrates, toda a terra dos heteus, e até o grande mar para o poente do sol, será o vosso termo.

5 Ninguém te poderá resistir, todos os dias da tua vida; como fui com Moisés, assim serei contigo; não te deixarei nem te desampararei.

6 Esforça-te, e tem bom ânimo; porque tu farás a este povo herdar a terra que jurei a seus pais lhes daria.

7 Tão-somente esforça-te e tem mui bom ânimo, para teres o cuidado de fazer conforme a toda a lei que meu servo Moisés te ordenou; dela não te desvies, nem para a direita nem para a esquerda, para que prudentemente te conduzas por onde quer que andares.

8 Não se aparte da tua boca o livro desta lei; antes medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer conforme a tudo quanto nele está escrito; porque então farás prosperar o teu caminho, e serás bem sucedido.

9 Não to mandei eu? Esforça-te, e tem bom ânimo; não temas, nem te espantes; porque o Senhor teu Deus é contigo, por onde quer que andares.

10 Então Josué deu ordem aos príncipes do povo, dizendo:

11 Passai pelo meio do arraial e ordenai ao povo, dizendo: Provede-vos de comida, porque dentro de três dias passareis este Jordão, para que entreis a possuir a terra que vos dá o Senhor vosso Deus, para a possuirdes.

12 E falou Josué aos rubenitas, e aos gaditas, e à meia tribo de Manassés, dizendo:

13 Lembrai-vos da palavra que vos mandou Moisés, o servo do Senhor, dizendo: O Senhor vosso Deus vos dá descanso, e vos dá esta terra.

Introdução:

Toda pessoa deseja ser bem sucedida. O problema não é o desejo, mas os fundamentos do desejo.

Por exemplo:

1º - Que caminhos seguir para o sucesso? Salmo 1.1-3

2º - Qual o conceito de sucesso? Provérbios 13.7

Então, vamos escalar os degraus do Sucesso:

1º - Sabedoria

Quer ter sucesso? Comece com a sabedoria. Sem ela, nada feito. Não confunda sabedoria e conhecimento. 

Cora Coralina resumiu sabiamente: “O saber a gente aprende com os mestres e os livros. A sabedoria, se aprende é com a vida e com os humildes”.

E, para Sócrates, “sábio é aquele que conhece os limites da própria ignorância”. É dele também “o que sei é que nada sei”.

A cultura oriental nos traz um provérbio: “O homem comum fala, o sábio escuta, o tolo discute”.

Onde está sabedoria neste texto?

8 Não se aparte da tua boca o livro desta lei; antes medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer conforme a tudo quanto nele está escrito; porque então farás prosperar o teu caminho, e serás bem sucedido.

12 E falou Josué aos rubenitas, e aos gaditas, e à meia tribo de Manassés, dizendo:

13 Lembrai-vos da palavra que vos mandou Moisés, o servo do Senhor, dizendo: O Senhor vosso Deus vos dá descanso, e vos dá esta terra.

O problema não é saber o valor da sabedoria, mas como alcançá-la. Quer saber como? Sinceramente, não sei. Mas eu sei o que Tiago registrou na sua carta no capítulo 1º, versos 5 e 6: “Se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, e o não lança em rosto, e ser-lhe-á dada. Peça-a, porém, com fé, em nada duvidando; porque o que duvida é semelhante à onda do mar, que é levada pelo vento, e lançada de uma para outra parte”.

2º - União

10 Então Josué deu ordem aos príncipes do povo, dizendo:

11 Passai pelo meio do arraial e ordenai ao povo, dizendo: Provede-vos de comida, porque dentro de três dias passareis este Jordão, para que entreis a possuir a terra que vos dá o Senhor vosso Deus, para a possuirdes.

12 E falou Josué aos rubenitas, e aos gaditas, e à meia tribo de Manassés, dizendo:

13 Lembrai-vos da palavra que vos mandou Moisés, o servo do Senhor, dizendo: O Senhor vosso Deus vos dá descanso, e vos dá esta terra.

3º - Capacitação

7 Tão-somente esforça-te e tem mui bom ânimo, para teres o cuidado de fazer conforme a toda a lei que meu servo Moisés te ordenou; dela não te desvies, nem para a direita nem para a esquerda, para que prudentemente te conduzas por onde quer que andares.

8 Não se aparte da tua boca o livro desta lei; antes medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer conforme a tudo quanto nele está escrito; porque então farás prosperar o teu caminho, e serás bem sucedido.

10 Então Josué deu ordem aos príncipes do povo, dizendo:

11 Passai pelo meio do arraial e ordenai ao povo, dizendo: Provede-vos de comida, porque dentro de três dias passareis este Jordão...

4º - Esforço

2 Moisés, meu servo, é morto; levanta-te, pois, agora, passa este Jordão...

4 Desde o deserto e do Líbano, até ao grande rio, o rio Eufrates, toda a terra dos heteus, e até o grande mar para o poente do sol, será o vosso termo.

6 Esforça-te, e tem bom ânimo; 

7 Tão-somente esforça-te e tem mui bom ânimo, 

9 Não to mandei eu? Esforça-te, e tem bom ânimo; 

5º - Sinceridade

7 Tão-somente esforça-te e tem mui bom ânimo, para teres o cuidado de fazer conforme a toda a lei que meu servo Moisés te ordenou; dela não te desvies, nem para a direita nem para a esquerda, para que prudentemente te conduzas por onde quer que andares.

8 Não se aparte da tua boca o livro desta lei; antes medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer conforme a tudo quanto nele está escrito; porque então farás prosperar o teu caminho, e serás bem sucedido.

Sugerem que a palavra sinceridade tem uma relação com escultores romanos que esculpiam estátuas de mármore. Quando algumas apresentavam algum defeito, como trincas ou imperfeições simples na confecção, os desonestos cobriam com uma cera especial com o objetivo de ocultar os defeitos, que não eram percebidos pelos compradores. Com o passar do tempo e a exposição, a cera não era capaz ocultar e a fraude era descoberta. Daí, os escultores honestos marcavam suas obras com a expressão “sine cera”.

Outra versão aponta que artesões romanos fabricavam vasos de cera. Quando esta era de excelente qualidade, pura, o vaso tinha uma transparência que possibilitava ver o que tinha dentro. Eram muito apreciados e considerados como vaso que parecia não ter cera, “sine cera”.

Independente da versão, todos sabemos que é sinceridade na prática. E também quando somos ou não sinceros. O problema é que somos provocados diariamente a agirmos com uma máscara, sem transparência. Desde as tribunas até aos púlpitos, os palácios às choupanas, os escritórios modernos aos canteiros rústicos de obras, a cultura privilegia o engano, a trapaça, a insinceridade.

Mas temos um padrão: “Para que sejam irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis, no meio de uma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeçam como astros no mundo” - Filipenses 2.15.

6º - Submissão

10 Então Josué deu ordem aos príncipes do povo, dizendo:

Imediatamente, Josué foi cumprir a missão!

Falar em submissão é sempre uma provocação para ser mal recebido. Submeter-se, para alguns, significa estar em condição inferior. E nossa cultura, sobretudo a evangélica, criou jargões meio contraditórios à proposta de humildade do Mestre: “sou cabeça, não sou calda”, “não sou dono do mundo, mas sou filho do dono”, “sou filho do Rei, dono do ouro e da prata”.

A etimologia da palavra submissão nos ajuda: estar debaixo de u’a missão. Com esse sentido, nunca é algo negativo. É saber que nossa trajetória está marcada por cumprir uma missão. Não é levar a vida do jeito que a vida quer, mas do jeito que o dono da missão quer. Você não está aqui por acaso, o dono da vida tem u’a missão para você. Já descobriu qual é?

Fato é que, circunstancialmente, estaremos submissos a pessoas que estão em proeminência. Ou até mesmo a quem nos é inferior, pois nossa vida é uma interação permanente e os relacionamentos descortinam um mundo que nos surpreende. Em todo caso, a Deus, como dono da vida, ou a pessoas, maiores ou menores, nossa submissão passará pela via da humildade. Sem esta, nunca nos submeteremos, nada feito.

E poucos duvidam que Deus exige nossa submissão, mas ele também orienta: “Submetendo-vos uns aos outros no temor de Deus” - Efésios 5.21. Submissão na vertical e na horizontal.

7º - Obediência

16 Então responderam a Josué, dizendo: Tudo quanto nos ordenaste faremos, e onde quer que nos enviares iremos.

17 Como em tudo ouvimos a Moisés, assim te ouviremos a ti, tão-somente que o Senhor teu Deus seja contigo, como foi com Moisés.

18 Todo o homem, que for rebelde às tuas ordens, e não ouvir as tuas palavras em tudo quanto lhe mandares, morrerá. Tão-somente esforça-te, e tem bom ânimo.

Sabe por que o povo obedeceu a Josué? Porque via que Josué era obediente.

Conclusão:

Sabedoria

União

Capacitação

Esforço

Sinceridade

Submissão

Obediência

*Sermão pregado na Igreja Batista do Braga, 07.07.2024, Celebração da noite

Salmo 100



Servir com alegria

Conta-se que, ao cuidar de um enfermo em condições subumanas, Madre Tereza de Calcutá ouviu um homem rico, à sua frente, dizer: “Eu não faria um trabalho desses nem por um milhão de dólares”. Levantando a cabeça e olhando firmemente pra ele, respondeu a Madre: “Eu também não!”. De sua resposta, pode-se concluir: não é o dinheiro que motiva o meu serviço, é o amor.

O verso 2 do Salmo 100 é encantador: “Servi ao Senhor com alegria; e entrai diante dele com canto”. Não basta apenas servir, é preciso servir com alegria. Esta sinalizará nossa verdadeira motivação. O dinheiro, a fama, a projeção e o reconhecimento podem nos motivar ao serviço por algum tempo, mas só o amor é capaz de nos motivar sempre.

Que é servir ao Senhor com alegria? Muita gente pensa que é cantar e se reunir num templo. Esse tipo de atividade pode ser reflexo de quem serve com alegria, mas não é, necessariamente, o serviço de que fala o salmista. Servir ao Senhor é servir ao próximo, seja ele quem for. Há alguém próximo precisando de nós? Serviremos a Deus se o ajudarmos.

Você hoje terá oportunidade de servir ao Senhor com alegria. Aproveite. Tendo oportunidade de ir ao templo, celebre o serviço que você lhe prestou.

segunda-feira, 8 de julho de 2024

Salmo 99

Santidade de Deus, santidade em nós

“Exaltai ao Senhor, nosso Deus, e prostrai-vos ante o seu santo monte, porque santo é o Senhor, nosso Deus” - Salmo 99.9.

A santidade de Deus está, para a Teologia Sistemática, na categoria de atributos comunicáveis, quer dizer, o homem pode experimentá-los. São atributos que o Senhor Deus comunica ao homem.

A santidade de Deus em nós provoca:

1º - Consciência de nossa natureza caída, nossa imperfeição, nossa incapacidade de viver sem pecar. Distante da santidade de Deus, veremos o pecado dos outros. Quanto mais perto da santidade de Deus, mais veremos nosso pecado. É a experiência do profeta Isaías registrada em seu livro.

2º - Humildade para reconhecer no irmão a mesma condição de caídos que somos, ponte para compreendê-lo e ajudá-lo em suas fraquezas. Aos fortes se dá a missão de ajudar aos mais fracos.

3º - Perseguição de buscar o ideal divino de nos aproximarmos dele, abandonando nosso pecado e procurando viver de acordo com a sua vontade.

A santidade de Deus não é para nos amedrontar, mas para nos encorajar a vencer nossas mazelas e fraquezas.

Salmo 98

Motivação correta

“Cantai ao Senhor um cântico novo, porque ele tem feito maravilhas; a sua destra e o seu braço santo lhe alcançaram a vitória. O Senhor fez notória a sua salvação; manifestou a sua justiça perante os olhos das nações” - Salmo 98.1-2.

Qual é a sua motivação para adorar ao Senhor? O poeta nos versos 1 e 2 deste Salmo apresenta quatro motivos para cantar um cântico novo: 1º - Deus tem feito maravilhas. 2º - Seu braço santo concedeu vitória. 3º - O Senhor fez notória sua salvação. 4º - Manifestou justiça diante das nações.

A princípio, são motivações boas e corretas, não acha? Mas raciocine comigo: excetuando a terceira, as três se relacionam com algum benefício em favor do homem. Outra reflexão é plausível: nossa motivação para cantar o cântico novo deve se restringir ao recebimento de favores?

Preste atenção, como dizem os mineiros, “prestenção”, é aqui que pode morar o perigo. Não se deve louvar ao Senhor apenas quando se recebe um favor dele. Nem sempre ele quer fazer. E aí, deixaremos de louvar. O maior favor ele já fez, nos deu a salvação. Então, louve, ele fazendo ou não!

sábado, 6 de julho de 2024

Salmo 97


O remédio para o mal

“Vocês que amam o Senhor, detestem o mal; ele guarda a alma dos seus santos, livra-os da mão dos ímpios” - Salmo 97.10.

Vez ou outra encontro cristãos que revelam ter bastante ódio no coração. Fico até espantado com alguns. E o nível de racionalização é tão grande que quase nos convencem.

Quem ama a Deus, detesta o mal! Mesmo quando o mal é causado por pessoas que deliberadamente atingem você, o mal não será retribuído com o bem.

Há sabedoria nesse ensino. Pagar o mal com o mal é, no mínimo, duplicá-lo, quando não, triplicá-lo, quadruplicá-lo, quintuplicá-lo e não sei quantos “plicá-los” mais.

O remédio para o mal é o bem. Releia o verso 10. Quem vai livrar você do inimigo não é a sua ação, mas é a ação do Senhor. Um homem com medo de algumas situações comprou uma arma. Algum tempo depois, seu filhinho pegou a arma e atingiu uma pessoa. Eu sei que você racionalizará: mas ele não teve cuidado! Tudo bem, vai lá que seja! Mas a lição é: mal não elimina o mal.

Está com medo? Alguma situação aflige você? Perseguidores amedrontam você? Entregue para Deus e continue com o bem.

sexta-feira, 5 de julho de 2024

Salmo 96

Um cântico novo

“Cantai ao Senhor um cântico novo, cantai ao Senhor, todas as terras” - Salmo 96.1.

Afinal, que é um cântico novo? Pode-se pensar que seja uma composição inédita com letra e melodia desconhecidas. Faz sentido. Mas, a vida tem sempre um “mas”, é mais do que isso! Até porque a produção para atender a exigência de um cântico novo seria muito maior e o imperativo teria que ser para um grupo específico.

Um cântico novo é a consequência de uma experiência nova. E esta acontece a partir de um encontro com Deus. Não existe cântico novo sem uma experiência nova com Deus. 

Ainda cabe outra reflexão: e quem teve a experiência nova há muito tempo, como entoará um cântico novo? Pois é, aí é que reside uma novidade: experiência nova com Deus se desdobra em novas experiências todos os dias. É como se aquela experiência do passado fosse renovada a cada dia. Você já percebeu um sapato empoeirado? Basta uma limpada com um pano apropriado e limpo que seu brilho reaparece, não é verdade?

É comum os problemas empoeirarem sua caminhada, mas peça a Deus para passar o pano do Espírito, o brilho retornará e o cântico novo brotará naturalmente.

Salmo 95

O perigo do endurecimento

A desobediência é uma das piores atitudes do ser humano. Em todos os níveis, ela é danosa, mas, sobretudo, em relação a Deus se torna ainda mais grave. O que também precisa ser realçado é que a desobediência nas relações humanas é, a rigor, uma desobediência a Deus. Exemplo: quando você desobedece a uma lei humana, na verdade, em primeiro lugar, você está desobedecendo a Deus.

A desobediência a Deus é uma insanidade porque, em primeiro lugar, Deus conhece tudo que envolve aquelas desobediência. Em nossas relações, podemos mascarar e até enganar as pessoas envolvidas e as consequências não serem impostas. 

Em segundo lugar, Deus não muda os princípios mesmo que nos arrependamos. É comum ver pessoas que, ao desobedecerem, se arrependem, mas carregam por muitos anos as consequências.

Em Salmo 95.7-9, lemos: “Hoje, se ouvirdes a minha voz, não endureçam o coração, como em Meribá, como no dia de Massá, no deserto, quando seus pais me tentaram, pondo-me à prova, não obstante terem visto as minhas obras”.

Abandone sua desobediência, não endureça o coração!

Salmo 94

Convicções fortes

O Salmo 94 inicia-se com uma invocação curiosa: “Ó Senhor, Deus das vinganças, ó Deus das vinganças, resplandece”. É uma clamor pela justiça divina em face das atrocidades de maldosos espalhando medo e terror!

Como em outros textos, o poeta desconhecido questiona Deus: “Até quando, Senhor, os ímpios, até quando os ímpios exultarão?” - verso 3. Interessante é que até hoje o homem diante de injustiças questiona: “Até quando, Senhor?”. 

De repente, hoje você tem uma agonia que provoca sua reação e seu clamor sobe ao trono da graça como uma súplica carregada de dor e inquietação.

Mas o salmista tem convicções bem fortes: 

1ª - “O Senhor conhece os pensamentos do ser humano e sabe que são pensamentos vãos” - verso 11.

2ª - “Feliz, Senhor, é aquele a quem tu repreendes, a quem ensinas a tua lei” - verso 12.

3ª - “O Senhor não abandonará o seu povo; ele não irá desamparar a sua herança” - verso 14.

Alguma aflição deixa você abatido, abatida, preocupado, preocupada? Descanse em Deus, Ele conhece tudo, seu comando é pedagógico e nunca abandona você!

Salmo 93

O Senhor reina

Pregando no Salmo 93 no Congresso de Pastores em Rio Bonito, em maio de 2024, o Pr. Silas Campos, da Igreja Batista Central de Campinas, enfatizou que o reinado do Senhor deve produzir em nós uma atitude de descanso e segurança, Ele reina, ele está no controle de tudo, nada acontece sem sua permissão e nenhum poderoso da terra pode realizar qualquer coisa que Deus não esteja monitorando.

De maneira criativa, ele apresentou em dez pontos como é seu reinado:

1 - O Senhor reina sempre.

2 - O Senhor reina presentemente. 

3 - O Senhor reina ativamente.

4 - O Senhor reina absolutamente. 

5 - O Senhor reina majestosamente. 

6 - O Senhor reina poderosamente.

7 - O Senhor reina imutavelmente.

8 - O Senhor reina eternamente.

9 - O Senhor reina vitoriosamente. 

10 - O Senhor reina triunfantemente.

Em nossa caminhada, diante de desafios e dificuldades, alguns se apresentando monstruosos, somos tentados a duvidar do controle de Deus. E é comum agirmos como que desejando dar uma ajudinha a Deus. Quanta criancice de nossa parte.

Em qualquer circunstância, boa ou ruim, lembre-se: o Senhor reina!

Salmo 92

Velhice com frutos saudáveis

Dentre os ensinos do Salmo 92 destaca-se o que realça a velhice com possibilidades de frutos: “Na velhice ainda darão frutos; serão viçosos e vigorosos”. Mas há condição para isso: ser justo e estar plantado na casa do Senhor. Atente bem: “O justo florescerá como a palmeira; crescerá como o cedro no Líbano. Os que estão plantados na casa do Senhor florescerão nos átrios do nosso Deus”. 

Ser justo, como? A própria Bíblia diz que não há um justo na terra! A perspectiva do poeta se relaciona com uma das bem-aventuranças: “Os que tem fome e sede de justiça”. Não somos justos, mas o relacionamento com Deus nos torna justificados e, a partir de então, lutamos pela justiça.

Estar plantado na casa do Senhor sinaliza relacionamento com ele. Quanto mais íntimo você for de uma pessoa, mais intimidade terá na sua casa e ela na sua. Relacionar-se com uma pessoa significa relacionar-se com sua casa.

Embora se lute para valorizar cada vez mais a vida do idoso, é do próprio Deus a promessa que a velhice de quem se relaciona com Ele será frutífera.

Você experimenta o cansaço da idade? Creia, ainda pode frutificar.

Salmo 91

Promessas, mas não amuleto

Em determinado lugar encontrava-se uma Bíblia aberta sobre um móvel e, ao verificar, percebi que estava no Salmo 91. Perguntei a pessoa responsável e ouvi tratar-se de um salmo com poder especial. Disse-lhe que toda a Bíblia tem um objetivo e que nenhum texto, por mais que nos fale, tem importância maior que outro.

Sem dúvidas que este salmo é carregado de promessas. Mas não é uma espécie de amuleto. Deve ser lido e aceito como palavra de Deus, mas sem, necessariamente, a exigência de se cumprir o que está registrado ali.

O que muita gente se esquece deste salmo é que a libertação do Senhor não significa propriamente para esta vida. Veja o verso 15: “Ele me invocará, e eu lhe responderei; estarei com ele na angústia; dela o retirarei, e o glorificarei”.

Ele estará conosco na angústia, dela nos retirará e nos glorificará. Presença dele na angústia é de fácil entendimento. Retirar-nos dela também, mas em que sentido? A promessa seguinte pode sinalizar que será a glorificação pós-morte. E isso significa Deus nos tirar daqui ou permitir que saiamos daqui.

Leia o Salmo 91 com a certeza das promessas divinas, mas não o tenha como amuleto.

Salmo 90

Dias contados com sabedoria

Todos queremos viver muito tempo. Provavelmente, o desejo de todos depois de nascido é viver muito tempo, não sofrer, viver uma velhice saudável e morrer igual um passarinho. Nem todos alcançam essa bênção, mas, sinceramente, é o que desejo também.

Vivendo muito ou pouco, com ou sem dor, em choupana ou no palácio, o que devemos pedir é o que está no verso 12 do Salmo 90: “Ensina-nos a contar os nossos dias, de tal maneira que alcancemos corações sábios”.

O que também não podemos esquecer é que qualquer tempo que vivamos será uma experiência passageira. Pergunte a um nonagenário se demorou passar os dias de sua vida. Atente para o que diz o poeta: “Porque mil anos são aos teus olhos como o dia de ontem que passou, e como a vigília da noite. Tu os levas como uma corrente de água; são como um sono; de manhã são como a erva que cresce. De madrugada floresce e cresce; à tarde corta-se e seca”.

Lembre-se: o sucesso de nossa vida não consiste na quantidade de tempo vivido e nas conquistas que conseguimos, mas no adquirir coração sábio.

Peçamos ao Senhor: “Dá-me um coração sábio”.

Salmo 89

Misericórdia e fidelidade

“Cantarei para sempre as tuas misericórdias, ó Senhor; os meus lábios proclamarão a todas as gerações a tua fidelidade. Pois disse eu: a benignidade está fundada para sempre; a tua fidelidade, tu a confirmarás nos céus” - Salmo 89.1-2.

Misericórdia é uma palavra muito interessante. Etimologicamente, vem de “miser” e “cord” que, literalmente, é coração infeliz. De “miser”, temos miséria. A misericórdia de Deus age como se Deus colocasse o seu coração em nossa miséria. Ao contrário de como agimos, ele não racionaliza, mas com ternura nos acompanha em nossas mazelas.

A fidelidade do Senhor pavimenta a estrada para que a misericórdia não seja uma experiência circunstancial, esporádica, quando ele estiver de bom humor com a gente. Não, Deus sempre agirá com sua misericórdia, independentemente de como agimos. Por isso, nas lamentações, lemos: “As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, elas se renovam a cada manhã”.

Fidelidade e misericórdia do Senhor, dois pilares que nos mantém de pé! Sem eles, desmoronaremos!

Salmo 88

Rasgando o coração

Hemã é o autor do Salmo 88. Não importa muito aqui quem ele é. Mas o seu drama. E ele não esconde a batalha que enfrentava, pelo contrário, rasga o coração.

Ele inicia assim: “Ó Senhor, Deus da minha salvação, dia e noite clamo diante de ti” - verso 1º. Sua súplica era full time, tempo integral. 

Sem rodeios, avança em apresentar sua angústia: “A minha alma está cheia de angústias, e a minha vida se aproxima da morte” - verso 3º.

Você pensa que é só isso? Não. Preste atenção: “Sou contado com os que descem ao abismo. Sou como um homem sem força, atirado entre os mortos, como os feridos de morte que jazem na sepultura” - versos 4 e 5.

O conteúdo de todo o salmo é triste, mas há uma ponta de esperança: “Mas eu, Senhor, clamo a ti por socorro, e de madrugada dirijo a ti a minha oração!” - verso 13.

Certo dia, encontrei um jovem que enfrentava sérios problemas. Ele me disse: “Pastor, eu estou desesperado!”. Você enfrenta alguma situação angustiante? Em quem está a sua esperança? Rasgue seu coração e fale com Deus, Ele te ouvirá!

Salmo 87

A cidade de Deus

Visitar Jerusalém tem um significado impressionante. É emocionante estar no Monte e olhar a cidade com sua pompa religiosa. Está no imaginário cristão o simbolismo da cidade e sua relação com Deus. Nela, as três maiores religiões se fazem presentes, Judaísmo, Islamismo e Cristianismo, todas saídas de um mesmo tronco.

O Salmo 87 apresenta Jerusalém como a cidade fundada por Deus, mais amada por ele e a mais famosa por causa de sua relação com Deus. É muito curioso saber que Jerusalém, diferentemente de megalópoles no mundo inteiro, não apresenta características que lhe ofereçam oportunidade de ser próspera e economicamente poderosa. Mas, sem dúvida alguma, é a cidade que mais expectativa gera no coração de judeus e não judeus. 

Por outro lado, outra reflexão deve ser lembrada: Jerusalém fez Jesus chorar! E por quê? Porque abandonou a relação amorosa com seu criador. Por isso, sofreu e sofre até hoje.

Não importa de que cidade você é. Importa, sim, para que cidade você está caminhando. Deus preparou a Jerusalém celestial para você! Ele mesmo pavimentou a estrada chamada Jesus para você chegar lá!

Salmo 86

A fonte do socorro

“Volte-se para mim e tenha compaixão de mim; conceda a tua força ao seu servo e salve o filho da tua serva. Mostre-me um sinal do teu favor, para que o vejam e se envergonhem os que me aborrecem; pois tu, Senhor, me ajuda e me consola” - Salmo 86.16-17.

Davi se encontrava “aflito e necessitado” como declara no primeiro verso do Salmo. Ele pede ao Senhor que incline seus ouvidos para ele e apresente uma resposta ao seu clamor.

Você hoje experimenta uma aflição e tem necessidade de alguma coisa? A quem você recorre em primeiro lugar? Como você se comporta diante de uma situação aflitiva?

Há pessoas que na hora da aflição sentem-se totalmente atordoadas e, ao tomarem decisão, complicam ainda mais a situação. Davi ensinou a fonte do socorro, o Senhor Deus.

Mas Davi não transfere, pura e simplesmente, essa responsabilidade para Deus. Ele lembra sua piedade, sua confiança em Deus e sua inclinação à gratidão. Há pessoas que, em tempos de aflição, de Deus se lembram e dele se esquecem quando recebem a solução. Tremenda ingratidão. 

Esta é a sua atitude?

Salmo 85

Um encontro e um beijo

“Encontraram-se a graça e a verdade, a justiça e a paz se beijaram” - Salmo 85.10.

Que encontro maravilhoso da graça com a verdade. É comum, isoladamente, a verdade dos fatos trazer desconforto, dor e sofrimento. Mas, quando ela se encontra com a graça, recebe a doçura da presença de Deus e torna tudo muito mais fácil. Escrevendo aos efésios, o apóstolo Paulo argumenta que, “seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo”. 

Alguns se gabam da prática “digo a verdade, doa em quem doer”. Isso pode ser mudado: “digo a verdade em amor, com graça, e mesmo que doa, será para cura”.

Presenciando o encontro da graça com a verdade, a justiça e a paz se beijaram. Toda justiça deve promover a paz. Não há paz verdadeira se a injustiça imperar, sobretudo a injustiça social. Muitos não vivem em paz, estão impotentes até para dar o grito de dor, sofrem com os injustos. Justiça e paz não são adversários, são galhos do mesmo tronco e, juntas, trazem a alegria para o bem de todos.

Ande na verdade, mas com graça! Opte pela justiça, mas que produz paz!

Salmo 84

Tal pai, tal filho, nem sempre

O Salmo 84 tem sua composição atribuída aos filhos de Coré. Quem foi Coré? Um rebelde. Ele liderou uma rebelião contra Moisés e teve um castigo severo. Mas seus filhos se tornaram exemplo de adoradores e figuram entre os nobres com suas composições no livro dos cânticos do povo de Israel.

Desse fato, podemos extrair algumas lições: 

1ª - Os pais devem zelar por um bom testemunho para no futuro se alegrarem com as vitórias dos filhos. Pais com exemplo ruim perdem a alegria de se sentirem abençoados ao verem filhos com bons exemplos. 

2ª - Os filhos, necessariamente, não carregam a maldade dos pais. A cultura “tal pai, tal filho” nem sempre é realidade absoluta. 

3ª - Cada um é responsável por escrever sua história, mesmo que tenha recebido influência negativa. 

4ª - A responsabilidade de cada um é daqui para frente, não daqui para trás. O passado não pode ser mudado, mas o futuro pode ser bem diferente da história herdada.

E que ensino abençoador o poeta apresenta: “Um dia nos teus átrios vale mais que mil; prefiro estar à porta da casa do meu Deus a permanecer nas tendas da perversidade” - Salmo 84.10.

Salmo 83

O Deus do silêncio

O Salmo 83 é o último texto de Asafe registrado nos Salmos. O poeta é dramático, pois registra mais um drama na vida do povo de Israel, que estava cercado de inimigos.

O apelo de Asafe é veemente desde o primeiro verso: “Ó Deus, não te cales; não te emudeças, nem fiques inativo, ó Deus!”. Ele pede para Deus não se calar e, como que reforçando seu apelo, pede para não Deus não se emudecer. Sempre que surge uma aflição em nossa caminhada, a impressão que temos é que Deus está calado, silencioso, sem ação.

É muito comum a relação falar em demasia e ter controle da situação. Mas é um equívoco. É sabido que os que guardam silêncio na hora do temporal tem maior sobriedade para agir na hora certa e do jeito certo.

Asafe apresenta no texto a crueldade dos inimigos e, aparentemente, ele e o povo estão desprotegidos. Em sua oração, suplica por um linchamento do inimigo, é uma oração imprecatória.

Diante de situação aflitiva, seja por surpreendentes acidentes ou maldade de outros, procure silenciar-se no silêncio de Deus, a sintonia e sinfonia serão muito melhores.

Salmo 82

O Deus dos indefesos

Eu era menino e ouvia meu pai falar sobre um discurso do famoso Tenório Cavalcanti, o homem da capa preta, político fluminense nas décadas de 50 e 60 do século XX. Pelos amigos, era chamado “O rei da baixada” e pelos rivais “o deputado pistoleiro”, pela sua fama de homem bravo e tem em sua companhia “Lurdinha”, uma submetralhadora MP-40.

Exclamava Tenório nos palanques: “No Brasil, fica preso quem rouba um pão e fica livre quem rouba um milhão”.

Asafe não é um poeta contemplativo, é um profeta incisivo. Veja o que escreveu no Salmo 82.2: “Até quando julgarão injustamente e tomarão partido pela causa dos ímpios?”. Não é bem parecido com os dias atuais, em que os pobres e pretos são os mais cassados pelos que se dizem os homens da lei? 

O apelo do profeta Asafe é contundente: “Façam justiça ao fraco e ao órfão, procedam retamente para com o aflito e o desamparado. Socorram o fraco e o necessitado; tirem-nos das mãos dos ímpios” - versos 2 e 3.

Todas as investidas de Deus são para proteger os indefesos. Quando invertemos essa lógica, estamos brigando com Deus!

Salmo 81

Um povo desobediente

Tema recorrente na relação Deus e Israel é a inclinação do povo para a desobediência. 

O verso onze é claro demais: “Mas o meu povo não escutou a minha voz; Israel não quis saber de mim”. Não se tratava de um deslize, um acidente de percurso, era uma ação deliberada e não obedecer ao que Deus orientava.

Embora tal atitude produzisse tristeza, Deus não impõe a obediência e o verso doze revela essa atitude: “Assim, deixei que andassem na teimosia de seu coração, e seguissem as suas próprias inclinações”. 

Mas a porta está sempre aberta, as mãos sempre estendidas e os olhos sempre atentos, como assegura o verso treze: “Ah! Se meu povo me escutasse, se Israel andasse nos meus caminhos!”.

Assim como na relação Deus e Israel, com a gente é a mesma coisa. Nossa inclinação é para a desobediência, deliberada ou acidental. Deus não nos obriga a trilhar a estrada da obediência e permanece sempre com sua voz apelando: “Filho, volte-se para mim! Eu posso cuidar de você! A desobediência lhe fará muito mal!”.

Que escolha você fará, obedecer ou desobedecer?

Salmo 80

Clamor por restauração ao Pastor

Pr. Hernandes Dias Lopes comenta que no Salmo 80 ocorre um clamor por restauração.

Segundo ele, em primeiro lugar, um clamor para o pastor mostrar seu esplendor. “Dá ouvidos, ó pastor de Israel, tu que conduzes a José como um rebanho; tu que estás entronizado acima dos querubins, mostra o teu esplendor” - verso 1º.

Em segundo lugar, um clamor para o pastor mostrar o seu poder salvador. “Perante Efraim, Benjamim e Manassés, desperta o teu poder e vem salvar-nos” - verso 2º.

Em terceiro lugar, um clamor por restauração. “Restaura-nos, ó Deus; faze resplandecer o teu rosto, e seremos salvos” - verso 3º.

Percebe como a figura do pastor está em destaque? Ele mostrará seu esplendor, revelará seu poder salvador e a restauração será obra de suas mãos com a consequência da salvação.

A relação do adorador com o pastor implica em dependência que expulsará a tendência de buscar solução por si só. O pastor é provedor, é abençoador, é orientador, é norteador e é solucionador. Nada acontece pela habilidade e capacidade do adorador, mas pela bondade do pastor.

Salmo 79

Descanse na misericórdia de Deus

Uma compreensão equivocada que perpassa os tempos é que os filhos podem herdar as iniquidades dos pais como numa maldição de geração para geração.

Tendo essa compreensão como pano de fundo, o verso do Salmo 79 registra: “Não recordes contra nós as iniquidades de nossos pais; apressem-se ao nosso encontro as tuas misericórdias, pois estamos sobremodo abatidos”.

Na versão “A Mensagem” é assim: “Não nos culpes pelos pecados dos nossos pais. Apressa-te e nos ajuda! Estamos com a corda no pescoço”.

Não desconhecemos a influência moral negativa que pais perversos impõe sobre os filhos e até danosas consequências de suas escolhas que desaguarão por gerações futuras. Mas isso nunca pode ser confundido com a responsabilidade pessoal. Deus não é injusto para impor a uma futura geração os castigos de antepassados. Assim como também os benefícios não sejam conquistados apenas por serem de uma família que andou nos caminhos do Senhor! 

Nas duas situações, prevalece a misericórdia do Senhor que sempre está pronto a perdoar e dar chances novas à geração atual, independentemente de seus antepassados.

Salmo 78

De pais para filhos

O Salmo 78.3-4, na versão Almeida Revista e Atualizada, é assim: “O que ouvimos e aprendemos, o que nos contaram nossos pais, não o encobriremos a seus filhos; contaremos à vindoura geração os louvores do Senhor, e o seu poder, e as maravilhas que fez”.

Na versão “A Mensagem”, lemos: “As histórias que ouvimos do nosso pai, os conselhos que aprendemos no colo da nossa mãe, não vamos guardar isso para nós: vamos passá-lo para a próxima geração - a fama e a força do Eterno, as coisas maravilhosas que ele fez”.

Provavelmente, um dos maiores prejuízos na vida dos filhos é a ausência da narrativa dos pais sobre o que Deus fez na história, tanto o que está no registro bíblico quanto nas experiências do seu lar.

Muitos filhos são presas fáceis nas mãos dos inimigos porque não desfrutam de sólida e robusta informação sobre os cuidados de Deus, seu amor e seu interesse na vida do ser humano.

Há, entretanto, outro perigo: a informação distanciada de uma vida aprovada. Informar sobre Deus e viver longe de sua vontade é semente para esfriamento das próximas gerações.

Salmo 77

Isto é enfermidade minha

É também de Asafe o Salmo 77. Na mesma linha do 73, o músico mostra tremendo sofrimento. Chega a dizer que “se lembrar de Deus, causava perturbação e que sua alma recusava consolo”. Não conseguia dormir e, perturbado, não queria falar. Quadro, provavelmente, de profunda depressão.

Em sua dor, faz perguntas muito inquietantes: “Rejeitará o Senhor para sempre e não tornará a ser favorável? Cessou para sempre a sua benignidade? Acabou-se já a promessa de geração em geração? Esqueceu-se Deus de ter misericórdia? Ou encerrou ele as suas misericórdias na sua ira?”.

Interessante é que uma das primeiras conclusões a que chegamos, em nossas crises, é que Deus nos abandonou. Por quê? Provavelmente porque, nessas horas, somos tentados pelo inimigo que deseja acusar Deus diante de nós. É o seu papel.

Mas Asafe apresenta a realidade: “Isto é enfermidade minha; mas eu me lembrarei dos anos da destra do Altíssimo. Eu me lembrarei das obras do Senhor; certamente que eu me lembrarei das tuas maravilhas da antiguidade. Meditarei também em todas as tuas obras, e falarei dos teus feitos”.

E seu choro muda, a começar por: “O teu caminho, ó Deus, está no santuário. Quem é Deus tão grande como o nosso Deus?”.

Quando enfrentar tristeza profunda, não conclua como nos primeiros versos do Salmo 77. Conclua a partir do verso 10.

Salmo 76

SPC divino

No Salmo 76.10, lemos: “Façam votos e paguem ao Senhor, seu Deus; tragam presentes todos os que o rodeiam, àquele que deve ser temido”.

Na introdução de seu comentário do Salmo 76, o Pr. Hernandes Dias Lopes destaca “três verdades importantes: em primeiro lugar, quanto mais conhecemos a Deus, maior é o seu nome para nós. Em segundo lugar, onde Deus habita, aí reina a paz. Em terceiro lugar, onde Deus está, a vitória sobre os inimigos é certa”.

Spurgeon ensinava que “jurar ou não é questão de escolha, mas cumprir os votos é o nosso dever sagrado. Quem defrauda a Deus, ao seu próprio Deus, é realmente um infeliz. Ele cumpre as promessas; que o seu povo não deixe de cumprir as suas”.

Uma imagem em minha memória de criança é a rua dos velhacos. As vendas ficavam nas ruas principais. Os que compravam e não pagavam transitavam nas ruas secundárias. Logo os credores sabiam e, vez ou outra, ao saber que vinha um velhaco, esperava-o na famosa rua.

Todos somos devedores, mas há cristão com dívida que pode ser paga, são os votos feitos. Cuidado com o SPC divino!

Salmo 75

Chegou a hora

O Salmo 74 revela um tempo de angústia e de sofrimento, levando o poeta a perguntar: “Até quando, ó Deus?”. Quanto durou esse tempo de batalha não se sabe exatamente, embora possa imaginar. Mas o importante é que o sofrimento teve seu fim. O silêncio de Deus terminou. Seu silêncio não significa ausência e impassividade, como foi reconhecido no verso dois: “Pois disseste: Hei de aproveitar o tempo determinado; hei de julgar retamente”. Tudo passa, tempo bom e tempo ruim.

O tempo agora é de gratidão e o poema é iniciado com esse reconhecimento: “Graças te rendemos, ó Deus; graças te rendemos, e invocamos o teu nome, e declaramos as tuas maravilhas” - Salmo 75.1.

Provavelmente, um dos maiores problemas do ser humano é a ingratidão. Na hora do aperto, lembra-se de Deus, lança-se à oração e se dedica a servir. Passado o temporal, esquece-se de tudo e se volta para a sua frieza espiritual. E Deus, de seu santo e sublime trono, observando como que a indagar: “Até quando, ó homem?” você continuará com atitudes de criança?

Tá ligado? Pense nisso!

Salmo 74

Até quando, ó Deus?

O verso dez do Salmo setenta e quatro revela um drama: “Até quando, ó Deus, o adversário nos afrontará? Acaso, blasfemará o inimigo incessantemente o teu nome?”.

Em várias circunstâncias aflitivas parece que Deus está ausente, distante, não se incomodando nem um pouco com o sofrimento humano. O silêncio de Deus é aterrorizante. Em situações assim, o homem brada: “Até quando, ó Deus?”.

Preparo este café enquanto o povo do Rio Grande do Sul sofre com a tragédia das águas, provavelmente a mais devastadora de todos os tempos. Pequenos produtores ou grandes empresários da terra sofreram com a perda de centenas e até milhares de rebanho ou aves e plantações inteiras perdidas. As enchentes se prolongaram por vários dias e o clamor “Até quando, ó Deus?” ecoa por todos os lados!

Duas conclusões: Deus não está ausente e toda a tragédia não é responsabilidade dele. A responsabilidade é humana. A angustiante pergunta deve ser mudada: “Até quando, ó homem?”. Até quando continuará agredindo a natureza e destruindo o que Deus construiu?

Salmo 73

Basta entrar no santuário

Asafe, músico em Israel, nos legou salmos extraordinários. Um deles é o 73. Seu início é uma declaração motivadora: “Verdadeiramente bom é Deus para com Israel, para com os limpos de coração”.

A partir do verso 2, o músico revela uma angústia tremenda: “Quanto a mim, os meus pés quase que se desviaram; pouco faltou para que escorregassem os meus passos... eu tinha inveja dos néscios, quando via a prosperidade dos ímpios... não há apertos na sua morte... não se acham em trabalhos como outros homens, nem são afligidos como outros homens... eles têm mais do que o coração podia desejar... falam arrogantemente... E eles dizem: Como o sabe Deus? Há conhecimento no Altíssimo? Eis que estes são ímpios, e prosperam no mundo; aumentam em riquezas. Na verdade que em vão tenho purificado o meu coração; e lavei as minhas mãos na inocência. Pois todo o dia tenho sido afligido, e castigado cada manhã”.

Os versos 16 e 17 são uma chave para mudança do quadro: “Quando pensava em entender isto, foi para mim muito doloroso; até que entrei no santuário de Deus; então entendi eu o fim deles”.

Você está triste porque nada dá certo com você e tudo dá certo para o ímpio que você conhece? Entre no santuário de Deus. Mas, olhe, no santuário, não significa que seja num templo. Pode ser que neste seu drama aumente. No santuário, seu drama desaparecerá.

Salmo 72

Pedido de provisão

Pr. Hernandes Dias Lopes, comentando o Salmo 72, ensina: “Spurgeon, citando Joseph Caryl, diz que esse salmo foi escrito por um rei, é dedicado a um rei e tem em vista principalmente aquele que é o Rei dos reis”. E acrescenta: “O comentarista bíblico Matthew Henry menciona dez características desse reino messiânico: terá um governo justo, terá um governo pacífico, protegerá os pobres e necessitados, ajustará contas com os opressores soberbos, concederá toda sorte de bênçãos aos seus súditos, trará consolo aos seus súditos, será universal, será amado e honrado por todos os seus súditos, será de completa abundância e será perpétuo”.

Um dos benefícios que o Rei dos reis traz é a provisão e fartura e podemos lançar nosso pedido a ele, como lemos no verso dezesseis: “Haja na terra abundância de cereais, que ondulem até aos cimos dos montes; seja a sua messe como o Líbano, e das cidades floresçam os habitantes como a erva da terra”.

Embora seja através de trabalho e produção, do Senhor vem nossa provisão. Não há razão para temer, Ele é o Deus que provê.

Salmo 71

A bênção da senilidade

“Não me desampares, ó Deus, agora que estou velho e de cabelos brancos, até que eu tenha declarado à presente geração a tua força e às gerações vindouras o teu poder” - Salmo 71.18.

É muito comum encontrar pessoas que sinalizam vontade, caso pudessem, de voltar à juventude, revelando certa tristeza com a idade avançada que experimentam. Embora, em muitos casos, seja uma pitada de bom humor, o fato é que muita gente assume que ser idoso é sepultamento das oportunidades de agir.

Neste salmo, o poeta revela que a idade avançada não representava aposentadoria de ações nobres. No verso dezessete, lê-se: “Tu me tens ensinado, ó Deus, desde a minha mocidade; e até agora tenho anunciado as tuas maravilhas”. Após seu testemunho, faz um pedido de amparo a Deus em seu tempo de velhice para continuar declarando à geração presente e à vindoura o poder do Senhor.

Sendo você criança, jovem ou adulto, peça a Deus a bênção da longevidade. Ou sendo idoso, peça a Deus vigor e sabedoria para continuar influenciando as gerações, sua história não terminou.

quinta-feira, 4 de julho de 2024

Salmo 70

A oração da humildade

“Eu sou pobre e necessitado; ó Deus, apressa-te em me socorrer, pois tu és o meu amparo e o meu libertador. Senhor, não te demores!” - Salmo 70.5.

Desde a queda, uma situação se instalou: o ser humano, coroa da criação, é um ser totalmente dependente e é incapaz de resolver seus problemas.

Há uma onda em alguns segmentos do cristianismo empoderando o cristão que não encontra qualquer respaldo na palavra de Deus. Declarações como “eu determino que aconteça assim, eu não aceito isso em minha vida, eu sou cabeça e não cauda” criam desenvolvem uma patologia espiritual que traz grandes problemas.

A melhor forma de se aproximar do Senhor Deus é: eu sou pobre e necessitado. Sou totalmente dependente de Ti, meu Senhor. Eu te peço, por favor! Atitude assim não diminui o ser humano, pelo contrário, o eleva, pois ele não está se dirigindo a um soberano falível, como são os poderosos aqui na terra, mas ao soberano dos soberanos, ao rei dos reis e senhor dos senhores.

Não seja tímido em seu aproximar de Deus, mas faça com humildade e coração quebrantado.

Salmo 69

Graça e fidelidade

Em Salmos 69.13-14, temos: “Quanto a mim, porém, Senhor, faço a ti, em tempo favorável, a minha oração. Responde-me, ó Deus, pela riqueza da tua graça. Pela tua fidelidade em socorrer, livra-me do lamaçal, para que eu não me afunde; que eu seja salvo dos que me odeiam e das profundezas das águas”.

A oração apresenta aspectos muito interessantes:

1º - É dirigida a Deus. Alguém pode dizer: isso é óbvio. Sim, pode ser. Mas, como disse alguém, “o óbvio só é óbvio porque é lembrado!”. E aqueles que só se lembram de Deus depois de tentarem em várias outras fontes!

2º - Tempo favorável. A oração era feita no tempo favorável, quer dizer, no tempo oportuno, não era fora de tempo. Também pode se aplicar que não era quando a casa estava totalmente destruída. Não espere o terror para falar com Deus em oração.

3º - Riqueza da graça. Pedimos por algo que não merecemos, mas Deus é gracioso e nos atende.

4º - Fidelidade divina. Chegamos ao trono da graça não fiados em nossa fidelidade, mas na fidelidade de Deus e, ainda que sejamos infiéis, ele continua fiel.

Cresça na oração, Deus tem muito para oferecer.

Salmo 68

O Deus dos desassistidos

“Pai dos órfãos e juiz das viúvas é Deus em sua santa morada. Deus faz com que o solitário more em família; liberta os cativos e lhes dá prosperidade; só os rebeldes habitam em terra estéril” - Salmo 68.5-6.

Não há dúvida alguma para quem lê as escrituras em concluir que Deus se preocupa muito com os desamparados. Só não enxerga quem não quiser as ações de Deus em favor dos desvalidos, miseráveis, oprimidos e desassistidos. Um olhar bem atento verá que, em sua passagem pela terra, na pessoa de Jesus, seus encontros com os abandonados aconteceram mais e foram muito, mas muito mais, amistosos e carregados de alegria!

Quase sempre racionalizamos e os desassistidos são categorizados como preguiçosos, sem interesse e sem compromisso com a vida. É fato que isso acontece na experiência de vários, mas não é a realidade da grande maioria. Fosse assim, Deus estaria aplaudindo e aprovando tais condutas.

Deus fica muito mais feliz quando investimos atenção e tempo com os desassistidos do que com os que estão em boas condições.

Salmo 67

Um salmo missionário

Assim começa o poeta o texto do salmo 67: “Deus tenha misericórdia de nós e nos abençoe; e faça resplandecer o seu rosto sobre nós”. Pede a bênção, mas apresenta uma finalidade: “Para que se conheça na terra o teu caminho, e entre todas as nações a tua salvação”.

            Precisamos rever conceitos que sugiram bênção para benefício próprio. Nossa maior alegria deve passar pelo viés de ver acontecer: “Louvem-te a ti, ó Deus, os povos; louvem-te os povos todos. Alegrem-se e regozijem-se as nações, pois julgarás os povos com equidade, e governarás as nações sobre a terra. Louvem-te a ti, ó Deus, os povos; louvem-te os povos todos”.

            A perspectiva do poeta é que a salvação trará benefícios para toda a terra: “Então a terra dará o seu fruto; e Deus, o nosso Deus, nos abençoará”. É verdade que devemos nos engajar em movimentos que lutem por melhores dias do planeta, mas não nos esqueçamos que o ser humano transformado por Deus transforma o que está em sua volta.

O resto é balela como a de um ambientalista que, fumando, discursava sobre melhor vida no planeta. Raciocinei: para que ar melhor, se ele não terá pulmão?!

Salmo 66

Deus não rejeita a oração

Um hino muito tocado nas rádios e plataformas nos últimos tempos diz: “Deus não rejeita oração / Oração é alimento / Nunca vi um justo sem resposta / Ou ficar no sofrimento / Basta somente esperar / O que Deus irá fazer / Quando ele estende suas mãos / É a hora de vencer”.

Os versos 19 e 20 do Salmo 66 registram o testemunho: “Deus me ouviu e atendeu a voz da minha oração. Bendito seja Deus, que não rejeitou a minha oração, nem afastou de mim a sua graça”. 

Há uma tendência em alguns círculos de atribuir mérito a quem clama a Deus. Dependendo de quem ora, Deus atende ou não. Inclusive, alguns pensam que há “oradores especiais, gente poderosa”, que basta levantar a voz ao céu que Deus imediatamente, como um servo, vem atender. Imaturidade. Deus nunca rejeita a oração de um pecador, seja quem for!

Mas, pastor Neemias, e o verso 18 que diz “se eu atender a iniquidade no meu coração, Deus não me ouvirá”! Reforça o que disse anteriormente, a compreensão do salmista era de mérito pessoal. Não sugere ficar na iniquidade, mas, humildemente, clamar ao Senhor para abandoná-la.

Salmo 65

O Deus da provisão

Em Salmo 65.9-11, lemos: “Tu visitas a terra e a regas; tu a enriqueces grandemente. Os ribeiros de Deus são abundantes de água; provês o cereal, porque para isso preparas a terra, regando-lhe os sulcos e desmanchando os torrões. Tu a amoleces com chuviscos e lhe abençoas a produção. Coroas o ano da tua bondade; as tuas pegadas destilam fartura”.

Aprendemos com nossos pais a bênção de agradecer a alimentação que temos. Nunca nos alimentamos sem dizer para Deus “muito obrigado pelo alimento que o Senhor nos dá!”.

Deus é o que provê! E ele provê para todos. Em qualquer lugar do planeta, mesmo que a terra não seja boa para plantio, se consegue com técnicas extrair dali algum tipo de alimento.

Uma reflexão: Deus é o Deus da provisão, ele provê para todos e a produção de alimentos no Brasil é cada vez maior. Por que nem todos têm garantia de alimentos necessários em sua mesa? Não é culpa de Deus. É culpa dos homens que, em sua ganância, uns tem demais, outros, de menos.

Agradeça a Deus o alimento, distribua um pouco com alguém que não tem e não estrague alimento, é pecado.

quarta-feira, 3 de julho de 2024

Salmo 64

Deus briga por mim

Ninguém está livre de ser alvo de ações de inimigos tentando tirar a paz e provocar desconforto na vida de pessoas tementes a Deus. No Salmo 64, Davi revela a luta que enfrentava e as armas usadas pelos inimigos. Os versos 3 e 4 são marcantes: “Eles afiam a língua como espada e apontam, quais flexas, palavras amargas, para, às escondidas, atingirem o íntegro; contra ele disparam repentinamente e não temem”.

Você já enfrentou algum tipo de real perseguição? Veja bem, não estou provocando o surgimento da patologia que é a mania de perseguição. Isso precisa ser tratado seriamente: com Deus em oração e com profissional, em alguns casos, com medicação.

Como você tratou a questão quando foi confrontado com algum tipo de perseguição? Você reagiu usando as mesmas armas? Você buscou algum tipo de recurso para ir à forra com mais intensidade? Atente para a forma usada por Davi para reagir. Ele apresentou a Deus toda a situação. É como se ele assumisse: eu sou fraco para enfrentar esse inimigo, vou pedir a Deus para entrar na minha briga.

Faça o mesmo, coloque Deus na sua briga, Ele sabe te defender.

domingo, 2 de junho de 2024

Salmo 63


A graça é melhor

Há alguma experiência que seja melhor do que a vida? Davi responde que sim no verso 3 deste Salmo: “Porque a tua graça é melhor do que a vida, os meus lábios te louvam”. Graça é, em síntese, favor imerecido, algo que recebemos sem nenhum merecimento de nossa parte.

O inspirado e poético Asaph Borba abençoou o corpo de Cristo com a canção “Foi graça”: Quando terminar esta vida / E lá no céu eu chegar / Haverá uma multidão de irmãos / Esperando pra me abraçar / E perguntarão a uma voz / Voltados para mim / Ó conta-nos como você, irmão / Venceu e chegou aqui / E falarei, e cantarei / De Jesus que me amou / E que por este pecador / A si mesmo se entregou / Foi graça, graça, super abundante graça / Graça, graça, preciosa e doce graça / Foi graça irmão, graça irmão / Eu vos digo que foi assim / Foi só pela graça de Jesus / Que eu venci e cheguei aqui”.

Uma permanente tentação na vida do cristão é imaginar que tem algum mérito na salvação. Não, não tem, é tudo graça! Sepulte esse espírito enganador que sugere ter você mais mérito do que seu próximo e se derrame na graça de Deus.

sábado, 1 de junho de 2024

Salmo 62


Ele é a minha esperança

“Somente em Deus a minha alma espera silenciosa; dele vem a minha salvação” - Salmo 62.1.

Tudo na vida ou perde o sentido, ou acaba ou se torna muito difícil quando se perde a esperança. E nenhum problema, por mais doloroso que seja, deve provocar sua perda. 

A esperança não é experiência de alguns privilegiados. Todos podem abraçá-la como recurso disponível. William Shakespeare declarou que “os miseráveis não têm outro remédio a não ser a esperança”. 

Mesmo disponível, por que muitos não a desfrutam ou se equivocam quanto à sua fonte? Possivelmente porque ainda não conhecem a fonte verdadeira. Há quem assente sua esperança em homens poderosos, em promessas vazias e até em si mesmo.

Para Davi, Deus era a fonte única e verdadeira. O verso cinco é como um refrão, repete o primeiro quase que literalmente: “Somente em Deus, ó minha alma, espera silenciosa, porque dele vem a minha esperança”.

Salvação no primeiro verso e esperança no quinto, a única distinção. Salvação e esperança podem ser sinônimas, pois, segundo o apóstolo Pedro, “Deus nos gerou para uma viva esperança!”.